Vivam os musicais! Tick, Tick… Boom!

Por Fátima Tauil    

Filme faz uma homenagem sensível ao legado deixado pelo compositor Jonathan Larson

Atuação de Andrew Garfield no papel do compositor e dramaturgo valeu  indicação ao Oscar de melhor ator neste ano

 

Indicado a seis categorias no Oscar 2022, o filme “Tick, Tick… Boom!” foi aclamado entre crítica e público no seu lançamento. O longa é uma adaptação do musical de teatro com o mesmo nome, que narra a jornada criativa do compositor Jonathan Larson, na criação de seu primeiro musical, “Superbia”, que nunca saiu do papel. O trabalho mais conhecido deste autor de espetáculos é o musical “Rent”, que vem sendo apresentado desde 1996, já tendo  uma versão para o cinema em 2005 e montagens nos palcos brasileiros.

Com a Nova York dos anos 1980 servindo como palco, o musical “Tick, Tick… Boom!” não decepciona ao transmitir os anseios, sonhos e frustrações de Larson com o público e, especialmente, com os produtores que investem nas montagens dos musicais. É uma boa indicação para aqueles que gostariam de consumir mais o gênero. A adaptação musical marca a estreia de Lin-Manuel Miranda na direção, e conta com a atuação de Andrew Garfield, indicado ao Oscar de melhor ator neste ano, no papel do protagonista. A trama inicia com Larson correndo atrás do seu sonho: levar a produção de sua vida, o musical “Superbia”,  aos palcos, pela primeira vez.

Chegando aos 30 anos, o compositor se encontrava frustrado pela falta de frutos do seu trabalho. Ao ver seus amigos e namorada trocando o onírico meio artístico por carreiras diferentes, ele encarava a possibilidade de ter lutado em vão todos esses anos por seu sonho.

A narrativa começa promissora, assim como a maioria das biografias de grandes gênios da indústria cultural, “Tick,.Tick… Boom!” tenta passar um pouco da angústia e frustação do protagonista ao espectador, que acaba torcendo por Larson em sua jornada criativa até o final.

O compositor trabalha em jornada tripla, como garçom em uma lanchonete, enquanto tenta compor as últimas partes de “Superbia”, uma antologia teatral incompreendida e a frente de seu tempo.

Cotidiano de Nova York nos anos 1980 é o tema de fundo do filme e do musical criado pelo personagem principal

 

Para contar esta história, Lin-Manuel Miranda executa brilhantemente o recurso metalinguístico teatral, mostrando cenas de um musical que conta a história de outro musical que nunca chegou aos palcos. No meio desta trama envolvente, ainda vemos os personagens inseridos no contexto histórico da época: A Nova York dos anos 1980.

Jonathan vê ao seu redor uma realidade que sofre com o estigma da Aids, a pressão da indústria, a falta de oportunidades e de expectativas para o futuro. Na tentativa de lutar por sua carreira, ele acaba enfrentando dilemas com a namorada Susan (Alexandra Shipp), que se frustra por estar sempre sendo colocada como coadjuvante na vida do namorado, e com seu melhor amigo Michael, interpretado por Robin de Jesús, que desiste da sofrida e mal remunerada carreira artística por um trabalho em uma empresa de publicidade.

A atuação de Andrew Garfield, que foi indicado ao Oscar de melhor ator pela obra, complementa muito bem o roteiro sagaz de Steven Levenson, ambientando aos olhos do público esse mundo de sonhos e expectativas. Ao mesmo tempo que torcemos pelo sucesso implacável de Jonathan Larson, também compreendemos a realidade por trás dos palcos quando a cortina se fecha e o espetáculo acaba.

Um dos pontos mais altos no filme é o contraste da mente do compositor com a vida real. Após não conseguir concluir seu musical, nosso protagonista recebe um conselho emblemático: “Escreva sobre o que você vê”. A partir deste ato, Jon começa a compreender que a ansiedade em ter seu talento reconhecido é em vão quando seu esforço não representa quem ele é, e onde ele vive.

O filme está disponível no serviço de streaming. Veja o trailer:

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