Simpósio Temático 37 – Fazendo Gênero 14
Simpósio Temático 37: “Corpos em Disputa: Judicialização da Violência de Gênero, Construção da Vítima e Restos da Judicialização” no âmbito do 14o.
Fazendo Gênero (Florianópolis – 26 a 30 de Julho de 2027).
Coordenação: Ísis de Jesus Garcia (UFSC),Matilde Quiroga Castellano (UFSC),Daniel Schroeter Simião (UNB).
Descrição: Este Simpósio Temático propõe refletir sobre os modos pelos quais corpos, territórios e instituições se articulam nos enfrentamentos contemporâneos às violências de gênero, com atenção 7tanto aos limites da judicialização quanto às estratégias de enfrentamento, cuidado e resistência que mulheres e demais sujeitos produzem para além deles. A violência não incide apenas sobre corpos individuais, mas atravessa territórios marcados por relações de poder, desigualdades de gênero, raça, classe, sexualidade e colonialidade. Os corpos afetados pela violência constituem-se, assim, como corpos-territórios: espaços de disputa, intervenção institucional e invenção cotidiana de proteção e cuidado. O sistema de justiça não apenas responde à violência, mas participa da produção das categorias por meio das quais ela se torna inteligível, definindo quem pode ser reconhecida como vítima e quais experiências permanecem à margem dos dispositivos institucionais. O corpo que acessa o direito é continuamente produzido, classificado e silenciado pelas racionalidades que organizam a gestão jurídica dos conflitos. Ainda que o âmbito judicial se mostre pouco permeável, mulheres e outros sujeitos não permanecem à espera exclusiva de sua resposta: produzem estratégias cotidianas de enfrentamento, tecem redes de apoio e orientação e constroem práticas coletivas de cuidado que operam como espaços concretos de proteção, às margens ou para além da institucionalidade jurídica. Interessa-nos interrogar os restos da judicialização: rastros e experiências que persistem além dos autos e das categorias jurídicas, manifestando-se em silêncios, narrativas interrompidas e marcas corporais que desafiam a gramática institucional. Esses restos expõem os descompassos entre a promessa normativa de proteção e as condições concretas de vida, apontando para espaços de resistência, criação política e reinvenção de formas de reconhecimento e cuidado. O ST acolhe pesquisas que analisem tanto as respostas institucionais às violências de gênero (sistemas de justiça, redes de atendimento e políticas públicas) quanto as estratégias de enfrentamento, cuidado e resistência produzidas por mulheres, coletivos, movimentos feministas e redes comunitárias de apoio. São bem-vindos estudos sobre judicialização, criminalização, acesso à justiça, alternativas ao punitivismo, ativismos feministas, perspectivas decoloniais e interseccionais, além de investigações sobre múltiplas formas de proteção para além do Estado. Privilegiam-se abordagens etnográficas, análises processuais e investigações interdisciplinares que compreendam os corpos-territórios como espaços de disputa política, memória, resistência, cuidado e produção de novas formas de proteção.
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📢ATENÇÃO:
📅 As submissões de Comunicações Orais estarão abertas até o dia 02/10/2026

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