O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enfrenta uma intensificação da pressão diplomática por parte dos Estados Unidos para aceitar um acordo de paz com a Rússia que pode envolver concessões territoriais.
Os encontros de alto nível em Washington e a mediação de enviados americanos serviram para reafirmar a urgência em encontrar uma solução negociada para o conflito, com os EUA buscando um plano de paz potencialmente elaborado em consulta com Moscou.
Nesse viés, a visita de enviados norte-americanos a Moscou incluiu a apresentação de um documento que delineia as bases para um possível acordo de paz. O plano proposto por Washington sugere a retirada ucraniana de áreas do Donbass atualmente sob controle de Kiev, o que atenderia a uma das principais condições de trégua exigidas pela Rússia. O impasse central reside na questão territorial, pois o Presidente Zelensky reafirmou veementemente sua recusa em ceder qualquer território à Rússia, argumentando que a lei e a moral ucranianas não permitem tais concessões. Embora a Ucrânia esteja pronta para avançar com um acordo de paz apoiado pelos EUA, Zelensky aponta que ainda não existe uma “visão unificada sobre o Donbass,” mas sim visões distintas sobre a resolução de disputas territoriais. Para resistir à pressão, o líder ucraniano busca apoio europeu e planeja enviar uma proposta atualizada a Washington.
Outrossim, a estabilidade política interna foi posta em xeque pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que defendeu abertamente a realização de novas eleições presidenciais na Ucrânia, alegando que a guerra estaria sendo usada para evitar um novo pleito. Historicamente, a Ucrânia tem estado sob lei marcial desde a invasão russa em 2022, o que constitucionalmente proíbe a realização de eleições, cujo mandato presidencial deveria ter terminado em 2024. Em resposta às críticas, Zelensky declarou-se pronto para realizar eleições, desde que as condições de segurança sejam garantidas. Ele solicitou que os aliados ajudassem a assegurar a segurança do processo e pediu que fossem preparadas propostas para modificar o quadro legislativo e a lei eleitoral durante a lei marcial. A Rússia, por sua vez, manifestou que seria praticamente e legalmente impossível assinar quaisquer documentos com a atual liderança ucraniana sem um processo decisório reconhecido internacionalmente.
Em conclusão, a Ucrânia encontra-se em uma encruzilhada que exige equilibrar as demandas externas por negociações de paz e eleições, com as restrições constitucionais e o compromisso moral de não ceder seu território. O dilema central reside na capacidade de o Presidente Zelensky conciliar a pressão externa, liderada pelos EUA, para um fim negociado do conflito, com a determinação constitucional e moral de não ceder soberania sobre o Donbass. Esta pressão combinada ameaça a estabilidade política interna do presidente ucraniano e coloca à prova a capacidade da liderança do país de manter a integridade territorial. Ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade do apoio crucial de seus parceiros ocidentais nos próximos anos torna-se cada vez mais difícil, principalmente no que tange às relações com os Estados Unidos e o redirecionamento de sua política externa pelo presidente Trump.
Referências:
EUA pressionam Zelensky para aceitar definições sobre territórios nas negociações de paz na Ucrânia. (2025, 8 de dezembro). Sputnik Brasil. Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20251208/eua-pressionam-zelensky-para-aceitar-definicoes-sobre-territorios-nas-negociacoes-de-paz-na-ucrania-45893118.html
“É hora de realizar eleições na Ucrânia”, declara Donald Trump. (2025, 9 de dezembro). Sputnik Brasil. Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20251209/e-hora-de-realizar-eleicoes-na-ucrania-declara-donald-trump-45910550.html
Zelensky, que cancelou as eleições na Ucrânia, afirma agora estar pronto para elas. (2025, 9 de dezembro). Sputnik Brasil. Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20251209/45920711.html
*Lisa Marie B. Bastos é pesquisadora do LabGRIMA.
