A internet parece estar sob ameaça diante dos incidentes envolvendo cabos submarinos na região do Mar Báltico. Uma plataforma aponta que, em 2021, mais de 500 cabos atravessavam os oceanos, totalizando cerca de 1,3 milhão de quilômetros de extensão — número que vem crescendo desde então.
Desde 2022, pelo menos dez cabos foram rompidos no Mar Báltico, sendo sete interrupções registradas entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. A Rússia é frequentemente citada como suspeita, devido a indícios como marcas de âncoras e movimentações incomuns de navios. No entanto, não há evidências conclusivas de ação intencional. A China também é investigada, especialmente após a Suécia solicitar colaboração em novembro de 2024 para apurar um rompimento na região. Assim, buscam-se possíveis interessados no corte desses cabos e no isolamento digital. A comunidade internacional, incluindo União Europeia e Estados Unidos, aponta Rússia e China como principais suspeitos. Até o momento, porém, não há comprovação de que Moscou tenha planejado tais ataques, que também podem ter sido causados por acidentes naturais ou negligência dos responsáveis pela infraestrutura submarina.
Na Ásia, após esses incidentes, crescem as preocupações em relação aos cabos submarinos do Pacífico. A região abriga redes que conectam Japão, Taiwan, Coreia do Sul e Estados Unidos. Esses países temem que, em caso de um conflito com a China, os cabos submarinos possam ser destruídos como parte de ataques a infraestruturas críticas.
Diante disso, pode-se inferir que, até o presente momento, não há culpados comprovados no caso do Mar Báltico, apesar das acusações contra russos e chineses. É possível interpretar que os interesses dos Estados Unidos ao questionar a legitimidade chinesa perante países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan estejam relacionados ao alinhamento ideológico desses Estados com Washington e ao esforço de conter os avanços de Pequim em um contexto de disputa pela hegemonia global — especialmente evidente na corrida tecnológica pela liderança em inteligência artificial. No caso russo, o interesse norte-americano em pressionar Moscou também se manifesta, ainda que os EUA tenham contribuído para o agravamento das tensões que levaram à Guerra na Ucrânia, devido à aproximação do país com a OTAN, organização liderada por Washington. Embora sanções internacionais tenham sido impostas à Rússia, o comércio entre russos e norte-americanos não foi completamente interrompido. Assim, em ambos os casos, pode-se argumentar que o objetivo estratégico dos EUA é enfraquecer duas potências que possuem alinhamento ideológico entre si e que buscam alternativas à hegemonia estadunidense, para além de buscar um multilateralismo da internet global.
*João Leonardo Campos é pesquisador do LabGRIMA.
Referências:
MSN. Há risco de apagão por sabotagem em cabos submarinos? Disponível em: <https://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/h%C3%A1-risco-de-apag%C3%A3o-por-sabotagem-em-cabos-submarinos/ar-AA1RybDc?ocid=BingNewsSerp>. Acesso em: 11 dez. 2025.
RECORDED FUTURE. Submarine Cables Face Increasing Threats. Disponível em: <https://www.recordedfuture.com/research/submarine-cables-face-increasing-threats>. Acesso em: 11 dez. 2025.
TEK SAPO. Os cabos submarinos que suportam a internet estão em apuros e a segurança global pode estar em causa. Disponível em: <https://tek.sapo.pt/noticias/telecomunicacoes/artigos/os-cabos-submarinos-que-suportam-a-internet-estao-em-apuros-e-a-seguranca-global-pode-estar-em-causa>. Acesso em: 11 dez. 2025.
NOTÍCIAS ES. Risco de apagão na internet aumenta com sabotagens em cabos submarinos no Pacífico e Mar Báltico. Disponível em: <https://noticiases.com.br/risco-de-apagao-na-internet-aumenta-com-sabotagens-em-cabos-submarinos-no-pacifico-e-mar-baltico/#google_vignette>. Acesso em: 11 dez. 2025.
*João Leonardo Campos é pesquisador do LabGRIMA.
