Alerta sobre a doença celíaca

Maio Verde e os desafios enfrentados por pessoas com doença celíaca, um distúrbio auto imune desencadeado pela ingestão de glúten

Manuela Bragamonte / Em Pauta

Manuela Santos / Em Pauta

Taissa Ávila / Em Pauta

O mês de maio é marcado pela campanha Maio Verde, voltada à conscientização sobre a doença celíaca, condição que ainda é pouco compreendida por grande parte da população. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação, reduzir os casos de diagnóstico tardio e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.

A doença celíaca é um distúrbio auto imune desencadeado pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, centeio e cevada. Quando uma pessoa celíaca consome alimentos com glúten, o sistema imunológico reage de forma inadequada e passa a atacar o intestino delgado, comprometendo a absorção de nutrientes essenciais para o organismo.

Os sintomas podem variar bastante, o que dificulta o reconhecimento da doença. Entre os sinais mais comuns estão diarreia crônica, dores abdominais, inchaço, perda de peso e fadiga. Entretanto, há casos em que os sintomas são sutis ou até inexistentes, tornando o diagnóstico ainda mais complexo.

Além da conscientização, o Maio Verde também reforça a necessidade de políticas públicas que garantam melhor rotulagem de alimentos, acesso a produtos sem glúten e suporte adequado às pessoas diagnosticadas.

Segundo a nutricionista Beatriz Padilha, seguir uma dieta sem glúten exige atenção constante no dia a dia. “Significa retirar completamente da alimentação proteínas presentes em cereais como trigo, centeio e cevada. Isso inclui pães, massas e bolachas, além de diversos produtos industrializados, já que o glúten pode aparecer escondido em molhos, temperos prontos, embutidos e até suplementos”, explica.

A especialista destaca ainda a importância da leitura dos rótulos dos alimentos para evitar o consumo acidental da proteína. Entre os alimentos naturalmente sem glúten e indicados para o consumo diário estão arroz, batata, legumes, ovos e carnes.

Outro desafio enfrentado pelos celíacos é a chamada contaminação cruzada. De acordo com a nutricionista, ela acontece quando um alimento sem glúten entra em contato, direta ou indiretamente, com superfícies, utensílios ou preparações contaminadas. “Isso pode ocorrer em torradeiras usadas para pão comum, facas, panos de prato e até esponjas”, alerta.

Beatriz também chama atenção para um equívoco comum entre os consumidores: nem todo produto sem glúten é necessariamente saudável. “Muitos alimentos sem glúten possuem altos índices de açúcar e gordura, continuando sendo ultraprocessados mesmo sem conter a proteína”, ressalta.

A estudante de enfermagem Nicolly Gonçales relata que conviver com a doença celíaca também impacta a vida social. Segundo ela, momentos simples do cotidiano, como festas e aniversários, podem se tornar situações difíceis devido à falta de opções seguras para alimentação: “Na maioria das vezes, não existem produtos que eu possa consumir nesses lugares, então preciso me organizar antes ou até deixar de comer”, conta. Nicolly destaca ainda que a falta de informação sobre a doença faz com que muitas pessoas não compreendam a gravidade da contaminação cruzada e os cuidados necessários com a alimentação.

A busca por alimentos seguros e livres de contaminação tem impulsionado negócios especializados no setor. Um exemplo é a Cucaria e Padaria No Glú, padaria inclusiva administrada pelo casal de proprietários Valéria da Cunha e Jones Pires.

Segundo Valéria, a procura por produtos sem glúten aumentou significativamente nos últimos anos, impulsionada tanto pelo crescimento dos diagnósticos de doença celíaca quanto pela recomendação médica de redução do consumo de glúten em alguns casos inflamatórios.

Para o celíaco, o alimento precisa ser totalmente sem glúten e sem contaminação cruzada. Esse é o maior desafio da produção”, afirma. Ela explica que a fabricação exige atenção rigorosa aos mínimos detalhes para garantir a segurança alimentar dos clientes. Atualmente, a padaria trabalha com mais de 150 receitas próprias.

Apesar da crescente demanda, os custos de produção ainda representam um obstáculo. “Os insumos sem glúten já são naturalmente mais caros, embora sempre tentamos manter um valor acessível. É considerado caro justamente pela dificuldade de produção”, destaca a empresária.

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