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E Não Sobrou Nenhum é considerada melhor adaptação da obra para TV Foto: Divulgação
Carina Reis
Uma das escritoras mais populares e bem-sucedidas na história da literatura, Agatha Cristhie é conhecida como a rainha do crime, pelo gênero em que escreveu, sendo a precursora para que, posteriormente, outras mulheres escrevessem sobre literatura policial.
Foram mais de quatro bilhões de livros vendidos, entre romances, livros de contos e de poemas. Suas obras estão em terceira posição entre as mais publicadas, atrás apenas das obras de William Shakespeare e da Bíblia. Ela também é a autora mais traduzida, pois pode ser lida em 103 línguas.
Criadora de um dos personagens mais importantes do século XX – Hercule Poirot -, a escritora ganhou notoriedade pela criatividade em suas tramas, no qual utiliza o plot twist e reviravoltas para manter o público na leitura, o que consequentemente chamou a atenção da sétima arte, e, assim, desde 1920, há produções de filmes baseados em suas obras.
Para homenagear Agatha Christie, que morreu há 85 anos, o canal GNT disponibilizou neste ano, em suas plataformas on-demand duas séries baseadas nas obras da escritora, que são: E Não Sobrou Nenhum e Sócios no Crime.
E Não Sobrou Nenhum é um livro de 1939, considerado o maior best-seller policial de todos os tempos, ao vender 100 milhões de cópias mundialmente, estando também entre os 10 melhores livros da prolífica escritora.
Em 2015, no lançamento da série, pela BBC, a crítica especializada considerou a melhor adaptação de Agatha Christie para a televisão. A produção televisiva, dividida em três episódios de, em média, 50 minutos, apresenta dez pessoas em uma ilha particular, no sul do Inglaterra, a convite de um anfitrião desconhecido. Ao chegarem, os convidados são acusados de um crime. Porém, enquanto estão na ilha, algumas pessoas do grupo vão desaparecendo, do mesmo modo que um poema emoldurado na casa diz, e assim, entendem que há um assassino entre eles.
A segunda série, Sócios no Crime, é inspirada em um dos contos do livro homônimo de 1929. A adaptação, que conta com seis episódios, retrata a história de Tommy e Tuppence, um casal de detetives que precisa desvendar o desaparecimento de Jane Finn, uma garota que sumiu após o naufrágio de um navio na Primeira Guerra Mundial. A jovem carregava um importante documento com informações comprometedoras da Inglaterra e dos países aliados, fazendo com que não somente o governo, mas também um grupo de revolucionários queira esses papéis.
David Walliams e Jessica Raine em Sócios do Crime Foto: Divulgação
As séries estão disponíveis nos links do Globosat PlayE Não Sobrou Nenhum e Sócios do Crime. Para aqueles interessados em conhecer as obras literárias, não se preocupem, pois como em qualquer boa arte, nem livro nem série contam a história toda: são complementares.
A Princesa do Sul é conhecida como uma cidade universitária, devido à quantidade de faculdades que coexistem em Satolep. Impulsionada pelo público jovem, a arte tem ganhado espaço e colorido aos poucos as ruas e palcos na cidade. Quem tem conquistado grande visibilidade no cenário artístico local é o grupo de danças urbana Rua em Cena (REC).
O grupo surgiu em 20 de agosto de 2014, criado por Taison Furtado, Tiago Meireles e Tauana Oxley. A principal motivação que levou ao seu surgimento era a carência que Pelotas encontrava no espaço das danças urbanas. Isso por que, na época, completava quatro anos do encerramento do grupo Piratas de Rua, uma referência no Brasil
O grupo destaca-se pela critica muito bem desenvolvida em seus trabalhos. Durante a criação dos espetáculos, é feita uma intensa pesquisa quanto a símbolos, para que o público seja atingido sensivelmente e compreenda a encenação. As coreografias são relacionadas com acontecimentos da vida cotidiana, fortalecendo a conexão do grupo com os espectadores. O primeiro trabalho apresentado pela REC se chama Defenda sua Palavra, que se trata de um manifesto com proposta que vem de encontro com o momento que o Brasil vivia, durante as manifestações de 2014. Em 2015, o grupo participou do Festival de Dança, em Bagé, e obteve o segundo lugar na modalidade conjunto.
O segundo trabalho da companhia se chama Relógio de Areia, realizado em 2016. A obra de 25 minutos de duração contava com um elenco de 11 pessoas. O último grande trabalho do grupo se chama Lutas e Lutos. A obra artística discute a violência, tendo em vista o grande número de assaltos que ocorrem na cidade e a negligência do poder público. Como enfatiza Taison Furtado, é uma realidade vivida por todos os integrantes do grupo. O espetáculo conta com participação da parte produção musical de DJ micha, e, na abertura, de Afro-X (ex-integrante do grupo de rap 509-E).
O ano de 2017 foi um ano de ampliação do elenco da companhia, pois marca a criação de um elenco de hip-hop dance e break dance. O elenco de Break dance conquistou o primeiro lugar na categoria duo adulto no Festival de Dança de Arroio Grande.
Projeto Aula Aberta
Oficina que ocorreu no segundo semestre de 2017 Foto: Binho Gimenes
A companhia surgiu em uma oficina artística no dia 20 de setembro de 2014. O projeto, como o nome já sugere, trata-se de uma aula aberta de danças urbanas, realizada periodicamente, promovendo o gênero a todos que têm desejo de praticar o estilo, independente da experiência na área. O grupo também busca novos integrantes durante as aulas, tendo em vista que, muitas vezes, a pessoa tem potencial, mas não tem a técnica.
Atualmente, o projeto conta com participação de DJs, proporcionando um espaço sonoro semelhante ao dos espetáculos das danças urbanas. Os Disc Jockeys participam para ambientar e projetar um clima que transcende a dança tradicional, promovendo sensações que inserem os participantes em diversas atmosferas.
A próxima aula acontece dia 18 de março na Rua em Cena Companhia de Dança.(Rua Quinze de Novembro 755, das 15h às 18h30min)
Aula aberta trouxe muita gente na segunda parte do ano passado Foto: Binho Gimenes
O que esperar de 2018?
Em entrevista com o criador e responsável pela companhia, Taison Furtado, além da participação em festivais de dança, foi revelado que 2018 será um ano de ampliação dos elencos, visando o desejo da grupo em desenvolver mais técnicas, tornando a companhia o mais plural possível em termos estéticos.
O elenco atual conta com:
Espetáculo Relógio de Areia Foto: Divulgação
Marlom Costa
Julie Schiavon
Taison Furtado
Tavani Paiva
Renan Severo
Lucas Falcão
Bruno Quadros Deivid Garcia
Ensaio da Invernada “Bem Querer” em Jaguarão Foto: Rafael Techera
Rafael Techera
Além do entretenimento, a arte também pode ser utilizada na educação. Filmes, músicas, pinturas e livros podem ser de grande ajuda no dia a dia das salas de aulas das escolas brasileiras. Principalmente no aprendizado de crianças especiais, como por exemplo nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs ) espalhadas pelo Brasil.
No instituto localizado na cidade de Jaguarão, são realizadas algumas atividades artísticas com seus alunos. Na maioria das vezes, relacionadas à música, como a banda do colégio e a Invernada, em que os estudantes também conhecem mais sobre a cultura de nosso estado.
Seja como filmes de super-heróis, músicas lúdicas ou mesmo meter a mão na massa com pinturas em papel, a arte é de suma importância no aprendizado especial infantil. Porém, como um instituto sem fins lucrativos, a APAE sofre muito com a disponibilidade de oportunidades de inserção de seus alunos em eventos culturais. Esses acabam restritos a alguns momentos durante o ano.
Atividades musicais: uniforme da banda da instituição Foto: Rafael Techera
‘’Infelizmente, a cultura fica, na maioria das vezes, ligada às datas comemorativas, são raras as exceções em que se criam projetos pedagógicos para incentivar os alunos a vivenciar e conhecer os diferentes tipos de expressões culturais’’, comenta Vanessa Alaniz, professora da APAE Jaguarão.
Apesar das diversidades, a questão da arte ainda é muito usada para discutir assuntos importantes com as crianças. Questões que abordam a diversidade são tratadas de uma forma muito mais leve e didática, fornecendo um melhor entendimento para os alunos.
‘’Vamos abordando o assunto junto com respeito às diferenças de gênero, raça, religião e comportamentos sociais. A arte é um mundo muito amplo e proporciona a união da nossa racionalidade com a emoção. Intensifica a sensibilidade, transformando nossa identidade. Com uma linguagem própria, torna-se relevante para a socialização e beneficia a retenção multissensorial da aprendizagem humana,’’ diz Márcia Cassales, professora da APAE Jaguarão.
A arte é de suma importância para a vida humana, e na educação ainda mais. Apesar das adversidades, as APAEs desempenham um papel fundamental no aprendizado de jovens com necessidades especiais, formando uma comunidade muito mais consciente e inclusiva.
Músico pelotense inicia divulgação de seu novo trabalho e faz show no Theatro São Pedro em março
Jessé Krüger
Natural de Pelotas e conhecido no meio da música tradicionalista, o acordeonista Aluísio Rockembach dispensa apresentações. Músico, compositor, produtor e arranjador, acumula mais de 15 anos de carreira. E, agora, parte para um novo capítulo de sua história, com o lançamento do álbum Dona Maria.
“A realização do Dona Maria é um marco na minha vida. Poder contar com a presença de grandes músicos e amigos nas gravações torna ainda mais especial o trabalho”, comentou Rochemback.
O álbum conta com participações de grandes músicos do cenário gaúcho e latino. Dentre eles, Vitor Ramil, Duca Leindecker (Cidadão Quem, Pouca Vogal), Thedy Corrêa (Nenhum de Nós), Gicela Mendez Ribeiro, Pirisca Grecco, e claro, Luiz Marenco, um dos expoentes da música tradicionalista gaúcha e o qual Aluísio acompanha em turnês há alguns anos.
“Trabalhar com o Marenco é sensacional. Me abriu portas para muitas coisas, assim como também me faz ser um instrumentista melhor a cada ano. Penso que cada show apresenta novas nuances e desafios. É sempre uma alegria trabalhar com ele,” comenta sobre a parceria.
Rochemback contou com a participação especia de Duca Lendeicker no álbum Foto: Divulgação
E novidades não param de surgir desde o lançamento oficial do disco em novembro do ano passado. Logo na primeira semana, Aluísio pode fazer parte da Virada Cultural, evento idealizado pela Prefeitura de Pelotas. Agora há pouco, no mês de janeiro, um convite para participar de um festival em Corrientes, Argentina, levou o pelotense ao país vizinho para se apresentar. E, no dia 20 de março, Rockembach parte para Porto Alegre, onde no Theatro São Pedro realiza o show de lançamento de Dona Maria.
“Tocar em Pelotas sempre vai ser especial pra mim, assim como foi uma baita experiência mostrar o trabalho do disco em Corrientes. E sobre o São Pedro nem se fala. Eu considero um dos palcos mais marcantes do Brasil, e ter a chance de lançar o Dona Maria lá é um motivo de orgulho imenso”, finalizou Aluísio.
Pelotas, 1990. Neste cenário, dia 20 de abril, nascia César Eduardo Hasse Lascano, geralmente conhecido apenas por Lascano. Na divisa entre o Centro e o bairro Areal, o músico, compositor e, agora, professor, tem vivido profundamente o Carnaval pelotense. Esse foi o ponto de partida para uma carreira de compositor com muitas referências, que passam pelo samba, MPB, rock e blues.
O pai participava na Academia do Samba, escola mais antiga do Estado em atividade, e também era presidente da Banda Bandalha. César era levado aos encontros carnavalescos do pai e também aos jogos do Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas, pelo qual é completamente apaixonado até hoje. Sendo assim, a inserção na cultura do samba veio desde criança. Aos 15 anos, começou a tocar cavaquinho. Conseguiu um instrumento emprestado por amigos da família, fez algumas aulas e ansiava encontrar um pessoal que também quisesse tocar alguns choros por aí. Sem sucesso, a saída era participar nas rodas de pagode, contrariado, já que não era o gênero que queria tocar. Mas um pouco antes disso, por volta dos 12 anos, descobriu nos discos de vinil que a família possuía alguns sucessos do mundo do rock. Passou a escutar The Beatles, Led Zeppelin, Guns and Roses, Kiss e até Engenheiros do Hawaii. “Eu era o garotão cabeludo, grandalhão, que gostava de ir ao jogo de futebol do Xavante, conhecia o samba mas também já escutava Beatles há uma cara de tempo […] então eu era uma aberração! [risos] Com 14 ou 15 anos eu queria tocar choro no cavaco mas eu gostava de ouvir em casa Led Zeppelin e Beatles”, explica César.
César Lascano no show Plays the Samba no Mercado Público de Pelotas Foto: Divulgação
Conforme foi amadurecendo, surgiram outros interesses. Aos 18 anos, o cavaquinho foi ficando de lado e Lascano começou com o violão. Foi aprendendo praticamente sozinho, apenas com algumas dicas de amigos. Nessa altura, então, começou a compor as próprias músicas. “Aí foi o meu divisor de águas. Comecei a me interessar por um melhor conhecimento da música popular brasileira e a querer tudo que era da MPB. Percebi que tinha outra visão, outra maturidade, e coisas que eu já tinha escutado comecei a ver de outra maneira. […] Aí aquela dualidade do guri que escutava Guns and Roses e Led Zeppelin e queria tocar choro e samba mudou um pouco, porque comecei a me interessar pelo blues”, relata Lascano. De choro, samba e rock and roll, o interesse passou um pouco para MPB e blues, embora ainda quisesse seguir tocando o rock. Havia várias formas de inspiração, desde a literatura até filmes de cinema ou programas de TV. Lascano definiu nessa época que queria fazer músicas “assim como faz Humberto Gessinger, assim como faz o Vitor Ramil” e que elas também fossem “como são as do Zé Ramalho” e “fazer uma balada inteligente tipo a do Caetano”. Junto com o blues, veio o gosto pela gaita harmônica diatônica (gaita do blues, diferente da gaita comum que costumamos conhecer). Aprendeu a tocar o instrumento com algumas dificuldades por volta de 2009. Hoje domina essa sonoridade.
Em 2011, iniciou a profissão de músico, de fato. A princípio ainda morava com a família, e a música não era seu sustento. Trabalhava também no comércio. Chegou a ingressar uma graduação em História, mas não concluiu. Em 2013 saiu da casa da família e passou a morar sozinho, mas a decisão de viver apenas da música não foi algo muito pontual. “Não sei determinar exatamente o mês ou o ano. Quando me dei conta, olhei pra trás e já estava fazendo isso há um baita tempo, pagando minhas contas e vivendo só com a música”, relata. Em 2015 dava aulas de gaita de boca em casa, outra forma de se manter com a música.
A gaita harmônica diatônica é uma das sonoridades integradas no trabalho musical de Lascano Foto: Divulgação
Lascano já tocou com diversos músicos e fez parte de projetos como Diablues, Ventura, Toca um Blues Aí, Jam do Boteco, e várias outras formações em dupla e trio. Além disso, há o Plays the Samba, trabalho desenvolvido a partir de clássicos do blues e do samba, resignificando os dois gêneros.
As inspirações do músico vão de Vitor Ramil, Ney Lisboa, Humberto Gessinger, Zé Ramalho e Sérgio Sampaio até Led Zeppelin e grandes nomes do blues, como Elmore James, Jimmy Reed e Sonny Boy Williamson. Mas não só de reprodução de outros artistas vive o músico César Lascano. Após compôr em torno de 40 músicas, lançou um trabalho totalmente autoral em 2014: o Ruas Cruas. Com sete músicas denominadas por César como “MPB experimental”, o álbum mostra canções que falam sobre “a poesia abstrata dos prédios, de tantas ruas, e o mistério que há por entre os becos da Rua XV de novembro”, conforme a letra de “Rua XV”, por exemplo. Sons mais calmos como este, mas também músicas de ritmo mais marcante como “Correntes”, por exemplo.
Segundo o músico, o trabalho autoral vai ganhar forma mais uma vez com o álbum Visceral, que está em fase de produção. Além da música, César também transformou o gosto por literatura em prática de vida. Escreveu o livro “Contos da Arquibancada”, com contos e crônicas sobre futebol, ainda não lançado por falta de recursos.
Atualmente, César continua levando seus trabalhos mais próximo ao público, profissão que leva com carinho e dedicação. Quando ele questiona “Onde podem me prender? Aonde podem me levar?” na música “Correntes”, ele mesmo responde a pergunta: já tocou em diversas cidades da região e foi, junto com um de seus companheiros de música Wysrah Moraes, Uruguai adentro descobrir novos lugares e contatos para parcerias, em maio de 2017.
César Lascano continua músico, continua compositor, e agora, continua professor. Voltou a dar aulas de harmônica diatônica.
Para quem quiser contatar, seja para shows ou para aulas, os telefones são (53) 99997-9582 e (53) 98126-2003. O e-mail é <ruascruas@gmail.com>. Amanhã César Lascano toca no Black Bison (Rua Félix Xavier da Cunha, 555, a partir das 20h) e sexta-feira no Javali BeerBrew Pub (Avenida São Francisco de Paula, 4005, bairro Areal, a partir das 18h).
“Somos os ares da cidade, a feracidade, o ectoplasma das ruas”
Flávio Basso,o Júpiter Maçã, deixa saudades para o rock gaúcho
Vernihu Pereira Neto
No dia 21 de dezembro, completou dois anos da morte de Flávio Basso, o Júpiter Maçã. Já com a saúde muito fragilizada o infarto no miocárdio foi apenas a desculpa para o coração cansado parar de bater. Flávio foi o fundador de duas das maiores bandas de rock do Rio Grande do Sul, TNT e Os Cascavalletes.
Seu primeiro álbum solo, lançado em 1997, A Sétima Efervescência, foi considerado pela revista Rolling Stone como um dos 100 maiores álbuns da música brasileira. Apesar de bem-sucedido em relação à crítica, Jupiter Maçã nunca foi um sucesso comercial, assim como a maioria de seus companheiros de rock gaúcho.
Flávio foi um dos personagens mais marcantes da história da música brasileira, rei do psicodelismo, sua carreira foi inovadora e surpreendente. Morreu aos 47 anos, deixando um mar de dúvidas e se tornando um personagem folclórico da música brasileira. Se não estourou comercialmente, aqueles que o ouviam sabiam que estavam diante de um gênio. Seja tocando Beatles em barzinhos ou fazendo gigantes shows por Porto Alegre, Flávio Basso foi um dos maiores talentos da música brasileira. A vida desregrada, a cabeça sempre no espaço e a pouca atenção dada pela grande mídia às bandas do rock gaúcho fizeram com que Júpiter não tivesse o reconhecimento que merecia.
Após sua morte, recebeu diversas homenagens, inclusive uma música escrita pelo amigo Ney Van Soria: Balada para Flávio. Gravada em 2016 pelos ex-integrantes da banda Os Cascavalletes. Sua trajetória é contada, a dor de sua perda é chorada e sua loucura homenageada.
Ney Van Soria fez homenagem ao tocar O Lobo da Estepe
E no dia 23 de setembro deste ano, recebeu uma das maiores homenagens possíveis. No Festival Rock Gaúcho organizado por Ney Van Soria, que contou com a participação de bandas renomadas e bandas iniciantes, Flávio foi lembrado pelo organizador. Em seu show, Ney cantou diversos sucessos de suas bandas, mas guardou o momento mais emocionante para o amigo. Aproximou-se do público e apenas ao som de seu violão cantou uma das mais belas músicas já compostas: O Lobo da Estepe, escrita por ele e por Flávio. Levou às lágrimas o público do imenso auditório Araujo Vianna, um templo da música gaúcha. Depois voltou ao seu posto e se juntou à banda para junto com as milhares de pessoas presentes cantar Sob o céu de blues, seu grande sucesso.
Junto com aquelas pessoas e com seu amigo, Flávio cantou virtualmente naquela noite, em Porto Alegre, no auditório Araujo Vianna.
“Mas você foi além do que era possível”. Obrigado Flávio Basso!
Fevereiro, verão, calor e sol. Junto com esse grupo, chega o Carnaval. Mas nem todo mundo é fã dessa combinação. Mesmo assim, várias dessas pessoas que preferem não pular nas folias do momo não desistem de festejar de outra maneira. Com a crescente demanda por outras opções, festivais de outros nichos culturais que ocorrem na mesma época têm sido mais procurados. Reunindo milhares de pessoas, esses festivais oferecem diversas opções de lazer. Conheça alguns dos festivais, um no Rio Grande do Sul e outros dois em Santa Catarina e Goiás:
Este festival reúne vários shows de música eletrônica em único dia. É a melhor opção pra quem não tem tanto dinheiro pra ficar vários dias fora. Em 2018, serão 11 atrações, iniciando às 17h. O evento é coberto, então não há muita preocupação com a previsão de tempo antes de ir.
No evento não é permitida entrada para menores de 18 anos e fica no km 29 da RS-389.
Maori Festival de Carnaval do ano passado agitou público com seleção de músicas eletrônicas Foto: Reprodução/YouTube
Este festival acontece em uma fazenda e reúne música (“rock’n’roll e suas vertentes, como o rock progressivo e o psicodélico, o rock rural, e também estilos como o jazz, blues, MPB, soul, reggae e músicas regionais”, conforme descrito no próprio site), oficinas, apresentações teatrais, atividades e recreação, exibição cinematográfica e até mesmo uma rádio própria do festival. Além de tudo, ainda encontra-se por lá algumas feirinhas de arte e bazares.
Quem vai para o Rio Negrinho, pode acampar no local ou ficar em um hotel na cidade. Após comprar o passaporte, a pessoa pode entrar e sair quantas vezes achar necessário.
O festival, conforme descrito no site oficial, tem como uma das ideologias o apoio à diversidade, respeito à natureza e conscientização ecológica, e trabalha com um programa de gerenciamento de resíduos onde todo o lixo gerado no festival é reciclado.
Com cuidados ecológicos, área de shows do festival em Santa Catarina ocupa uma fazenda Foto: Divulgação
Este festival oferece música psicodélica uptempo, midtempo, chillout e downtempo, além de palestras, oficinas culturais, práticas, projeção de vídeo, performances, bares e feiras.
Também oferece área para camping. Além disso, a entrada com bebidas é liberada, então dá pra economizar bastante levando de casa o que for beber por lá. No festival, também há uma cozinha comunitária de uso gratuito para os participantes.
Luiziânia no estado de Goiiás tem o seu festival de 9 a 14 de fevereiro Foto: Divulgação
Grupo carioca atua na Ilha do Governador com a proposta de descentralizar a produção teatral Foto: Reprodução Facebook
Rayane Lacerda
No Rio de Janeiro, um grupo de teatro vem recebendo destaque devido a sua forma de divulgar e ganhar a atenção do público. Os Carolas realizam intervenções culturais e urbanas na cidade, reproduzindo cenas com os atores em espaços públicos, tais como as praças próximas aos teatros onde fazem apresentações. É uma ideia sugestiva para os produtores de espetáculos em Pelotas e que enfatiza a importância de projetos semelhantes que vem sendo promovidos por grupos pelotenses.
Ao conversar com Nathália Araújo, 21, uma das atrizes do grupo, pode-se compreender a importância dessas atividades culturais. “Aqui no Rio a cultura do teatro é muito restrita na Zona Sul. As outras áreas mais carentes não têm muitas peças ou coisas do tipo. A gente acredita que essas intervenções são uma boa forma de levar o público ao teatro”, explica.
Além disso, o grupo prova que as pessoas de classes desfavorecidas socialmente gostam de teatro tanto quanto quem possui fácil acesso à arte. Para os artistas, não é somente essencial a ocupação dos espaços culturais com projetos que rendam bastante público, mas que os resultados também sejam uma prova de que a população gosta de teatro e precisa desse tipo de atividade.
Fundação do grupo
A Companhia de Teatro Os Carolas surgiu em 2015 na Ilha do Governador – lado ocidental da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e compreende quatorze bairros da cidade. Com 10 integrantes, descentralizar o incentivo à cultura e à arte é o foco principal. “Queremos elevar a arte insulana [naturalidade da Ilha do Governador] e que venham mais investimentos para a arte da Ilha, que é muito carente nesse quesito”, defende Nathália. E completa: “Todos os grupos artísticos da Ilha têm muita dificuldade de ascensão. Queremos incentivar trazendo recursos de qualidade para eles”.
Dona Carola, a peça em cartaz
Espetáculo é uma comédia sobre relações de um homem com sua mãe conservadora e superprotetora Foto: Rebecca Rúbia/Divulgação
A atual e primeira peça em cartaz do grupo chama-se Dona Carola e traz como temática principal a convivência de um filho jovem com a sua mãe idosa. É uma comédia voltada para o público adulto, escrita por Aloisio Villar em 1998. O autor, que possui mais de 20 textos teatrais encenados em todo Brasil e Lisboa, resolveu adaptar seu conto para o teatro em 2014, quando foi encenada no interior de São Paulo. A peça usa uma linguagem simples e coloquial, com a intenção de gerar um humor de fácil compreensão. As piadas são baseadas em situações consideradas constrangedoras por um filho que possui uma mãe conservadora, o que gera fácil identificação dos espectadores com a peça.
O grupo também busca reforçar a campanha “Eu quero um teatro na Ilha”, iniciada em 2014 por artistas do bairro preocupados com a cultura local. Segundo eles, a intenção do movimento é “reabrir o Teatro Óperon para uso público, com a ideia de mostrar como é difícil fazer teatro no bairro, devido à falta de espaços, o que dificulta o crescimento de grupos teatrais aqui”. A campanha iniciou após o fechamento da Casa de Cultura Elbe de Holanda devido à falta de verba para manter o espaço. “O diretor Gilberto D’alma, que trabalhava lá, junto com outros artistas da Ilha, deu início à campanha em 2014. para a região voltar a ter um espaço cultural com cursos de teatro, pintura, etc.”, explica Nathália.
Carla, a nora de Dona Carola
Nathália Araújo interpreta personagem Carla que causa indignação do público Foto: Reprodução/Facebook
Nathália fala com orgulho de sua personagem na peça. Ela explica que interpreta a nora de Dona Carola, namorada do Henrique, seu filho. “É uma figura bem geniosa e com personalidade forte, muito decidida. Gosto muito de fazer este papel. Sinto que o público sente raiva do jeito dela e gosto de conseguir causar isso, mesmo sem ser a personagem principal”, expressa.
Ela destaca os resultados positivos que está percebendo no decorrer de todas as apresentações já feitas: “A experiência está sendo ótima! É a primeira peça adulta, com um cunho mais sério, então estou amando. É ótimo estar em uma peça que está fazendo sucesso, pois pretendo estudar artes cênicas e ser atriz”, compartilha Nathália.
O objetivo de expandir o teatro para as zonas periféricas também faz com que ela se interesse cada vez mais pelo ramo. Ao final da conversa, ela afirma que pretende, um dia, abrir um teatro de qualidade e reconhecidona Ilha do Governador.
O dramaturgo
Aloisio Villar acompanhou no teatro primeira apresentação da peça Foto: Arquivo Pessoal
Aloisio Villar, escritor da peça, iniciou a sua carreira artística como compositor de escolas de samba aos 20 anos de idade. Com seu texto em formato de peça em cartaz, ele compartilhou suas inseguranças e como foi o seu processo de escrita em 1998, ano em que teve a criatividade de produzir o texto Dona Carola. Inicialmente, esses contos foram publicados no site Ouro de Rolo entre os anos de 2012 e 2014. Quando questionado sobre a sua inspiração, comenta que foi motivado pelo filme Contos de Nova York, de Woody Allen, “em que uma das histórias era sobre uma mãe tão superprotetora que tomava conta da vida do filho mesmo depois de morta”.
Dona Carola surgiu em formato de conto até o escritor reencontrar a sua obra em 2014 e decidir transformar em peça teatral. Dois amigos foram os primeiros a conhecer a peça e aprovaram o conteúdo. “Insegurança sempre tem, eu tive mais no começo até dominar o texto, os personagens”, lembra sobre o início da sua adaptação para o teatro. E como ele fez para superar tais inseguranças? Respeitando o seu próprio tempo de produzir arte. “Com algumas cenas consegui pegar o jeito dos personagens e deixei que eles conduzissem a história”, explica.
Sobre as diversas reações durante as apresentações da peça, ele deixa uma linda frase: “A lágrima e a gargalhada são das maiores emoções humanas”.
Outras duas peças serão apresentadas por meio da parceria de Aloisio com o grupo Os Carolas, que se chamam Confissões de uma velha senhora e Folhetim. Villar afirma que a intenção é levar essas peças para outros teatros do Rio de Janeiro, assim como dar continuidade à proposta de descentralização da arte. Cada vez mais a arte busca alcançar todos os espaços e todos os públicos.
“Arte na Parada” já contemplou dezenas de abrigos de ônibus da cidade com desenhos expressivos
Marina Fagundes
Cada vez mais, ao caminhar pela cidade de Rio Grande, podemos identificar a presença dos grafites. A arte que colore e traz mais beleza à paisagem do município pode ser vista em lugares como muros de escolas, pontos de ônibus e nos muros dos pavillhões do Porto.
Reafirmando a receptividade da cidade a este tipo de manifestação artística, Rio Grande recebeu o encontro “Meeting Of Styles” (MOS), quando foram convidados cerca de 50 artistas com objetivo de criar um painel que demonstrasse a diversidade do grafite. O painel foi criado nos muros do Porto de Rio Grande, em um final de semana cheio de cor e repleto de atividades como apresentações de dança e de Dj’s.
O MOS consiste num encontro internacional de artistas da arte urbana que vem sendo realizado há 15 anos, com início em 2002. De acordo com os dados divulgados no site oficial do enconto, cerca de 250 edições já foram realizadas, sendo cinco delas no Brasil e três dessas no Rio Grande do Sul.
Além desse evento, durante esse ano outras atividades envolvendo o grafite foram realizadas em Rio Grande, entre elas, o projeto “Arte na Parada”, promovido pela Prefeitura de Rio Grande com objetivo de oportunizar espaços de trabalho para os artistas locais.
Mesmo com pouco tempo de existência, o “Arte na Parada” já contemplou dezenas de abrigos de ônibus com o grafite. De acordo com o prefeito Alexandre Lindenmeyer, pretende-se continuar o projeto no ano que vem, com aberturas de novos editais. O “Arte n Parada” foi indicado ao Prêmio MuniCiência, iniciativa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que recoonhece práticas e projetos inovadores realizadas pelos municípios.
O projeto irá concorrer com outras 29 iniciativas realizadas por cidades de todo o País. Os cinco municípios vencedores terão seus trabalhos apresentados durante a XXI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, publicadas nos Guias de Reaplicação da CNM e ainda irão participar de uma viagem internacional para compartilhar experiências.
Game Of Thrones… É muito provável que você já tenha ouvido falar esse nome. GOT, como é conhecida pelos íntimos, é uma das séries de maior sucesso dos últimos tempos e a mais popular da história do canal HBO. É baseada na saga de livros de fantasia épica “As Crônicas de Gelo e Fogo”, do escritor George R.R. Martin. É uma série de televisão norte-americana criada por David Benioff e D.B.Weiss. Game of Thrones é filmada no Canadá, Croácia, Islândia, Malta, Marrocos, Espanha, Irlanda do Norte, Escócia e nos Estados Unidos. A primeira temporada da série estreou em 17 de abril de 2011 e. até agora, sete temporadas já foram exibidas. Segundo a HBO, a oitava temporada será a última.
A História
O enredo acontece em um mundo ficcional (Westeros), em uma espécie de Europa Medieval e conta a história diária de famílias, conhecidas como “casas”. Todas as histórias vividas se baseiam em uma frase muito famosa dentro e fora da série: “Winter is coming” – o inverno está chegando. Essa afirmação se refere a uma característica importante que permeia todas as decisões e narrativas: as estações são muito intensas – o verão é muito longo e quente, mas quando chega o inverno, ele é muito frio e muito mais duradouro (corresponde a anos). A narrativa, com o passar dos episódios se desenvolve em muitas histórias de ódio, sangue, morte, vingança, maldade, traições e conflitos. Tudo com o objetivo de chegar ao pódio: ocupar o Trono de Ferro de Westeros (símbolo do poder absoluto) e assim comandar os sete reinos.
Westeros é um continente formado por Sete Reinos e uma área não mapeada ao norte, separada do resto do reino por uma parede de gelo, conhecida como a Muralha, que é vigiada pela Patrulha da Noite. Os Sete Reinos foram conquistados por Aegon I, que invadiu com seus dragões e conquistou seis das sete nações independentes, tornando-as governadas pela Casa Targaryen, porém cada região permaneceu sob o controle de uma das casas mais importantes. São quatro as “casas” principais:
– Baratheon, composta por Robert Baratheon (Rei do Westeros, ocupando o Trono de Ferro), Joffrey, Tommen e Myrcella, filhos do Rei; Stannis Baratheon e Renly Baratheon, irmãos do Rei;
– Lannister, composta Tywin Lannister; Cersei Lannister, filha de Tywin e casada com Robert Baratheon – consequentemente Rainha do Westeros; Jaime Lannister, filho de Tywin; Tyrion, filho de Tywin.
– Stark: Eddard Stark; Catelyn Stark, esposa de Eddar; Robb Stark, Sansa Stark, Arya Stark, Brandon Stark e Rickson Stark, filhos de Eddard e Catelyn; Jon “Snow”, filho bastardo de Eddard Stark
– Targaryen, composta por Viserys e Daenerys Targaryen.
Por que GOT faz tanto sucesso?
Uma série que caiu no gosto mundial. Nos lançamentos de novas temporadas e episódios, milhares de pessoas ao redor do mundo param, ansiosos, pra descobrir novos fatos e os desdobramentos dos conflitos, sempre muito intensos, de GOT. Mas por que Game Of Thrones se tornou tão famosa? Listamos abaixo os três principais motivos:
– Super Produção: Há um consenso em comum entre todos os fãs e até mesmo entre aqueles que conhecem pouco sobre a série: é uma megaprodução. As cenas são dignas de grandes premiações, com efeitos especiais incríveis e os personagens muito bem coreografados, em sintonia com a equipe de pós-produção.
– Temas Polêmicos: GOT é feita de temáticas polêmicas. De civilizações pré-históricas e seus costumes, passando por dragões, banalização da morte e das relações familiares, e chegando em incesto. Não há como negar o caráter pesado e problemático que a série evoca.
– Surpresas: A série é recheada de momentos inesperados, portanto não se apegue a nenhum personagem. Todos eles, sejam principais ou coadjuvantes, em algum momento da série, podem morrer. E não necessariamente será no final de uma temporada.
Além dos fatores citados, há uma grande influência das redes sociais. Devido a grande presença da tecnologia e as oportunidades de discussão que ela propicia, GOT ganha muito espaço. Durante as exibições dos episódios, que são feitas uma vez por semana, durante o período da temporada, as redes sociais ficam cheias de fãs da série, que por meio de seus perfis discutem e expõem suas alegrias, decepções e expectativas com a série. Pode-se observar também que GOT atrai um público de diferentes idades, desde adolescentes até a terceira idade, e isto se dá devido a grande heterogeneidade de personagens e temáticas que a série mostra.
Não há como negar que Game Of Thrones é um sucesso. Estreou em 2011 e sete anos após ainda segue atraindo fãs e se mantendo no topo de séries mais assistidas e comentadas. A oitava temporada está prevista para o mês de abril de 2018, segundo divulgou a HBO. Se você gostou da série e quer adentrar nesse mundo diferente, as vezes ilógico e bizarro para as mentes humanas, separamos o trailer oficial da série, lançado em maio de 2011.
Ficha Técnica:
Criadores: David Benioff e D.B. Weiss
Baseado em: (título original) A Song Of Ice And Fire – de George R.R. Martin
Este site é uma produção da disciplina de Práticas Laboratoriais, do curso de Bacharelado em Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sob coordenação do professor Gilmar Hermes.
A proposta é reunir informações e reportagens sobre as atividades artísticas e culturais da região Sul do Estado.