“Have You Forgotten”?

Anthony Koutsos, Gorden Mack, Mark Kozelek, e Jerry Vessel, do Red House Painters

Por Arthur Grohs

     Antes da ascensão de Lana Del Rey, haviam bandas que se aventuraram nos chamados sadcore e slowcore, oferecendo uma maneira diferente de experimentar música.

     Melancólico, macio, nostálgico e puro, o slowcore e o sadcore “personificado”, aqui pela banda Red House Painters, é uma pérola que ficou muito tempo “escondida” do grande público. O grupo californiano teve como líder o cantor Mark Edward Kozelek, o qual era o compositor da maior parte das canções e produziu todos os discos lançados pelo quinteto.

     Em um viés intimista, por vezes sombrio, a sonoridade oferecida pela banda, fundada em 1988 e extinta em 2001, traz bastante de uma tristeza urbana, por assim dizer. Isto é, o gosto acinzentado e conflituoso que uma cidade movimentada oferece. Ao mesmo tempo, utilizando de recursos acústicos, os “pintores de casas vermelhas” oportunizam o ouvinte a viajar para longe dos mesmos núcleos de civilização, levando-os para fogueiras e espelhos de conflito intrapessoal.

“And shut out what they say, ‘cause your friends are fucked up anyway/when they come around, somehow they feel up and you feel down”
(Have You Forgotten, Songs For A Blue Guitar, 1996)

     Esta variação de sensações pode ser passada de uma maneira melhor através dos próprios discos. Canções como Have You Forgotten e Wop-A-Din-Din resgatam a influência folk e do “country side feeling”, o qual habita dentro das linhas líricas de Kozelek. A busca pela fuga e o sentimento da nuvem de chuva sob a cabeça integram partes da essência do que compõe e é o universo de Red House Painters.

     “It’s all in your head, she said/morning after nightmare” e “the hurting never ends/like birthdays and old friends” são fragmentos de Medicine Bottle. Uma narrativa intrigante acompanhada dos sons da guitarra, que chegam aos ouvidos de quem ouve tal qual o movimento realizado pelas ondas do mar quando tocam a areia da beira da praia. A reverberação e eco das notas contribui na imersão dentro da poesia da música.

     Contrastando com a anterior, Grace Cathedral Park é a faixa que abre o disco Red House Painters I (apelidado como Rollercoaster, por conta da fotografia de uma montanha-russa na capa do LP), traz uma marca registrada: a proposta de uma conversa franca sobre o cotidiano vivido pelo compositor. É a grande bandeira trazida nos álbuns da banda que foi originada em San Francisco, Califórnia. Um espelho de música.

“Tell me why you are like this/ Are you the same with anyone?/ Save me from my sickness and tell me why do you treat me like this?/ Why are you like this?”
(Grace Cathedral Park, Red House Painters I, 1993)

   Levando em conta avaliações de veículos consagrados e/ou populares, a recepção dos discos da banda sempre foi positiva. Em especial, uma resenha publicada no portal AV Club, escrita por Marc Hawthrone, elogia o alcance de diferentes emoções e situações cantadas por Kozelek em seu “reino frio e solitário”.

     Sobre sadcore

     Antes de Lana Del Rey ter Video Games e Blue Jeans viralizadas na internet e recorrentes em programações de rádio e de canais de tv, o sadcore já tinha seus representantes. Além do Red House Painters, bandas como American Music Club, Codeine e Pedro the Lion deram sua contribuição para o acervo de músicas tristes. Além disso, o jornal semanário LA Weekly, por meio de um texto opinativo, coroou a cantora Cat Power como “rainha do sadcore”.

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