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Desafio Pré-Universitário Popular amplia acesso à universidade em até 70% no primeiro semestre de 2026

Com cerca de 70% de aprovação no ensino superior, o projeto Desafio Pré Universitário Popular atua na preparação de estudantes para processos seletivos e na ampliação do acesso à universidade. O projeto é voltado principalmente a pessoas de baixa renda e adota políticas afirmativas que contemplam pessoas trans, quilombolas, pessoas com deficiência, pessoas negras, pardas e indígenas.

De acordo com Cátia Fernandes de Carvalho, atual coordenadora do projeto Desafio Pré-Universitário Popular, parte dos estudantes aprovados é a primeira geração da família a ingressar no ensino superior. As aprovações ocorreram principalmente na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), além de instituições privadas por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave). Entre os cursos de destino dos estudantes estão Medicina, Psicologia, Ciências Sociais, Química e Biomedicina. O projeto também acompanha estudantes que ingressam por diferentes formas de seleção e busca preparar os participantes para as etapas dos processos seletivos dos anos seguintes.

Educação para além da sala de aula

A proposta pedagógica do Desafio inclui atividades que ultrapassam o conteúdo tradicional das disciplinas. O projeto promove ações interdisciplinares, oficinas de teatro, clube de leitura, aulas públicas e visitas guiadas a museus. As atividades também abordam temas relacionados à arte, à filosofia, à literatura, à ética e às questões sociais. A equipe trabalha na inclusão do ensino de arte de forma sistematizada no currículo do projeto, com a previsão de seleção de educadores da área. O clube de leitura é uma das atividades desenvolvidas onde os participantes discutem contos, literatura afro-brasileira e obras de autoras negras, como Conceição Evaristo. As atividades têm como objetivo estimular a leitura e a análise crítica a partir das experiências dos participantes.

Mudanças buscam reduzir a evasão

Em 2026, o projeto alterou o turno das atividades e transferiu a sede para o prédio da Faculdade de Odontologia da UFPel, localizado em uma área mais central da cidade de Pelotas. A mudança ocorreu após um levantamento dos motivos que levavam à desistência dos estudantes, entre eles as dificuldades de acesso ao antigo local do projeto, situado no Campus Anglo, no bairro Porto.

De acordo com a equipe, o deslocamento até a antiga sede dificultava a permanência de estudantes que trabalham e utilizam o transporte público. Alguns participantes precisavam utilizar vários ônibus para chegar às aulas, o que aumentava o tempo de deslocamento e os custos. A mudança para o turno da noite e para uma localização mais central busca ampliar o acesso da classe trabalhadora ao projeto. A iniciativa também passou a contar com o direito à meia-passagem para os estudantes, após a aprovação de legislação municipal.

Acesso e permanência

A seleção dos estudantes considera a renda familiar e, desde 2024, também inclui políticas afirmativas para diferentes grupos sociais. A equipe do projeto afirma que o acesso ao ensino superior precisa estar acompanhado de condições para a permanência dos estudantes. O projeto também mantém a possibilidade de retorno para estudantes que não conseguem aprovação em determinado ano. Segundo a equipe, parte desses estudantes retorna para participar novamente das atividades.

Atualmente, cerca de 60 estudantes participam das aulas, acompanhados por aproximadamente 40 educadores voluntários. A continuidade da iniciativa depende da disponibilidade de educadores para diferentes áreas do conhecimento. As atividades seguem até novembro, período em que são realizados os exames. Em 2026, o Enem será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. Após as provas, o projeto prevê atividades de revisão e acolhimento para manter o vínculo com os participantes.

Por Lidiane Lopes / Pró-Reitoria de Extensão e Cultura – UFPel

Publicado em 01/08/2026, nas categorias Destaques, Notícias.