
A IV Semana Africana de Pelotas de 2026 propõe um desafio crítico que
confronta o monopólio ocidental sobre a história da África, valorizando as
epistemologias africanas e as diferentes narrativas historicamente silenciadas.
Entre os dias 28 e 30 de maio, a IV Semana Africana de Pelotas promove um
debate necessário sobre poder, escrita e identidade. Com o tema “Epistemologias
Africanas: Quem conta e constrói a história dos africanos?”, o evento ultrapassa os
limites do espaço acadêmico ao questionar a supremacia do Ocidente na forma como
o mundo conhece (ou desconhece) o continente africano, abrindo caminhos para
outras vozes, saberes e perspectivas.
A pergunta central do evento deste ano constitui um desafio direto ao modelo
imposto pelo mundo ocidental que, ao longo dos séculos, se posicionaram como os
únicos narradores “oficiais” da história da humanidade. Para nós da organização,
questionar quem conta a história da África e dos africanos significa denunciar o
silenciamento de civilizações inteiras, bem como os processos históricos de
apagamento de suas tecnologias, filosofias e formas próprias de produzir
conhecimentos.
Um dos grandes diferenciais da IV Semana Africana está no debate
sobre “COMO” contar essa história. O evento propõe compreender que a história da
África não se restringe aos livros escritos sob moldes europeus, mas se manifestam
também na oralidade, por meio da palavra de mestres, griôs e anciãos; no corpo e na
arte, expressa na dança, da música e nos símbolos; na ancestralidade, enquanto
forma de conhecimento que conecta passado, presente e futuro. sobretudo
reconhece-se a pluralidade da forma de saber, ancoradas nas epistemologias
africanas como caminhos legítimos de produção e transmissão de conhecimento.
O uso do termo Epistemologias, no plural, expressa o reconhecimento que
existem múltiplas formas de produzir verdade e ciência. Estamos questionando a ideia
de que só o conhecimento oriundo do Ocidente é válido. Existem outras formas de
pensar a vida, a saúde, a política e a natureza que a África já pratica há milênios.
Ao propôr esse debate, buscamos inserir e legitimar, no campo do
conhecimento, os saberes africanos, contribuindo para desconstruir a visão
equivocada de uma África sem protagonismo nas contribuições à humanidade.
Enquanto organização, nos colocamos como um espaço de retomada simbólica, que
reivindica a “devolução da caneta” aos seus verdadeiros sujeitos históricos, para que
a história africana seja narrada, escrita e interpretada por suas próprias mãos, vozes
e perspectivas.
Além disso, o evento tem como objetivo fortalecer e ampliar o ensino de História
da África no Brasil, promovendo uma formação mais crítica, plural e comprometida
com a valorização das epistemologias africanas.
Serviço:
● Data: 28, 29 e 30 de maio.
● Local: Campus das ciências Humanas da UFPel
● Mais informações: https://www.instagram.com/fap20_25/
Contato para Imprensa:
Élia Uangna: (85) 9801-4361 / Ayolse: (16) 98190-6702
- Documento com a programação: RELEASE IV semana Africana de Pelotas 2026
