Cultura na rua e no Sofá

Sofá na Rua celebra 13 anos com mais de 100 edições e reafirma a cultura como ocupação do espaço público em Pelotas

Feira criativa e cultural da edição de 13 anos do Sofá na Rua. Foto: Kailaine Quevedo / Em Pauta

Kailaine Quevedo /Em Pauta

Em uma cidade onde o acesso à cultura ainda enfrenta desigualdades, o Sofá na Rua chega aos 13 anos como um dos principais movimentos de ocupação do espaço público em Pelotas, reunindo milhares de pessoas e reafirmando a arte como direito. Criado em 2012, no bairro Porto, o projeto já realizou mais de 100 edições e se consolidou como referência na promoção de atividades culturais gratuitas e na valorização de artistas independentes.

O que começou de forma simples, com a proposta de levar debates e manifestações culturais para a rua, se transformou em um movimento de grande alcance, que hoje articula ações dentro e fora do Rio Grande do Sul.

“A gente inicia de uma forma muito despretensiosa, colocando o sofá na rua na intenção de debater pautas urgentes, trazer pautas de dentro para fora, para a rua”, explica a produtora do Sofá na Rua, Renata Pinhati.

Crescimento e mudança de escala

Nas primeiras edições, o público era menor, com o passar do tempo, o evento ganhou visibilidade e passou a atrair cada vez mais pessoas, o que exigiu mudanças na estrutura e nos locais de realização.

“Cada edição ia aumentando. Era 400, 500 pessoas, até a gente chegar a mil. E aí a gente entendeu a necessidade de migrar de espaço”, relembra a produtora do Sofá na Rua.

O Sofá teve início na Rua Almirante Tamandaré, no bairro Porto, e passou por diferentes pontos da cidade ao longo dos anos. Atualmente, o evento não possui um espaço fixo e funciona de forma itinerante.

Cultura como direito e debate sobre a cidade

Mais do que um evento cultural, o Sofá na Rua se posiciona como um movimento que propõe reflexões sobre o uso do espaço urbano e o acesso à cultura. A ocupação das ruas faz parte da essência do projeto.

“Eu entendo o Sofá na Rua como um movimento muito importante de ocupação de espaço público, de debate sobre a cidade e, principalmente, de democratização do acesso à arte e à cultura”, afirma Pinhati.

Essa proposta acompanha o projeto desde o início e segue como um dos principais pilares da iniciativa, aproximando o público das produções culturais de forma gratuita.

Expansão e atuação em rede

Com o crescimento, o Sofá na Rua ultrapassou os limites de Pelotas e passou a atuar em outras regiões do país. Atualmente, o movimento está presente em cidades do Rio Grande do Sul, como Jaguarão, Bagé e Chuí, além de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“Não é um movimento que se estanca aqui. A gente se espalha por diversos territórios, sempre com a mesma proposta de fazer com que a arte e a cultura local estejam em protagonismo”, destaca Renata.

A expansão fortalece a circulação de artistas e amplia o alcance da cultura independente.

Estrutura e financiamento

Hoje, o Sofá na Rua se organiza como uma associação sem fins lucrativos e conta com uma equipe fixa de profissionais da área cultural.

“A gente tem uma equipe de mais de 10 profissionais só em Pelotas. E a nossa sustentabilidade vem principalmente de editais públicos para a cultura”, explica a produtora.

A edição de 13 anos é financiada por meio de uma emenda parlamentar, o que, segundo a organização, reforça a importância das políticas públicas para a cultura.

Programação e diversidade

Show do Grupo Bataclã FC foi um espetáculo de música e imagens

A programação do festival reúne artistas locais, nacionais e internacionais, reforçando a diversidade cultural e a identidade latino-americana do evento. Além dos shows, o público também pode acompanhar a Feira Criativa do Sofá, com expositores de arte, moda e gastronomia local.

Com média de milhares de pessoas por edição, o Sofá na Rua se mantém como um espaço de encontro, troca e valorização da cultura independente.

Após mais de uma década, o Sofá na Rua segue se reinventando sem perder sua essência. A proposta de ocupar o espaço público com arte e promover o acesso democrático à cultura continua sendo o principal motor do projeto.

Mais do que um evento, o Sofá se consolida como um movimento cultural que transforma a cidade em palco e fortalece a relação entre cultura e comunidade.

 

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