Dança promove inclusão social na cidade de Herval

Aluno Vicente, de 4 anos, em apresentação no projeto que estimula expressão artística       Foto: Divulgação

Por Luana de Almeida Medeiros

Em meio a um contexto de discriminação e exclusão de pessoas com deficiência e/ou portadoras de necessidades especiais, também há espaço para aqueles que acreditam na transformação da realidade dessas pessoas através de ações e projetos que promovam a inclusão social. Um exemplo disso é o projeto de dança desenvolvido no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município de Herval – RS, em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que visa a inserção dos alunos com deficiência na sociedade por meio da arte.

Para entender melhor como funciona esse projeto, é importante conhecer um pouco sobre a história da idealizadora que está por trás desse trabalho, assim como a contextualização e o surgimento desta proposta.

Amor pela arte

A professora responsável pelo projeto, Ivonete Pereira, tem uma longa história com a arte. Em busca de uma vida melhor, sua mãe deixou a cidade de Herval e foi atrás de novas oportunidades para a sua família. Foi quando decidiu morar no município de Rio Grande. Nessa época, Ivonete ainda era uma criança e, em sua nova escola, vivenciou o primeiro contato com o mundo da arte. Lá, ela teve a oportunidade de aprender um pouco sobre dança, canto e teatro e foi, nesse momento, que descobriu sua aptidão para as artes.

Ao longo dos anos, ela percebeu que gostaria de retribuir, de alguma forma, as oportunidades que havia tido em sua vida, então decidiu que iria dividir seu conhecimento com crianças e adolescentes carentes, e mostrar que é possível transformar vidas através da arte.

No início de sua carreira, como professora de dança, estruturou o seu primeiro grupo artístico com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, na cidade de Herval. Os recursos para manter o grupo eram escassos na época, mas com a ajuda e as doações da comunidade, o projeto se manteve durante muito tempo. Em 2007, foi convidada para participar do Programa Escola Aberta, no qual se manteve por sete anos. Em seguida, foi chamada para dar aulas de dança na Casa das Oficinas – Projeto CTRL-A (Inclusão e Arte), mantida pela Prefeitura de Herval. Em ambos, ela teve a oportunidade de se qualificar por meio de alguns cursos profissionalizantes oferecidos pelas próprias entidades.

Atualmente, continua atuando no CRAS (antiga Casa das Oficinas), onde desenvolve alguns projetos em parceria com a escola municipal Padre Libório Poersch, com o Lar do Idoso e com a APAE, além de seu projeto voluntário desenvolvido nas escolas do interior. Vale ressaltar que, esses 20 anos de dedicação à arte e às causas sociais renderam para Ivonete duas menções honrosas, a primeira na Câmara Municipal de Herval e a segunda no prêmio Preta G, em Pelotas, pelo seu trabalho de ativismo social.

“Eu queria ter mais condições de ajudar as crianças do que prêmios na parede. Resgatar e incluir essas crianças na sociedade é o meu propósito”

Professora Ivonete Pereira; diretora da Apae Neura Silva; diretora da escola municipal Ernesto Che Guevara, Brígida da Silva e o aluno Vicente Soares

Inclusão Social

O projeto de inclusão social com as crianças e adolescentes da APAE é desenvolvido há mais de cinco anos. Os ensaios são realizados todas as quintas-feiras, das 9h às 11h, no prédio do CRAS e, também, no prédio da APAE. Para obter um melhor resultado, os ensaios são realizados individualmente, respeitando as particularidades e as limitações de cada aluno.

Segundo a professora de dança, o maior objetivo deste projeto é despertar nos alunos as mais variadas sensações, emoções e sentimentos que se possa experimentar através da arte, de forma a aumentar a autoestima desses alunos e promover a integração social.

A diretora da APAE, Neura Lúcia Silva, destaca a importância desse projeto para dar visibilidade às crianças e adolescentes que participam desse trabalho, de modo a despertar a empatia daqueles que não têm muito conhecimento sobre o assunto e motivar o aumento da participação das famílias envolvidas. De acordo com a diretora, “cada um tem um potencial a ser desenvolvido” e o objetivo deste projeto é “fazer a integração dessas crianças e adolescentes na sociedade, como um todo”.

A mãe do aluno Vicente Maciel, de 4 anos, Leane Soares, viu no projeto a oportunidade de seu filho desenvolver, da melhor forma possível, os seus aspectos físicos, cognitivos e emocionais. “Ele melhorou bastante a fala, desenvolveu a dança, a criatividade e convive mais com outras crianças”.

Em dezembro deste ano, o aluno Vicente participará de um concurso de dança na cidade de Bagé, juntamente com a professora responsável pelo projeto. Os alunos também vão ter a oportunidade de divulgar o trabalho desenvolvido em um festival de arte promovido pelas APAEs. A data ainda não foi divulgada.

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Narrativa jornalística entre doses da mesa de bar

Por Lucian Brum

Famoso pela criação do jornalismo gonzo, o autor Hunter S. Thompson publicou “Rum: Diário de um Jornalista Bêbado” em 1998, depois de quase 40 anos com o texto engavetado. Tudo começa com a descrição de um bar. Digo tudo, porque a narrativa circunda entre doses relaxantes e reflexões à mesa do bar do Al. Lugar onde os jornalistas no Daily News usam como sala de reuniões existencial. Manter a consciência regada a rum parece ser o que há de mais propício em San Juan.

Paul Kemp é um jornalista que desembarca em Porto Rico vindo de New York. Um jornalista sempre está à procura de boas histórias, mas os que batem na porta Daily News não querem entender sobre o que irão escrever. Sem generalizar, mas por motivos óbvios, San Juan pode ser chamado de – um lugar ao sol. Ilha composta por praias de areias brancas e águas cristalinas.

Na imaginação universal o Caribe é um feriado. O jornalista Kemp foge da burocracia, da etiqueta e das ruas frias de Manhattan para procurar dar o sentido correto à sua profissão. Ver a história acontecer, interpretá-la e contá-la. Entre esses pormenores é claro: beber, mentir e transar.

Quando se mora num lugar ensolarado, sobra pouco tempo para o sono. Mas quem precisa dormir quando se vive a “sensação de ter o mundo nas mãos”. Essa sensação é mantida principalmente pelo idioma. O inglês proporciona trânsito entre diversos países que possuem imprensa de mesma língua. “Eu poderia ganhar a vida em qualquer lugar do mundo onde há um jornal escrito em inglês”, diz o fotógrafo Bob Sala.

Na epopeia de jornalistas solteiros e com disposição de encarar o acaso, a aventura de ganhar em perder amigos é um script repetitivo. A beleza de uma mulher sempre será motivo do início de guerras. O rum em abundância, um gatilho para a inspiração. Leia Hunter Thompson e se embriague com o romantismo do jornalismo, aquela que alguém disse um dia: a melhor profissão do mundo.

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Museu Gotuzzo conta história do pintor pelotense

Autorretrato de Gotuzzo ao lado de seu avental                     Foto: Danieli Schiavon

Por Danieli Schiavon

Em homenagem à carreira do pintor pelotense Leopoldo Gotuzzo, foi inaugurado na cidade de Pelotas, em 1986, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG). Seu acervo conta com objetos pessoais do pintor, bem como obras que marcam toda a sua trajetória. As peças foram deixadas como testamento em seu nome à Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O MALG fica na Praça 7 de Julho, 180, em frente ao Mercado Central de Pelotas, na antiga Escola Eliseu Maciel. Está aberto para visitação gratuita de terça a domingo, das 10h às 19h30, sem fechar ao meio dia. É uma ótima alternativa de passeio cultural durante a semana e aos fins de semana.

Pelotense, nascido em 8 de abril de 1887, Leopoldo Gotuzzo foi um artista consagrado internacionalmente à sua época. Filho de um italiano e uma brasileira, Gotuzzo já apresentava desenvoltura e aptidão para a arte desde pequeno. Ainda no ensino médio começou sua formação artística, quando estudava no Colégio Gonzaga.

Foi sob a orientação de Frederico Trebbi que decidiu viajar para Roma e aprimorar os estudos com o mestre francês Joseph Nöel. Aos 27 anos, morando então em Madri, enviava suas pinturas para o Salão de Belas Artes do Rio de Janeiro. A partir daí, passou a receber reconhecimento, cada vez em mais elevado grau. Leopoldo Gotuzzo desenhou, pintou, participou de exposições e recebeu consideráveis e memoráveis premiações pelo seu talento até os 96 anos, quando faleceu, em 11 de abril de 1983.

Medalha de Ordem ao Mérito das Belas Artes recebida pelo artista em 1977  Foto: Danieli Schiavon

A exposição “Leopoldo Gotuzzo: fragmentos de memória e cotidiano”, assinada pela diretora adjunta do Museu, Mari Lúcie da Silva Loreto, reúne álbuns de fotografia, móveis trazidos da Europa, escrivaninhas, anotações pessoais, cartas, pincéis, cavaletes e aventais de pintura. Esses objetos compõem a exposição da vida de Leopoldo, e, juntamente com seus quadros, provocam uma imersão na vida e história do artista. Revelam aspectos íntimos de seu envolvimento com a arte. De acordo com Mari Lúcie, a mostra possibilita o diálogo entre arte, cotidiano e memória, evidenciando a história de vida do artista.

Sala de exposições “Leopoldo Gotuzzo: fragmentos de memória e cotidiano”             Foto: Danieli Schiavon

Além da Sala do Patrono, o Museu tem um espaço reservado para exposições de obras pertencentes a artistas que têm, em comum, algum momento de sua formação na Universidade Federal de Pelotas. De acordo com o professor José Luiz de Pellegrin, curador da exposição, essas obras “representam, de modo particular, um número expressivo de artistas que desenvolvem suas poéticas na cidade de Pelotas e daqui buscam sua inserção no sistema da arte local, nacional e internacional.”

 

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Ataque midiático à “mais infame gangue de motociclistas”

Grupo de motociclistas estadunidense Hells Angels na foto tirada por Bill Ray no ano de 1965

Por Victor Langmantel

O autor do livro “Hells Angels”, Hunter Thompson, busca através de sua obra, colocar em debate a influência das grandes mídias para a anulação do principal grupo de motociclistas dos Estados Unidos. Demonstra a obsessão dos jornalistas em menosprezar a imagem dos motoqueiros através do sensacionalismo. As mídias impuseram essa perspectiva para assim causar um impacto na população. Thompson busca explicar os verdadeiros motivos por trás da perseguição imposta pelos grandes veículos comunicacionais.

Conhecidos por sua fama de encrenqueiros ao redor do mundo, os motoqueiros geralmente não são bem recebidos nos lugares que vão. Isso foi motivado pela perseguição das empresas jornalísticas aos Hells Angels, tratados como arruaceiros e trogloditas pelos veículos de comunicação. Tal perseguição se deu em meados dos anos 60, quando vieram à tona muitas denúncias, em sua maioria anônimas, acerca dos motoqueiros.

Fundado em 1948, na cidade de San Bernardino, na Califórnia, o grupo de motociclistas Hells Angels coleciona denúncias de crimes ao longo de sua história, entretanto é apenas no fatídico dia 1º de maio, justamente no Dia do Trabalho, que os tais “trogloditas sobre duas rodas” se juntariam para realizar suas aventuras criminosas.

Até os dias de hoje é discutido se tais denúncias não foram, de fato, aumentadas para causar um impacto maior na grande mídia. Após elas serem divulgadas ao público através dos grandes jornais, como é o caso do New York Times, que cravou uma briga constante com a gangue de motociclistas, os Hells Angels praticamente se extinguiram. Os poucos que sobraram tentavam ao máximo esconder qualquer ligação com o infame grupo de motoqueiros. Muitos tiveram que abandonar a vida sobre rodas, outros foram presos por possuírem ligação com o grupo.

Com títulos bastante chamativos, os jornais da época não economizavam na depreciação dos Hells Angels, e assim foi-se criando uma aversão por parte da população estadunidense aos “trogloditas nas suas Harleys”. De acordo com a reportagem que saiu na revista Newsweek em 1965, a respeito da Jornada do Dia do Trabalho, duzentos motociclistas invadiram a cidade de Porterville, sul da Califórnia, fazendo tumultos e arrumando confusões, passando a mão em qualquer mulher que cruzasse o seu caminho. Esse era o “retrato falado” da imprensa acerca de qualquer membro dos Hells Angels, demônios arruaceiros e sanguinários em busca de sua próxima vítima.

O interesse, quase que político, por parte dos veículos midiáticos, desmascara-se no sentido de utilizar o grupo de motociclistas Hells Angels como uma cobaia perfeita para o teste de sensacionalismo desenfreado. Em parte, esse tratamento do assunto pode ter sido bem-sucedido no primeiro momento. Anos após o ocorrido, ainda se questiona o verdadeiro motivo da revista NewsWeek, Times e outros veículos perseguirem o grupo de forma gritante e pouco jornalística. Entretanto o que se torna evidente são os prejuízos causados não só aos Hells Angels, mas a qualquer grupo de motociclistas.

Deve-se levar em consideração que muitas das denúncias feitas contra o infame grupo de motociclistas possuem fundamento. Tem-se em vista que parte dos membros eram sim encrenqueiros. Muitos participavam do grupo, entretanto, por realmente gostar de dirigir suas motos, a sensação de liberdade, o vento batendo na nuca e sem fazer mal algum a ninguém. Por causa do preconceito que se instaurou acerca dos Hells Angels, tiveram que abandonar a vida de motociclista, sem contar as prisões que ocorreram em meados dos anos 60 de membros do grupo por, simplesmente, pertencerem ao grupo, ou possuírem alguma ligação, seja mínima, com os Hells Angels.

O que se pode levar de tudo que foi dito acima, é que se deve ter muito cuidado com o que é dito nos veículos de informação. Os jornalistas devem ser cautelosos com o poder de influência dos veículos em que atuam.

Hunter Thompson busca, através de sua obra, “Hells Angels”, destacar o mesmo poder que o jornalismo exerce na vida da comunidade e como ele pode ser nocivo caso utilizado incorretamente. A gangue de motociclistas que foi utilizada como exemplo é apenas uma de muitas que acabaram por ser prejudicadas de forma extrema, por causa de um interesse político e lucrativo da grande imprensa estadunidense. Não devemos nos esquecer nunca que o papel do jornalista é informar, nunca menosprezar.

Percursor do jornalismo gonzo e autor do livro “Hells Angels”, Hunter Thompson infiltrou-se no grupo

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Nos trilhos da tradição: Conversa com Paola Zanetti Ribeiro

A escritora de Pedro Osório pesquisa história vinculada às tradições gaúchas             Foto: Christian Dias

Por Christian Dias

 

Origem, contos e memórias: O livro “O trem da 21ª RT: conhecendo os vagões da nossa história”, escrito pela jovem Paola Zanetti Ribeiro e lançado neste ano, conta a história da 21ª Região Tradicionalista (21ª RT). Paola, acadêmica do curso de Direito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), decidiu unir duas de suas paixões: a escrita e a cultura gaúcha. Em seu livro, relata o resultado de uma intensa pesquisa sobre o nosso estado e, principalmente, nossa região. “O trem da 21ª RT” também descreve a influência do meio de transporte em trilhos na moda da década de 1950, no Rio Grande do Sul.

Paola Zanetti Ribeiro é natural de Pedro Osório, Rio Grande do Sul. No ano passado, representou a 21ª Região Tradicionalista como Primeira Prenda. Nasceu em 23 de julho de 1997. Dançarina e participante ativa do Centro de Tradições Gaúchas Fogo de Chão, Paola sempre dedicou sua vida a conhecer as histórias do seu estado. E também de seu município: Pedro Osório, uma simpática cidade de pouco menos de dez mil habitantes. Por muito tempo, o município foi cortado pelos trilhos de trem. Hoje, o prédio da Estação de Pedro Osório sedia a Prefeitura.

 

Obra revela antigas relações das roupas com o uso do transporte ferroviário    Foto: Acervo Pessoal

Arte no Sul – O livro “O trem da 21ª RT: conhecendo os vagões da nossa história” é resultado de uma vida dedicada ao tradicionalismo e às histórias do Estado e, principalmente, da região de Pedro Osório. Como foi o processo de criação da obra?

Paola – Para concorrer na Ciranda Cultural de Prendas, precisei fazer uma pesquisa sobre o uso das vestimentas em diferentes momentos. Na ocasião, decidi focar minha pesquisa na influência do trem no modo de vestir das pessoas na década de 1950, período de apogeu do trem na cidade de Pedro Osório. Durante a pesquisa, percebi que muitas memórias estavam se esvaindo com o tempo e, assim, a história estava se perdendo. Diante disso, passei a constatar também que o legado das entidades da 21ª Região Tradicionalista estava se perdendo, e muitos de nós mal sabíamos a origem do local onde crescemos.

Assim, resolvi realizar um projeto de resgate da história dos Centros de Tradições Gaúchas da região, incentivando que seus integrantes buscassem conhecer o início e a caminhada destes locais até os dias de hoje. O projeto originou o livro “O trem da 21ª RT”, que tem como objetivo registrar a criação e evolução destas entidades até os dias de hoje. Esse trem passou pelas nove cidades da 21ª Região Tradicionalista, e proporcionou momentos de alegria, nostalgia e conhecimento.

Arte no Sul – A cultura do Rio Grande do Sul consegue se manter firme mesmo com o passar dos anos. Qual a influência que os Centros de Tradição Gaúcha (CTG’s) possuem nesse aspecto?

Paola – Os CTG’s são os centros de irradiação da cultura rio-grandense. É através deles que conhecemos nossas origens e aprendemos valores como amizade, lealdade e persistência.

O Movimento Tradicionalista Gaúcho é fundamental nesse aspecto. É através dele que estudamos a cultura e aprofundamos nosso conhecimento e nosso senso crítico sobre o tradicionalismo em geral.

Arte no Sul – Por fim, o livro ainda é muito recente, mas quais foram as primeiras impressões pós lançamento da obra e qual legado fica depois de todo um trabalho de pesquisa e convivência para criação deste livro?

Paola – Através do livro percebi que é necessário resgatarmos nossa história. Com ele, pude conhecer mais a fundo sobre os CTG’s da nossa região tradicionalista. Mas acredito que o maior legado que o livro deixou foi o conhecimento que os leitores e aqueles que realizaram as pesquisas de resgate obtiveram com essa experiência. Foi emocionante ver o orgulho que os participantes do projeto tiveram de sua história.

A escritora foi eleita a Primeira Prenda da 21ª Região Tradicionalista                           Foto: Acervo Pessoal 

A pesquisa continua
Paola prossegue realizando pesquisas sobre o Rio Grande do Sul e dedicado sua vida ao tradicionalismo, hoje é a Primeira Prenda do CTG Fogo de Chão. Com o grupo, busca divulgar as histórias e apresentar, através da dança, as origens e identidades do povo gaúcho. “Que queiramos fazer sempre mais para que nosso legado permaneça junto àqueles que, depois de nós, seguirem os trilhos do trem da vida,” enfatiza a autora.

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Arte do grafite brota nas ruas de Pelotas

As cores e formas artísticas de diversos autores dão mais vida ao contexto urbano e à zona portuária

Por Paulo Lopes Marques

Não é difícil andar pelas ruas de Pelotas e deparar-se com gravuras coloridas emoldurando muros e paredes que, na maioria das vezes, estavam degradados e abandonados. Essa arte de transformar o que antes era sem vida, trazendo cores e formas para as ruas é conhecida como grafite. Seu estilo de arte contemporâneo possibilita a revitalização de locais da cidade abandonados. Também vem ganhando espaço em galerias de arte e museus, sendo incorporado ainda em estabelecimentos comerciais. É facilmente visível no cotidiano de Pelotas e tem como um dos seus principais artistas, Vinicius Moraes, conhecido como Bero. A cidade sedia nos dias 16 e 17 de novembro o evento Meeting of Styles.

Derivado da expressão italiana “graffiti”, essa forma de expressão referia-se inicialmente às inscrições ou desenhos pré-históricos em rochas. Atualmente é uma arte de desenhar, essencialmente em paredes e muros, com a utilização de sprays. Durante a década de 1960, na França, foi usada como forma de contestação política do movimento estudantil e manifestação de liberdade de expressão. Depois, expandiu-se para os Estados Unidos, principalmente em bairros da periferia de Nova Iorque, onde os jovens, principalmente ligados a movimentos hip hop, escreviam e pintavam paredes com spray para passar mensagens à sociedade. No Brasil, os movimentos estudantis, ainda sob a forma de pichação, utilizavam o spray para manifestar contrariedade à opressão militar durante a ditadura. O grafite ganhou força na década de 1990, articulado com movimentos musicais de hip hop e rap, bem como de praticantes do skate.

Esse estilo de arte é uma forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, refletindo a realidade das ruas. De desvalorizado e marginalizado, passou a ser considerado como expressão social cultural, chegando às galerias de arte contemporânea. Hoje é reconhecido pela maioria das pessoas como uma arte que transforma muros e paredes abandonadas da cidade, transformando em espaços revitalizados mais atraentes e bonitos, ganhando cor e quebrando a monotonia e o acinzentado urbano. O grafite possibilita uma democratização da arte ao trazê-la diretamente ao público, podendo aumentar o interesse por outras obras e levando as pessoas a explorar o mundo da arte.

Os estabelecimentos comerciais estão aderindo ao movimento e compartilhando seu espaço com a arte

Em Pelotas, podem ser identificados diversos espaços onde o grafite é encontrado: muros, tapumes de reformas prediais, na parte interna de canalizações, caixas de telefonia, praças públicas e, cada vez mais, residências e espaços privados. A área das instalações portuárias é o principal local onde as gravuras podem ser encontradas. O grafite transformou essa área da cidade um tanto abandonada em um local com mais vida, ganhando um novo público e um outro olhar sobre o local, numa verdadeira galeria a céu aberto. A Princesa do Sul, além de ser considerada cidade histórica, com sua rica arquitetura e prédios tombados, origem das charqueadas e conhecida nacionalmente pela culinária dos doces, pode, com a arte das ruas em contato com a população, ser reconhecida também como um polo cultural através do grafite, podendo, inclusive, essa manifestação artística ser explorada como potencial turístico.

Uma das principais referências artísticas da cidade é Vinicius Moraes, ou “Bero”, como é simplesmente conhecido. Formado no curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), criou várias obras espalhadas pela cidade e considera que, aos poucos, a população está reconhecendo o grafite como forma de expressão artística. O artista foi personagem do documentário “Sprayssionismo” veiculado pela TV Educativa (TVE) em maio de 2016.

O artista pelotense Bero teve o seu trabalho valorizado com a produção do documentário Sprayssionismo (Foto: Divulgação/TVE) 

Evento reunirá vários artistas em novembro

O Meeting of Styles é uma plataforma de intercâmbio entre artistas, que já organizou mais de 250 eventos desde 2002 em 25 países. Em 2019 o calendário do Meeting of Styles passará por 24 cidades ao redor do mundo, sendo que Pelotas receberá o evento nos dias 16 e 17 de novembro, em que cerca de 40 artistas nacionais e internacionais realizarão seus trabalhos na zona do porto da cidade, num grande encontro de diversidade cultural. Na etapa do ano passado, o evento contou ainda com aulas gratuitas de grafite, atrações musicais e food trucks gastronômicos.

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O massacre transformado em arte

Mostra no Campus II da UFPel no início do mês de setembro trouxe obras literárias, pinturas e esculturas

Por João Pedro Macedo

No dia 17 de Setembro, no Campus II da UFPel, ocorreu a quarta edição da exposição de arte e cultura “Lanceiros Negros, sua história através dos tempos!”. O evento, organizado pela cooperativa local Cooperarte, Artes e Ações Integradas, teve como intuito mostrar o lado oculto da Guerra Farroupilha. A expressão artística foi tratada como o principal meio de comunicação para entender este lado da guerra.

Questiona-se se houve um ato de mudança depois da revolta farroupilha. Desta forma, ela não é vista como uma revolução para muitas pessoas, e na exposição não foi diferente. Os lanceiros negros foram escravos que lutaram a favor dos donos das charqueadas gaúchas com a promessa de que iriam ser libertos, porém foram enganados sofrendo um genocídio orquestrado pelo Império e pelos donos das charqueadas. O nome deste evento ficou conhecido como o Massacre dos Porongos e reflete o real significado desta falsa revolução.

A exposição funcionou de uma forma em que ela era constituída por etapas, na perspectiva do sincretismo. Os representantes da Cooperarte e do evento explicaram que cada símbolo, em cada pintura de cultura africana, estava vinculado ao passado e aos atuais momento histórico e situação do país. No início da apresentação, o artista e um dos criadores da Cooperarte, Jonas Fernando Martins Santos, fez uma breve explanação sobre a exposição e falou que o significado dos lanceiros negros é muito maior do que só a Guerra Farroupilha. Com isso, ele quis dizer que os lanceiros negros foram os personagens históricos que lutaram em busca da liberdade e acabaram por serem enganados e sofrerem com essas mazelas de desigualdade até hoje. Jonas exemplificou isso falando sobre o caso dos negros na Guerra de Secessão nos Estados Unidos da América.

Sobre a parte artística do evento, na entrada do auditório, havia diversos tipos de produtos artísticos à venda, como livros, pinturas e esculturas, todas intervenções artísticas feitas por membros da Cooperarte. Nas paredes, foram expostos banners das outras edições da exposição, pinturas que remetiam a símbolos, destacando a cultura africana e ainda desenhos dos orixás, entidades divinas nas religiões de matrizes africanas.

As manifestações artísticas foram propostas como formas de resistência e reflexão sobre processo histórico

Os desenhos dos orixás de Jonas Fernando fizeram parte de uma história muito triste. O artista foi convidado a expor esses desenhos no Shopping Pelotas, porém quando o artista levou seus projetos até lá, foi proibido de expor pela segurança, sob a alegação de que aqueles desenhos eram errados e que não deviam ser expostos. Jonas foi vítima de racismo e intolerância religiosa, e ainda foi proibido de mostrar sua arte para as pessoas no centro comercial.

Perguntado sobre o que significava essa exposição e valorização da arte e cultura negra na atual conjuntura política do país, Jonas respondeu com ênfase que aquilo nada mais era que outra forma de resistência contra um atual Brasil que sempre foi racista e agora tende a ser ainda mais, principalmente Pelotas, cidade historicamente elitista e que tenta apagar sua negritude: “Vendo essa exposição com um monte de produções artísticas de pessoas negras trabalhando em uma cooperativa, é resistência pura, e é por isso que a gente luta.”

O evento além de ter esse dia para exposição também conta com ações em ONG’s e escolas, sempre valorizando a cultura negra e dando espaço e voz para aqueles que precisam ser ouvidos. Foi a primeira vez que a UFPel abriu espaço para este evento, e apesar do número de visitantes não ter sido o esperado, a exposição tocou todos que compareceram e trouxe um momento de reflexão para quem estava lá.

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Apagão mundial e legado dos Beatles

 O personagem Jack Malik  sofre em  um mundo inimaginável sem a memória do grupo de Liverpool

Por Gabriellla Militao Cazarotti

A banda The Beatles foi divisora de águas no cenário mundial desde sua criação nos anos 1960. No romance londrino Yesterday, em cartaz no Cineflix Shopping Pelotas, Jack Malik é um músico malsucedido atingido por um ônibus durante um apagão que atingiu todo o planeta. Jack acorda em um universo paralelo onde os Beatles nunca existiram e apenas ele se lembra das músicas. Nesse mesmo universo, coisas como cigarro e Coca-cola também nunca existiram.

Ele se reúne com os amigos e com sua empresária Ellie, toca a famosa canção Yesterday. Como ninguém reconhece a canção, Jack tem a ideia que mudaria a sua vida: regravar todas as canções dos Beatles como se fossem suas.

Jack passa os próximos dias relembrando o maior número de canções que ele pode e as toca pela cidade até chamar atenção de Gavin, um produtor musical local que o convida a gravar as canções. O sucesso de Jack como letrista é quase imediato, atraindo olhares de grandes produtores musicais e do cantor de pop Ed Sheeran. Ele é convidado para gravar um álbum com as músicas escritas e fazer turnê, porém Jack vive em desconfiança com a fonte das canções. Seu maior medo é de que alguém descubra que sua composição é uma farsa.

Além disso, a história também aborda o romance desencaixado que vivem Jack e sua empresária Ellie (interpretada por Lily James). Ao atingir o estrelato, Ellie decide que não vai mais o empresariar, quebrando a relação de anos que eles mantinham. De coração partido por nunca ter se declarado, ele segue sua jornada artística solitária.

Jack Malik (Himesh Patel) e Ellie (Lily James) vivem história de amor imersos na cultura musical pop

Nem todas as canções dos Beatles são relembradas por Jack, entretanto os clássicos I Wanna Hold Your Hand, Hey Jude, Back in the USSR e Yesterday estão entre os hits do filme, alegrando o gosto do público beatlemaníaco que esperou ver seus ídolos representados nesse longa-metragem. Há também a visita de um personagem inesperado para surpresa do público

Dirigido por Danny Boyle, cineasta e produtor britânico vencedor do Oscar, o filme trata da ética de um personagem em conflito. Em um mundo onde a genialidade dos Beatles não aconteceu e a mensagem de gerações não foi passada, seria antiético reproduzir as músicas como originais de Jack quando os créditos são de Paul McCartney, George Harrison, John Lennon e Ringo Starr?

Confira o trailer!

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Gerações se encontram no Mercado das Pulgas

     Colecionadores conectam passado e presente com exposição de  antiguidades no Centro de Pelotas        (Fotos: Isabelli Neckel)

Por Isabelli Neckel

Todo sábado, há cinco anos, o Largo do Mercado Público de Pelotas ganha mais vida – e mais história. É que, logo pela manhã, as bancas com exposições de antiguidades tomam seus lugares no chamado Mercado das Pulgas. Até o meio da tarde, 40 expositores dividem com o público seus “garimpos”.

A feira já teve outras edições, de verão, na Praça Coronel Pedro Osório e também no Laranjal. Atualmente, está bem consolidada no Largo do Mercado, onde ficam expostos antiguidades, plantas, artigos de brechó, artesanatos e itens de colecionador, como discos de vinil, selos, cédulas, moedas, cartões-postais, revistas, gibis, facas, medalhas e máquinas fotográficas, entre outros.

A aposentada Nélia Morais, 64, é uma das expositoras do Mercado. Sua banca traz, principalmente, xícaras e artigos de cozinha. Há três anos, ela viu no hobby de colecionar antiguidades um meio para superar a depressão. “Comecei a garimpar e a colecionar para me distrair, hoje em dia amo o que faço”, explica. Nélia, que encontra seus itens principalmente em leilões e casas da área rural, vê na atividade um elo com o passado. “Traz lembranças boas, da infância, da época de meus avós”, reflete.

 

 

Memória

O monitor Júlio Petrechel, 49, começou o hobby após a morte de seu pai, quando encontrou uma garagem repleta de antiguidades. Desde então, sua banca expõe principalmente livros, discos, mapas e até mesmo revistas adultas das décadas de 80 e 90.

“Aqui, tu lidas com a memória, com a lembrança. O Mercado tem essa característica de marcar as pessoas. Elas vêm aqui, veem os itens e se transportam para aquela época, para suas lembranças”, conta.

Enquanto os mais velhos são atraídos pela nostalgia, os mais novos o são pela curiosidade. Camila Cruz, 20, é um exemplo. Ela observa as antiguidades com atenção, mas gosta especialmente do setor de brechós. “Acho interessante pela sustentabilidade. A ideia das roupas terem uma história também me agrada”, explica.

Por que colecionar?

O hábito é antigo. Vem desde a antiguidade, passando pelo século 16 e a “moda” de colecionar autorretratos e pelo século 19, quando as coleções tinham cunho científico. Hoje em dia, a prática se mantém. Quando se fala em colecionar antiguidades, a atividade está ligada a nossa busca pela permanência no tempo e também por classificar, ordenar e exteriorizar a existência.

Segundo um artigo de pesquisa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), que analisou diversas entrevistas com colecionadores, o sentindo principal das coleções está ligado aos ciclos da vida: “As coleções que se diversificam na forma de exteriorização dos objetos colecionáveis guardam histórias particulares e afetividades, que se confundem com a trajetória biográfica dos colecionadores”, conclui a pesquisa.

Como Expor

Para ser um expositor no Mercado das Pulgas, é necessário entrar em contato com a Secretaria de Cultura de Pelotas, a Secult (53-3225-8355). Antes de serem aprovadas, as coleções são cadastradas, analisadas por uma comissão e, então, a autorização pode ser concedida.

 

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“Have You Forgotten”?

Anthony Koutsos, Gorden Mack, Mark Kozelek, e Jerry Vessel, do Red House Painters

Por Arthur Grohs

     Antes da ascensão de Lana Del Rey, haviam bandas que se aventuraram nos chamados sadcore e slowcore, oferecendo uma maneira diferente de experimentar música.

     Melancólico, macio, nostálgico e puro, o slowcore e o sadcore “personificado”, aqui pela banda Red House Painters, é uma pérola que ficou muito tempo “escondida” do grande público. O grupo californiano teve como líder o cantor Mark Edward Kozelek, o qual era o compositor da maior parte das canções e produziu todos os discos lançados pelo quinteto.

     Em um viés intimista, por vezes sombrio, a sonoridade oferecida pela banda, fundada em 1988 e extinta em 2001, traz bastante de uma tristeza urbana, por assim dizer. Isto é, o gosto acinzentado e conflituoso que uma cidade movimentada oferece. Ao mesmo tempo, utilizando de recursos acústicos, os “pintores de casas vermelhas” oportunizam o ouvinte a viajar para longe dos mesmos núcleos de civilização, levando-os para fogueiras e espelhos de conflito intrapessoal.

“And shut out what they say, ‘cause your friends are fucked up anyway/when they come around, somehow they feel up and you feel down”
(Have You Forgotten, Songs For A Blue Guitar, 1996)

     Esta variação de sensações pode ser passada de uma maneira melhor através dos próprios discos. Canções como Have You Forgotten e Wop-A-Din-Din resgatam a influência folk e do “country side feeling”, o qual habita dentro das linhas líricas de Kozelek. A busca pela fuga e o sentimento da nuvem de chuva sob a cabeça integram partes da essência do que compõe e é o universo de Red House Painters.

     “It’s all in your head, she said/morning after nightmare” e “the hurting never ends/like birthdays and old friends” são fragmentos de Medicine Bottle. Uma narrativa intrigante acompanhada dos sons da guitarra, que chegam aos ouvidos de quem ouve tal qual o movimento realizado pelas ondas do mar quando tocam a areia da beira da praia. A reverberação e eco das notas contribui na imersão dentro da poesia da música.

     Contrastando com a anterior, Grace Cathedral Park é a faixa que abre o disco Red House Painters I (apelidado como Rollercoaster, por conta da fotografia de uma montanha-russa na capa do LP), traz uma marca registrada: a proposta de uma conversa franca sobre o cotidiano vivido pelo compositor. É a grande bandeira trazida nos álbuns da banda que foi originada em San Francisco, Califórnia. Um espelho de música.

“Tell me why you are like this/ Are you the same with anyone?/ Save me from my sickness and tell me why do you treat me like this?/ Why are you like this?”
(Grace Cathedral Park, Red House Painters I, 1993)

   Levando em conta avaliações de veículos consagrados e/ou populares, a recepção dos discos da banda sempre foi positiva. Em especial, uma resenha publicada no portal AV Club, escrita por Marc Hawthrone, elogia o alcance de diferentes emoções e situações cantadas por Kozelek em seu “reino frio e solitário”.

     Sobre sadcore

     Antes de Lana Del Rey ter Video Games e Blue Jeans viralizadas na internet e recorrentes em programações de rádio e de canais de tv, o sadcore já tinha seus representantes. Além do Red House Painters, bandas como American Music Club, Codeine e Pedro the Lion deram sua contribuição para o acervo de músicas tristes. Além disso, o jornal semanário LA Weekly, por meio de um texto opinativo, coroou a cantora Cat Power como “rainha do sadcore”.

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