Entrevista: festival rio-grandino Rap Contra o Frio completa dez anos

Por Brígida Sodré      

Idealizador e responsável pelo projeto, André Dizéro, conta em detalhes tudo sobre evento musical em julho

André Dizéro durante o festival Rap Contra o Frio do ano passado         Foto: Stephany Borges

O festival Rap Contra o Frio surgiu em 2012, por meio da iniciativa do rapper André Dizéro. A ideia nasceu depois que o artista foi convidado a participar de uma ação social, promovida pela igreja que sua mãe frequentava, cujo objetivo era entregar um sopão para pessoas em situação de rua. Durante o trabalho voluntário, André se surpreendeu com a quantidade de cidadãos que eles encontraram nestas condições.

Diante deste cenário e do frio rigoroso que fazia no inverno daquele ano, Dizéro decidiu unir a cultura hip-hop e a música para promover um evento beneficente com objetivo de arrecadar agasalhos. Como os envolvidos no projeto não tinham recursos para realização, eles buscaram e conseguiram a estrutura do Teatro Municipal do Rio Grande. Foi assim que ocorreu a primeira apresentação do festival que ficou conhecido como Rap Contra o Frio.

“Desde então, a gente vem realizando como um compromisso em todos os invernos para contribuir e utilizar o que o Hip-Hop tem de melhor, que é ser uma ferramenta social”

Em comemoração à data, a edição deste ano traz muitas novidades. A começar pela ampliação da agenda. Graças ao patrocínio da Natura Musical, o evento contará com quatro dias de programação. Assim, a celebração está prevista para ocorrer de 21 a 24 de julho, com diferentes atividades espalhadas pelo município de Rio Grande.

O Arte do Sul procurou Dizéro para saber em primeira mão como estão os preparativos para o festival. Confira abaixo a entrevista e ao final a programação completa.

Arte no Sul – Este ano o projeto será patrocinado pela Natura Musical. Como foi o processo para conseguir esse apoio?

André Dizéro – Eu me escrevi mesmo sabendo da dificuldade, porque o edital recebeu mais de quatro mil inscrições e apenas 32 projetos foram contemplados. Eu sabia que era muito difícil, mas escrevi com o coração, com muita vontade de ter essa oportunidade. Não só para o Rap Contra o Frio, mas também para a cidade de Rio Grande.

Temos muitos artistas, uma história muito longa com música. Mas a gente tem dificuldade de despertar esse olhar para as grandes marcas, empreendimentos de fora da cidade e fora do Estado para apostarem aqui em Rio Grande. Quando a gente consegue ser contemplado, tendo essa atenção, a empresa Natura não está só apostando no Rap Contra o Frio. Ela está investindo na cidade de Rio Grande, que é um berço de grandes artistas.

Arte no Sul – E qual é a importância deste patrocínio para realização do festival?

André Dizéro – Ter sido contemplado foi importante para a galera perceber que é possível. Para outras pessoas de outros lugares perceberem que a cidade de Rio Grande tem muitos artistas.

Foi um processo em que eu fiquei muito feliz. Acredito que contemplou toda a nossa caminhada e a nossa história até o dia de hoje. A gente está com bastante expectativa de realizar um grande trabalho à altura do projeto e do fomento da Natura. Que seja um evento que dê luz para os artistas e que a gente também consiga cumprir com o nosso papel social.

Arte no Sul – Além do patrocínio, quais são as novidades para o festival deste ano?

André Dizéro – A gente tinha um sonho, uma vontade, um desejo de ampliar o nosso festival.  De ganhar mais dias e de ter outras atividades, além de shows artísticos. Então, a gente vai conseguir realizar neste ano. A grande novidade é que o festival passa de apenas um dia para quatro dias, nos quais vamos ter workshops de grafite e de produção musical, além dos pocket shows e das apresentações de costume no Teatro Municipal. As inscrições para os workshops serão realizadas pela web. Então, sigam o Instagram do Rap Contra o Frio para não perderem.

Além disso, será lançada uma música em um videoclipe com o tema oficial do festival deste ano e a participação de artistas da cidade. Também haverá palestras dentro da programação. As atividades serão distribuídas em diferentes espaços do município com acesso gratuito e promovendo a doação de alimentos e de agasalhos. Eu espero que a galera participe de tudo, curta bastante e que seja ótimo para todo mundo.

Arte no Sul – Quais são os artistas envolvidos nesta edição?

André Dizéro – A gente conta com uma grande equipe de pessoas que vão trabalhar no evento, desde fotógrafos, videomakers, assistentes de palco, até o coordenador artístico. Por meio deste festival, será possível gerar renda para cerca de 20 pessoas que estarão recebendo a oportunidade de trabalhar neste projeto.

É importante não só para o meio artístico, para o meio social, mas também para a geração de renda entre outros artistas da cidade. A gente sabe que a galera produz e nem sempre consegue receber. Então, a gente vai ter a oportunidade de gerar emprego e renda de forma direta e indireta.

Arte no Sul – Qual é a meta deste ano em relação às doações?

André Dizéro – Nos últimos anos, a gente vem focando mais nos alimentos do que nos agasalhos, por entender que é uma necessidade primordial. A meta é arrecadar uma tonelada de alimentos durante os quatro dias de evento. Além de mil peças de agasalhos.

Como vamos iniciar a campanha somente no final de julho. A nossa expectativa para os agasalhos é que as pessoas que tenham roupas de frio para doar, já realizem essa doação para outros lugares que estejam recolhendo desde agora. É uma iniciativa muito importante.

Confira a programação:

21/07 – Abertura do Festival

Local: Cidec-Sul da FURG

Aberto ao público com arrecadação de alimentos e agasalhos.

Atrações:

– Palestra do Rafa Rafuagi, que é idealizador do museu do Hip Hop de POA e da Casa de Cultura de Hip Hop de Esteio/RS;

– Lançamento da música oficial do Rap Contra o Frio desta edição no evento e na web;

– Batalha de rimas promovida pela Batalha do Cassino.

22/07 – Segundo Dia

Local: Laboratório de informática da FURG

Com arrecadação de alimentos e agasalhos.

Atração:

– Oficina de produção musical e beatmaker com 808 Luke.

Serão abertas 30 vagas com inscrições gratuitas por meio de formulário online.

23/07 – Terceiro Dia

Local: Espaço Lambe, Balneário Cassino

Aberto ao público com arrecadação de alimentos e agasalhos.

Atrações:

– Workshop de grafite com Gui Gerundo;

– Pocket Shows: Mallua, Miranda e DJ Luan.

24/07 – Show principal como encerramento do Festival

Local: Teatro Municipal do Rio Grande

Aberto ao público com arrecadação de alimentos e agasalhos.

Atrações: Bem Black DJs – DJ Micha e DJ Magreen, MR Diones, Miistica, Quality Sul, Isaque Acosta, Malakos e Baby.

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