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Turma 2012

A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA NA GRAPHIC NOVEL V FOR VENDETTA: ASPECTOS POLÍTICOS, SOCIAIS E CULTURAIS NA INGLATERRA (1982-1988)

Felipe Radünz Krüger

Resumo: A presente pesquisa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade Federal de Pelotas, objetiva investigar a narrativa imagética e textual na graphic novel V for Vendetta(1982-1988), criada pelos britânicos Alan Moore e David Lloyd a partir da sua relação com aspectos do passado, mais especificamente, com a política e sociedade da Inglaterra da década de 1980. Como criação artístico-cultural, acreditamos que seu período de produção, o qual, é concomitante aos mandatos de Margareth Thatcher (1979-1990), conhecida por promover o neoliberalismo na Inglaterra, foi crucial para as referências a que a obra contém, como a tomada de posição política dos seus idealizadores. Nesse sentido, este trabalho conta, como referencial teórico metodológico os estudos de autores, como Ankersmit(2001, 2012), White(1991, 1999, 2006, 2010), Hutcheon(1991), Kellner(2001), Foucault(1996), entre outros, os quais possibilitaram vislumbrar a obra não como mera fonte, mas como uma construção histórica da década de 1980 inglesa. A proposta de análise pauta-se na versão original da obra, em entrevistas com os autores e documentários. A partir das reflexões efetuadas, percebemos que a construção histórica em V for Vendetta mantém aproximações com as narrativas historiográficas, visto que tanto nosso objeto de estudo quanto a historiografia apresentam interpretações sobre uma “realidade” passada.

Palavras-Chave: V for Vendetta; Metaficção historiográfica; Inglaterra

Banca: Banca: Larissa Patron Chaves (UFPel, orientadora) Aristeu Elisandro Machado Lopes (UFPel), Nádia da Cruz Senna (PPG em Artes Visuais/UFPel), Arthur Lima de Ávila (UFRGS).

Data da defesa: 11/04/2014

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LOUÏZE LABÉ: INTERAÇÕES, ESTRATÉGIAS E O LUGAR DO FEMININO EM DEBATE

Luiane Soares Motta

Resumo: A presente pesquisa trata do universo feminino trazido pela autora Louïze Labé, que viveu durante o século XVI, na cidade francesa de Lyon. A expressão de sua escrita possibilita-nos compreender não só o seu sujeito e sua postura diante da sociedade, como também o seu próprio entorno e os delírios que nele habitam. A escrita literária, que nada mais é que um misto do exterior do indivíduo e suas elucubrações, possibilitou perceber a relação dúbia entre o ser mulher e ser autora, durante um tempo que, mesmo tão distante temporalmente do presente, liga-se muito a ele e apresenta situações que respondem ou permitem elucidar os moldes de nossa própria contemporaneidade.

Palavras-chave: Louïze Labé – Literatura – Renascimento – Denúncia e resistência.

Banca: Ana Inez Klein (UFPel, orientadora), Rejane Barreto Jardim (UFPel), Ana Maria Colling (UFGD)

Data da defesa: 23/04/2014

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IMAGENS DA CIDADE: REPRESENTAÇÃO E MODERNIZAÇÃO NA CIDADE DO RIO GRANDE NA DÉCADA DE 1950

Maria Clara Lysakowski Hallal

Resumo: Este trabalho tem como recorte temporal a década de 1950, mais especificamente, o período de governo do presidente Juscelino Kubistchek, 1956-1961. Momento marcado por inúmeras transformações: a modernização estava em vigor, perpetuada através das transformações urbanísticas e questões como o desenvolvimentismo e as modificações industriais. O Plano de Metas, lançado logo após a posse do novo presidente, consistia em 31 metas, e tendeu a dar bases desenvolvimentistas para o Brasil, dentre os objetivos estava à expansão das áreas de energia, alimentação, indústria de base e transporte para todo o Brasil, inclusive, para o interior. Também abarcava a meta síntese, a construção da nova capital federal, Brasília. A partir disso, faz-se a seguinte questão: a partir de imagens do jornal Rio Grande, considerado o de maior circulação da cidade, e do estúdio Casa Foto Rio Grande, será estudado a representação da nova visualidade urbana e se e como a modernização brasileira chegou a Rio Grande, no período estipulado. Os objetivos que norteiam este trabalho são: compreender como se expressou a visualidade urbana, consequentemente a modernização e urbanização na cidade do Rio Grande; identificar as modificações urbanas na cidade durante a década de 1950 e identificar as obras de infraestrutura, embelezamento e os problemas oriundos da possível modernização riograndina. Dessa forma, foi possível constatar enquanto que as fontes, primordialmente, objetivavam mostrar o belo, oriundo das reformas, o antigo e defasado também foi evidenciado pelas fotografias do estúdio e fotorreportagens do jornal. Nota-se, então, que na cidade do Rio Grande, o antigo e novo faziam parte da constituição moderna da cidade. Também foi possível perceber que os discursos da modernização não eram simplesmente virtudes, mas sim organização das forças, seja dos governos ou da população, pois esta, através do jornal ou fotografias do estúdio, poderia sentir-se parte integrante desse ideal e participar, visto que a industrialização, cidadãos/habitantes, governos e urbanização estão interligados e são dependentes no processo.
 

Palavras-Chave:  Brasil; Juscelino Kubistchek; Modernização; Representação; Rio Grande

Banca: Elisabete da Costa Leal (UFPel, orientadora), Larissa Patron Chaves (UFPel), Alberto Gawryszewski (UEL)

Data da defesa: 15/04/2014

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DITADURA CIVIL MILITAR NA REGIÃO SUL GAÚCHA: MILITÂNCIAS E ROTAS DE EXÍLIO

Marília Brandão Amaro da Silveira

Resumo: No presente trabalho intenta-se trazer novos elementos para a pesquisa em ditadura civil militar focando um tema cuja produção é ainda muito escassa. É proposto explorar a forma com que o período se expressou, no que remete ao Rio Grande do Sul, em cidades do interior onde percebemos uma grande particularidade: a organização das rotas de exílio. Delimitaremos o presente trabalho às atividades de oposição à ditadura civil militar nas cidades de interior e de fronteira, considerando as principais atividades de oposição, a repressão, os apoios ao golpe, dentre diversas particularidades. Focaremos, mais especificamente, na organização das rotas de exílio, atividade peculiar que envolveu diversos grupos em solidariedade para garantir a vida de militantes procurados e, também, para a organização da militância no exílio. A principal fonte será a memória, tanto dos organizadores das atividades, quanto dos transladados para fora do país. Focaremos o período compreendido entre o ano do golpe até o início dos anos de 1970, em que os grupos de resistência foram duramente combatidos e se encontravam bastante desarticulados.

Palavras Chave: Ditadura Civil Militar; Cidades de interior e de Fronteira; Rotas de Exílio.

Banca: Edgar Ávila Gandra (UFPel, orientador) Enrique Serra Padrós (UFRGS), Renato Della Vechia (UCPel)

Data da defesa: 15/04/2014

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O LUGAR DA MULHER NAS PÁGINAS DE O CRUZEIRO: O CASO DE ELEGÂNCIA E BELEZA E DA MULHER PARA A MULHER NA DÉCADA DE 1960

Paula de Oliveira Vieira

Resumo: O Cruzeiro era uma revista de variedades, abrangia vários assuntos da sociedade brasileira. O foco desta dissertação são as páginas dedicadas às mulheres. Sendo assim, as seções analisadas foram Elegância e Beleza e Da Mulher para a mulher. Em Elegância e Beleza as mulheres deveriam cuidar de sua saúde e aparência para não perderem a feminilidade, característica muito defendida pela revista. A mulher deveria obedecer a certos padrões de beleza, um dos mais enaltecidos era a magreza. Para ser bela, a mulher tem de ser magra: a estética que mais aparece como um referencial de beleza, além da juventude. Desse modo são representados padrões de beleza feminina, como uma mulher deve ser e como proceder para atingir um padrão de beleza aceito e desejado. A segunda seção trabalhada, Da Mulher para a mulher, funcionava como um suposto correio sentimental, no qual mulheres e homens escreviam para a seção relatando seus problemas emocionais e afetivos. A seção funcionava como uma reguladora da vida feminina, regulava como as mulheres deveriam ser e agir em sociedade, reforçando um papel estereotipado e machista de que a mulher é inferior ao homem.

Palavras-chave: História, Gênero, O Cruzeiro, Elegância e BelezaDa Mulher para a mulher.

Banca: Aristeu Elisandro Machado Lopes (UFPel, orientador), Flávia Maria Silva Rieth (PPG em Antropologia/UFPel), Rejane Barreto Jardim (UFPel), Ana Maria Colling (UFGD)

Data da defesa: 23/04/2014

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AS INFERÊNCIAS DA POLÍTICA EXTERNA ESTADUNIDENSE NA
AMÉRICA LATINA NO SÉCULO XX: O CASO DO INSTITUTO CULTURAL
BRASILEIRO NORTE-AMERICANO-ICBNA

Rodrigo Vieira Pinnow

Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo analisar as inferências da política externa estadunidense na América Latina através da criação dos centros binacionais norte-americanos em meados da década de 1930. Entende-se que os estudos que contemplam a difusão cultural dos Estados Unidos no continente latino-americano apresentam uma lacuna no que tange as ações das agências e órgãos estadunidenses, bem como de seus representantes nas relações com as elites latino-americanas. Nesse sentido, pretende-se ampliar a percepção sobre a Política de Boa Vizinhança proposta pelo governo de Franklin Delano Roosevelt, ao considerar os centros binacionais como um dos vetores no processo de difusão cultural estadunidense na América Latina. Propõe-se incorporar uma nova perspectiva de análise acerca da influência dos Estados Unidos no continente latino-americano, a partir do estudo de caso do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano (ICBNA), analisando os pormenores do processo de criação da instituição, além do mapeamento dos demais centros pela América Latina. Diante disso, discute-se a ausência do processo na historiografia, na qual não se encontram estudos extensivos sobre a difusão cultural estadunidense através de institutos ou centros binacionais.

Palavras-chave: América Latina – Brasil – Estados Unidos – Política de Boa Vizinhança – Centros Binacionais

Banca: Arthur Lima de Ávila (UFPel/UFRGS, orientador), Edgar Ávila Gandra (UFPel), Fernando da Silva Camargo (UFPel), Rodrigo Santos de Oliveira (FURG)

Data da defesa: 25/04/2014

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COMUNIDADES LUTERANAS LIVRES EM SÃO LOURENÇO DO SUL (1886-1945)

Tamara Oswald

Resumo: Desde a chegada dos primeiros imigrantes a São Lourenço em 1858, o luteranismo se instalou naquela região como principal religião entre os colonos. Como não havia pastores e professores entre eles, sentiram a necessidade de organizar locais comunitários onde pudessem professar a fé e proporcionar o ensino aos jovens e crianças. Naquele contexto, sem apoio da Igreja Alemã para construírem seus templos, procuraram erguê-los de maneira autônoma através da união e organização comunitária. Do mesmo modo, pleitearam locais para desenvolver atividades educacionais na colônia, adquirindo espaços primeiramente através de doação e, mais tarde, da compra de lotes destinados a construção das escolas-capela. Este período inicial de formação das comunidades não contou com uma maior intervenção ou auxílio das instituições luteranas que já se organizavam no país. Essa situação mudou somente a partir de 1886, quando o Sínodo Rio-Grandense passa a enviar pastores ordenados para o interior da província, a fim de filiarem as comunidades autônomas à sua instituição e arrebanhar novos fieis. Em 1900, o Sínodo de Missouri também passa a enviar pastores às regiões coloniais com o mesmo propósito. A partir desse momento até 1945, as comunidades que se organizaram de forma autônoma são inseridas em um contexto de disputa religiosa entre as instituições sinodais, ao mesmo tempo em que se encontram num período de distúrbios políticos e étnicos, em virtude das duas guerras mundiais e do Estado Novo, no Brasil. Além de verificar as atividades das comunidades livres e independentes em São Lourenço do Sul neste contexto, este trabalho pretende trazer o tema do independentismo às discussões sobre o luteranismo no Brasil, sobretudo no Rio Grande do Sul, visto que ainda existem comunidades livres em atividade, especialmente a região sul. O diferencial desta pesquisa, além de verter sobre a temática do independentismo, ainda pouco difundida entre os debates historiográficos sobre o luteranismo no Brasil, está em ter utilizado fontes autóctones das comunidades livres e independentes, dando prioridade à documentação que até então não havia sido utilizada. Esse olhar sobre fontes não-sinodais, dá ao trabalho e às próprias comunidades autônomas, voz e a possibilidade de um novo viés interpretativo sobre suas origens e permanência.

Palavras-chave: Comunidades luteranas livres, São Lourenço do Sul, Imigração pomerana, Independentismo Luterano

Banca: Adhemar Lourenço da Silva Júnior (UFPel, orientador), Alexandre de Oliveira Karsburg (UFPel), Carmo Thum (FURG), René Ernaini Gertz (PUCRS)

Data da defesa: 13/06/2014

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O NAZI-FASCISMO NAS PÁGINAS DO DIÁRIO POPULAR. PELOTAS: 1923-1939

Rosendo da Rosa Caetano

Resumo: A presente dissertação se propõe analisar como o Diário Popular, de Pelotas, entre 1923 e 1939, comportou-se em relação às ideologias fascistas, especialmente em relação ao nazismo alemão. Apoiada em pesquisa documental e na historiografia sobre o tema, buscou-se traçar a trajetória do periódico durante o recorte cronológico estabelecido em relação a seus posicionamentos ideológicos. ODiário Popular foi fundado no último quartel do século XIX, ligado ao Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), e constituiu-se repre­sentante das classes conservadoras da cidade, sendo órgão oficial da municipalidade até os anos 1930. Após a Revolução de 1930, passou por um longo período de reformulação, desvinculando-se do PRR e opondo-se ao governo varguista. Por fim, após a implantação do Estado Novo, buscou conciliar-se com o regime e aliou-se a concepção estado-novista. O jornal tomou contato com o ideário fascista nos anos 1920, noticiando-o através de sua seção internacional. Posteriormente, a medida que o noticiário deu ênfase a vitória eleitoral de Adolf Hitler e a Coordenação da Alemanha, o nazismo tornou-se tema de capa. Inicial­mente o jornal manteve relações cordiais com os representantes fascistas na cidade, espe­cialmente com o Partido Nacional Fascista italiano e, posteriormente, também com a Seção do Partido Nazista. Contudo, após a implantação do Estado Novo, firmou o distanciamento iniciado já em meados de 1936.
Palavras-chave: Nazi-fascismo; nazismo, jornal Diário Popular, Pelotas, Rio Grande do Sul

Banca: Aristeu Elisandro Machado Lopes (UFPel, orientador), Márcia Janete Espig (UFPel), Lorena Almeida Gill (UFPel), Gerson Wasen Fraga (UFFS)

Data da defesa: 30/04/2014

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CRIMINALIDADE FEMININA: HOMICÍDIOS EM PELOTAS (1880-1890)

Geza Lisiane Carús Guedes

Resumo: Esta dissertação tem o objetivo de analisar a criminalidade feminina a partir dos homicídios ocorridos na cidade de Pelotas entre os anos de 1880 a 1890. Utilizando a metodologia da micro-história, foram pesquisados os processos criminais e as notícias relacionadas aos crimes. A análise percorre os caminhos das mulheres negras que figuraram como rés em ações judiciais, seus laços familiares e de parentesco, suas ocupações e trabalhos. Procura explicar como o Direito tratou de maneira diversa as mulheres no que tange as normativas, bem como, os argumentos generificados utilizados pela Justiça na elaboração das sentenças. A abordagem considerou o momento histórico de transição do Império para a República.

Palavras- chave: Pelotas; criminalidade feminina; violência; mulheres negras; imprensa.

Banca: Aristeu Elisandro Machado Lopes (UFPel, orientador), Beatriz Ana Loner (UFPel), Úrsula Rosa da Silva (PPG em Artes Visuais/UFPel), Paulo Roberto Staudt Moreira (UNISINOS)

Data da defesa: 30/05/2014