Curso de Psicologia Coordenação: Prof. Tiago Neuenfeld Munhoz
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Prevenção da depressão em adolescentes: fenotipagem digital e colaboração com adolescentes
Prevenção da depressão em adolescentes: fenotipagem digital e colaboração com adolescentes
Título do projeto
Contextualização

A depressão está entre as principais causas de anos vividos com incapacidade no mundo, com sintomas frequentemente iniciados antes dos 20 anos. No Brasil, o acesso ao cuidado psicológico pelo SUS é limitado e desigual — 0,18 psicólogos por mil habitantes, contra 2,82 no país como um todo (CFP, 2026) — e menos de um quarto das pessoas com depressão recebe algum tipo de tratamento. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) mostrou que 28,9% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram tristeza no mês anterior à pesquisa (41% entre as meninas). No Rio Grande do Sul, esse cenário se soma aos efeitos da pandemia de COVID-19 e das enchentes de 2024 sobre a saúde mental de adolescentes.

Este projeto dá continuidade a um ensaio clínico anterior do NEPSI (ReBEC RBR-29fpk5b, N=132), que comparou intervenção orientada e auto-orientada de TCC digital contra um grupo controle: a modalidade orientada reduziu sintomas depressivos com efeito grande (d=0,88), enquanto a auto-orientada não teve efeito claro (d=0,31) — mas a diferença mais marcante esteve na adesão: 43,2% dos participantes completaram a modalidade orientada, contra apenas 18,2% na auto-orientada. A pergunta deixou de ser apenas “a intervenção funciona?” e passou a ser “como sustentar a adesão no formato de menor custo?”. Esta nova fase amplia o desenho para responder essa pergunta em escala.

O que muda nesta nova fase

  1. Ensaio ampliado: cerca de 2.166 participantes, em ensaio clínico randomizado individual de três braços paralelos (orientada, auto-orientada, controle), alocação 1:1:1.
  2. Fenotipagem digital: metadados que o REDCap (plataforma já em uso institucional) já registra automaticamente — tempo de resposta, duração de sessão, padrão de abandono — e processamento de texto livre em português (modelo BERTabaporu), para identificar em tempo real quem está em risco de abandonar o tratamento. Sem sensor ou aplicativo dedicado; processamento local, em conformidade com a LGPD.
  3. Colaboração com adolescentes (YPAG): material de convite e lembretes desenvolvidos em conjunto com um Grupo Assessor de Jovens, para aumentar a aceitabilidade e reduzir o abandono.
  4. Seguimento estendido: avaliação da manutenção dos efeitos aos 12 e 24 meses após o fim da intervenção.
  5. Substudo metodológico (SWAT): teste de diferentes formatos e horários de lembretes automatizados para melhorar a retenção dos participantes.
  6. Parceria internacional com grupo de pesquisa de Amsterdã.
Objetivo

Avaliar a efetividade comparada das intervenções orientada e auto-orientada de TCC digital, frente a grupo controle, no âmbito do modelo de cuidado escalonado, para prevenção de sintomas depressivos em adolescentes de escolas públicas de Pelotas/RS — caracterizando adesão e resposta ao tratamento por meio de fenotipagem digital.

Método

Ensaio clínico randomizado individual, com três braços paralelos (intervenção orientada, auto-orientada e controle), alocação 1:1:1 e análise por intenção de tratar. O desfecho primário é a redução de sintomas depressivos (PHQ-A). Desfechos secundários incluem sintomas de ansiedade (GAD-7), preocupação (PSWQ-3), bem-estar (WHO-5) e insônia (ISI). O estudo também explora moderadores do efeito da intervenção — gênero, etapa de ensino, rede escolar e gravidade basal dos sintomas.

Fenotipagem digital

O diferencial deste projeto é uma camada de fenotipagem digital de baixo custo: em vez de sensores ou aplicativos dedicados, o modelo usa metadados que o REDCap já registra automaticamente durante a intervenção — tempo de resposta a cada pergunta, duração das sessões e padrão de abandono — além de processamento de texto livre em português (modelo BERTabaporu). Todo o processamento é feito localmente, sem envio de dados a serviços de nuvem de terceiros, resolvendo desde a concepção as exigências de governança de dados de saúde da LGPD. O objetivo prático é identificar, ainda durante o estudo, participantes em risco de abandonar o tratamento auto-orientado e direcionar suporte humano adicional a eles.

Equipe

Coordenação: Prof. Tiago Neuenfeld Munhoz (Faculdade de Medicina/UFPel), em parceria com grupo de pesquisa de Amsterdã. Equipe composta por estudantes de Psicologia e Enfermagem da UFPel, atuando nas diferentes ações do projeto sob orientação.

Aspectos éticos

Esta nova fase do estudo está em processo de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa — número de parecer e CAAE a definir. O estudo anterior do grupo, do qual este projeto é continuidade direta, está registrado na Rede Brasileira de Ensaios Clínicos (ReBEC) sob o número RBR-29fpk5b.