Início do conteúdo

Arquivos Vivos – Simpósio internacional acontecerá de 27 a 29/04

Arquivos Vivos 

Simpósio internacional sobre processos de conservação e difusão da memória das artes vivas

A presença de performances em acervos museológicos vem recebendo atenção crescente nas mais importantes instituições da arte contemporânea mundial, com políticas de aquisições, comissionamentos e exposições. A coleção, preservação e reflexão sobre tal gênero artístico é parte estratégica em instituições internacionais, com acervos em ampliação e pesquisadores específicos para a área: Catherine Wood (Curadora Sênior de Arte Performance na TATE Modern); Nat Trotman (Curador de Mídia e Performance no Guggenheim); Stuart Comer (Curador Chefe de Performance no MoMA) – para citar três exemplos pelo mundo.

Também no campo das artes do espetáculo, podemos reconhecer os esforços institucionais no sentido de reter aquilo que for possível do espetáculo presencial, inexoravelmente marcado por sua efemeridade. Assim, as galerias de Teatro e Performance do Victoria & Albert Museum, em Londres, e o Museu Nacional do Teatro, em Lisboa, se caracterizam por suas recentes iniciativas dedicadas ao arquivamento de espetáculos e de seus processos de criação em espaços institucionais que poderíamos considerar como verdadeiros museus do teatro. 

Tais iniciativas suscitam não somente a curiosidade da população ao se ver convidada a revisitar materiais (figurinos, textos, acessórios, relatos falados, registros fotográficos, registros em vídeos, objetos etc) mas também, através desse reencontro, reavivar memórias e sensações que sentiram quando viram o espetáculo ao vivo. Aqui, vemos a iniciativa da instituição de caráter duradouro e sólido no sentido de reter o máximo do evento fugaz e efêmero, tentando constituir um arquivo de caráter permanente.  Por outro lado, espetáculos como Cour d’Honneur de Jérôme Bel,  são emblemáticos no sentido de produzirem um arquivo no interior de um evento efêmero, arquivo este que, junto com a peça, desaparece com a conclusão desta última. 

Desta forma, longe de objetivarmos exaurir o campo de questionamentos possíveis, algumas perguntas que nos parecem delimitar o campo de reflexões são: 

 

O que significa acessar uma obra de arte performativa através de seus registros? 

Para além da mera recordação de um evento no passado, poderiam os arquivos das artes performativas serem reativados em seu potencial performativo?

 Seriam estes arquivos meros registros de uma arte outrora viva? Ou poderiam estes serem considerados novos trabalhos imagéticos?

Em que medida esses registros constituem-se como arquivos vivos sujeitos a serem (re) performados num aqui agora posterior ao evento que lhes deu origem? 

 

Na ideia de mapear e refletir sobre esses esforços de retenção e difusão da memória das artes vivas e performativas, em parceria com o Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),  a Pinacoteca Barão de Santo Ângelo/UFRGS/BR, a galeria ASala, da UFPel a Bronze Residência, o Instituto Cultural Torus, o Laboratoire International de Recherches en Arts da Université Sorbonne Nouvelle e o  Consulado-Geral da França em São Paulo,  propomos o simpósio internacional online  Arquivos Vivos, a fim de gerarmos uma troca entre artistas, pesquisadores e demais trabalhadores no campo das artes performativas do Brasil e da França. 

 

LINK PARA AS MESAS ON LINE: https://youtube.com/channel/UC_AxagudEt26c8YwWnsavsQ

 

Mesas

Mesa 1:  27/04, às 10h00 (BR)- 15h00(FR)

 RE-PERFORMANCE 

Quais as questões que emergem da prática da re-performance na performance art e nas demais artes performativas? Teria a re-performance um papel de preservação da performance arte? 

 

Participantes: Daniela Labra e Lucio Agra

Mediação: Andressa Cantergiani, Laura Cattani e Rodrigo Scalari

 

Mesa 2:  28/04, às 10h00 (BR)- 15h00(FR) 

 DOCUMENTAÇÃO PERFORMATIVA

Experiência de acessar um evento performativo pela documentação. É possível preservar a vida de um evento performativo (teatro, dança, circo, performance arte etc) através de sua documentação?

 

Entrevista com Éric Mangion, por Rodrigo Scalari e Andressa Cantergiani

Mediação: Andressa Cantergiani, Laura Cattani e Rodrigo Scalari

 

Mesa 3:  29/04, às 10h00 (BR)- 15h00(FR)

ARTISTA E SUA OBRA

Perspectiva do artista sobre documentação e preservação do seu trabalho em performance e nas artes vivas. Como artista do corpo, como se dá a documentação e qual a importância dela para o seu trabalho? 

 

Participantes: Andressa Cantergiani e Fabiana Ex-Souza.
Mediação: Laura Cattani e Rodrigo Scalari

 

Organização, produção e divulgação: 

Andressa Cantergiani 

Doutora em Poéticas Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/BR. Gestora da Bronze Residência.

 

Rodrigo Cardoso Scalari 

Doutor em Estudos Teatrais pela Université Paris 3 – Sorbonne Nouvelle

 

Realização: 

CONSULADO GERAL DA FRANÇA EM SÃO PAULO

BRONZE RESIDÊNCIA 

TORUS INSTITUTO CULTURAL

 

Apoio:

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL(  UFRGS)

PINACOTECA BARÃO SANTO ÂNGELO (UFRGS/BR)

INSTITUTO DE ARTES UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

LIRA – Laboratoire International de Recherches en Arts / Sorbonne Nouvelle – Paris 3

GALERIA ASALA – UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

 

Biografias dos Participantes

ANDRESSA CANTERGIANI

Artista e pesquisadora multimídia transdisciplinar e performer. Vive entre Berlim e Porto Alegre. Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV-UFRGS, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e graduada em Artes Cênicas pelo DAD/UFRGS.

Membro do Insurgencias.net. Estudou Performance na UDK –Universidade de Artes de Berlim. Doutorado Sanduíche University of Applied Sciences and Arts- Hoschulle Hanover –Alemanha. A artista é representada pela Galeria Mamute, Porto Alegre-Brasil. Ela é a gestora da BRONZE Residência e da galeria Península, em Porto Alegre. É curadora e educadora do PPPP [Programa de Performance Pública Península], premiado duas vezes pelos editais #Juntospelacultura da FAC ProculturaRS, da FUMPROARTE, Atelier Livre POA e Prêmio Açorianos como melhor Projeto de Divulgação e Inovação Cultural. Prêmio FUNARTE MINC Brasil Cultura-Lisboa e CDEA- Centro de Cultura Europeia e Alemã. Realizou residências, projetos e exposições em diversos espaços do mundo como a Fundação Iberê Camargo/RS/BR, Brasil, MAC / RS-Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea Bispo do Rosário / RJ / BR, Residência Terra Una / Residência Insurgências MG, Berlim / ALE. Obras em coleções do MARGS-RS, MAC-RS e AMARP-RS. Desenvolve agora uma pesquisa de weltoffenes Berlin em colaboração com Neue Häeute e.v.

 

PORTFÓLIO: www.andressacantergiani.art

https://www.flowcode.com/page/anddressacantergiani

 

DANIELA LABRA

Daniela Labra é curadora de artes visuais, pesquisadora e crítica de arte. Graduou-se em Teoria do Teatro pela Uni-Rio. Doutora em História e Crítica da Arte pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro com a tese: Legitimação internacional da Arte Brasileira, análise de um percurso: 1940-2010, vencedora do Prêmio Gilberto Velho de teses, 2015. Pesquisadora Pós-doutora na Escola de Comunicação da UFRJ, 2016. Atua principalmente nos temas: arte brasileira, processos históricos e estéticos latino americanos, performance, arte e política. Ministrou os cursos Curating Performance Art, Art & Politics e Art & Activisms no Node Center. Professora de Teoria da Arte e História na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro (2010-2016). Crítica de artes plásticas no Jornal O Globo (2014-2016). Colabora com Revista Select, Revista Concinnitas, SESC São Paulo, nGbK Berlin, Insurgencias Berlin, entre outros. Curadora no projeto museo de la democracia, nGbK, Berlin, 2021; Frestas Trienal 2017: Entre Pós-Verdades e Acontecimentos, SESC Sorocaba, São Paulo, Festival Performance Arte Brasil, MAM Rio de Janeiro, 2011, e outras. Reside e trabalha entre Berlin e Rio de Janeiro.

 

ERIC MANGION

Eric Mangion é diretor do Centro Nacional de Arte Contemporânea da Villa Arson desde 2006. Notadamente ele programou um ciclo expositivo concebido a partir de práticas efêmeras (sonoras, poéticas ou performáticas): Ne pas jouer avec des chooses mortes , 2008, Poésie Action de Bernard Heidsieck , L’Encyclopédie de la Parole e Le temps de l’écoute , 2011 e À la vie délibérée ! , 2012.De 1993 a 2005 dirigiu o Frac Provence-Alpes-Côte d’Azur onde concentrou parte da coleção em obras progressivas a partir de elementos genéricos. Em torno desse eixo, produziu as exposições Ugo Rondinone , 2001, Christophe Berdaguere Marie Péjus , 2001, La Société Perpendiculaire, 2002, Patrick Van Caeckhenberg, 2003, Björn Dalhem , 2004, Tatiana Trouvé , 2005 ou Self in Material Conscience na Sandretto Foundation em Turim em 2002. Foi também o diretor artístico do Spring Festival de setembro para a edição de 2010 Une forme pour toute action e curador associado do Festival Live in Vancouver em 2011. Por fim, desde 2009 investiga o desaparecimento como gesto artístico, seja ocultação, encobrimento, destruição, roubo, vandalismo ou puro e simples desaparecimento do artista. Apoiando-se na pintura de Robert Rauschenberg, Erased De Kooning de uma perspectiva histórica, ele pretende analisar como o desaparecimento acompanha teórica e formalmente a criação de nosso tempo.

 

FABIANA EX-SOUZA

Artista-Performer afro-brasileira, Fabiana Ex-Souza vive em Paris desde 2010. Ela desenvolve uma prática transdisciplinar, combinando performance, vídeo, instalação e fotografia, particularmente interessada no uso de materiais do mundo vegetal em suas obras. Em 2014, atenta às questões relacionadas com a diáspora africana, ela se dá o direito, por autodeterminação poético-política, de expurgar seu nome de escrava, tornando-se assim Ex-Souza. Depois desse momento fundador, os processos de cura, herdados de sua avó ameríndia, tornaram-se para ela um campo de estudo e de aprofundamento para implantar uma prática artística ligada à ecologia do cuidado. Em particular, ela investe a noção de “órgão político” para refletir sobre a reatualização dos arquivos, reparos, transmissão e os processos de “transmutação” do que a artista chama de “objetos fantasmas”. Ela realizou várias apresentações e residências artísticas, como Guérir le regard blanc. N’avons-nous pas fait assez ?, festival “Afriques”: Utopies performatives”, Cité internationale des arts, Paris, 2021; Ce qui fait jour, projeto “TRANSformACTIONS et REgeneration” organizado pela Initiative for Practices and Visions of Radical Care no âmbito da exposição Freedom of Sleep, Fondation Fiminco, Romainville, 2021; Residência DOMUS Dialoghi sul Mediterraneo/The Last Supper Project residency, Galatina (Itália, 2021); Plusieurs Manteaux to Bispo – Elévation collective, L’acte éditorial live Afrikadaa “Quand les artistes dialoguent avec les ancêtres”, Centre Pompidou, Paris, 2019; entre outros. Este ano, Ex-Souza é um dos artistas indicados para o 23o Prêmio da Fundação Pernod Ricard, como parte do projeto “Horizones”, pelo curador Clément Dirigé. Fabiana Ex-Souza está completando atualmente o doutorado em Artes Visuais e Fotografia na Universidade de Paris-VIII sobre o tema da estética descolonial latino-americana.

 

LAURA CATTANI

Laura Cattani é artista sob o pseudônimo Ío, curadora e pesquisadora, Bacharel em Artes Cênicas, Mestre e Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS com doutorado-sanduíche na UPJV (França), indicada ao Prêmio Capes de Tese 2018, e pós-doutorado no PPGAV/Unb. Idealizadora do Instituto Cultural Torus. É professora substituta no Centro de Artes da UFPel, onde coordena a Galeria A Sala. É curadora convidada da Galeria Maria Lucia Cattani e curadora adjunta da 13ª. Bienal do Mercosul. Realizou exposições em diversas cidades do Brasil bem como Uruguai, Argentina e França. Sua obra compõe o acervo de instituições como o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Fundação Vera Chaves Barcellos, Coleção Casa Niemeyer, Museu de Arte do Rio de Janeiro, MARGS e MMAM. Atua como agente cultural para promover a difusão e valorização da Arte Contemporânea como instrumento para reflexão, questionamento e transformação.

 

LUCIO AGRA

Lucio Agra – professor, ensaísta, pesquisador, artista. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC SP é professor da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), no Cecult (Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas). Há muitos anos milita artisticamente sobretudo na performance, com ramificações na música, no teatro, na poesia e nas artes visuais.Foi co-curador de vários dos Festivais Perfor (2010-2017) em São Paulo, à frente da BrP (Associação Brasil Performance) além de atuar nessa função em exposições no Brasil e no exterior.  Apresentou performances em Festivais em vários estados brasileiros e em vários países. Tem artigos publicados em revistas e livros (coletâneas) e quatro livros publicados, sendo o mais recente “Décio Pignatari – a vida em noosfera” para a Coleção Sapientia da Educ (Editora da PUC SP, 2018). https://www.youtube.com/c/LucioAgra-arteaovivo

 

RODRIGO SCALARI

Ator, pesquisador e professor de teatro. Doutor em Estudos Teatrais pela Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3, tese intitulada « L’enfant comme modèle dans la pédagogie théâtrale : dans les approches de Jacques Copeau, Jacques Lecoq et Philippe Gaulier », defendida em janeiro de 2021,  pesquisa financiada pelo Programa de Doutorado Pleno no Exterior da CAPES. Mestre em Teatro pela Unicamp, 2010, bolsista de mestrado da FAPESP. Graduado em Licenciatura Teatral pela UFRGS, 2006. Foi contemplado com a Bolsa de Residência em Artes Cênicas da FUNARTE/MINC em 2010, tendo efetuado formação no primeiro ano pedagógico da École Philippe Gaulier (Paris/FR), na qual conclui o segundo ano de formação em 2013 durante seu doutorado. Participou como ator de várias produções teatrais no circuito profissional e universitário de Porto Alegre, atuando em espetáculos como O Canto do Cisne (Anton Tchekhov), Antígona (Sófocles), Navalha na Carne (Plínio Marcos) Pterodáctilos (Nicky Silver), Do It (criação coletiva) etc. Em 2003, juntamente com colegas do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, fundou a Companhia Espaço em Branco, na qual atuou nos espetáculos Extinção: A impossibilidade da morte na mente de alguém vivo (criação coletiva) e em Andy/Edie (de Diones Camargo). 

Publicado em 25/04/2022, em Notícias.