Orquestra Jovem Sesc Brasil deixa sua marca no Festival Internacional de Música em Pelotas

Evento encerrou na sexta, dia 31 de janeiro, e o grupo de 58 jovens musicistas gaúchos e de nove estados brasileiros fez concerto dia 29, no Theatro Guarany      

Por Lylian Santos     

 

Integrantes da Orquestra Jovem têm entre 14 e 29 anos e tocam diversos instrumentos musicais    Foto: Paulo Rossi/Divulgação

 

Até sexta-feira (31), Pelotas recebeu a 13ª edição do já tradicional Festival Internacional Sesc de Música. Alunos e professores de diversos estados e países deslocaram-se para a cidade para participar do evento.

Desde o começo do Festival, em 20 de janeiro, um grupo de 58 jovens musicistas de nove estados brasileiros, além do Rio Grande do Sul, se reuniu para ensaiar todas as tardes, no Theatro Sete de Abril. Após mais de uma semana de preparação, a Orquestra Jovem Sesc Brasil fez sua principal apresentação na noite de quarta-feira (29), no Theatro Guarany, marcando o quinto encontro do grupo. Sob a regência do carioca Geovane Marquetti, o repertório trouxe música de concerto e popular.

Os integrantes da Orquestra Jovem têm entre 14 e 29 anos e tocam os mais variados instrumentos musicais de cordas, madeiras, metais e percussão. Eles integram projetos de musicalização de Orquestra Jovem das unidades do Sesc em Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Roraima, Sergipe e do Polo Socioambiental do Sesc Pantanal. Há também alunos da Orquestra Estudantil do Areal, da Orquestra Municipal de Pelotas e, pela primeira vez, da Orquestra Jovem do Sesc RS.

Natural de Volta Redonda (RJ), Marquetti é completamente favorável a projetos sociais de incentivo à musicalização e conta que é egresso de uma dessas iniciativas. Ficou 14 anos no Projeto Volta Redonda Cidade da Música, formou-se e tornou-se professor do mesmo projeto. Atualmente, mora em Porto Alegre e integra a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), a Orquestra Theatro São Pedro (POA) e a Sphaera Mundi Orquestra. 

“Eu vejo isso como uma oportunidade de profissionalizar e de motivar um pouco esse sonho de ser músico, pois não é tão fácil no Brasil ser músico de concerto. Muitos deles não tiveram a oportunidade de tocar em uma orquestra sinfônica, é a primeira vez. Então, aqui, a gente está para fazer esse intercâmbio desse sonho, regar um pouquinho essa semente para que eles possam realizar esse sonho de se tornar profissionais da música. O Festival proporciona aulas e concertos menores. E esse concerto de gala eu acredito que é um divisor de água na vida deles, dando um combustível a mais para o ano deles”, comentou o regente.

As atividades do Festival possibilitaram intercâmbio cultural e musical, além da capacitação de alunos, professores, instrutores e coordenadores dos projetos do Sesc. Para além dos espaços tradicionais de apresentações culturais, subgrupos de câmaras formados pelos jovens tiveram a oportunidade de levar arte a locais como hospitais, unidades de cuidados e paróquias, ampliando o acesso à música para diferentes públicos.

Por sua vez, o objetivo do projeto Orquestra Jovem Sesc Brasil, criado em 2004, é transformar a vida de muitos jovens por meio da música. Mais do que somente ensinar a tocar instrumentos, a iniciativa também estimula o encontro dos alunos como uma forma mais ampla de desenvolvimento artístico e profissional.

 

Diego Amorim (trompete) e Diogo Amorim (oboé) viajaram mais de quatro mil quilômetros para apresentação no evento Foto: Lylian Santos

 

Gêmeos maranhenses

Dentre os integrantes da Orquestra Brasil, os irmãos gêmeos Diego e Diogo Amorim, de 29 anos, naturais do Maranhão, participam pela segunda vez do festival. A primeira vinda a Pelotas foi em 2020 também para tocar na Orquestra Jovem. Ambos fazem parte do Projeto Sesc Musicar Maranhão desde 2016 e são graduados em Licenciatura em Música. “É uma grande oportunidade estar aqui e poder colher um pouco do conhecimento que esses grandes professores, referências internacionais, vêm aqui para nos passar”, disse Diego.

“O Sesc Musicar foi bem fundamental por conta de ser um projeto que possibilita essa prática de orquestra e, também, acabou proporcionando participar do Festival na edição de 2020 e neste ano também. Só que, no meu caso, com dois instrumentos diferentes. Na primeira edição, eu vim como saxofonista e, neste ano, eu vim com o oboé. Estou tendo essa oportunidade de conhecer outras pessoas e, também, estar apreciando os conhecimentos dos professores, principalmente os de outros países. Eles trazem muitos ensinamentos, um pouco de conhecimento da didática deles que a gente vai levando para os nossos alunos”, explicou Diogo.

O contato com a música vem de muito antes. Diego contou que os estudos de prática e teoria da música iniciaram em 2007. Em 2010, ele e seu irmão começaram a participar de uma banda escolar. Mais adiante, surgiu a oportunidade do Sesc Musicar. O músico ressaltou que esse projeto acabou aparecendo como uma oportunidade de um maior aprendizado sobre as práticas de orquestra e de banda. Ao falar de inspiração, Diogo citou a força das bandas de música no Maranhão, de desfiles de bandas militares e marciais. “A gente já participava e assistia essas bandas, e, com o tempo, fomos querendo ter esse contato mais próximo com os instrumentos musicais”.

Segundo Diego, os projetos Sesc vão além da música, eles podem mudar vidas. “Com certeza fez uma grande diferença para nós, porque apesar da pessoa entrar no projeto e não seguir a carreira de músico, com certeza, os ensinamentos de disciplina, respeito, solidariedade com o colega, tudo isso vai influenciar, seja qual for a profissão que ele seguir adiante. Então, essa parte mais social mesmo, que o Sesc trabalha, também é influenciada por essa parte musical. Estão bem relacionadas e nos direcionam para um bom começo”.

 

Orquestra Jovem Sesc RS

Outra novidade é que, pela primeira vez, o Rio Grande do Sul conta com sua própria Orquestra Jovem Sesc, formada por alunos da região. O projeto, iniciado em Pelotas neste mês de janeiro, já permite que os participantes selecionados integrem as classes do Festival.

Com 40 alunos, 20 para a classe de violino, 10 para a classe de viola, seis para a classe de violoncelo e quatro para a classe de contrabaixo, a orquestra tem o objetivo de estimular o desenvolvimento artístico individual do aluno, com um trabalho de socialização e vivência musical em conjunto, oferecendo, por meio das aulas, ensaios e apresentações musicais, atividades que contribuem para a formação da cidadania dos integrantes. O projeto é direcionado para jovens de 15 a 19 anos.

O maestro da orquestra Jovem Sesc RS, Thiago Perdigão, está desde o início da orquestra e é o segundo projeto de grande porte que participa como regente titular. Perdigão contou que a iniciativa recebeu mais de 100 inscrições e foram ouvidos mais de 70 alunos nas audições. “Em relação à primeira semana do projeto, foi bem interessante, a gente fez, inclusive, uma abertura para os alunos, quando os professores tocaram e vieram autoridades da cidade, sejam vinculadas à Prefeitura, sejam relativas ao Sesc, Senac e Fecomércio. Já na primeira semana funcionou bem, estruturamos horários de estudos, das aulas teóricas e práticas com os professores”.

O regente se mostrou animado com o projeto. “Para mim é muito incrível poder contribuir com a cultura de Pelotas, a expansão cultural nesse sentido, da música de concerto, da música de orquestra. E, na verdade, é um sonho meu e de muitas pessoas na cidade, já que nunca houve uma orquestra permanente. Então, está sendo incrível poder participar disso como regente e poder contribuir com o Sesc, com o projeto e com a comunidade, já que vai ser um processo que vai acabar estimulando a música em geral. A ideia é que a gente não fique apenas na cidade, mas circule pelo Estado com o projeto, talvez até fora do Estado”.

“Além do âmbito cultural do projeto e musical propriamente estético, com certeza vai ser uma evolução para eles no sentido humano e social, já que eles, em primeiro lugar, estão convivendo com jovens diferentes no próprio Festival, com pessoas de outros Estados e tudo isso faz parte desse crescimento social e humano. A  própria música também tem uma função humanizadora; ela não é apenas estética, mas também tem esse lado de que o músico, através da música, consegue se comunicar com outras pessoas. Então, isso aí, com certeza, muda a vida de muitos jovens, inclusive, às vezes, até dá um sentido a mais para aqueles que querem seguir carreira”, explicou Perdigão.

 

          Maestro carioca Geovane Marquetti regeu Orquestra Jovem Sesc Brasil com repertório de música de concerto e popular                                 Foto: Paulo Rossi/Divulgação

 

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50º Festa de Iemanjá reúne milhares de pessoas em celebração de cultura e religiosidade

Turistas e população local estiveram presentes para celebrar o Jubileu de Ouro com procissão luminosa e manifestações artísticas     

 

Por Isadora Jaeger e Maria Clara Goulart   

 

Público assiste a chegada da procissão luminosa à estátua de Iemanjá            Foto: Maria Clara Goulart

 

Realizada entre os dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro no Balneário Cassino, a Festa de Iemanjá atingiu a marca de 50 edições, celebrando seu Jubileu de Ouro.  Considerado um dos maiores eventos religiosos do sul do Brasil, o evento reuniu milhares de devotos, turistas de diferentes regiões do país e moradores de Rio Grande para homenagear a Rainha das Águas.

A programação cultural do evento incluiu apresentações de grupos de maracatu, rodas de samba e capoeira, além de uma exposição fotográfica sobre a história da festa. Oficinas de turbantes e percussão também fizeram parte da agenda, promovendo conhecimento sobre a herança africana na cultura brasileira. Durante todo o evento, o Campo do Praião foi o principal ponto de encontro, abrigando uma feira de artesanato, apresentações musicais e manifestações culturais.

 

A mostra cultural de música ocorreu no Campo do Praião,  principal ponto de encontro   Foto: Isadora Jaeger

 

O ponto alto da festa é a tradicional procissão luminosa, realizada na noite de sábado. Os fiéis, juntamente da imagem da orixá, caminharam pela avenida Rio Grande até a estátua de Iemanjá, entoando cantos e levando oferendas e velas, em uma demonstração de devoção e espiritualidade que atraiu não apenas os religiosos, mas também o público em geral.

Luiz Arthur Telles, turista de Santa Catarina, que acompanhou a caminhada, destacou o impacto cultural da celebração. “Passo a temporada aqui no Cassino e a Festa de Iemanjá é um momento muito especial. É visível como a comunidade acompanha a procissão e participa do evento, seja dando alguma oferenda ou apenas assistindo, mesmo sem necessariamente estarem aqui por motivos religiosos”, comentou.

 

Fieis preparam as oferendas para a Rainha das Águas                   Foto: Isadora Jaeger

 

Para Pai Jorge de Xangô, líder espiritual, a celebração também é um ato de resistência contra o preconceito religioso. “Por muitos anos, nossos cultos foram marginalizados. Hoje, ver essa expressão de fé e cultura ocupando um espaço tão grande é uma vitória. A nossa religião também faz parte do Brasil, e momentos como este mostram a força da nossa tradição”, afirmou.

O fuzileiro naval Saulo Tavares reforça as palavras de Pai Jorge, destacando que, por muito tempo, essas manifestações não tiveram o reconhecimento e o espaço que conquistaram hoje. “É importantíssimo este evento ocorrer e tomar essa grande proporção. Por muitos séculos nossos cultos foram segregados, mas a verdadeira essência sempre prevalecerá. Hoje, a melhor maneira de demonstrar a resistência é levar a alegria de se viver livre, este era o sonho dos nossos antepassados”.

Saulo foi também um dos fieis que completou a tradicional peregrinação do Centro da cidade até a estátua de Iemanjá, percorrendo a ERS-734 e a BR-392. “É uma experiência única, em que se deve prestar atenção aos pensamentos, pois Iemanjá está em tudo e se faz muito presente. Participar deste momento significa reafirmar esses votos com a Mãe Geradora, ela que acolhe todos sem distinção”, ressalta Tavares.

 

Palco Principal recebe atrações na noite do dia 1º de fevereiro       Foto: Isadora Jaeger

 

Claudio Henrique Moraes, que participou pela primeira vez da caminhada, também relatou sua experiência. “Não pertenço à nenhuma religião, mas fiz uma promessa de que completaria o percurso a pé caso conseguisse me aposentar. Atravessar essa jornada foi emocionante e cansativo, mas traz um sentimento de orgulho”, relatou. Durante o trajeto, a Brigada Militar garantiu a segurança dos participantes e pontos de apoio ofereceram água e frutas aos peregrinos, bem como lugares com sombra e sanitários.

 

Público caminha pela ERS-734 até o Balneário Cassino        Foto: Giovana Costa/ Arquivo Pessoal

 

A relação da cidade de Rio Grande com o mar também se reflete na celebração de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos pescadores e navegantes. Comemorada no dia 2 de fevereiro, simultaneamente à Festa de Iemanjá, a santa católica também simboliza proteção e conexão espiritual com as águas, evidenciando a fé e devoção dos moradores com as forças do oceano, aspectos que têm grande valor cultural para a cidade do Rio Grande.

 

Fieis carregam imagem de Iemanjá durante procissão          Foto: Maria Clara Goulart

 

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História em quadrinhos de ficção científica tem inspiração em dito popular

A obra “Primeiro Londres, Depois Pelotas” foi lançada no evento Mucha Arte, no restaurante Madre Mia, onde os desenhos da HQ estão em exposição até abril         

Por Lylian Santos        

 

Ideia surgiu da crença popular de que Pelotas é a segunda cidade mais úmida do mundo, atrás apenas de Londres Imagem: Divulgação

 

Pelotas virou cenário da história em quadrinhos de ficção científica “Primeiro Londres, Depois Pelotas”. A publicação foi lançada em dezembro do ano passado, com financiamento do Fundo Municipal de Cultura de Pelotas (Procultura). O tema da obra é tão fundamental para a identidade da cidade quanto os doces produzidos na região: a umidade da Princesa do Sul, que não passa despercebida por moradores e visitantes.

A ideia surgiu da crença popular de que a cidade é a segunda mais úmida do mundo, atrás apenas de Londres. Na trama, a Terra se prepara para ser engolida por um buraco negro e as cidades mais úmidas, as primeiras vítimas, são tomadas pelo mofo. Após o desaparecimento da capital da Inglaterra, Pelotas deve ser a próxima a sucumbir.

É nesse contexto apocalíptico que os protagonistas Daniel e Bruna vivem as incertezas de um romance recente, mesclando melancolia e emoção enquanto se encontram pela última vez antes do “fim do mundo”.

O enredo utiliza elementos de fantasia e ficção científica para falar de temas essencialmente reais e humanos: a necessidade de conexão e a dificuldade de expressar os sentimentos. A base da história foi desenvolvida ainda durante a pandemia da Covid-19.

A HQ é fruto do trabalho coletivo de uma equipe formada pelos artistas André Berzagui (roteirista), Vitor Wiedergrün (ilustrador), Manu Schiavon (diretora de arte), Ananda Valle (diagramadora) e Lauren Mattiazzi Dilli (produtora). A obra foi lançada no dia 9 de dezembro, durante o evento Mucha Arte, no restaurante Madre Mia (Rua Santa Cruz, 2200, bairro Centro, Pelotas), onde as ilustrações da HQ ficam em exposição até abril.

O projeto, que também contou com uma campanha de financiamento coletivo bem-sucedida no site Catarse, arrecadou 260% acima da meta inicial, viabilizando a impressão de exemplares físicos. Em um mês, foram arrecadados cerca de R$ 4,6 mil – mais que o dobro do objetivo inicial. O diferencial da iniciativa é a venda direta em eventos, proporcionando aos fãs de quadrinhos a oportunidade de interação com os criadores da obra. No Natal, a história foi disponibilizada no site FlipTru  e a produção pode ser acessada de forma gratuita. Para quem preferir na modalidade impressa, o livro está à venda no Sebo Icária (rua Tiradentes 2609, bairro Centro de Pelotas). 

 


A história em quadrinhos imagina espaços públicos de Pelotas no fim do mundo       Imagem: Reprodução/redes sociais

 

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Detonautas: uma banda com o coração gaúcho

De jovens visionários a um grupo de renome nacional com mais de 20 anos de carreira      

Por Adriana Cunha   

     

O líder da banda Tico Santa Cruz  cercado pelos fãs na gravação do show acústico em 2023   Foto: Faab Santos/Divulgação

 

Desde a sua criação, a banda Detonautas foi pioneira em explorar as possibilidades do mundo virtual, porém também sempre visou a experiência do palco e da vida real para existir. Com o nome original Detonautas Roque Clube, já fez turnês pelo Japão, Estados Unidos e Europa. Desde o início estiveram presentes Tico Santa Cruz (vocais) e Renato Rocha (guitarra e vocais de apoio). Atualmente, completam a formação Phil Machado (guitarra e vocais de apoio), André Macca (baixo) e Fábio Brasil (bateria). E, apesar de ter o Rio de Janeiro como a sua base a partir de 1997, o Rio Grande do Sul tem um papel fundamental nessa história.

O Arte no Sul teve a oportunidade de conversar com o guitarrista, Renato Rocha, para trocar uma ideia sobre a carreira do grupo e sua relação com o nosso estado, nossa música e nossa cultura.

Tudo começa, como recorda Renato, no final de 2002, quando o solo gaúcho é o primeiro destino da tour do álbum oficial de estreia do Detonautas. Desde então foram muitas visitas em diferentes palcos e diferentes estruturas e contextos, de festivais como o Planeta Atlantida, às casas clássicas de show como o bar Opinião em Porto Alegre, o palco do Theatro Guarany em Pelotas e outras cidades no interior do estado.

              Após pandemia, show em Santa Maria retomou apresentações no estado dia 14 de dezembro                   Foto: Adriana Cunha

 

Contatos com a cena local

Nessas visitas e pela presença no cenário nacional de Rock, a banda também entrou em contato com nossa cena local, tanto bandas que tiveram projeção nacional quanto aquelas que tiveram maior destaque nos palcos do estado. Sendo uma dessas bandas o De Falla, referência dos anos 80, cujo vocalista Edu K foi produtor do terceiro álbum do Detonautas.

Alguns outros nomes dessa lista são Comunidade Nin Jitsu, Nenhum de Nós e Papas da Língua, bandas com quem dividirão, no mês de maio, o palco nos festivais É Claro Que é Rock, em Passo Fundo, e o Lord Music Festival, em Novo Hamburgo. Também foram lembradas as bandas Tequilla Baby, TNT, Acústicos e Valvulados, Stereobox, Engenheiros do Hawai e Wander Wildner, de quem Renato recorda dividir o estúdio quando estavam gravando o segundo álbum do Detonautas,

Ao citar esses nomes do rock, o guitarrista refletiu também sobre o contexto geográfico, da proximidade com o Rio Da Prata e o Uruguay, e o contexto cultural e de logística que compõe a mítica do Rio Grande do Sul como polo produtor de bandas. Como ele reconhece, nosso estado possui uma estrutura para sustentar tais bandas num circuito local, mas, com os avanços tecnológicos, o translado e a expansão dessas bandas têm sido mais fáceis. 

 

Outra sonoridade na apresentação do Rio de Janeiro em novembro           Foto: Adriana Cunha

 

Shows acústicos

O Detonautas é um expoente do rock, que é um estilo reconhecido pelo peso das guitarras e distorções, característico de todas essas referências citadas. Mas, apesar disso, nos últimos anos a banda registrou dois shows com arranjos acústicos. Nesses projetos, as canções ganham uma outra roupagem e ˜a beleza das canções aparece, fica uma coisa mais sensível˜, considera Renato.

Desde 2024, então, o Detonautas tem tocado os dois shows em paralelo. O elétrico, um show com uma projeção maior da banda no palco, com guitarras e bateria mais explosivas, enquanto no formato acústico prevalece uma presença de palco diferente, a delicadeza das canções e a emoção do público.

 

O show na  Festa Nacional da Música foi em 2018 na cidade Bento Gonçalves   Foto: Adriana Cunha

 

Novos meios de encontro

Nem só de shows, porém, vive o mercado fonográfico e uma banda de circulação nacional. Desde o início da carreira o Detonautas tem registrado suas músicas em álbuns e tem acompanhado as mudanças das plataformas para publicar e propagar suas músicas, o que Renato considera uma grande potência da banda.

Com o avanço das tecnologias, os registros físicos como álbuns e DVDs passaram mais a ser um item de colecionador do que um veículo de disseminação do trabalho musical. Conforme Renato avalia, o Detonautas soube navegar dentre essas transformações, entendendo que o importante era atingir o maior número de pessoas. Ele é a favor dos downloads e compartilhamento das músicas organicamente, considerando que isso os leva à estrada e o público aos shows.

 

Edu K fez presença no show de lançamento do terceiro álbum da banda em 2006  Foto: Adriana Cunha

 

Somado aos álbuns de estúdio, registros em DVDs e as gravações acústicas, desde o início, o Detonautas teve uma presença sólida no mundo virtual, o que o rockeiro considera um processo bem natural e intuitivo. Afinal, no final dos anos 1990, início dos anos 2000, eles eram jovens aproveitando a internet surgindo.

E, assim, seguem até hoje. Priorizam a presença digital nas mais diferentes plataformas, nos mais diferentes formatos de audiovisual, tendo os fotógrafos Faab Santos  e Wally Guedes  acompanhado as tours. Eles vêm registrando os shows e os momentos na estrada para manter o público próximo e a história da banda documentada.

Para 2025, o planejamento é seguir sendo um ano de muito trabalho. Com shows agendados no Rio Grande do Sul, em maio, e alguns projetos que estão começando a amadurecer, ideias de músicas novas e continuidade das tours elétrica e acústica em cada vez mais lugares.

Fique de olho na agenda da banda e nos seus próximos lançamentos e projetos, no Youtube e no Instagram.

 

Deixou saudades show da  banda  em Pelotas no ano de 2010           Foto: Adriana Cunha

 

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Festa de Mãe Iemanjá celebra Jubileu de Ouro com programação especial em Rio Grande

O maior evento religioso do litoral sul espera receber mais de 150 mil devotos em sua 50ª edição no Balneário Cassino        

por Isadora Jaeger e Maria Clara Goulart        

 

A festa que celebra a Mãe Iemanjá prevê artesanato, música e dança na sua programação  Foto: Itajubá Ferreira/Flickr

 

Nesta semana, o Rio Grande celebra o Jubileu de Ouro da Mãe Iemanjá, data simbólica para os praticantes e líderes de religiões de matriz africana na região. As tradicionais festividades que consolidam a cidade como referência de devoção e celebração da fé, ocorrem entre os dias 27 de janeiro e 2 de fevereiro. A maior parte da programação acontece no Campo do Praião, onde a União Riograndina de Cultos Umbandistas Afro-brasileiros Mãe Iemanjá (URUMI). tradicionalmente cedia um acampamento para os fiéis.

A 50ª Festa de Iemanjá será realizada no dia 1º de fevereiro, na Praia do Cassino, e espera reunir mais de 150 mil fiéis, segundo a URUMI. A procissão luminosa, principal evento das festividades, terá início às 21h, percorrendo a Avenida Rio Grande, no Balneário Cassino. Carregando velas e entoando cânticos, os participantes seguirão até o monumento de Iemanjá, onde será realizada a cerimônia de abertura, que contará com a presença de autoridades, dirigentes de terreiros e apresentações culturais.

A Festa de Iemanjá em Rio Grande já é tradição para os que residem e veraneiam na cidade, não sendo celebrada apenas por praticantes de religiões de matriz africana. Por meio de apresentações como capoeira, música e danças, o evento reunirá fiéis e turistas que buscam se inteirar não apenas no aspecto religioso da festa, mas participam ativamente da cultura rio-grandina e cassineira que se mostra ainda mais em destaque durante a temporada de verão.

Ainda, a celebração também é marcada pela peregrinação “Caminhos de Iemanjá”, normalmente iniciada no Pórtico do Rio Grande, ponto de entrada da cidade, em direção à estátua de Iemanjá, localizada no Balneário Cassino. As informações sobre pontos de apoio e segurança ainda não foram divulgadas pela Prefeitura do Rio Grande.

 

A Caminhada Luminosa da 49º Festa de Iemanjá acontece no Balneário Cassino          Foto: Reprodução/PMRG

 

Confira a programação completa, divulgada pela União Riograndina de Cultos Umbandistas e Afro-brasileiros Mãe Iemanjá (URUMI):

  • De 27 de janeiro a 2 de fevereiro: Feira de Artesanato de Matriz Africana – Um Mar de Memórias no Campo do Praião, Cassino.

 

  • 28 de janeiro, às 21h: Batuque alusivo à Mãe Iemanjá com comidas típicas da região, no Campo do Praião, Cassino.

 

  • 30 de janeiro, às 21h: Encontro de Quimbandeiros e entrega do Troféu Maria Padilha, no Campo do Praião, Cassino.

 

  • 31 de janeiro, às 15h: Jogo de búzios e benzedura e atendimento com Mãe D’oyá. Tenda com atividades de educação ambiental, explicações sobre o barquinho ecológico e oferendas, sob a orientação da perita e gestora ambiental da URUMI, Janaína da Fonseca.

 

 1º de fevereiro

  • 9h: Atividade educativa ambiental com orientações sobre o barquinho ecológico e oferendas. Cerimônia de hasteamento das bandeiras nacional, estadual e municipal. Decoração do monumento de Mãe Iemanjá pela Tenda Espírita de Caridade Santa Catarina.
  • 16h: Palestra com Sávio Ribeiro, coordenador do programa Saúde da População Negra em Rio Grande.
  • 20h: Apresentação do Grupo de Capoeira Zumbi dos Palmares na Avenida Rio Grande, em frente ao Hotel Atlântico.
  • 20h30: Concentração dos terreiros na Avenida Rio Grande, em frente ao Hotel Atlântico, para a Caminhada Luminosa de Fé.
  • 21h: Saída da Caminhada Luminosa, seguida de trabalhos espirituais na Tenda URUMI.
  • 23h: Apresentação cultural do grupo “Os Pescadores” do CTG Farroupilha.
  • 23h30: Show musical com o grupo Escudeiros de Ogum.
  • 23h45: Performance da cantora Paola Almeida.
  • 00h: Espetáculo com o Grupo Artístico Kimbra.
  • 00h30: Cerimônia de entrega de flores a Mãe Iemanjá, realizada pela presidente da URUMI, Mãe Maria da Jurema da Marola, e pela prefeita Darlene Pereira.
  • 01h: Encerramento oficial e início das atividades espirituais na tenda da URUMI e nos terreiros participantes.

 

  • 2 de fevereiro, às 16h30: Gira de Umbanda na Tenda URUMI, no Campo do Praião, com demais terreiros, seguida pela entrega de oferendas na praia, utilizando barcos ecológicos.

 

  • Ação Social: Haverá arrecadação de materiais escolares na Tenda URUMI durante todo o evento.

 

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Fernanda Torres é indicada ao Oscar 2025 pelo filme “Ainda Estou Aqui”

A brasileira concorre pela categoria de Melhor Atriz e o filme aos prêmios de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional na maior cerimônia de premiação de cinema mundial    

Por Carolina Soares     

 

Fernanda Torres atua de forma ímpar no papel de Eunice Paiva                    Foto: Divulgação

 

O anúncio feito na quinta-feira, dia 23 de janeiro, indica que Fernanda disputa o prêmio de Melhor Atriz do Oscar 2025 com Cynthia Erivo (“Wicked”), Karla Sofía Gascón (“Emilia Pérez”), Mikey Madison (“Anora”) e Demi Moore (“A Substância”). Ela concorre na categoria 26 anos após indicação de sua mãe, a atriz Fernanda Montenegro.

O filme “Ainda Estou Aqui” também foi indicado nas categorias de Melhor Filme, prêmio histórico para o Brasil, e Melhor Filme Internacional. A cerimônia da 97ª edição do Oscar está marcada para 2 de março em Los Angeles, nos Estados Unidos. No Brasil, os canais de televisão por assinatura TNT e Max farão a transmissão ao vivo.

A atriz já havia feito história, quando ganhou o prêmio do Globo de Ouro, na categoria de Melhor Atriz em Filme Dramático e o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama no Satellite Awards, prêmio concedido pela Academia de Imprensa Internacional, que reúne profissionais de mídia dos Estados Unidos.

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, Fernanda Torres expressou sua gratidão pela generosidade de Walter Salles e prestou uma emocionante homenagem a Eunice e Marcelo Paiva (autor do livro em que o filme foi baseado). “Isso significa muito para a história e para a cultura brasileira”, destacou. Walter Salles, em entrevista, complementou afirmando que a campanha para o Oscar está sendo impulsionada pelos diversos festivais nos quais o filme tem participado.

 

      Em cena marcante do filme, Eunice diz a todos que sorriam para a foto, apesar do drama vivido por eles na ditadura militar            Foto: Alile Dara Onawale/Divulgação

 

Em uma obra magistralmente dirigida e protagonizada, a narrativa, baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, mergulha profundamente na vida de sua mãe Eunice, explorando suas lutas e resiliência em meio à perda e ao trauma causados pelo regime autoritário.

A história destaca a força e a determinação de Eunice Paiva em sua busca por justiça e verdade, refletindo a tenacidade de muitas mulheres durante aquele período sombrio da história brasileira.

Além de ser um retrato íntimo e emocional de uma família devastada pela ditadura, o filme também serve como um lembrete da importância da memória e da luta contra o esquecimento.

Leia mais sobre o filme “Ainda Estou Aqui” no Arte no Sul.

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13ª edição do Festival Internacional Sesc de Música começa na próxima segunda-feira em Pelotas

A partir de 20 de janeiro, ocorrem apresentações de orquestras em várias partes da cidade por mais de dez dias     

Por Carolina Soares       

 

Cada edição do Festival reúne a comunidade para celebrar a arte e a musicalidade            Foto: Paulo Rossi/Divulgação

 

Com o tema “Viva a música que pulsa em você”, o 13º Festival Internacional Sesc de Música é um dos maiores eventos de música de concerto da América Latina e ocorrerá entre os dias 20 e 31 de janeiro em Pelotas.

O evento reunirá dezenas de apresentações artísticas em diversos espaços da cidade, como teatros, praças, igrejas, o Mercado Público e a Praia do Laranjal, com acesso gratuito ao público.

Além disso, o projeto também realizará cursos de especialização musical conduzidos por 50 professores – músicos renomados de diferentes partes do mundo – que compartilharão seus conhecimentos com mais de 350 bolsistas selecionados, provenientes de 19 estados brasileiros e de países vizinhos como Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Porto Rico e Uruguai.

O evento tem como objetivo incentivar o desenvolvimento da produção musical, fomentar o intercâmbio cultural e proporcionar o desfrute dos bens culturais da região. É promovido pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc, em parceria com o Ministério da Cultura e diversos patrocinadores.

O acesso é gratuito para todos os espetáculos, mas, para as apresentações marcadas para o Theatro Guarany, é necessária a reserva antecipada de lugares. Consulte as orientações no link Programação – SESC-RS

Confira as principais apresentações do evento:

20 de janeiro – Segunda

18h – Cortejo Musical – Largo do Mercado Público

20h30 – Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo | Sons do Mundo – Theatro Guarany – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

21 de janeiro – Terça

9h30 – Grupo de Cordas do Festival – Hospital Santa Casa de Misericórdia  (apresentação restrita aos usuários do espaço)

15h – Grupo de Cordas do Festival – Hospital Beneficência Portuguesa  (apresentação restrita aos usuários do espaço)

20h – Orquestra de Câmara Sesc Roraima – Paróquia Santa Terezinha

20h30 – Grupo Experimental de Música – GEM | Reciclagem Instalação Sonora – Theatro Guarany –Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

22 de janeiro – Quarta

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

13h – Grupo de Cordas do Festival – Campus da Saúde UCPel  (apresentação restrita aos usuários do espaço)

17h – Grupo Experimental de Música – GEM – Café Aquários

18h – Quinteto Allegro – Catedral do Redentor

19h – Recital de Canto lírico, Piano, Metais e Madeiras | Eiko Senda (JAP), Max Uriarte (BRA), José Milton Vieira (BRA), Paulo Bergmann (BRA), Giorgio Mandolesi (ITA), Diego Grendene (BRA), Viktoria Tatour (BIE), Philip Nodel (RUS) – Bibliotheca Pelotense

19h – Autocine Brazilian Blend – Parque UNA – Espetáculo com tradução em Libras

20h30 – La Ventolera – Theatro Guarany – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

23 de janeiro – Quinta

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

14h – Grupo de Cordas do Festival – Hospital São Francisco de Paula  (apresentação restrita aos usuários do espaço)

19h – Big Band Democrata – Shopping Pelotas

19h – Recital de Harpa, Madeiras, Cordas e Piano | Liuba Klevtsova (RUS), Philip Nodel (RUS), Julián Medina (ARG), André Carrara (BRA) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

19h – Orquestra Areal e Municipal 10 Anos – Teatro Sicredi

20h – Ecos da Charqueada – Em Raízes e Ritmos – Charqueada São João – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS

20h30 – Camerata Café I Viva La France – Theatro Guarany – Espetáculo com tradução em Libras

24 de janeiro – Sexta

11h – Grupo de Choro do Festival – Expresso Embaixador  (apresentação restrita ao público local)

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

14h – Grupo de Cordas do Festival – Hospital Escola UFPel  (apresentação restrita aos usuários do espaço)

18h – La Ventolera – Mercado Público

19h – Recital de Cordas e Piano | Cristian Budu (BRA), Liviu Prunaru (ROM), Sophia Reuter (ALE), Stanimir Todorov (BUL) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

19h – Autocine Brazilian Blend – Fábrica Roca

19h30 – Concerto de Canto Lírico – Catedral Metropolitana São Francisco de Paula

20h – Grupo de Sopro Sesc Musicar – Maranhão – Paróquia São José – Fragata

20h – Banda Sinfônica Acadêmica | Regente Marcelo Jardim (BRA) – Praia do Laranjal – Palco do Festival – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

25 de janeiro – Sábado

11h – Clube do Choro de Pelotas e Classe de Choro do Festival – Mercado Público

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

19h – Recital de Metais, Percussão e Piano | Eric Aubier (FRA), Flavio Gabriel, BRA), Ignácio Garcia (ARG), Lucca Zambonini (BRA), José Milton Vieira (BRA), Rodrigo da Rocha (BRA), Luis Ricardo Serralheiro (BRA), Fernando Deddos (BRA), Douglas Gutjahr (BRA), Gerardo Salazar (CHL), Paulo Bergmann (BRA), André Carrara (BRA) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

19h – Big Band Democrata – Paróquia Nossa Senhora de Fátima

19h30 – Gafieira do Festival – Festival na Comunidade – Nave

20h – Sul em Concerto – Praia do Laranjal – Palco do Festival – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

26 de janeiro – Domingo

17h – Quartett Jazz – Parque da Baronesa

18h – Recital Classe de Piano – Conservatório de Música da UFPel

19h30 – Autocine Brazilian Blend – Nave

20h30 – Orquestra Sinfônica Acadêmica | Regente Daniel Jinga (ROM) – Theatro Guarany– Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

21h – RS Jazz Trio – Food Hall Quartier

27 de janeiro – Segunda

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

19h – Recital de Madeiras, Canto lírico, Cordas e Piano | Douglas Braga (BRA), Paulo Bergmann (BRA), Cristiano Alves (BRA), Cássia Lima (BRA), Flávio Leite (BRA), André Carrara (BRA), Stanimir Todorov (BUL), Max Uriarte (BRA), André Mendes (BRA) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

19h – Orquestra de Câmara Sesc Minas Gerais – Associação Otroporto

20h30 – Orquestra de Choro do Festival | Núcleo de Alunos – Theatro Guarany – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

28 de janeiro – Terça

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

14h30 – Grupo de Cordas do Festival – Unidade Cuidativa de Pelotas

16h – Grupo de Saxofone do Festival – Rodoviária de Pelotas

19h – Recital de Metais, Madeiras e Cordas | Flavio Gabriel (BRA), Lucca Zambonini (BRA), Rodrigo da Rocha (BRA), Cássia Lima (BRA), Philip Nodel (RUS), Diego Grendene (BRA), Giorgio Mandolesi (ITA), Ignacio Garcia (ARG), Pablo de León (PRT), Gabriel Marin (BRA), Rodrigo Silveira (BRA), Eder Kinappe (BRA) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

20h30 – Gala Lírico | Núcleo de Alunos – Theatro Guarany – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

29 de janeiro – Quarta

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

15h – Grupo de Choro do Festival – Asilo de Mendigos de Pelotas  (apresentação restrita aos usuários do espaço)

19h – Recital de Madeiras, Cordas e Piano | Cristiano Alves (BRA), Alberto Dourthé (CHL), Xavier Inchausti (ARG), Gabriel Marin (BRA), Max Uriarte (BRA) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

20h – Quinteto Allegro – Comunidade Católica São Miguel

20h30 – Orquestra Jovem Sesc Brasil | Núcleo Sopros e Percussão – Theatro Guarany – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

30 de janeiro – Quinta

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

16h – Camerata Orquestra Jovem Sesc – Hospital Espírita (apresentação restrita aos usuários do espaço)

19h – Recital de Madeiras, Cordas e Piano | Cássia Lima (BRA), André Mendes (BRA), Rodrigo Silveira (BRA), Cristian Budu (BRA) – Bibliotheca Pelotense – Espetáculo com tradução em Libras

20h – Grupo de Choro do Festival – Paróquia Amor Divino – Colônia Sto. Antônio

20h30 – Banda Sinfônica Acadêmica | Regente Marcelo Jardim (BRA) – Theatro Guarany – Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

31 de janeiro – Sexta

13h – Recital de Alunos – Conservatório de Música da UFPel

15h – Grupo de Canto do Festival – Conservatório de Música da UFPel

17h – Classe de Choro do Festival – Conservatório de Música da UFPel

20h30 – Orquestra Acadêmica | Regente Evandro Matté (BRA) – Largo Mercado Público –

Espetáculo com transmissão ao vivo pelo YouTube do Sesc/RS e tradução em Libras

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Bagé’n’ Roll teve sua primeira edição nos dias 27 e 28 de dezembro   

O Festival de Rock do Pampa contou com convidados especiais e oito concorrentes, premiando várias modalidades     

  

A banda Maria do Relento foi um dos destaques da programação               Foto: João Freitas/Divulgação

 

O campo do Corujão da Urcamp em Bagé se transformou em um templo do rock com a realização da primeira edição do Festival de Rock do Pampa, o Bagé’n’Roll, nos dias 27 e 28 de dezembro. O evento atraiu amantes da música de todas as partes, celebrando o espírito rockeiro gaúcho. Com apresentações de ícones como Edu K, Marcelo Gross e a Banda Maria do Relento, o festival não apenas homenageou as lendas do gênero, mas também deu espaço para novos talentos através de audições competitivas que premiaram seis categorias distintas. A energia contagiante e a diversidade musical tornaram essa edição inaugural um marco na cena cultural da região. O evento teve patrocínio do Banrisul e CC. Corretora de Seguros.

 

Edu K foi homenageado durante o festival Foto: Arquivo Pessoal

 

Os premiados foram conhecidos na noite de sábado em cerimônia animada pela Banda Madre Joe. O júri formado pelos músicos, Edu K, Júlio Sasquatt, Kako Kanidia, Ricardo Belleza e Teko Marques, teve a difícil missão de escolher os vencedores entre as apresentações das bandas: Andre R. Garcia (Bagé), Chapéu de Cobra (Santa Vitória do Palmar), Freak Brotherz (Pelotas), Asdra (Bagé), Marcelo Froz (Arroio Grande), Linha Vermelha (Bagé), Lucas Fisher Band (Porto Alegre) e Exequator (Bagé). 

 

Edu K recebe troféu das mãos do cineasta Zeca Brito, curador do festival       Foto:Anderson Coka/Divulgação

 

A categoria de Melhor Intérprete foi conquistada por Daniel Perez, representante da Linha Vermelha. O prêmio de Melhor Guitarrista ficou com Carlos Eduardo Corrêa, da Chapéu de Cobra, enquanto o título de Melhor Baterista foi atribuído a Clóvis Renato Motta, da Freak Brotherz. Lucas Ollé, da Exequator, levou para casa o troféu de Melhor Contrabaixista. A música destaque na premiação foi “Recados ao Vento”, de André R. Garcia, natural de Bagé. Já o prêmio de Melhor Banda foi concedido à Freak Brotherz, da cidade de Pelotas. Além disso, Ricardo Belleza e Edu K foram homenageados com troféus especiais.

Conforme comenta um dos curadores do evento, o cineasta e produtor cultural, Zeca Brito, a história do rock gaúcho passa por Bagé. “Nossa cidade sempre foi uma terra de bandas e artistas do rock, e o festival mostrou que esta vocação está viva, que a música pode ser espaço de trabalho e pode ajudar a consolidar Bagé como destino turístico”, destaca.

 

Organizadores do Bagé’n’ Roll e a banda Maria do Relento          Foto:Anderson Coka/Divulgação

 

O projeto alcançou visibilidade com o público de todo o Estado e das cidades uruguaias vizinhas. “O Bagé’n’ Roll nasceu como um evento de repercussão nacional e certamente terá uma segunda edição em 2025”, garante Brito. A curadoria também é assinada pelo músico e produtor, Guilherme Monteiro e pela jornalista, Munique Monteiro. 

Lista de Premiados

Melhor Intérprete: Daniel Perez (Linha Vermelha); 

Melhor Guitarrista: Carlos Eduardo Corrêa (Chapéu de Cobra); 

Melhor Baterista: Clóvis Renato Motta (Freak Brotherz);

Melhor Contrabaixista: Lucas Ollé (Exequator);

Música destaque: “Recados ao Vento”, de André R. Garcia; 

Melhor Banda: Freak Brotherz;

Homenageados: Ricardo Belleza e Edu K.

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Clube de Literatura Clássica divulga obras que vêm conquistando o Brasil

Iniciativa criada na cidade gaúcha de Dois Irmãos já tem mais de 12 mil assinantes         

Por Enrique Carvalho       

O que surgiu como um clube de leitura casual, tornou-se uma iniciativa da pequena cidade de Dois Irmãos (RS) em busca de fomentar o segmento literário no Brasil e também criar uma comunidade em torno dos clássicos do Brasil e do mundo. Uma tarefa difícil como sinaliza a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita de 2023, a qual afirma que 53% dos brasileiros não leram sequer a Bíblia no último ano. Apesar dessa realidade, o clube conseguiu reunir mais de 12 mil assinantes em todo o Brasil.

O Clube de Leitura Clássica, nos cinco anos de operação, garantiu mensalmente um livro clássico, vindo de uma curadoria de professores universitários especialistas em literatura; um livreto e uma série de outros brindes como postais, marca páginas, etc. O conteúdo é habilmente trabalhado, utilizando-se de papel de alta qualidade, artes personalizadas de capa, contracapa e partes internas do livro; isso, é claro, faz com que o produto ganhe um custo mais elevado.

As assinaturas mensais custam R$ 79,90 e o plano anual de 12 x de 69,90. Não são preços acessíveis para uma grande parcela da população brasileira. Mas tampouco é um produto de valor tão alto, levando em consideração o mercado literário nacional. Os boxes têm um preço elevado, mas dentro da perspectiva do leitor no mercado brasileiro de livros de luxo. E, mesmo com essa diferenciação, nas palavras de Lorenzo Fioreze, um dos sócios do Clube de Literatura Clássica: “Nós não visamos o leitor de elite, nossa ideia é fomentar a leitura em todo o Brasil”.

Box de “A Divina Comédia” é uma das obras lançadas pelo Clube de Literatura Clássica

 

Lorenzo ainda fala do futuro do Clube e seus focos em mais divulgação. Um de seus projetos são aulas abertas mensais, com professores universitários ou especialistas em tradução, no canal do Youtube do Clube de Literatura. Pretende, assim, cativar e promover o descobrimento acerca da arte de ler. A iniciativa dedica-se também à formação de uma comunidade de leitores com sua rede social para assinantes, na qual se discutem as obras publicadas. Em relação às redes sociais, sua página no Tiktok tem mais de 251 mil curtidas e seu canal no Youtube mais de 16 mil assinantes.

Depoimentos pelo serviço podem ser encontrados dentre os membros, como o de Ellen Lessa, 20 anos, estudante do Rio de Janeiro (RJ), que comenta sua experiência: “Quando pesquisamos clubes e analisamos a qualidade e as propostas, ele definitivamente tem o melhor custo-benefício e ideal diferenciado”.  E ainda complementa falando da qualidade do material: “Capas bem-feitas com escolhas interessantes de artistas, que, assim, trazem uma interpretação ótima da história através de sua arte. Textura do papel de qualidade e arte do embrulho muito bonita, podendo virar um poster. Escolha de editores inéditos, qualificados e que trazem notas de rodapé para maior compreensão”.

 

O custo benefício, a diferença na seleção e o cuidado nas edições são critérios usados pelos leitores

 

O professor Diogo Cosmo, 20 anos, de Mossoró (RN), assinante do clube desde janeiro de 2024, comenta sobre a coordenação das edições: “A curadoria, que eu temia ser um pouco conservadora, mostrou-se relativamente equilibrada, com livros de autores modernos e ‘iluminados’ e também autores mais chãos e tradicionais”. Suas críticas levam em conta o envio dos livros: “Problema que não se pode esquecer é a qualidade das entregas, que variam bastante, algumas mais adequadas, outras menos, com melhoras graduais, mas sempre demoradas e com alguma avaria”.

Para regiões mais distantes do estado do Rio Grande do Sul, existem diversos relatos de demora nas entregas e avarias dentre os produtos. Lorenzo comenta sobre a questão e afirma que os problemas de atraso foram causados por conta de complicações não logísticas, mas sim de produção das obras. Finaliza dizendo que a questão foi já resolvida e o “engasgo” em breve será desfeito.

O clube é uma oportunidade de aprofundar-se nos clássicos da humanidade. O serviço sacia a necessidade do leitor compulsivo de ter sempre um livro novo todo mês. Os livros, sendo bem trabalhados, contribuem ainda mais para o sentimento de satisfação. Existe uma comunidade ativa em torno de debater o universo literário. Em suma, é um prato cheio para os amantes dos livros, mas deve ser pensado bem antes de assinar.

O preço das assinaturas, mesmo sendo competitivos com o mercado, ainda podem ser impeditivos para uma parcela dos brasileiros. Não é um produto excelente para leitores iniciais, o box seria mais recomendável para quem já é envolvido com a leitura e gosta de ter as peças colecionáveis como obras de arte. Para quem o valor de 70 reais é inviável, além das bibliotecas públicas a que se tem proximidade, uma escolha seria procurar obras semelhantes em sebos locais. As obras não terão o mesmo acabamento, mas um primeiro acesso ao texto é oportunizado.

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15º Ruas de Lazer promove visibilidade da cultura e história do bairro Navegantes  

Projeto de extensão da ESEF (Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia) ocorreu no dia 8 de dezembro, levando esporte, música e lazer       

Por Lorenzo Goulart Bonone        

 

Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentava a pior catástrofe de sua história, 323 municípios em situação de emergência e dezenas de cidades alagadas pelas chuvas e cheias de rios. Neste cenário, a região sul tomava as primeiras precauções para quando a água chegasse na Lagoa dos Patos. No dia 7 de maio, a Prefeitura de Pelotas divulgou um mapa referente às zonas de risco de inundação, na orientação os 13 bairros, povoados e regiões próximas a bacias e canais de água (como o São Gonçalo e o Arroio Pelotas) foram orientados a evacuar para os abrigos municipais. Incluso nesses bairros estava um dos primeiros a ser erguido na cidade, o Navegantes.

Fundado através do trajeto percorrido pelos escravizados para as charqueadas de Pelotas, o Navegantes chegou a ser considerado para iniciar a urbanização da região. Segundo documentos históricos, o mau cheiro devido aos tratos dos animais foi um fator para a elite da época optar por construir a cidade a partir da Catedral São Francisco de Paula. Desta forma, a região cresceu longe do centro urbano edificado, mas desenvolveu uma forte cultura que, cada vez mais, busca pelo resgate histórico da região. Um dos marcos desse resgate foi pelo pleito público pela não construção de um condomínio que desalojaria diversos moradores da região e destruiria a Ponte do Passo dos Negros, construída em 1854, que se tornou símbolo de resistência do bairro e lembrança dos crimes cometidos contra os escravizados da região.

 

Serginho MC (boné branco) foi uma das atrações musicais do projeto         Fotos: Lorenzo Bonone

 

Em 8 de dezembro, a 15ª Edição do Ruas de Lazer, um projeto de extensão da ESEF (Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia) que visa levar esporte, cultura e lazer para as comunidades da cidade, ocorreu no bairro. Segundo o coordenador adjunto do projeto e professor da ESEF, Inácio da Silva, foi um momento especial para os moradores e para os alunos do curso, pois, de acordo com os dados oficiais da Prefeitura, cerca de 170 pessoas do Navegantes foram alocadas no abrigo da ESEF e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), durante as enchentes.

“A gente tentou tornar aquele espaço mais agradável possível para a comunidade, isto envolveu nossos alunos em várias atividades, ações com eles no dia a dia, tivemos uma vivência muito bacana e muito intensa. A gente pensou que trazer o Ruas pra cá era um momento de reencontro, num outro cenário, é um dia de sol maravilhoso que também é contrastante com aquele período, mas principalmente o momento de um pouquinho mais tranquilidade. É bem bacana voltar aqui para esse reencontro com eles”, destacou Inácio.

Durante a tarde de eventos do Ruas de Lazer, diversos projetos da universidade são levados para os moradores, com o intuito de conectar a pesquisa e extensão acadêmica à sociedade. Um exemplo é o Projeto Carinho, que promove atividades físicas, como dança, para pessoas com Síndrome de Down. Mas, o Ruas de Lazer também dá voz à localidade onde se faz presente, promovendo espaço para artistas locais, falas de representantes e histórias da região. “A gente faz todo um processo de aproximação com as comunidades, reconhecendo o território para onde está indo, falando com as lideranças, com os mais velhos e com os mais novos, para que se compreenda os espaços em que se está. A proposta tem um pouco de imersão nas comunidades […] fica muito evidente isso a partir das participações: a gente tem criança, a gente tem adulto, a gente tem mais velho, tem projetos fora da Universidade, tem artistas locais. Aí faz sentido pensar nessa Universidade comprometida com social,” comentou Raquel Dias, coordenadora adjunta do projeto e membro da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel.

 

O clima natalino já estava presente na apresentação do Projeto Carinho no bairro Navegantes  

 

Além do resgate histórico, a cultura também é um agente transformador para Sérgio Prestes, conhecido como Serginho MC, que trabalha diretamente com crianças e adolescentes em escolas e no Centro de Atendimento Socioeducativo Regional Pelotas. “É importante tudo isso porque mobiliza a população e, através da informação, que a gente leva nas letras das nossas músicas, conseguimos conscientizar as pessoas e resgatar algumas,” destacou o músico. No hip-hop desde 1988, Serginho passou por diversos eventos comunitários na cidade, e participou do Ruas como um representante do Navegantes. “Como um pioneiro do movimento em Pelotas, eu tenho acompanhado a evolução e o impacto que causa esse tipo de eventos dentro das comunidades. São de extrema importância dentro do bairro para a evolução e para a construção de diversas coisas dentro da comunidade”.

Outro símbolo de resistência do Passo dos Negros e do Navegantes é o Campo do Osório, espaço que serve de sede para o Osório Futebol Clube, clube de futebol amador do bairro, e onde o Ruas de Lazer aconteceu nesta edição. A equipe surgiu em 1933, sendo um clube para o lazer dos funcionários do Engenho de Pedro Osório, parte da indústria arrozeira do Coronel Pedro Osório. Desde que a empresa fechou, o campo ficou sob administração da comunidade local, e serve como espaço de convivência de todo o bairro.

O campo é mantido pela comunidade, com doações de materiais de construção, jardinagem e eventos. Para a reportagem, o presidente do Osório Futebol Clube, Dirceu Monteiro, ou Aniba, como é conhecido, comentou sobre diversos episódios do clube, como quando o refrigerador estragou e alunos da UFPel conseguiram doar um novo ou a dificuldade de formar um projeto para as crianças. “As crianças da Periferia hoje não têm uma alimentação, eu tenho vontade de fazer um projeto, mas como vou fazer um projeto ou tirar uma bola no campo se não tem um pão com um pouco de manteiga? Não tem um suco pra dar pra essas crianças, mas nós acreditamos que um dia aquelas coisas vão melhorar para Osório, as coisas boas virão”.

 

Aniba, presidente do Osório Futebol Clube, elogia a participação das crianças no Projeto de Extensão

        

Aniba também comentou a importância da presença da Universidade em eventos como o Ruas de Lazer para a preservação do clube. “Aqui é grandioso, nós estamos de portas abertas para receber vocês, de braços abertos. Acho que a presença de vocês, aquele pouquinho de cada um, cada vez mais nos dá força. Meu tempo tá passando, 60 anos, já tá passando a minha época, só que eu não quero que isso aqui morra. Isso aqui é uma história. Nós temos que trazer essas crianças para dentro, pegar a raiz e manter isso aqui. Quando eles (os jovens) pegarem isso aqui, vai ser a coisa mais gratificante, que vai cada vez mais engrandecer a história do clube. E eu agradeço a presença da Universidade nessa atividade, que trouxe dezenas de crianças do bairro aqui pra dentro”.

O espaço do clube também foi visto pela especulação imobiliária de condomínios fechados que tentou derrubar a Ponte do Passo dos Negros. Alguns anos atrás, construtoras ofereceram para comprar todo o terreno que pertence ao Osório. Aniba, diz que respondeu a proposta com bom humor: “Vocês viram alguma placa de ‘vende-se’ por aí?”. O objetivo é manter o clube cada vez mais conectado e vivo como patrimônio da comunidade. “Estamos lutando, e não vamos deixar morrer enquanto eu estiver aqui vamos lutar para viver”.

Ele ainda destacou que o clube aceita doações de materiais de construção, ferramentas e cimento, e espera que os empresários da cidade olhem com mais atenção onde a, nas palavras de Aniba, “a riqueza de Pelotas começou”. “O Osório se mantém hoje com muita dificuldade, não tem apoio de ninguém (patrocínio ou verba pública), é uma luta para manter isso aqui. Hoje eu sou presidente do clube, eu estou aqui lutando por uma história, por esse patrimônio rico, no coração de Pelotas. Muitos passaram por aqui e deixaram a sua história. Então vamos conservar isso aqui, porque nós temos alguma coisa humilde para oferecer para alguém, nós temos nosso sonho de que o Osório vai chegar muito longe. Um dia, com dinheiro honesto, vamos ser maiores do que já somos”.

 

O Osório Futebol Clube sediou a 15ª edição do Ruas de Lazer

 

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