Bodies, Bodies, Bodies: terror satiriza geração Z

Filme lançado pela produtora A24 recria tradicional slasher, mas com uma pitada de humor e crítica social sobre a geração das redes sociais         

Por Helena Isquierdo          

Amandla Stenberg (Sophie), Maria Bakalova (Emma), Chase Sui Wonders (Bee) e Rachel Sennott (Alice) no filme de Halina Reijn    Fotos: ©A24/Divulgação

 

Traduzido para o português como “Morte, Morte, Morte”, o filme longa “Bodies, Bodies, Bodies”, de Halina Reijn, conta com 95 minutos de duração que equilibram terror e humor, enquanto satirizam o universo da “geração Tik Tok”. Quando o roteiro do filme surgiu, a ideia era manter o tradicional estilo envolvendo jovens sendo mortos e um assassino misterioso à solta. Mas não espere isso desta produção. O gênero de terorr slasher, em que as vítimas são geralmente mulheres ou adolescentes mortos por ataques violentos, é repaginado e trata de assuntos atuais.

No início, tudo parece rotineiro aos nossos olhos. Um grupo de jovens ricos de 20 e poucos anos se reúne durante uma tempestade para passar o final de semana em uma mansão – claro que afastada da cidade. Começamos conhecendo a história de Sophie (Amandla Stenberg), uma jovem em recuperação da sua dependência química, que após meses longe dos amigos leva a namorada Bee (Maria Bakalova) para o encontro tão planejado entre o grupo. Por ser a única personagem que destoa do restante do grupo, Bee nos causa dúvidas e desconfianças ao longo do filme.

O grupo de amigos que se encontram na mansão é formado por Jordan (Myha’la Herrold), Emma (Chase Sui Wonders), Alice (Rachel Sennott) e David (Pete Davidson). Além disso, também conhecemos o namorado de Alice, Greg – um homem mais velho e desconhecido por todos.

Poster de “Bodies, Bodies, Bodies”     Imagem: A24/Divulgação

Mas a história só começa, mesmo, quando desavenças e brigas levam Sophie a sugerir um jogo de detetive: as luzes se apagam enquanto o assassino da rodada persegue suas vítimas, que podem ser “mortas” através de um toque. Sempre que alguém é morto no jogo, as luzes se acendem e os sobreviventes precisam descobrir quem foi o assassino. Mas enquanto todos estão fugindo do tal “assassino”, o rumo da brincadeira é alterado quando um amigo aparece morto de verdade.

É nesse momento que o caos começa e o ego de cada personagem vem à tona. Afogados em futilidades, o grupo não entra em acordo e encontra como solução mais fácil um acusar ao outro.

A trama resulta em situações que acontecem apenas porque os personagens estão envolvidos em um universo raso e não conseguem dar a devida importância ao caos que estão vivendo. A vontade de mostrarem-se superiores uns aos outros cria a armadilha perfeita para o destino de cada um que está na história.

Enquanto tentamos descobrir quem está mentindo, e responder a tradicional pergunta do “Quem matou?” compreendemos a acidez e a perspicácia do roteiro ao retratar os jovens da geração Z. Em meio ao terror, sangue e tragédia, o filme satiriza a geração tão obcecada pelas redes sociais. A preocupação com status, e assuntos como cancelamento, toxicidade e a problematização excessiva de tudo são expostos no filme. A linguagem das mídias sociais é presente o tempo inteiro, trazendo, inclusive, uma das cenas mais cômicas e marcantes do filme. A produção tem como peça-chave a crítica à Geração Z, já que todo o enredo é criado a partir de diálogos que só serão absorvidos pelo público que está inserido nesse meio. Apenas quem está dentro desse universo compreende as piadas e as pistas deixadas nas entrelinhas. Sentimos raiva dos personagens, ao mesmo tempo que nos identificamos com eles.

Sophie e Bee buscam a verdade por trás das mortes
Foto: A24/Divulgação

O enredo pode até começar simples. Apresenta um jogo entre jovens e uma sequência de mortes trágicas. Ao longo do filme, as histórias de cada personagem se entrelaçam, e a cada momento acreditamos e desconfiamos de alguém diferente. O conflito cria um ambiente que, o tempo inteiro, é tenso e nos deixa ansiosos para a revelação final. E o que poderia ser monótono, termina de forma surpreendente, gerando uma pitada de inconformismo para o espectador. No final, a mensagem para quem assiste pode transmitir uma sensação semelhante a que cada vítima sentiu com o seu desfecho.

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