Leveza, otimismo e esperança na série Ted Lasso

Por Milena Schivittez        

Primeira temporada da Apple TV+ conquista telespectador com jeito de ser fora dos padrões de técnico de futebol

                  Ao longo dos episódios, os personagens passam de desacreditados para esperançosos                 Foto: Divulgação

Eu acredito em acreditar. Talvez essa não seja a frase mais comum a ser dita por um técnico de futebol antes de uma partida decisiva, ainda mais quando o time está prestes a ser rebaixado. Talvez essa frase não seja comum a ser dita em nenhum momento dentro do vestiário. Mas esse é o jeito Lasso de enxergar o esporte, o trabalho e a vida. Com muito otimismo e sensibilidade, Ted Lasso é uma série que ninguém sabia, mas que todos precisavam. 

Original do Apple TV+, Ted Lasso teve um lançamento modesto em agosto de 2020. A comédia dramática idealizada e escrita por Jason Sudeikis, que também dá vida ao personagem principal, junto com Brendan Hunt (o “Coach Beard”), Bill Lawrence e Joe Kelly, foi criada a partir de um comercial para promover a cobertura da Premier League pela emissora NBC.

O formato é de mocumentário, que faz paródias de eventos famosos. O comercial “An American Coach in London” apresenta um treinador de futebol americano, Ted Lasso, que foi convidado para comandar um time de futebol inglês. O problema é que Lasso nunca treinou um time de futebol, muito menos conhece o esporte. E é com essa premissa que a série começa.

Lasso é chamado para treinar o AFC Richmond, um time medíocre da primeira divisão, mas que é a paixão dos moradores do distrito. Ele enfrenta resistência por parte do time, dos jornalistas e dos torcedores, que não entendem o motivo pelo qual foi contratado o treinador sem experiência. Isso, porém, não desanima Lasso, até porque falta de otimismo não parece ser possível para ele.

Dotado de uma animação e simpatia incomparável, e de uma esperança incomum, ele vai, em 10 episódios, conquistando um por um, dos mais emocionados aos mais céticos, chegando, claro, no próprio público. Ao longo da temporada, fica cada vez mais improvável que Richmond consiga fugir do rebaixamento, mas o “Lasso way” contagia os telespectadores, nos levando a torcer no jogo final como se fosse o nosso próprio time do coração.

Desafiando os padrões do esporte e da própria figura do técnico, Ted Lasso apresenta uma verdadeira aula de como encarar os desafios através da empatia e da sensibilidade. Sempre citando que, para ele, o resultado não é o principal e, sim, fazer com que os jogadores acreditem neles mesmos.

Nesse sentido, a série se mostra muito mais que uma comédia sobre futebol, mas sobre as relações entre os personagens apresentados. Eles passam de desacreditados para esperançosos. A chegada de Lasso impacta positivamente em cada um dos funcionários, jogadores e, principalmente, na vida de Rebecca Welton (Hannah Waddingham), diretora do AFC Richmond.

   Donnie Campbell, treinador de basquete em uma escola estadunidense que adotou o projeto Lasso                      Foto: Reprodução/Vahe Gregorian

O Projeto Ted Lasso no cotidiano de uma escola estadunidense

Não é à toa que a série, em sua primeira temporada, foi um dos grandes destaques do Emmy 2021, levando o prêmio de Melhor Série de Comédia, junto com os prêmios de atuação para Jason Sudeikis, na categoria principal, e Hannah Waddingham, como atriz coadjuvante. Além disso, o impacto foi tanto que muitas escolas e times estadunidenses adotaram o “Lasso Way” em seus ginásios e salas de aula, promovendo o esporte e o ensino por meio do incentivo, do apoio e do otimismo.

Ted Lasso foge do cinismo e ceticismo característico das comédias dramáticas atuais, apresentando a dosagem certa entre os momentos cômicos e emocionantes, sendo um sopro de leveza e uma surpresa boa para quem assiste. No final, não há como não se apaixonar pelo jeito Lasso de ser.

 

 

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