Reggae da Be Livin enfrenta pandemia

Por Ester do Nascimento Caetano

A banda pelotense encontrou uma válvula de escape nos recursos dos auxílios emergenciais

A pandemia mudou o cotidiano e remodelou a vida em todas as esferas. O presencial virou online, e, mais do que querer a vida normal de volta, terminar essa aflição estando vivo, vem sendo o mais desejado. A forma de viver se tornou uma só em muitos lares. A casa se reverteu em trabalho, escola, academia e, para desopilar, até em palco de shows. Nesta remodelação, entram as lives, em que a classe artística, uma das mais afetadas e primeira a paralisar, conseguiu encontrar uma válvula de escape e, no meio das telas, emergir para o novo modo de fazer cultura. A banda pelotense de reggae Be Livin é um exemplo de como foi a luta dos músicos para encontrar alternativas.

No país, na área econômica da cultura, a renda diminuiu significativamente no ano passado, 48,8% dos agentes culturais perdeu 100% da sua receita desde o segundo semestre de 2020. Os dados são da pesquisa Percepção dos Impactos da Covid-19 nos setores cultural e criativo do Brasil.

Em todo o mundo foram severas as medidas de isolamento para o segmento, porém o Brasil demorou para criar uma política nacional de cultura em meio à pandemia. Atualmente, estão sendo repassados aos profissionais da cultura os recursos da Lei Aldir Blanc (LAB), a qual foi gravemente impactada com as constantes mudanças na chefia da pasta da Secretaria Especial da Cultura. 

No final do ano de 2020, o Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, que monitora a evolução econômica da indústria criativa do Brasil com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), apresentou que um em cada dois profissionais da cultura perdeu trabalho. Mas, com o auxílio da LAB, profissionais conseguiram ter uma forma de escape para as suas produções.

Banda encontra alternativas

A banda de reggae pelotense Be Livin foi uma dessas na categoria da reinvenção. Criada em 2004, nunca tinha passado por um momento tão catastrófico como esse, acostumada a se apresentar com públicos de milhares de pessoas. Chegou até abrir show para grandes bandas como a ex-banda de reggae O Rappa, no Espaço das Américas, em São Paulo. Tornar as vozes que ecoam em um show nos comentários de uma live foi uma das contrariedades enfrentadas pela banda.

O vocalista Fredo diz que o importante é sempre manter o foco na continuidade do trabalho artístico

A Be Livin, atualmente, é formada por cinco integrantes, Eduardo Freda (vocal), Pedro Moraes (bateria), Diego Pereira (baixo e teclados), Guilherme Rocha (teclados) e Rogers Lemes (guitarras e violões). Com foco, reunindo-se em um mesmo propósito e intenção, acreditam que podem ultrapassar diversas crises como a pandemia. Mas, no Brasil, existem problemas pendentes que se aglutinam com a calamidade na saúde. O vocal Freda conta que os artistas, sobretudo os de reggae, na sociedade ainda são vistos com menosprezo e descaso. “Claro que existem outros tantos desafios, como as condições que envolvem tu seres músico, independente, e de um segmento que, hoje, no Brasil, ainda é underground. Mas o lance mesmo é a galera ter o mesmo foco, porque isso vai ajudar muito a banda a ter êxito”, revela o cantor.

Para o guitarrista Rogers Lemes, com todos os percalços, é indiscutível que a Lei Aldir Blanc, juntamente com o edital Movimento Prêmio da Cultura Pelotense, levantou a banda Be Livin. Com os recursos, eles conseguiram produzir, durante a pandemia, um minidocumentário, videoclipe e um novo single intitulado de “Oração e Luz”.

Mesmo Lemes considerando a LAB um importante alicerce para os artistas na atualidade, ele acredita que a Lei pode ser mais abrangente e mais bem divulgada, “engendrando novos segmentos artísticos, saberes populares e a arte da periferia em geral”.

    Ao longo de sua trajetória a Be Livin tem feito shows também em outros estados do País          Fotos: Divulgação

Como em sua música de maior significado, a banda tenta “Um dia” fazer da arte um encontro para se libertar dos pensamentos negativos e dos males a que se foi acometido. Há muitos caminhos a percorrer, há muita batalha a se travar, há muito preconceito e falta de incentivo para a classe artística. “Podemos dizer que falta muito suporte e incentivo. Digamos que todos estão se reinventando naquilo que está ao alcance, pois se tratando do artista autoral de reggae no Brasil, a cena toda, que já era frágil em termos estruturais e financeiros, ficou ainda mais abalada nos tempos atuais”, afirma o tecladista Guilherme Rocha.

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