Divergente: mais um drama adolescente?

Por Luma Costa

A protagonista Beatrice precisa decidir sobre sua vida e seu relacionamento familiar

Lançado em 2014, “Divergente” é o primeiro filme de uma trilogia baseada na obra literária de Veronica Roth, que conta ainda com “Insurgente” (2015) e “Convergente” (2016). Envolve romance, ficção científica e aventura. Baseado no livro homônimo, publicado em 2011, a história inicial se passa na cidade de Chicago, em um futuro distópico. Nesta realidade, após uma guerra que destruiu a civilização antiga, a sociedade é dividida em cinco facções, grupos sociais com funções bem definidas.

Os cinco grupos são divididos pelas causas da Abnegação, Audácia, Amizade, Franqueza e Erudição. Erudição é a facção dos inteligentes, de intelecto superior e com capacidade de aprendizado inigualável. Franqueza, como o próprio nome sugere, é a facção dos francos, sinceros e justos. Amizade é a facção dos bondosos, responsáveis pela agricultura. Audácia é a facção dos corajosos, responsáveis pela proteção da sociedade, de lá são os soldados.

Shailene Woodley está no papel de Beatrice e Theo James interpreta Tobias          Foto: Divulgação

Nossa protagonista, Beatrice, interpretada por Shailene Woodley (“A culpa é das Estrelas”), nasce na facção Abnegação, os altruístas, responsáveis pelo governo da civilização e pela caridade e pela distribuição de alimentos entre as facções. Este é ponto de partida da história. Quando Beatrice chega à maturidade, precisa escolher à qual facção pertence pelo resto da vida. O dilema inicial se dá porque, se Beatrice escolher uma facção diferente de sua família, não poderá mais ter contato algum com os pais e irmão.

Inicialmente a história pode parecer mais um drama juvenil, mas no fundo fala sobre liberdade de escolha, governos corruptos e, de maneira geral, a busca pelo poder. Até onde alguém iria pelo poder? Qual a importância da liberdade de pensamento para a manutenção de um governo democrático? Uma sociedade funcionalista, em que cada um tem sua função definida, a partir de suas habilidades e vocações, sem a possibilidade de alteração, seria o ideal?

Todas essas são questões que surgem a partir da obra, e que fazem perceber que não é mais um drama adolescente, e sim uma saga sobre política e a importância da liberdade de pensamento.

Alguns pontos negativos da obra são a necessidade que fica ao telespectador em entender melhor o que se passou antes do início do filme, como chegamos a esta sociedade. Talvez essas explicações sejam dadas na obra literária ou se deem nos filmes posteriores (“Insurgente” e “Convergente”). É certo que cairia bem uma explicação histórica a mais.

De maneira geral o filme vale a pena ser visto, e traz, sem dúvida nenhuma, a vontade de conhecer seu homônimo literário e desvendar o que mais Beatrice tem a nos mostrar.

 

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