Documentário faz reflexão necessária

 

Larissa Patines

 

     “Sente-se numa almofada bem dura com as mãos colocadas uma sobre a outra. As costas bem retas. Em silêncio. Rigorosamente imóvel. E fique aberto ao que se passa… é o presente. E você verá que esse presente permanece presente. E viverá assim alguns minutos de eternidade. o presente nunca falha. O presente sempre está lá inteiro. Só você pode se apropriar do seu tempo. E se apropriar do seu tempo é viver o presente.”

Essa é uma das falas do documentário de Adriana Dutra, “Quanto tempo o tempo tem?”. O longa-metragem disponível pela Netflix traz depoimentos de cientistas, filósofos, sociólogos, jornalistas e diversos especialistas em um assunto que permeia a existência humana: o tempo. Questionando a efemeridade do tempo, sua construção social e o quanto disso afeta a existência humana, o documentário de 76 minutos é uma troca de ideias bem desenvolvida que propõe reflexões pertinentes a sociedade neste momento histórico.

O documentário chegou até meu conhecimento através da indicação de uma amiga e num primeiro momento me trouxe uma grande frustação em torno do sistema de marcação temporal do qual utilizamos. Vivemos em um sistema de um ano, dividido em 12 meses, com dias de 24 horas e diversas divisões de tempo que não condizem com os sistemas biológicos da natureza. Refleti sobre as informações apresentadas no longa por semanas, tentei explicar alguns dos conceitos para amigos e percebi como temos, num geral, dificuldades de nos afastarmos das convenções sociais entendidas no mundo. Vivemos há muito tempo assim para questionarmos coisas tão básicas como o funcionamento do relógio.

O debate sobre o tempo passado, o presente e as incertezas do futuro são tratadas com embasamento teórico e científico. As descobertas humanas até aqui e a revolução tecnológica são apresentadas como influenciadoras diretas na sensação do tempo, já que mesmo com marcações cronológicas, ele segue sendo complexo e relativo. O filme traz de forma didática a relação temporal com as descobertas do ser humano e seus anseios frente a finitude da vida. A expectativa de vida de um humano versus o sistema no qual ele está inserido.

A ironia do documentário é que, com 76 minutos, um tempo “relativamente pequeno”, ele passa uma considerada porção de informações acerca deste conceito com o propósito de fazer refletir justamente sobre o quanto de tempo o tempo realmente tem. Para mim, essas informações trouxeram impacto significante para pôr fim a ansiedade da era conectada e entender melhor o motivo de não encaixar minhas necessidades biológicas na rotina apressada e desenfreada que muitas vezes a sociedade moderna nos impõe. Repensei a forma de viver as coisas em meu próprio tempo. E, como o próprio longa cita, é desperdício de tempo passar frente a uma experiência e não mudarmos em nada, nem refletirmos sobre isso. Portanto, recomendo a reflexão e a mudança temporal para nos apropriarmos do nosso próprio tempo e vivermos, de fato, o presente sem perder tempo.

Trailer oficial do filme

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