Instituição centenária promove teatro em Pelotas

Reportagem de Nágila Rodrigues –

Não são raras as vezes que, ao caminhar pela Praça Coronel Pedro Osório, em Pelotas, avistamos um grupo de pessoas encenando ao ar livre. Meninos e meninas, homens e mulheres, passam tardes sob os olhares curiosos de quem os observa, enquanto caminham por ali, rapidamente, ou por aqueles que repousam em um dos bancos daquele espaço público.

Talvez, nem todos os observadores saibam que as encenações são promovidas pelo Teatro Escola de Pelotas (TEP), que completa mais de um século de existência, orientados pela diretora Barthira Franco, que utiliza a Praça Pedro Osório como palco para os ensaios.

Passagem de roteiro na Praca Cel. Pedro Osório

Atores fazem leitura de roteiro para novo espetáculo na Praca Coronel Pedro Osório

Com 101 anos de atividade, o TEP foi declarado pela Prefeitura Municipal como Bem Cultural de Natureza Imaterial, recebendo o título de Patrimônio Cultural Pelotense. O Teatro Escola vem se apresentando em várias cidades do Rio Grande do Sul, fora do Estado e até passou por países como Uruguai e Argentina, o que rendeu prêmios e indicações de júri em vários festivais de teatro do Brasil.

O TEP é o mais antigo grupo de teatro em atividade no Brasil, e possui um vasto acervo com fotografias ao longo do século. Logo na sua inauguração, em 1914, foi chamado de Corpo Cênico da União Pelotense, em 1930 mudou para Corpo Cênico do Apostolado dos Homens da Catedral e só, em 1946, Teatro Escola de Pelotas. Em conversa com Barthira Franco, ela esclarece a confusão feita por muitos ao entender o TEP  somente como um órgão de formação nas artes cênicas: “Não somos uma escola, e sim uma instituição, estruturada como sociedade cultural, e como tal oferecemos oficinas e cursos livres periodicamente.”

Cartaz e roteiro de peças teatrais que fazem parte do acervo do Teatro Escola de Pelotas

Sobre a estrutura mantida ela destaca: “Os cursos oferecem certificação, seguem as mesmas normas e conteúdo de cursos regulares, e os professores e facilitadores são sempre profissionais habilitados e altamente qualificados.”

Segundo a diretora, o fato de terem mantido uma escola regular entre 1992 e 1998 acaba gerando confusão entre a escola e a instituição. Também contribuem para isso o nome do grupo, dado a partir da mudança de rumos da instituição em 1946, juntamente com a grande aceitação e a procura pelos cursos,

Barthira também destacou os empecilhos que impossibilitam, atualmente, o TEP a exercer atividade como escola regular. “Os altos valores de aluguel e a manutenção de uma escola com toda a estrutura necessária nos impediriam de praticar valores de mensalidade inclusivos, eliminando também a possibilidade de distribuição de bolsas de estudo, o que fazemos questão de manter. Dentro deste quadro, as parcerias que fazemos para manter os cursos em funcionamento são de fundamental importância”, explica.

OS CURSOS

Os cursos de Interpretação são modulares, e as turmas são divididas por faixa etária. São de Atuação Infantil (de 6 a 10 anos); de Atuação Juvenil (de 11 a 14 anos) e o Curso de Interpretação para Adultos (a partir de 15 anos). Também são oferecidos cursos esporádicos, como o Teatro para Melhor Idade, Criação de Figurinos, Maquiagem Artística, etc.

Não há turmas mescladas de crianças e adultos, pois o conteúdo e a metodologia são totalmente diferentes. Para receber o certificado, o aluno deverá ter um mínimo de 70% de presença. Todos recebem a mesma certificação, sejam pagantes ou bolsistas.

Para saber mais sobre o TEP ou se informar a respeito de oficinas e cursos, o contato pode ser feito pelo Facebook e o acervo pode ser visto no Flickr.

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