Alunos criam projeto de extensão para divulgar literatura

Reportagem de Nágila Rodrigues – 

     Quem nunca ouviu a velha teoria de que o livro sempre é melhor que o filme? Quando se trata de uma obra literária adaptada para o cinema, geralmente, essa é a primeira dúvida que permeia a mente do espectador. Independente de ter lido ou não a obra, ocorre a curiosidade em saber as semelhanças e discrepâncias entre livro e filme.

Guiados por esta pergunta, Carlos Ossanes e Cássia Benemann, estudantes de Letras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), apaixonados pela literatura e também amantes da sétima arte, levantaram a questão ao propor o Projeto de Extensão “24 Frames de Literatura”.

 

O 24 FRAMES

 

Instigados a criar teoricamente um projeto de pesquisa, os estudantes apresentaram a ideia de trabalhar adaptações cinematográficas de enredos literários, de modo simples, apenas para cumprir com a atividade acadêmica e concluir mais uma disciplina. Mas, no decorrer das aulas, ainda no primeiro ano de faculdade, nasceu o protótipo do que é o “24 Frames” hoje.

Carlos e Cassia foram além e levaram até o professor João Luis Ourique, hoje coordenador do Projeto de Extensão “24 Frames de Literatura”, suas aspirações e, em seguida, iniciaram a atividade que chegou à sua quinta temporada neste ano. “No primeiro semestre de 2013, começamos a maturação do projeto, pensamos em vários nomes até chegar ao ‘24 Frames’, que indica a sequência de imagens padrão do cinema. Pensando nisso, unimos a palavra ‘literatura’ ao título”, conta Carlos.

O projeto visa elucidar os elementos da literatura dispostos nas telas a partir da análise de uma obra adaptada de um livro. A equipe organizadora é formada por mais três estudantes que ajudam a promover o debate com o público após a exibição cinematográfica. Segundo Fernanda Teixeira, integrante, o público mudou desde a primeira temporada. “No início, os participantes eram muito mais presos aos aspectos literários, a partir da segunda edição, talvez por termos apresentados módulos temáticos, as pessoas que passaram a frequentar iam muito mais interessadas no cinema”, descreve.

 

AS TEMPORADAS

 

A primeira temporada aconteceu em 2013,constituída por dez encontros e composta por obras escolhidas previamente pelos organizadores.

Mudou a dinâmica e passou-se a utilizar temáticas divididas em eixos, na segunda temporada. Foi tratado a problemática narrativa, desconstrução dos contos de fadas, criação de um personagem, recriação de cenários históricos e no último eixo a configuração de identidade.

A terceira temporada foi especial para o projeto. O “24 Frames” chegou à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), em uma promoção do Centro de Literatura Portuguesa (CLP), dentro da Área de Estudos Brasileiros. Foi apresentada a adaptação da série televisiva “Contos Gauchescos: Simões Lopes Neto nas telas”, com direção de  Henrique de Freitas Lima, em parceria com a Cinematográfica Pampeana. “Tivemos a gentileza da professora em ceder espaço da disciplina e agregar a adaptação feita pelo Henrique, juntamente, com o ‘24 frames’ como conteúdo avaliativo”, diz Carlos Ossanes, que ministrou debates sobre a cultura brasileira, com ênfase na cultura gaúcha, durante o período na Universidade de Coimbra.

Concluem o cronograma de 2015 a quarta e quinta temporadas em cinco módulos. Acontecem oficinas de produção e ciclo de debates. A quinta iniciou em setembro e traz rodas de conversa sobre intersemiótica, debate sobre séries de TV e fecha novamente com oficinas de produção.

O projeto propicia a análise dos diversos elementos artísticos dos quais o cinema se apropria para construir sua identidade. Faz com que não só a comunidade acadêmica atente para essa percepção. Todas as atividades são abertas ao público, sem qualquer taxa de inscrição.Nossa prioridade é fazer com que as pessoas que conhecem literatura passem a conhecer cinema também, e quem conhece cinema entenda a literatura”, destaca Cássia. Carlos completa: “Nós não pretendemos criar um tipo de público, queremos que eles sejam atraídos pelas suas preferências”.

Para os alunos da UFPel  participantes é necessária uma frequência mínima por módulo para a obtenção do certificado. Ainda há tempo de conferir. Dia 24 de outubro, às 14h, continuam os trabalhos com séries televisivas, trazendo a versão de Stefan Moffat e Mark Gatiss para as história do detetive Sherlock Holmes, no auditório da Agência de Desenvolvimento da Lagoa Mirim (Lobo da Costa, 447). O projeto 24 Frames de Literatura é promovido pelo Grupo de Pesquisa ÍCARO (Interdisciplinaridade, Crítica ao Autoritarismo, Regionalidade e Oralidade – CNPq/UFPel), Acompanhe as atividades também pela página no Facebook.

 

Erivelton, Nina, Cássia, Carlos e Fernanda, organizadores do “24 Frames”

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