O que são línguas minoritárias?

O conceito de língua minoritária é relativo. O português, por exemplo, é língua minoritária no Uruguai. Línguas minoritárias são aquelas que contrapõem o que é majoritário ou dominante e têm o seu valor nas comunidades de fala.

As línguas minoritárias têm status dinâmico: uma língua minoritária pode se tornar, ao longo dos anos, majoritária, (co)oficial ou hegemônica. 

São, por vezes, línguas minorizadas, pois o status político seria o critério central, não aspectos linguísticos. Dessa forma, os papéis que elas desempenham na sociedade as definem mais adequadamente do que as suas características linguísticas.

São exemplos de línguas minoritárias (dentre muitas outras!): 

  • Xavante; 
  • Pomerano;
  • Hunsrückisch;
  • Talian;
  • Libras;
  • Polonês; 
  • Coreano.

Algumas dessas línguas (como o Pomerano, o Talian e a Libras) já foram cooficializadas no Brasil. Confira no site do IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística) uma lista completa (atualizada em outubro de 2022). 

Referências
ALTENHOFEN, Cléo Vilson. Bases para uma política linguística das línguas minoritárias no Brasil. In: NICOLAIDES, C. et al. (Eds.). Política e Políticas Linguísticas. Campinas: Pontes Editores, 2013. p. 93–116.
BROHY, Claudine et al. Carta Europea para as linguas rexionais ou minoritárias. Actividades para a aula. Council of Europe: Xunta de Galicia, 2019.
IPOL. Lista de línguas cooficiais em municípios brasileiros, 2022. Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística, 2022.
GRENOBLE, Lenore; ROTH SINGERMAN, Adam. Minority Languages. Oxford Bibliographies, v. Linguistic, p. 1–2, 2016.

O que é Psicolinguística?

A Psicolinguística é um campo de pesquisa relativamente recente, com origem em 1953 durante um evento na Universidade de Indiana (Estados Unidos). Ela investiga o processamento dos diversos níveis linguísticos (fonológico, sintático, discursivo etc.) e modalidades (por exemplo, vídeo, ilustração, gráfico etc.) de pessoas diversas. 

A Psicolinguística estabelece uma relação das estruturas e dos processos cognitivos com a representação, aquisição, compreensão, produção e percepção de uma ou mais línguas e possibilita a investigação de diferentes populações (idades, configurações linguísticas, distúrbios, escolaridades, status socioeconômico, entre outros grupos e variáveis).

Referências
BUCHWEITZ, Augusto; LIMBERGER, Bernardo K.; KRAMER, Rossana. Psicolinguística. Letrônica, v. 7, n. 1, p. 1-3, 2014.
FERNÁNDEZ, Eva; CAIRNS, Helen Smith. Prologue. In: FERNÁNDEZ, Eva; CAIRNS, Helen Smith (org.) The Handbook of Psycholinguistics. Hoboken: John Wiley & Sons Inc., 2018. p. xxiii-xxv.

O que é multilinguismo?

A nível individual, o multilinguismo é uma configuração linguística dinâmica e complexa que envolve, no mínimo, três línguas (De Angelis, 2007; Herdina; Jessner, 2002). No entanto, no multilinguismo, não é necessário possuir alto nível de proficiência e fluência em todas as línguas e habilidades. O que é importante para descrever a pessoa como multilíngue é o seu uso e conhecimento de várias línguas. 

O multilinguismo pode ser caracterizado como uma área de estudos com:

Além disso, o multilinguismo possibilita o acesso a diferentes culturas e facilita a aprendizagem de línguas adicionais. 

Confira, na imagem abaixo, um exemplo de um falante multilíngue de acordo com Grosjean (2010):

Marina é um indivíduo multilíngue que vive no Rio Grande do Sul. Ela nasceu no Brasil e sua língua materna é português. Marina gosta de ouvir músicas em inglês e tem aulas dessa língua na escola. Ela e sua família descendem de alemães. Ela fala pomerano com sua família e com alguns de seus amigos, mas não usa essa língua todos os dias. Por morar próximo à fronteira com o Uruguai, Marina também costuma ouvir o espanhol sendo falado em sua cidade. 

Embora Marina não seja igualmente fluente em todas as línguas, todas elas são parte integrante de seu repertório linguístico. Palavras em outras línguas (Lx) também estão incluídas no seu repertório linguístico. Ela gosta de bandas coreanas e, por isso, sabe algumas palavras em coreano. Além disso, se interessa por culinária e sabe nomes de pratos típicos de diferentes países. Marina pode lançar mão dos conhecimentos que possui sobre esses idiomas a depender do que é exigido pela situação. Isso faz dela uma falante multilíngue. 

 

Referências
DE ANGELIS, Gessica. Third or Additional Language Acquisition. Clevedon, UK: Multilingual Matters, 2007.
GROSJEAN, François. Bilingual: life and reality. Cambridge: Harvard Univ., 2010.
HERDINA, Philip; JESSNER, Ulrike. A Dynamic Model of Multilingualism: Perspectives of Change in Psycholinguistics. Clevedon/Buffalo/Toronto/Sydney: Multilingual Matters, 2002.