“Pelotas Mal Assombrada”: um passeio pelo desconhecido

Uma jornada pela história sombria e não contada da cidade revela secretos ocultos         

Por Emily Alves e Lidiane Lopes   

O tour “Pelotas Mal Assombrada” está trazendo à tona uma perspectiva desconhecida da cidade, explorando uma visão gótica e questionadora. Em atividade há um ano, o passeio aborda temas como racismo, desigualdade social, suicídio e outros mistérios que se conectam à história local. Pelotas, como muitas cidades brasileiras, guarda segredos ocultos que poucos conhecem, e esse projeto pretende desvendar alguns deles.

Esta programação foi idealizada pelos professores de História, Lizandra Pinheiro e Nikolas Corrêa. Lizandra, professora e organizadora do projeto, é a principal responsável pela execução de todas as etapas do passeio. Ela cuida da organização antes, durante e após cada realização, sendo a peça central para o funcionamento e continuidade da iniciativa. Nikolas, também professor, é o contador de histórias. Com mais de 10 anos de experiência em pesquisa sobre as lendas e crimes da cidade, ele traz o conteúdo histórico do passeio à vida, conectando os visitantes a um passado muitas vezes esquecido. Desde 2019, Nikolas administra a página @pelotasantiga, na qual compartilha curiosidades e histórias sobre a cidade.

O “Pelotas Mal Assombrada” vem atraindo um público crescente e despertando a curiosidade dos moradores e visitantes. Ao caminhar pelas ruas históricas da cidade, os participantes se deparam com narrativas que discutem não apenas o lado misterioso de Pelotas, mas também questões sociais relevantes. O tour reflete sobre momentos e figuras marcantes da história do município, propondo um olhar crítico sobre seu passado. Pelotas, ao contrário do que muitos pensam, faz parte de um seleto grupo de cidades brasileiras cujas histórias assombradas estão longe de serem esquecidas.

 

Grupo em frente à Catedral Metropolitana de Pelotas durante o tour histórico  Foto: Lizandra Pinheiro

 

Com um enfoque que vai além do mero entretenimento, o projeto também busca promover uma reflexão sobre os desafios e questões históricas da cidade, convidando os participantes a questionar e debater as camadas mais profundas de sua identidade. A junção de narrativas históricas com um contexto social mais amplo faz do “Pelotas Mal Assombrada” uma experiência diferenciada, tanto para aqueles que buscam uma aventura no desconhecido quanto para os interessados em história e cultura.

O passeio se estabeleceu como uma forma única de explorar Pelotas, sendo uma oportunidade para moradores e turistas conhecerem a cidade sob uma nova perspectiva. Além das histórias, o tour utiliza a arquitetura e o ambiente urbano como parte integrante da experiência, fazendo com que os participantes sintam-se imersos nos cenários onde os eventos relatados ocorreram.

 

Resgate de histórias do passado é vivenciada ao lado das obras do patrimônio histórico

 

O passeio inicia na Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, onde seus conflitos com a maçonaria e o início da construção religiosa na cidade começam. Mas, além de templos e catedrais, uma lenda urbana de Pelotas fala sobre a maldição de uma princesa cigana que esteve na cidade no final do século XIX. Doente e sem melhora, seu povo teria buscado ajuda médica, mas os profissionais se recusaram a tratá-la por ser cigana. A princesa piorou e morreu, mas, antes de falecer, teria amaldiçoado a cidade com as palavras: “esta cidade de hoje em diante não mais prosperará.” Logo, prosseguimos para as ruas, mais especificamente para a rua General Argolo, onde é abordada a morte do jornalista romântico e gótico do século XIX, Lobo da Costa, que teria sido encontrado sem vida e, até então, esquecido pela sociedade.

As histórias seguem o roteiro, passando pelo antigo cemitério central da cidade, uma pequena saudação à mascote do passeio, a figura de uma gárgula, e, em seguida, para a rua Doutor Cassiano, conhecida como zona de meretrício da região em séculos passados, onde se discute de forma questionadora a posição da mulher na sociedade.

A quinta parada não podia ser diferente, abordando o assassinato brutal da rua Voluntários da Pátria, conhecido como “O assassinato de João dos Reis,” que reflete a situação atual da sociedade. A sexta parada fala sobre a Pompas Fúnebres Moreira Lopes, conhecida por ser a funerária mais antiga do Brasil. Seu prédio exibe uma autêntica arquitetura Art Nouveau encantadora, e sua localização no Centro Histórico adiciona um toque especial, proporcionando uma atmosfera única.

Dando espaço para a sétima parada, podemos dizer que é a mais temida por todos que passam por ela, seja de dia ou de noite: a “praça dos enforcados”, também conhecida como a praça dos suicidas, nos arredores da rua Professor Doutor Araújo. E, por fim, os túneis subterrâneos da antiga cervejaria Ritter, construída em 1880, onde são abordados temas esotéricos que envolvem o movimento filosófico Rosa Cruz do século XVII.

De acordo com Nikolas, a importância cultural que o tour pode proporcionar para quem participa é sair do convencional e mostrar o lado mais irreverente que a cidade possui.

“Quando desenvolvemos o tour, nunca imaginamos chegar onde chegamos. Sem posts patrocinados, sem anúncios pagos, tudo foi feito por divulgação orgânica. Isso é muito bom, indica que estamos no caminho certo e pouco explorado. Nossa ideia sempre foi mostrar uma Pelotas diferente da que estamos acostumados. Nossa cidade tem muita história e muitos problemas mal resolvidos. Então partimos dessa ideia e conseguimos alcançar muitas pessoas,” diz Nikolas.

Sobre o planejamento da produção e apuração das histórias, Nikolas relatou que todo o processo é baseado em estudos e pesquisas sólidas. “Eu estudo a história de Pelotas há mais de 10 anos, e tenho um catálogo muito variado de lendas, crimes e mistérios. Ano passado (2023), quando começamos a estruturar o passeio, queríamos algo coeso e possível de ser feito a pé. Então, listamos os pontos e avaliamos quais eram relevantes para o trajeto como um todo. Acredito que nosso passeio tem um início, meio e fim bem definidos. Ao longo do tour, resgatamos conceitos que já foram desenvolvidos em outros pontos.”

A fascinação pelas histórias permeia o passeio para aqueles que participam pela primeira vez. Pensando nisso, Nikolas também falou sobre o mistério favorito que mais gostou de produzir para o tour. “Gosto bastante dos mistérios sem solução. Acho muito interessante a lenda da Cigana Terena e do Homem do Chapéu Cinzento. Mas meu favorito é o que falamos sobre João dos Reis. Trata-se de um tema ainda muito complicado para nós, um reflexo da sociedade do século XIX que ainda persiste. Um crime com aquela brutalidade é algo aterrorizante até hoje,” conclui Nikolas.

O convite está aberto. Se ficou interessado, o tour é mensal, com vagas abertas divulgadas com antecedência na página do Instagram.

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Tenho interesse no passeio , como funciona?

Cibele Maino Gonçalves

Resposta do Arte no Sul: Prezada Cibele! Muito obrigado por sua visita e comentário! Recomendamos fazer contato com os organizadores pelo link do Instagram disponível acima.

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Aléxia Porto: jovem escritora conquista milhares de seguidores e encanta leitores com sua arte

Natural da cidade de Capão do Leão, autora começou seu trabalho criativo já na infância    

Por Vanessa Oliveira e Lidiane Lopes     

 

Espinhos

O seu problema é que

Você se contenta com espinhos

Desde que se conhece por gente.

 

Então, quando alguém lhe apresenta uma flor

Você recusa.

 Por não saber receber o amor sem sentir dor.

 

– Isso chega ser desumano consigo mesmo.

 

Uma das poesias de Aléxia Porto, jovem escritora natural de Capão do Leão, ilustra a profundidade e a sensibilidade de sua obra. Com apenas 18 anos, Aléxia já se destaca no cenário artístico nacional. Desde pequena, sua trajetória já indicava que seguiria o caminho das artes. “Com apenas oito anos de idade já escrevia minhas primeiras histórias e sempre tive apreço pela arte”, conta.

 

       Aléxia lançou recentecente seu livro na livraria Feito de Letras, em Pelotas         Foto: Reprodução/TikTok

 

Seu trabalho recém-lançado, “O que os pássaros me contaram”, é um livro de poesia que mostra o lado sensível e emocional das quatro estações do amor. Paixão, amor, perda e cura. A obra é dividida em quatro capítulos, e cada um ganha o nome de uma estação. Primavera, verão, outono e inverno. Mostrando cada episódio do amor ao processo de cura e libertação. É um livro que trata dos processos dolorosos e do recomeço de uma nova etapa. Cada estação com suas características, cores e amores. Mostrando que toda fase deve ser aproveitada e que, no final de tudo, sempre existe um recomeço e que o amor é a melhor opção.

Além de escritora, Aléxia também participou de projetos como atriz, incluindo a produção de um curta-metragem com um amigo da família, e destacou-se em concursos de poesia e shows de talentos na escola.

Em 2021, ela deu um passo significativo ao oficializar sua paixão pela escrita. Criou a página no Instagram @vivendo_escrita e publicou seu primeiro poema no TikTok @_alexiaporto intitulado, “Não se apaixone por artistas”. O poema rapidamente viralizou, conquistando milhares de pessoas que, assim como ela, têm uma forte conexão com a arte. Atualmente, seu perfil no TikTok já soma mais de 100 mil seguidores, espalhando sua poesia por todo o Brasil.

Aléxia tem ampliado sua atuação não apenas no mundo digital, mas também fisicamente. Seus poemas já foram recitados em saraus no Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo, além de integrarem projetos em escolas e faculdades. “A poesia sempre esteve em mim, e eu a utilizo como forma de expressão para me entender melhor e mostrar quem eu realmente sou”, reflete a jovem escritora.

Em 2023, a trajetória de Aléxia foi reconhecida pela prefeitura de Capão do Leão, que a homenageou com a comenda Florisbelo Garcia. No mesmo ano, ela participou da Feira do Livro de sua cidade, quando compartilhou suas experiências com alunos de escolas locais. A jovem escritora também lançou seu livro, “O Que os Pássaros Me Contaram”, na Livraria Feito de Letras, em Pelotas. “Foi uma tarde muito especial, onde pude me conectar com várias pessoas e partilhar o que mais amo: a arte”, lembra.

Aléxia ainda teve a oportunidade de conhecer pessoalmente Fabrício Carpinejar, um de seus escritores favoritos, durante uma palestra. “Foi um momento incrível. Conversamos sobre arte, e entreguei a ele um exemplar do meu livro”, relata.

Novos projetos e reflexões

Aléxia Porto já está em processo de escrita de seu próximo livro, revelando que a arte de escrever continua a ser uma forma de autodescoberta e maturidade. Para ela, seu livro “O que os pássaros me contaram” representa um marco importante e de crescimento pessoal.

“Espero que, ao lerem meu livro, os leitores percebam a maturidade adquirida entre os versos e que consigam lidar com os ciclos e as fases da vida. Que cresçam com cada etapa e aceitem a vulnerabilidade. Que entendam que a maturidade não é sinônimo de emoção ou fraqueza; ser vulnerável é sinal de força”, reflete Aléxia.

Ela deseja que seu livro não apenas inspire, mas também acolha seus leitores. “Espero que este livro abrace a cada um deles, assim como eu fui abraçada durante o processo de escrita. Que, ao longo dos versos, eles possam crescer e se conhecer, da mesma forma como eu amadureci enquanto escrevia cada palavra.”

Com uma carreira promissora à sua frente, Aléxia Porto continua a inspirar e encantar com sua poesia, mostrando que a arte não tem idade nem fronteiras.

Para os interessados em conhecer mais de perto o trabalho de Aléxia Porto, seu livro “O que os pássaros me contaram” está disponível para compra no site da sua editora. Basta acessar drafteditora.com.br. Além disso, a obra também pode ser adquirida pela Amazon, onde o ebook está disponível, acessando este link.

Conecte-se com Aléxia Porto

Além do livro, os leitores podem acompanhar Aléxia e seu trabalho artístico pelas redes sociais. No Instagram, ela compartilha seus pensamentos e poesias na página @vivendo_escrita, e no Tiktok, seus vídeos poéticos podem ser encontrados no perfil @_alexiaporto.  Em ambas as plataformas, ela interage com seus seguidores, compartilhando seu amor pela poesia e a arte.

Conheça um pouco mais da escritora e seus pensamentos neste vídeo do YouTube:

 

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Parabéns pela matéria! Grande poeta Alexia Porto.👏🏽👏🏽

Lucian Brum

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Chegada da Chama Crioula marca início dos Festejos Farroupilhas em Canguçu

Programação teve início no dia 8 de setembro e prossegue até dia 22        

Por Amanda Leitzke e Chaiane Römer        

 

Prefeito de Canguçu, Marcus Pegoraro, recebendo a Chama Crioula   Fotos: Otávio Lopes

 

No domingo, dia 8 de setembro, a cidade de Canguçu recebeu a Chama Crioula, trazida pelo piquete O Vanguardeiro. Este evento deu início aos festejos farroupilhas no município, que se estenderão até o dia 22 de setembro. Durante a tarde, a programação incluiu uma ronda de integração no Ginásio Municipal e um show com o Capitão Faustino.

A festividade deste ano será prolongada por quase um mês, o que reflete a grande importância e o envolvimento da comunidade local. A coordenadora do Departamento de Cultura, Lizane Ledebuhr, explica que a tradição dos festejos em Canguçu vai além da típica “Semana Farroupilha”. “Normalmente, associamos a Semana Farroupilha a uma semana de eventos, mas a nossa programação se estende por mais de 15 dias. Por isso, passamos a chamar de Festejos Farroupilhas. Contamos com a participação ativa dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e das escolas, que promovem uma ronda a cada dia para garantir a integração entre todos os participantes.”

 

Piquete O Vanguardeiro trazendo a Chama Crioula para Canguçu no dia 8 de setembro

 

O tema dos festejos deste ano é o centenário de nascimento do poeta regionalista Jayme Caetano Braun (1924-1999). O patrono estadual é o violonista, cantor e compositor de música nativista Pedro Ortaça. Em Canguçu, a homenageada é Janeti Terezinha Cardoso Vargas. Lizane Ledebuhr revela que a escolha de Janeti foi unânime. “Durante uma reunião com patrões e entidades, surgiram dois nomes, além de um indicado pela Câmara de Vereadores. Após votação, a professora Janeti foi escolhida por seu papel significativo no CTG e na cultura tradicionalista, sendo também a primeira prenda do Rio Grande do Sul.”

A programação dos festejos inclui rondas estudantis e eventos nos CTGs ao longo do mês, com grande importância para a preservação da cultura tradicionalista. O professor e membro do Departamento de Cultura, Giales Raí Rutz, ressalta a relevância dessa participação. “O principal objetivo é manter viva a cultura tradicionalista, envolvendo tanto as escolas quanto os CTGs. As escolas são fundamentais para introduzir a cultura gaúcha desde a infância, e essa conexão com os CTGs permite que as crianças cresçam imersas na tradição.”

Há dois anos, Canguçu viveu um dos momentos mais marcantes da cidade com a 73ª Geração e Distribuição da Chama Crioula, realizada nos dias 12 e 13 de agosto de 2022. O evento, organizado pela 21ª Região Tradicionalista e pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), marcou o início dos festejos farroupilhas no Rio Grande do Sul. O professor e também membro do Departamento de Cultura, Andrio Aguiar, recorda o impacto desse evento: “Foi um marco histórico para Canguçu. A cidade teve a oportunidade de sediar a geração e distribuição da chama, algo que a comunidade não conhecia até então. O evento trouxe uma enorme visibilidade para Canguçu, atraindo delegações de todo o Estado, do País e até do exterior. A recepção calorosa da população e a participação ativa das escolas foram cruciais para o sucesso do evento.”

Os festejos farroupilhas de 2024 estão apenas começando em Canguçu. Com uma programação rica em atrações e atividades, o evento promete manter viva a chama do tradicionalismo e o entusiasmo da comunidade canguçuense até o final do mês.

Confira a programação completa divulgada pela Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Cultura de Canguçu:

 

 

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Coletivo de Autores de Pelotas realiza Festim da Primavera em outubro

Grupo promove evento com várias atividades para incentivar literatura e lançar seu novo livro “Poção Literária”         

Por Enzzo Lopes Rodrigues   

 

O Coletivo de Autores de Pelotas (CAP) começou em fevereiro de 2019, a partir de uma conversa informal entre amigos sobre dicas de como publicar um livro. Desde então, foram organizados outros encontros e foi decidido criar um grupo de escritores nascidos ou radicados na cidade de Pelotas, com o objetivo principal de fazer ações para promover a literatura. O grupo já realizou mais de 100 atividades e, atualmente, conta com 20 membros.

Em outubro, o coletivo vai realizar o evento Festim de Primavera, quando irá lançar o livro infantil “Poção Literária”. A promoção seria realizada no começo do ano, mas precisou ser adiada devido às enchentes que ocorreram no Estado. Com duração de três dias, terá como tema o resgate da criança que existe em cada um de nós e que, com o passar dos tempos, acaba sendo retraída devido às dificuldades da vida adulta.

“A gente quer que as pessoas entendam que qualquer um tem potencial para escrever, gostando e se dedicando. Algumas pessoas escrevem melhor que as outras, mas aquele que escreve mais ou menos e que realmente se dedicar, se interessar, vai melhorar. Então, qualquer pessoa tem potencial,” diz a escritora e jornalista Joice Lima, integrante do grupo.

Com isso em mente, o coletivo realiza uma série de atividades. Uma delas é o “Tá lendo o quê?”, um encontro que acontece mensalmente em cafés, onde as pessoas compartilham o que estão lendo e suas impressões sobre o livro, podendo assim despertar o interesse de outras pessoas pela mesma leitura. Ao fim, ocorre um sarau, quando quem quiser pode compartilhar um trecho do livro que considere interessante.

 

Diogo Rios foi um dos participantes do encontro “Tá lendo o quê?”

 

O coletivo tem uma parceria com a Secretaria Municipal da Cultura de Pelotas (Secult). “Eu sou servidora pública da Secult. Trabalho no (Teatro) Sete de Abril e também sou coordenadora dos pontos de leitura da Secretaria, que foram criados no ano passado. Pontos de leitura Secult e Dunas. […] Então acabou que eu propus para o grupo, todo mundo aceitou e a gente fez uma parceria”, explica Joice, autora de quatro romances. Assim, os escritores do coletivo participam de atividades nos pontos de leitura. A parceria também inclui oficinas de escrita mensais.

 

Joice Lima coordenou uma das oficina literárias gratuitas no ponto de leitura Secult

 

            Confira a programação completa do Festim da Primavera:

11/10/2024 – Sexta-Feira

  • Das 16h às 18h – Sarau Literário na Associação Comunitária Quilombola do Alto do Caixão (localizada na Colônia Santo Antônio, acesso pela Estrada Principal do 7° Distrito Quilombo, zona rural de Pelotas).

 

12/10/2024 – Sábado

  • Das 10h às 14h – Feira Itinerante #EuLeioPelotas no Mercado das Pulgas (Largo Edmar Fetter – Mercado Central).
  • Das 15h às 17h – Caminho das Cores (Secretária de Cultura – Pr. Cel Pedro Osório, 2).
  • Das 17h30 às 19h30 – Lançamento do “Poção Literária – Histórias e poemas para despertar o prazer da leitura”, edição de estreia do Coletrinhas – Caderno Literário Infantil 1. (Secretária de Cultura – Pr. Cel Pedro Osório, 2).
  • 22h – De luz e sombras: “Uma imersão de três horas em escrita criativa, a partir de exercícios e provocações de três ministrantes, baseado no conceito de luz e sombra, seja para despertar a luz da criança adormecida em nós ou para explorar nosso lado mais assustador”. Inscrições antecipadas. (Theatro Sete de Abril – Pr. Cel. Pedro Osório, 152).

 

13/10/2024 –  Domingo

  • CAPela enCena – apresentação de esquete teatral inspirada na Parábola do Filho Pródigo, por atores do Studio Atores de Pelotas e participação especial de Luis Kurz, escritor do CAP.

O grupo já lançou dois livros, o “Aguaceiro” e o “Espaços de vida: escritas de um coletivo”, que podem ser adquiridos diretamente com os autores, no Mercado das Pulgas, do qual o coletivo participa uma vez ao mês, ou no Sebo Icária (rua Tiradentes 2609, Pelotas). Além disso, realiza uma série de outras atividades abertas ao público, todas com o objetivo de incentivar a leitura e a escrita, que podem ser acompanhadas pelo Instagram, @euleiopelotas,  em que também podem ser encontradas mais informações sobre a programação do Festim de Primavera.

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Olá! Gostaria de saber se esse grupo é só para pessoas que nasceram em Pelotas. Eu nasci em Uruguaiana mas moro em Rio Grande há muito tempo. Escrevi um livro de contos “O caminho das orquídeas. Contos Inesperados”.

Maria Antonieta Galmarini Nunes – 25/08/2025

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Narrativa sobre solitude e solidão em “Se os gatos desaparecessem do mundo”

Obra literária trata do sofrimento de doença terminal e aborda dilemas atuais na sociedade      

Por Ricardo Bandar     

A frase “Se os gatos desaparecessem do mundo” representa o maior pesadelo de todos os gateiros e gateiras do planeta. O livro do escritor japonês Genki Kawamura traz ao leitor uma mescla de fantasia e reflexões sobre dilemas reais. Lançada em 2012, a obra foi traduzida em inúmeros idiomas e cativou as pessoas com a sua forma de apresentar temas como solidão, solitude (isolamento voluntário e consciente) e a finitude da vida.

A narrativa gira em torno de um jovem carteiro solitário. Logo no começo da história, ele descobre ter uma doença terminal, um tumor cerebral em estágio quatro, e que, infelizmente, não lhe resta muito tempo de vida. Abalado com a notícia, o rapaz aceita fazer um pacto com o diabo, que consiste em fazer algumas coisas desaparecerem do mundo para conseguir mais dias de vida. Através dessas trocas é que o escritor aborda os dilemas da solidão e solitude, utilizando a fantasia e o surrealismo na trama.

 

Livro teve primeira edição em 2012 e já tem várias versões em idiomas diferentes

 

A cada troca realizada, torna-se mais evidente que o carteiro não possui conexões pessoais e sociais. Na verdade, não sobraram muitas. O seu maior laço é com seu gato, o Repolho, que era de sua falecida mãe. Já os vínculos com o pai, amigos e ex-namorada, apresentam muitos problemas e situações mal resolvidas.

A solitude é apresentada toda vez que o personagem principal precisa revirar o seu passado, como, por exemplo, quando faz o celular desaparecer. Antes disso, ele marca um encontro com a sua ex-namorada. Nesse trecho, ao mergulhar na sua história com a garota, é notável a maneira que ele mesmo escolhe manter distância da namorada e a falta de atitude para resolver impasses e conflitos entre eles. Essa situação se repete no decorrer dos capítulos, quando o jovem precisa lidar com um antigo amigo e o seu pai.

Ao mesmo tempo, a solidão aparece como um tema presente em toda a obra, sempre evidenciando que a pessoa com que o garoto realmente podia e gostava de compartilhar os seus dias era a sua mãe. A partir dessa observação, é possível compreender ainda mais o amor dele pelo Repolho, o gato que era de sua mãe.

Então chega a hora em que o diabo propõe fazer todos os gatos do mundo desaparecerem por mais um dia de sua vida. E, nesse momento, o carteiro entra em conflito, terá de escolher entre seu amado gatinho e a sua própria vida. Aqui se nota um grande choque entre a solitude e a solidão do rapaz, afinal, o Repolho é o único ser do qual ele não quis se isolar e escolheu compartilhar seus dias. Além disso, o gato representa uma conexão com a sua mãe, uma forma de atenuar o sentimento da perda dela e de lidar com a finitude da vida.

A escolha que o garoto irá fazer traz a pergunta se a opção pela solidão representa uma vida que vale a pena ser vivida. Está em questão se ele quer encarar o fim da própria vida e se livrar da vontade de se isolar. Se quer resolver os impasses do passado e ir atrás de alguém com quem compartilhar seus dias.

“Se os gatos desaparecessem do mundo”, de Genki Kawamura, faz parte do “subgênero” de ficção de cura, que vai de encontro a um movimento atual de buscar a reflexão sobre os dilemas atuais da sociedade, como distanciamento social, solidão, hiperconectividade, instantaneidade, etc. Esse tipo de livro, faz com que o leitor resgate a felicidade e o sentido nas pequenas coisas do cotidiano.

Além disso, essa obra vai um pouco mais fundo, explorando questões como luto e aceitação da morte, autoavaliação, conexões e relações pessoais, a busca por significado e a superação pessoal. A narrativa emociona e cativa os leitores através de uma jornada em busca de uma vida que vale a pena ser vivida.

 

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Filme “Cidadão Kane” marca legado do diretor Orson Welles

Produção de 1941 inovou na forma do cinema contar histórias e visão multifacetada do protagonista 

Por Pedro de Oliveira   

“Cidadão Kane”, dirigido por Orson Welles e lançado em 1941, é frequentemente considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. Para entender essa aclamação, é crucial examinar a revolução narrativa e técnica que o filme introduziu. Welles inovou ao usar a narrativa não linear, começando o filme com a morte do protagonista, Charles Foster Kane, e reconstruindo sua vida através de flashbacks e múltiplas perspectivas. Essa estrutura narrativa desafiou as convenções da época, permitindo ao espectador uma visão multifacetada do personagem.

O uso de técnicas cinematográficas como a profundidade de campo também se destacou. Esta técnica, que mantém todos os elementos do quadro em foco, simboliza a complexidade da vida de Kane e o intrincado emaranhado de eventos que moldaram seu caráter. Além disso, a colaboração com o diretor de fotografia Gregg Toland resultou em composições visuais impressionantes, como o uso de ângulos baixos para engrandecer o poder de Kane. Estas inovações técnicas e narrativas continuam a influenciar cineastas modernos, reafirmando o status icônico de Welles.

 

Famosa cena do filme que exemplifica a técnica da profundidade de campo  Fotos: Reprodução/Internet

 

Crítica ao Poder e à Mídia

Centrado na figura de Charles Foster Kane, o filme oferece uma crítica contundente ao poder e à manipulação midiática. Kane, inspirado na vida do magnata da imprensa William Randolph Hearst, é retratado como um homem que ascende ao poder utilizando a mídia como ferramenta de controle e propaganda. A trajetória de Kane revela como a obsessão por poder e controle pode corromper os valores e desumanizar o indivíduo.

A crítica de Welles vai além do personagem, estendendo-se à própria mídia, que se torna cúmplice na construção e destruição de ícones como Kane. O filme questiona a ética jornalística, sugerindo que a busca pelo sensacionalismo pode comprometer a verdade e a responsabilidade social. Para estudantes de jornalismo, “Cidadão Kane” serve como um alerta sobre os perigos da concentração de poder midiático e a importância de manter a integridade na profissão.

 

Imagem clássica que representa a ascensão de Kane em sua caminhada na produção de notícias

 

Enigma de “Rosebud”

O mistério de “Rosebud,” a última palavra proferida por Kane antes de sua morte, é o fio condutor que permeia toda a narrativa. Essa palavra simboliza a busca incessante pelo significado da vida e pela essência perdida do protagonista. Ao longo do filme, diferentes personagens oferecem suas interpretações sobre Kane, mas ninguém parece compreender plenamente seu verdadeiro desejo ou a razão de seu fracasso pessoal.

“Rosebud” representa a inocência perdida de Kane, sua infância feliz antes de ser separado de sua família e lançado em uma vida de riqueza e solidão. Essa metáfora ressoa profundamente, sugerindo que, apesar de toda a sua riqueza e poder, Kane morreu sem encontrar a paz interior. A simplicidade desse enigma é o que torna “Cidadão Kane” tão poderoso, pois revela a fragilidade humana por trás da fachada de grandeza.

Relevância Contemporânea

Embora “Cidadão Kane” tenha sido lançado há mais de oito décadas, sua relevância permanece intacta. Em tempos de crescente influência das mídias digitais e redes sociais, a história de Kane ecoa as preocupações contemporâneas sobre a manipulação da informação e o culto à personalidade. O filme questiona como o poder e a mídia podem moldar a percepção pública, criando narrativas que favorecem os interesses de poucos em detrimento do bem comum.

Para os estudantes de Jornalismo, essa reflexão é particularmente importante. A era digital trouxe novas formas de disseminação de notícias, mas também novos desafios éticos. Assim como Kane utilizou seu império midiático para moldar a opinião pública, hoje, algoritmos e campanhas de desinformação ameaçam a integridade do jornalismo. “Cidadão Kane” nos lembra que a busca pela verdade deve ser o princípio norteador de qualquer jornalista.

 

 

          Obra de Orson Welles transcende o tempo de sua realização                                                Foto: NBCUniversal via Getty Images

 

Trabalho criativo imortal

“Cidadão Kane” não é apenas um filme; é uma lição sobre o poder, a mídia, e a condição humana. A obra-prima de Orson Welles transcende o tempo, oferecendo uma crítica incisiva que ainda ressoa nos dias de hoje. Para os futuros jornalistas, o filme serve como uma reflexão sobre o papel da mídia na sociedade e os dilemas éticos que cercam o exercício da profissão.

Ao assistir “Cidadão Kane”, é impossível não se impressionar com a habilidade de Welles em entrelaçar temas complexos com uma narrativa visualmente inovadora. A obra permanece um estudo essencial para qualquer estudante de Jornalismo, não apenas pelo seu valor histórico, mas também pelas lições atemporais que oferece sobre a natureza do poder e da verdade.

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Exposição promove reflexões sobre enchente que afetou Pelotas

Mapa da cidade em 3D, exposto no Museu Carlos Ritter, propõe e estimula debates sobre a cidade     

Stéfane Costa     

 

Mapa conta com projeções para ilustrar possíveis cenários a serem vividos       Fotos: Stéfane Costa

 

Parte do coração do Centro Histórico de Pelotas, o Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter mostra muito mais do que se propõe. Apesar de visar as ciências como um todo, o espaço é de grande importância sociocultural.

Exemplo disto é a exposição “Impressão (3D) do relevo de Pelotas: um espaço para reflexão sobre a enchente”. Misturando tecnologia, informação e visual, a mostra traz uma representação da cidade, para estimular pensamentos e ideias sobre a triste realidade climática enfrentada recentemente.

Antes de ganhar destaque em uma das salas do museu, o modelo foi utilizado na Sala de Situação montada para trabalhar as atualizações sobre a enchente e que funcionava no 9º Batalhão de Infantaria Motorizada, onde eram tomadas as decisões quanto às inundações no município.

A longo prazo, o mapa fornece uma rica experiência sensorial para quem o visita no museu.  Para Adriane Borda, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, é justamente seu formato que se destaca. “Nós trabalhamos principalmente para auxiliar pessoas com deficiência visual, de compreender as formas dessa arquitetura, como uma interface para dialogar sobre todo o interesse cultural dessa arquitetura, e, com isso, nós nos desafiamos para representação do relevo da cidade, que é algo complexo também”, explica.

 

Mapa sem projeções  faz parte de exposição que explica nossa relação com meio ambiente

 

O modelo também responde questionamentos de senso comum ouvidos durante as enchentes, como o fato de Pelotas ser uma cidade totalmente sujeita à invasão da água. “Foi fundamental para pessoas leigas porque, muitas vezes, várias pessoas tinham dificuldade de compreender as representações como estavam sendo feitas por meios digitais ”, diz.

Reforçando o conceito da acessibilidade e educação lúdica, o projeto foi feito em partes, ou seja, é possível destacar “partes da cidade” para mergulhar em um recipiente com água. Essa é mais uma forma sensorial de demonstrar como as pessoas podem entender a cidade e o local onde vivem.

 

Peça destacada para ser mergulhada em água é experiência lúdica que demonstra como partes da cidade podem ser afetadas

 

Carolina Silveira, assistente administrativa do museu, acredita que a exposição também seja um importante objeto de reflexão já que se propõe a mostrar os “vários fatores que estão mudando o nosso clima e aos quais temos que se adaptar”. Se não cuidarmos “do nosso meio ambiente, a gente vai ter que se adaptar de um jeito ou de outro, mas tem que se pensar num futuro, não pensar só no hoje. Pensar num futuro e continuar, não só na hora do desespero e parar para ver o que fazer quando já está acontecendo. Tem que pensar com antecedência, tem que seguir refletindo, né?”, reforça.

Segundo Carolina, essa exposição é apenas um exemplo de como o museu “é um espaço para a gente divulgar a ciência, a cultura, e diversas áreas do conhecimento que podem interagir. É muito importante para a comunidade, para o nosso público”, completa. 

O Museu Carlos Ritter fica na Praça Cel. Pedro Osório, 1, no Centro Histórico de Pelotas. Os horários de visitação são de segunda a sábado, das 13h às 18h30.

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Série “Pedaço de Mim”: drama e transformação na tela   

A produção apresenta conflitos humanos intensos com a performance marcante de Juliana Paes      

 Por Emily Alves   

 

A nova série da Netflix, em parceria com A Fábrica, “Pedaço de Mim”, é uma produção brasileira que estreou no dia 5 de julho. Com enredo de novela, a produção nacional, criada e escrita por Ângela Chaves, com a colaboração de Guilherme Vasconcelos e direção geral de Maurício Farias, traz um elenco de peso para tornar essa série um drama difícil de descrever com palavras.

Com um total de 17 capítulos, a história acompanha Liana (Juliana Paes), que sempre quis ser mãe ao lado do marido Tomás (Vladimir Brichta). Porém, sua vida toma um rumo inesperado na noite em que ela descobre a infidelidade de Tomás e, para piorar, é vítima de abuso sexual nas mãos de Oscar (Felipe Abib). Como se não bastasse, Liana acaba descobrindo que está esperando gêmeos, cada um com um pai diferente. Ela se encontra em uma luta frenética para manter esta situação privada enquanto lida com sentimentos conflitantes e um mundo que parece estar desmoronando ao seu redor.

 

Tomás (Vladimir Brichta). Liana (Juliana Paes) e Oscar (Felipe Abib) são personagens principais    Foto:Divulgação/Netflix

 

Nos primeiros capítulos a série se destaca por sua abordagem corajosa e sensível sobre temas delicados, como infidelidade e abuso sexual.

Além da trama central, “Pedaço de Mim” também acompanha a história de Silvia (Paloma Duarte), cunhada de Liana, e seu filho Inácio (Bento Veiga), que enfrenta os desafios de conviver com uma deficiência visual. A escolha do ator Bento Veiga, que tem perda progressiva da visão na vida real, traz uma representatividade autêntica para a trama, já que a condição é geneticamente herdada de seu pai. Silvia se envolve amorosamente com Vicente, interpretado por João Vitti. E o casal vivencia um romance que suaviza um pouco o melodrama predominante, proporcionando uma pausa emocional e uma visão mais leve na narrativa.

Trazendo um pouco do lado negativo, a série possui algumas falhas. Com a pressa de colocar tudo nos primeiros episódios, acaba que os próximos tornam-se lentos e menos desenvolvidos. Isso pode fazer com que muitos telespectadores deixem de acompanhar.

Juliana Paes entrega uma performance poderosa, retratando com profundidade a complexidade emocional de sua personagem, Liana. Seu papel central é o coração pulsante da série, conduzindo o espectador por uma montanha-russa emocional.

 

Juliana Paes em uma cena intensa de “Pedaço de Mim”            Foto: Divulgação

 

Baseado em uma história real de uma moradora do Texas, a série se destaca pela qualidade da narrativa e da produção. O roteiro escrito com sensibilidade e o desenvolvimento dos personagens é cuidadoso e realista permitindo que o público acompanhe e se conhecer emocionalmente com essa história.

“Pedaço de Mim” é mais que um drama familiar, mas uma reflexão sobre os desafios enfrentados por muitas mulheres na sociedade atual, principalmente quando o assunto é machismo.

A série esíá disponível no streaming da Netflix. Vale a pena conferir para quem está interessado em uma trama que combina drama intenso com reflexões profundas sobre desafios pessoais e sociais.

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Filme coloca em evidência papel da imprensa e a liberdade de expressão

“The Post – A Guerra Secreta” apresenta pontos de reflexão importantes para o dia a dia dos jornalistas ao redor do mundo      

Por Antonio Berndt       

 

Meryl Streep vive aquela que tem nas mãos destino de jornal Fotos: Divulgação

 

O filme “The Post – A Guerra Secreta” (2017) trata de um ótimo tema que deve ser discutido até hoje, que são as responsabilidades dos jornalistas em frente às noticias. Existem limites éticos sobre as notícias e sobre o que publicar? O Estado é um fator que pode barrar o jornalismo?

Uma parte essencial de uma democracia é a liberdade de imprensa, mas o governo muitas vezes exerce o poder de decidir se divulgará ou não os fatos públicos. Usando uma história real do jornal estadunidense The Washington Post, a excelente direção de Steven Spielberg e as incríveis atuações de Meryl Streep e Tom Hanks revitalizam o tema.

Meryl Streep interpreta a editora-chefe do The Washington Post, Katharine Graham, a primeira mulher a liderar um grande jornal americano. Ela herdou o jornal após a morte de seu marido e vive um dilema difícil. Deverá decidir sobre publicar ou não os documentos que podem mudar a percepção pública sobre o governo e colocar o seu jornal em risco.

E é nisso que está baseado o ponto central e principal dilema no filme. Até onde a imprensa pode ir para levar ao público as informações. O filme aborda a relação entre a liberdade de imprensa e a segurança nacional. Os editores do The Washington Post estão em um dilema: publicar ou não os Pentagon Papers, arquivos confidenciais que revelam mentiras do governo e podem colocar em risco a segurança nacional.

 

História retrata época em que as mulheres começavam a marcar presença nas redações jornalísticas 

 

Fazendo um breve contexto, os Pentagon Papers foram um estudo secreto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos sobre sua participação militar e política no Vietnã de 1945 a 1967. O relatório oficialmente chamado de “Estados Unidos – Relações com o Vietnã, 1945–1967: Uma Investigação Preparada pelo Departamento de Defesa” detalhou como o governo dos EUA escalou deliberadamente o conflito no Vietnã, frequentemente enganando o Congresso e o público americano sobre a verdadeira extensão e natureza da guerra.

Em um contexto atual, a influência das reportagens é importante para a ética jornalística, especialmente quando se trata de dados confidenciais. O filme questiona até que ponto os jornalistas devem ir para contar a verdade. Os jornalistas precisam decidir se a busca pela verdade e o direito do público de saber prevalecem sobre o risco de causar danos ao governo ou à sociedade. No filme, a decisão de publicar os Pentagon Papers é um ato de coragem, mas também uma decisão com sérias consequências.

Outro ponto que se destaca no filme é a questão do conflito de interesses, já que a proprietária do Post, Katharine Graham, está enfrentando um dilema pessoal enquanto o jornal estava passando inicialmente por uma oferta pública de ações. O jornal pode estar em perigo financeiramente neste momento em que os investimentos estão em questão. A influência da economia no jornalismo é um assunto importante tratado pela história.

O filme retrata a imprensa como um importante guardião que monitora e denuncia os abusos de poder do governo. Os Pentagon Papers são apresentados como uma ferramenta para aumentar a democracia e a transparência, enfatizando a importância da imprensa livre para manter o público informado e garantir que o governo seja responsável por suas ações.

E, por fim, a liderança feminina, que é tão debatida atualmente, é mostrada no filme de forma bem clara. Katharine Graham era uma das poucas mulheres da época que ocupavam cargos de liderança na imprensa. Como resultado, ela foi subestimada e pressionada em um ambiente dominado por homens. O filme destaca que a valentia e a autoridade são essenciais para a liderança jornalística.

Essas questões demonstram a complexidade do papel da imprensa em uma sociedade democrática e como as decisões feitas pelos meios de comunicação podem impactar os cenários políticos e sociais.

 

 

Ficha Técnica

Gênero: Drama

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Josh Singer, Liz Hannah

Elenco: Alison Brie, Austyn Johnson, Bob Odenkirk, Bradley Whitford, Brent Langdon, Bruce Greenwood, Bryan Burton, Carrie Coon, Christopher Innvar, Coral Peña, David Cross, Deborah Green, Deirdre Lovejoy, Gary Wilmes, Jennifer Dundas, Jesse Plemons, Jessie Mueller, John Rue, Justin Swain, Kelly Miller, Luke Slattery, Matthew Rhys, Meryl Streep, Michael Cyril Creighton, Michael Devine, Michael Stuhlbarg, Pat Healy, Philip Casnoff, Rick Holmes, Robert McKay, Sarah Paulson, Sasha Spielberg, Stark Sands, Tom Hanks, Tracy Letts, Will Denton, Zach Woods

Produção: Amy Pascal, Kristie Macosko Krieger, Steven Spielberg

Duração: 116 min.

Ano: 2017

País: Estados Unidos

Classificação: 12 anos

Onde assistir: Netflix e YouTube

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Curta rio-grandino “Cassino” é premiado no 52º Festival de Cinema de Gramado

O filme realizado no Balneário Cassino participou da Mostra Gaúcha de Curtas e recebeu o destaque de Melhor Direção de Fotografia      

Por Fernanda Farinha       

 

História com direção e roteiro de Gianluca Cozza acontece no período de inverno na praia          Foto: Divulgação

 

O curta-metragem “Cassino” conta a história de Daniel, Tando e Soninho, três ladrões que circulam durante a noite pelas ruas do Balneário Cassino, observando as casas e tentando invadi-las, a fim de roubar alguma coisa. Segundo o diretor e roteirista do filme, Gianluca Cozza, a ideia desse projeto surgiu a partir de uma imagem fantasiosa de uma pessoa andando em cima dos telhados das residências do Cassino à noite. O filme fez sua estreia no 52º Festival de Cinema de Gramado e ganhou, no dia 11 de agosto, o Prêmio Assembleia Legislativa, na categoria “Melhor Direção de Fotografia”, na Mostra Gaúcha de Curtas.

“Era uma vontade minha fazer um filme que se passasse inteiramente no bairro onde eu cresci, o bairro Querência, que fica no Balneário Cassino. E eu queria muito arranjar uma desculpa para gravar a paisagem desse bairro, que eu gosto bastante. É um lugar particular”, diz Gianluca Cozza.

O diretor destaca também a importância da praia na sua vida, “Eu me criei no Cassino, então todas as memórias de infância e adolescência que eu me lembro se passam lá. Acho que isso me traz uma memória afetiva muito grande”, recorda. “Eu morava nessa casa que ficava a poucos metros da praia, então, passava muito tempo lá. Acho que a gente que mora em Rio Grande tem uma ligação com a praia o Cassino muito forte, principalmente no verão”, ressalta.

A intenção de Cozza, no entanto, era trazer um outro ponto de vista sobre a praia, quando o frio chega e as casas utilizadas apenas para o veraneio ficam vazias, deixando o bairro com uma aparência “fantasmagórica”. O período de férias escolares no verão é o mais movimentado do Balneário, mas o filme se passa no inverno.

Gianluca é natural da cidade de Rio Grande e formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atualmente mora em Porto Alegre e abriu uma produtora chamada Saturno Filmes, tendo dois de seus colegas de faculdade como sócios.

Os projetos da produtora são desenvolvidos para serem gravados no interior do Rio Grande do Sul, investindo na produção de filmes na região Sul do Estado, que carece de financiamento público e estrutura, “A gente não consegue viver de cinema no interior gaúcho. Por isso, viemos para Porto Alegre, justamente, para conseguir trabalhar com cinema, e, de certa forma, fazer os nossos filmes nessas regiões, [fora da capital gaúcha,] trabalhando com pessoas das localidades envolvidas e movimentando o mercado do interior,” conta o cineasta.

Importância das instituições públicas

Gianluca evidencia a importância das universidades e institutos federais na luta por recursos, em especial, a iniciativa do IFRS Campus Rio Grande com o Núcleo de Produção Audiovisual OFCINE (NPA), que foi parceiro na realização no curta-metragem “Cassino”, ajudando com toda a parte de estrutura de equipamentos utilizados.

“Quando eu era estudante do ensino médio, eu entrei nesse projeto de extensão com a professora Raquel Ferreira, que se chamava OFCINE, e depois que criei a produtora e vim para Porto Alegre, teve essa iniciativa da criação de um Núcleo de Produção Audiovisual,” relata.

A professora do IFRS e coordenadora do projeto, Raquel Ferreira, explica que o Núcleo surgiu através de uma atividade de extensão criada em 2016, mas apenas em 2020 foi possível implementar o NPA, por meio da Política Pública dos Núcleos de Produção Digital (NPDs), para atender a região do Extremo Sul do Estado. “Acreditamos que uma nova juventude vem surgindo cheia de ideias e com bastante criatividade. Dentro do Instituto Federal, imaginamos o cinema como uma possibilidade a mais dentre o que o campus tem oferecido em cursos técnicos. Isso também dialoga com a importância do Núcleo para a região Sul. O nosso objetivo vem sendo fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual na região nesses últimos anos,” frisa Raquel.

 

Equipe do curta “Cassino” na apresentação do filme no Palácio dos Festivais   Foto: Ticiane da Silva/Agência Pressphoto

 

Na cerimônia de encerramento da Mostra Gaúcha de Curtas, a diretora fotográfica Eloisa Soares recebeu o prêmio que destacou a elaboração visual da produção. Gianluca Cozza enfatiza a honra da participação no Festival. “Foi uma notícia muito boa, a gente gosta bastante do festival. Achamos que é uma ótima oportunidade de exibir o filme para um público que é mais engajado com o cinema nacional e, principalmente, com o cinema gaúcho, então a gente ficou muito feliz de ter essa oportunidade, exibir o filme no Palácio dos Festivais”.

A premiação comprova que o investimento no cinema do Rio Grande do Sul, em especial na região Sul do Estado, tem resultados positivos e pode colocar cada vez mais os gaúchos no cenário do cinema nacional e até internacional.

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