Em meio à pandemia: Coletivo AMU e Mano Rick apostam na reinvenção

Por Nathianni Gomes da Cruz

Desafios do ano 2020 levam a descobertas e inovação na área musical

Como você imaginou o ano de 2020 no dia 1º de janeiro? Certamente, para músicos, poderíamos esperar a resposta de um ano de lançamentos e shows em vários cantos do País. Infelizmente, com a pandemia que assolou o mundo, a área cultural foi uma das mais afetadas, exigindo dinâmica para elaboração de novas ideias.

Foi o caso do artista pelotense de Rap, Mano Rick, e do Coletivo Apoie o Movimento Underground (AMU). Artista e Coletivo se encontraram em entrevista no programa da RádioCom Pelotas 104.5 FM no dia 16 de outubro, para debater aspectos da carreira do rapper, lançamentos de singles e iniciativas para manter a produção musical, apesar da falta de shows e espaços públicos para realizá-los durante o isolamento social.

Nathianni Gomes, Maicon Rodrigues e Lucas Lima na entrevista com Mano Rick no programa do Coletivo AMU

Coletivo AMU
Criado em Pelotas, o Coletivo AMU está na ativa desde 2017, apoiando artistas, músicos, escritores e promovendo o acesso à cultura e da ocupação de espaços culturais. A ideia de criação do coletivo surgiu através da reunião de músicos como Douglas Jardim, integrante da banda Suburban Stereotype, Pedro Soler, vocalista da banda Marina’s Found, e teve a ajuda de outros nomes conhecidos da cena pelotense, como Maicon Rodrigues, Lucas Consentins, Vinicius Lemes, Mateus Daldon, Arthur Gros, Jocemar Daniel, entre outros apoiadores importantes.

De acordo com Maicon (30), professor de Geografia e guitarrista da banda Inimigo Eu, o coletivo AMU tem o objetivo de utilizar espaços para promover debates, abrir palcos para apresentações e debater as questões políticas que permeiam movimentos sociais, organizados ou não: “Pela conscientização de classe, pelo empoderamento das minorias!”.

Antes da pandemia, o AMU vinha com uma proposta de promover eventos musicais, muitas vezes, trazendo para Pelotas artistas de todo o Brasil para tocar na cidade. Além de contar com um programa semanal na RádioCom, difundindo a cultura underground e realizando entrevistas com artistas da cena local.

“A gente tá sempre tentando valorizar a cena independente, seja ela do rock, que é a que a gente faz parte, seja do rap também”, explica Maicon Rodrigues, um dos participantes do Coletivo.

No contexto atual, o Coletivo buscou inovar na apresentação do propósito do AMU, de apoio às bandas e artistas, pois utilizar o espaço da RádioCom se tornou ainda mais essencial. Sem os movimentos das ruas, o programa AMU investiu em entrevistas online, não só com artistas locais, mas, também, com artistas de todo o País. Maicon conta sobre o novo modelo de entrevistas do programa, já que foi preciso o afastamento da rádio e do contato ao vivo, com o isolamento social: “Estamos testando esse novo formato de entrevistas gravadas, por causa da pandemia. E estamos disponibilizando também em podcast para a galera”.

O programa do Coletivo AMU, continuando com a missão de difundir cultura e apoiar o movimento underground, está no ar na RádioCom Pelotas, 104.5 FM, todas as sextas-feiras, às 20h, e conta com entrevistas como a do Mano Rick, falando sobre música, pandemia, experimentos musicais, notícias semanais e indicações de bandas.

Mano Rick
Um dos convidados recentes do programa de rádio é uma das grandes influências no Rap pelotense. O músico Luís Henrique “Mano Rick” Barcelos Duarte tornou-se conhecido por grandes trabalhos nacionais e internacionais.

Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), morador do bairro Dunas, Mano Rick lançou seu primeiro EP em 2013, o “Fatos e Fatos”; e em 2017, apresentou seu primeiro álbum, o “Do Dunas Pro Mundo”, que alavancou a carreira a outros patamares. 

Mano Rick na época do lançamento de Flash Your Face

Desde então, o rapper fez parcerias com diversos artistas, como os músicos pelotenses Lucas Consentins e Gabriel Soares, e com artistas como Stime, da Angola, e com Marley do Beat, na música “Além do Tecido”, lançada no ano passado.

Com planos de lançamento de um novo álbum, Mano Rick se reinventou na cena musical: “A gente resolveu não lançar um álbum, achamos que não seria propício. Então decidimos lançar as faixas do álbum em formato de singles”. Os lançamentos estão previstos até dezembro. 

O rapper, que tem sua trajetória marcada por influências de rap dos anos 1990 e de rap de protesto, em 2020 decidiu trazer várias vertentes diferentes para as novas produções: “São experimentos. Tem música de amor, tem música com uma pegada mais ‘charme’ […] Tudo vai se transformando. As referências estão aí”.

KL Jay, do Racionais MC’s, fez parte do primeiro lançamento deste ano, em 1º de agosto. O interlúdio, que antecipa o single “Música pela Arte”, foi uma parceria mantida desde 2016, depois de uma entrevista realizada em Pelotas, que se consolidou no ano passado, em São Paulo. 

A letra foi escrita para a composição do álbum de estreia do artista, em 2017, mas ainda não estava completa. Foi finalizada em 2019, e a gravação foi feita em fevereiro deste ano. “Ela era para ser desse álbum, eu a guardei, fechei e lancei esse ano. Ela encerrou o processo ‘Do Dunas Pro Mundo’”, explica o rapper.

“O Rap trouxe muito autoestima para os pretos do mundo inteiro”. Ouça no álbum KL Jay na
Batida – Vol III Disco 1. 

Chuva dá início a novos lançamentos
“O estúdio é um laboratório, onde fazemos experimentos […] E ‘Chuva’ é mais um desses experimentos”, conta Mano Rick, sobre essa nova perspectiva musical que será lançada a partir do single, compondo uma dinâmica de diferentes estilos musicais com um mesmo propósito: experimentar, lançar clipes, e estudar a música através de contextos diferentes. “Eu não consigo me prender às caixinhas. Eu quero fazer música”, conta. 

A discografia está disponível nas plataformas YouTube, Spotify, Apple Music, Deezer e iTunes

“Chuva” tem a temática de ciclos. A ficha técnica conta com nomes como Luciano Matuck, Gabriel Soares e Lucas Consentins. “Sonhar/correr/pode ser difícil/ eu sei […] E mesmo quando a chuva vem/pode ser bom.” Vale conferir no Youtube a criação recente de Mano Rick, com poesia e ritmo para enfrentar esses tempos. 

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