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Livro sobre procedimentos litográficos é lançado na UFPel

A artista visual, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Helena Kanaan, lançou em Pelotas o livro “Impressões, acúmulos e rasgos: procedimentos litográficos e alguns desvios” (Editora da UFRGS, 2016). A autora foi, por muitos anos, docente do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

A obra contempla técnica, poética e referenciais, propiciando ao leitor contato com elementos do processo criativo da artista. Helena Kanaan nesta semana retorna a Pelotas para apresentar seu livro e conversar com colegas, alunos, ex-alunos, amigos e comunidade em geral.

“Impressões, acúmulos e rasgos: procedimentos litográficos e alguns desvios” é resultante da pesquisa em poéticas visuais desenvolvida pela artista, uma escrita que abarca poiética, reflexões acadêmicas e técnica litográfica. O livro caracteriza-se como relevante bibliografia em litografia e no pensar a gravura.

O livro foi produzido durante o doutorado de Helena Kanaan no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS e Faculdade de Belas Artes da Universidade Politécnica de Valência (UPV). No desenvolvimento do livro, a autora conta que se propõe ao desafio técnico, mas não a uma rigidez; expõe suas percepções, por vezes comparando o que vivenciou em seu ateliê de litografia na cidade subtropical de Porto Alegre e o que experimentou nos áridos ateliês da UPV na Espanha. Trata-se de trabalho poético reflexivo, que versa sobre o silêncio das reações químicas e físicas das matérias (como o látex, lápis gordurosos, tinta de impressão ou tousche), e das percepções do eu, dos espaços e dos corpos – da artista e dos objetos.

Ao longo da obra, Helena Kanaan compartilha com o leitor as sensações e as impressões que dão ritmo à práxis artística, no quanto o ambiente interfere no artista e no resultado da obra. Com referência na “Fenomenologia da Percepção”, do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, na noção do homem como agente transformador (que sente, pensa e age) e também como um ser que é transformado pelo universo em que vive, a artista escolheu, para a criação e manipulação das litografias, o papel de Kozo (composto de fibras longas e finas) no desafio de reproduzir a delicadeza da pele. Isso para, ao longo da prática, contrastar com o uso do látex, o que é aparência e o que é interior, o que é pele e o que é carne, sugerindo o embate do nosso corpo com o corpo mundo.

Helena Kanaan define-se para essa experimentação como uma artista litográfica que pensou cuidadosamente nos materiais para produzir visualmente um processo. “Não procuro o idêntico, singularizo cada folha impressa, penso que cada exemplar é um outro corpo”, comenta sobre seu fazer.

O livro é dirigido para artistas, pesquisadores, profissionais e estudantes de Artes Visuais e Design, mas também para aqueles que querem acompanhar o movimento de um ato criativo. Traz referências nacionais e internacionais de obras, artigos, revistas, periódicos, catálogos, manuais históricos e manuais práticos da gravura.

Sobre a autora
Helena Kanaan é artista visual, especialista em gravura pela Scuola d’Arte Grafica Il Bisonte, Florença, Itália; mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde é professora e pesquisadora pelo CNPq. Doutora em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS, e Universidade Politécnica de Valência, Espanha. Foi professora do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas de 1991 a 2013.

 

Publicado em 13/04/2017, em Artes Visuais.