Crítica: O provável futuro de The Handmaid’s Tale

Carolina Ávila

 

A atriz Elisabeth Moss foi homenageada com o Grammy 2017 de melhor atriz         Foto/Divulgação

 

     A série The Handmaid’s Tale é ambientada em um tempo não especificado, mas é em um futuro possivelmente próximo. Baseada em um romance de Margaret Atwood, “O Conto da Aia”, escrito em 1985 – e mesmo assim, atual – mostra que dependendo de quem detém o poder, qualquer coisa pode acontecer.

The Handmaid’s Tale é uma série do serviço de streaming Hulu, mas também está disponível no iTunes e a estreia no Brasil será no início do ano de 2018 pela Paramount Channel. A trama foi a grande vencedora do Emmy 2017– a maior premiação de programa de televisão do horário nobre dos EUA – e além de levar o prêmio de melhor série, também conquistou o troféu de direção e o de roteiro. Ainda levaram a estatueta Elisabeth Moss (protagonista), como melhor atriz, e Ann Dowd, como melhor atriz coadjuvante. Assim, o Hulu se tornou o primeiro serviço de streaming de vídeos a ganhar um Emmy de melhor série.

O que é The Handmaid’s Tale

A série acontece num lugar chamado Gilead, onde um dia existiu os Estados Unidos. No “passado” um fenômeno surgiu: a taxa da natalidade caiu consideravelmente e poucas crianças conseguiam sobreviver após o nascimento. Baseada em uma nova religião fundamentalista cristã, as pessoas passaram a viver em uma teocracia totalitária. A sociedade foi dividida em castas e as mulheres em quatro grupos: “Esposas”, as mulheres dos comandantes; “Martas” as mulheres que não possuem maridos e agora trabalham nas casas dos comandantes; “Tias” que ensinam e comandam as Aias; e, finalmente, as “Aias”, mulheres que não possuem maridos e ficam sem nenhum direito, mas têm uma vantagem: só elas são férteis.

A trama se passa aos olhos da aia Offred (Elisabeth Moss) que antes da mudança se chamava June e trabalhava em uma editora. Era casada, tinha uma filha, só que era a segunda esposa e, na teocracia, só era admitido casar uma vez. Offred encontra forças na motivação para encontrar sua filha, o que a ajuda a passar por situações absurdas nesse novo mundo. Situações estas, como ser serva da família de um comandante, onde é obrigada a servir a patroa e a fazer a “cerimônia”, na qual é obrigada a ter relações sexuais com o “homem da casa”, ou seja, um estupro mascarado de “objetivos religiosos”.

Entre momentos de aflição, angústia e mistério, a atriz Elisabeth Moss faz com que os sentimentos sejam percebidos através do seu olhar, mostrando o medo de se ver privada, de uma hora para outra, dos direitos fundamentais que consideramos adquiridos. Ser separada da família, ser usada como um “gado” somente para reprodução, não poder questionar, ler, pensar. O seu olhar grita por socorro, mas também transmite determinação, inteligência, coragem, vontade de mudar – mesmo que com cautela. Outras histórias também são mostradas e, até um certo ponto, uma corrente de esperança é sentida.

Questões femininas, de poder e política perpassam a trama fictícia                 Foto/Divulgação

Embora seja uma história de horror, é feminista, política e reivindicativa, pois não se compreende como se chegou naquela situação e muito menos como sair. A série é uma ótima reflexão do que o poder e o extremismo podem fazer, no qual um discurso bem elaborado e fundamentado pode ser usado como forma de manipulação das massas. Todos devem, não só assistir a essa incrível trama, como também refletir e pensar no agora e que o futuro próximo da série pode vir a se tornar o nosso.

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