Exposição excessiva a telas afeta sono, cognição e saúde mental
Especialista explica efeitos do consumo intenso de conteúdos digitais no comportamento e na rotina
Bárbara Carvalho / Em Pauta
O uso prolongado de telas tem sido associado a alterações no funcionamento do cérebro e na rotina diária das pessoas. Pesquisas recentes indicam prejuízos ao sono, à atenção, à memória e ao bem-estar mental, especialmente quando o uso é excessivo.

Entre telas e fragmentos de rostos, a imagem simboliza a sobrecarga informacional e os efeitos da exposição excessiva a telas. Imagem:: Banco de imagens/ Em Pauta
Segundo Tiago Neuenfeld Munhoz, psicólogo, doutor em epidemiologia e coordenador do Núcleo de Saúde Mental, Cognição e Comportamento (NEPSI) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a piora do sono é um dos efeitos mais evidentes do uso intenso de telas. “Quando o sono é prejudicado pelo uso de telas, há impacto direto na memória, na atenção e no humor”, afirma Munhoz, citando estudos que relacionam a exposição digital ao descanso insuficiente.
O uso excessivo também ativa repetidamente os circuitos de recompensa do cérebro, responsáveis pela sensação de prazer e motivação. Isso ocorre especialmente com estímulos rápidos, como vídeos curtos, notificações e recompensas sociais. Para Munhoz, “esse tipo de estímulo faz com que o cérebro responda de forma mais intensa ao prazer imediato, aumentando a dificuldade de interromper o uso”. Estudos científicos indicam que essa resposta leva ao hábito de checar o celular repetidamente.
O acesso precoce às telas pode gerar impactos em diferentes fases da vida. Em crianças pequenas, maior tempo de exposição tende a se associar a prejuízos no desenvolvimento da linguagem, particularmente quando não há mediação de um adulto. Em adolescentes, uso prolongado pode se relacionar à piora do sono e a um maior risco de sintomas depressivos no futuro.
Na rotina, a dependência de telas pode resultar em mais procrastinação, checagens automáticas do celular, cansaço e queda no desempenho diário. Estratégias apontadas por especialistas para reduzir o uso excessivo incluem desligar notificações, estabelecer horários de uso, evitar telas antes de dormir e substituir parte do tempo digital por outras atividades. Em situações de prejuízo real no trabalho, nos estudos ou nas relações pessoais, a terapia cognitivo-comportamental tem sido indicada como uma forma de ajudar a mudar hábitos e pensamentos.

