Uma casa perfeita esconde relações de poder, manipulação e um terror silencioso
Por João Lucas Rodrigues da Silva

Sydney Sweeney e Amanda Seyfried contracenam em história marcada pelo suspense Fotos: Divulgação
O filme “A Empregada” (2025) é um suspense psicológico com direção de Paul Feig e protagonizado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Traz uma adaptação do aclamado livro de Freida McFadden e se junta a outras obras que abordam as complexas relações entre diferentes classes sociais, a dinâmica do poder e a violência psicológica. A trama segue Millie Calloway (Sydney Sweeney), uma jovem que acabou de sair da cadeia e vê uma oportunidade para dar a volta por cima no trabalho de empregada na luxuosa casa de Nina (Amanda Seyfried) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar). Contudo, o que parecia ser um recomeço se transforma rapidamente em um lugar opressor, cheio de jogos mentais, abusos e mistérios que destroem qualquer resquício de sanidade.
O filme tece sua história com base na disparidade fundamental entre chefe e funcionária, usando a mansão como símbolo de um local onde as posições de poder financeiro se manifestam como controle sobre os sentimentos. Nina, vividamente retratada por Amanda Seyfried, personifica uma pessoa volátil e imprevisível, exibindo tanto carisma quanto brutalidade, o que a destaca como um dos maiores trunfos do projeto.

Andrew Winchester (Brandon Sklenar), nesta cena com Nina (Amanda Seyfried), provoca suspeitas ao longo filme
A atuação de Amanda dá vida à personagem e impulsiona a maior parte do suspense. A polêmica Sydney Sweeney, no papel de Millie, oferece uma atuação competente, embora em alguns momentos restrita por um texto que não explora bem o seu lado emocional, o que diminui consideravelmente a profundidade da personagem principal. Quem também chama a atenção é o sedutor Andrew Winchester, interpretado por Brandon Sklenar, que à primeira vista parece um homem cavalheiro, romântico e compreensível, mas que gera suspeitas por seu jeito “bom demais para ser verdade”.
Quanto à narrativa, “A Empregada” opta por surpresas e momentos tensos para prender a atenção do público, sendo eficaz como um suspense divertido, embora nem sempre como um thriller psicológico profundo. Por diversas vezes, o enredo usa saídas simplistas ou coincidências muito improváveis, o que prejudica a coerência da trama e pode afetar a experiência do espectador. Porém, nos seus melhores momentos, o filme estabelece um clima opressivo bem impactante, permitindo que o espectador vivencie a tensão da protagonista.
Apesar de não haver uma aprovação plena da crítica, a obra caiu nas graças do público. Não é à toa que teve uma bilheteria de mais de U$ 300 milhões, mesmo contando com um orçamento de apenas U$ 35 milhões. Mesmo que não seja um filme extremamente profundo, aborda questões sociais muito importantes e que merecem serem debatidas, ainda mais no Brasil atual, com taxas altíssimas de feminicídio.
De maneira geral, “A Empregada” consegue entreter o espectador, muito por conta da atuação de Amanda Seyfried e do clima de tensão que se cria durante a história. Apesar disso, as falhas no desenvolvimento do roteiro e a ausência de uma análise emocional mais profunda fazem com que não deixe uma marca tão forte. É um suspense que funciona bem para divertir, mas longe de ser um filme digno de premiações.
Ficha técnica:
Título: “A Empregada” (“The Housemaid”, 2025)
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine e Freida McFadden
Produção: Paul Feig e Laura Fischer
Elenco Principal: Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Sydney Sweeney, Michele Morrone e Indiana Elle
Fotografia: John Schwartzman
Lançamento: 19 de dezembro de 2025
Duração: 131 minutos
Gênero: Thriller, Suspense, Terror Psicológico
Idioma: Inglês
Distribuição: Paris Films
COMENTÁRIOS