História de cultura e resistência no Carnaval de Pelotas

Termina nesta terça-feira mais uma edição do evento que evidencia cada vez mais as contradições brasileiras     

Por Líliti Goulart       

 

Alegria toma conta das ruas neste feriado  de ano a ano    Foto: Volmer Perez / Secom / Prefeitura de Pelotas

 

O Carnaval de Pelotas 2026  começou na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, com o Encontro dos Tambores, seguido pelo concurso das entidades carnavalescas, desfiles de blocos e termina nesta terça-feira. Mais uma vez, convida a revisitar as suas origens na cidade de Pelotas. Conhecido por sua rica história e cultura, o município guarda em suas festividades carnavalescas um legado que remonta a séculos, entrelaçando tradições europeias e a vibrante cultura afro-brasileira. Suas raízes e evolução ressoam atualmente em uma das mais emblemáticas celebrações do sul do Brasil.

O Carnaval de Pelotas possui uma história rica e multifacetada. A cidade, que prosperou no século XIX devido ao ciclo do charque, viu sua elite promover festividades carnavalescas inspiradas nos luxuosos carnavais europeus de Veneza, Nice e Paris. Estes eventos, caracterizados por desfiles de carros alegóricos e batalhas de confetes na Rua XV de Novembro, eram o epicentro do que ficou conhecido como o Grande Carnaval.

Contudo, a celebração pelotense sempre foi marcada por uma dualidade social. Enquanto a elite desfilava em seus clubes exclusivos, como o Brilhante e o Pelotense, as camadas populares, especialmente a comunidade negra, criavam suas próprias formas de expressão e resistência. Os clubes carnavalescos negros, como o histórico Chove Não Molha, fundado em 1901, e o Depois da Chuva, desempenharam um papel crucial na afirmação da identidade e na construção de espaços de sociabilidade em uma sociedade muitas vezes excludente.

 

Escolas de samba tem como inspiração os tempos áureos do Carnaval pelotense        Foto: Prefeitura de Pelotas

 

A influência da cultura afro-brasileira é inegável no Carnaval de Pelotas, especialmente através das escolas de samba. A Academia do Samba, fundada em 3 de fevereiro de 1949, destaca-se como uma das mais antigas do Rio Grande do Sul. Outra potência do Carnaval pelotense é a Escola de Samba General Telles, fundada em 1950. Ostentando mais de 20 títulos do carnaval local, ocupa o lugar de uma das mais tradicionais e vitoriosas do interior gaúcho, .

Carnaval atualmente

O Carnaval de Pelotas viveu seu auge entre as décadas de 1960 e 1980, sendo considerado o terceiro maior Carnaval do Brasil. No entanto, ao longo dos anos, enfrentou desafios como as crises financeiras e as mudanças de local de realização, migrando da tradicional Rua XV para a Passarela do Samba. Em 2026, a cidade voltou a celebrar o Carnaval na data oficial, um movimento que reflete o esforço contínuo para resgatar e valorizar as tradições de rua e a participação dos blocos burlescos.

Atualmente, o Carnaval de Pelotas ressoa como um elo vibrante entre o passado aristocrático e a resistência cultural da comunidade negra. É uma festa que, através do ritmo, da dança e da alegria, mantém viva a memória das charqueadas e a rica tapeçaria social que moldou a identidade da cidade. A folia pelotense continua a ser um espaço de celebração, memória e reafirmação cultural, adaptando-se aos novos tempos sem perder suas raízes profundas.

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