“Stranger Things” divide os fãs, mas mantém o legado como carro-chefe de plataforma de streaming

Série que ajudou a mudar a Netflix de patamar encerrou-se no final de 2025   

Por Henri Porto Dias   

 

Momento de uma das reuniões da equipe para leitura do roteiro para a quinta temporada       Fotos: Divulgação

 

Após quase 10 anos desde o lançamento da primeira temporada, e três anos após a exibição da quarta, a quinta temporada de “Stranger Things”, produção criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, foi lançada em três partes no final do ano pela Netflix, com o derradeiro episódio adicionado à plataforma no último dia de 2025.

O final esperado pelos fãs assíduos que viveram as aventuras de Hawkins junto com as (não mais) crianças, prometia um épico confronto final e despedidas trágicas dos personagens amados, porém o que foi entregue pelos Duffers destoou muito disso. Causou discórdia e fúria dos apaixonados pelo universo do Mundo Invertido.

Apesar da “decepção”, é inegável a importância da produção para toda uma geração, e para a própria plataforma que a desenvolveu, com “Stranger Things”. Marcou a história da Netflix para sempre, e o seu final gerou uma nova era para a empresa.

Quinta Temporada

Os irmãos Duffer entregaram algumas gratas surpresas para a já apelidada “última aventura” da série após Vecna (Jamie Campbell-Bower) abrir diversos portais por Hawkins e a quarta temporada ser concluída com Max (Sadie Sink) em coma, com o resto dos heróis unidos novamente para uma batalha final.

As duas jornadas de Will (Noah Schnapp), tanto pessoal para conseguir aceitar e revelar a sua sexualidade para os amigos, com grande contribuição de Robin (Maya Hawke), além da descoberta de seus poderes “emprestados” de Vecna/Henry Creel, foram o ponto alto da temporada. Nas jornadas anteriores, o personagem foi destinado apenas a sofrer e ficar escanteado pela narrativa, ganhando merecido destaque na conclusão.

 

Grupo planeja uma nova estratégia em uma das cenas da última temporada

 

Foram ótimas para oxigenar a história, situada nos anos 1980, a adição de novos personagens como Holly Wheeler (Nell Fisher), que já era recorrente, porém apenas como figurante nas quatro temporadas anteriores. Agora, está como peça-chave do enredo. E, num hilário alívio cômico, aparece Derek (Jake Connelly).

De pontos negativos, o retorno de Kali/Oito (Linnea Berthelsen) que, assim como na sua aparição original na segunda temporada, serviu apenas para irritar o público com sua melancolia e fraca função na história. No núcleo dos militares, em especial a adição da Dra. Kay (Linda Hamilton), foi extremamente genérica e um desperdício da figura da atriz, tão marcante em produções dos anos 1980, como “O Exterminador do Futuro”, nem de longe ameaçadora e instigante como o Dr. Brenner (Matthew Modine). Por fim, a luta final contra Vecna foi curta e, de certa forma, “fácil”, apesar da ameaça e da união do vilão com o Devorador de Mentes, visto na segunda e terceira temporadas.

Apesar das fortes críticas do público e de parte da crítica especializada, a última temporada de “Stranger Things” fecha de forma satisfatória com uma última cena emocionante e que encerra o ciclo do primeiro episódio. Com o passar do tempo e com o fim das expectativas, deve ser lembrada com mais carinho e sem o aditivo da espera de três longos anos para o desfecho. Houve uma “correria” e desorganização para concluir os roteiros da série dos Duffers, ocasionando em uma falta de polimento nos conjuntos de acontecimentos, quando se lembra de que é uma jornada de jovens amadurecendo em um mundo bizarro e não um épico de ficção científica.

 

Elenco no lançamento da quinta temporada da série “Stranger Things”

 

Hawkins ganha o mundo

Os irmãos Duffers decidiram pôr em prática o seu projeto, inspirados nos filmes de terror dos anos 1980, que eles cresceram assistindo, além das obras de Stephen King. Inicialmente a história iria se passar em Montauk, trocando depois para a fictícia cidade de Hawkins, Indiana. Eles não imaginavam que essa ideia, iniciada com quatro crianças jogando “Dungeons and Dragons” no porão, iria virar uma franquia de sucesso absoluto e que preencheria uma importante lacuna de uma geração.

Os jovens adultos, que nasceram no início dos anos 2000, não tinham uma saga que moldasse a sua infância. Quando eles viam seus irmãos mais velhos, tios nascidos no meio ou final dos anos 1990, comentando sobre como era esperar ansiosamente para um novo filme de Harry Potter, eles sentiam falta de um “Harry Potter” para chamar de seu. E vindo despretensiosamente, de uma Netflix ganhando força, “Stranger Things” se tornou a série de uma geração e que cresceu junto com ela.

A partir da primeira temporada, a série foi crescendo cada vez mais de popularidade, a comoção ficou maior. Com o maior boom vindo em sua quarta temporada, foi notável principalmente na quinta e última temporada o tamanho da franquia que a série de aventura virou. Ao entrar no mercado, diversos produtos foram licenciados. Ao ligar a televisão, anúncios temáticos de marcas gigantes como Fiat e McDonalds lembravam da série.

Os seus atores explodiram em popularidade. Millie Bobby Brown tem sua produtora própria, um enorme número de seguidores e entrou para a franquia de Sherlock Holmes com seu spin-off próprio. A atriz Sadie Sink já protagonizou diversos projetos, incluindo “A Baleia”, que premiou Brendan Fraser com o Oscar de Melhor Ator. Agora, já foi confirmada para o elenco do novo “Homem Aranha”.

Joseph Quinn, que participou apenas de uma temporada, foi catapultado para o estrelato, entrando para as franquias da Marvel e de “Gladiador”, já confirmado como um dos Beatles nos futuros filmes da banda. Winona Ryder e David Harbour renovaram suas carreiras.

Joe Keery estourou com sua carreira musical, com o hit “End of Beggining”, popularizado pela série. No cenário musical, músicas dos anos 1980 voltaram ao cenário popular impulsionadas pela produção, como “Should I Stay or Should I Go” e “Runnin Up That Hill”.

Apesar de tudo, a maior beneficiada dessa história foi a própria Netflix, que teve o mérito de acreditar nos desconhecidos Duffers, e que colheu muito mais do que provavelmente esperava. Mas, agora, após 10 anos, não a melhor, mas a sua maior série original de repercussão chegou ao fim. E, mesmo que o serviço de streaming siga sugando o suco de popularidade da série com spinoffs por todo canto, nada mais será como antes.

A Netflix não é mais a mesma de 2016, com eventos ao vivo, dividindo a atenção do público junto às produções de seu catálogo. Agora, a gigante não tem mais o seu carro-chefe, que carregava gerações e que lhe rendeu muito dinheiro. Enquanto o cenário da empresa é de incerteza e de um novo horizonte no quesito artístico, para o público resta uma nostalgia cada vez maior, a gratidão por ter vivido essa história em seu auge e a certeza de que amigos não mentem.

Ficha Técnica

Título: Stranger Things

Anos de exibição: 2016-2025

Criada por: Matt e Ross Duffer

Temporadas: Cinco

Classificação: 16 anos

Gênero: Drama, Teen, Ficção Científica

País de origem: Estados Unidos da América

Produtores: Karl Gajdusek, Cindy Holland, Brian Wright, Matt Thunell, Shawn Levy, Dan Cohen, The Duffer Brothers, Iain Paterson, Curtis Gwinn

Elenco (5° Temporada): Winona Ryder (Joyce Byers), David Harbour (Jim Hopper), Millie Bobby Brown (Jane Hopper/Onze), Finn Wolfhard (Michael “Mike” Wheeler), Gaten Matarazzo (Dustin Henderson), Caleb McLaughlin (Lucas Sinclair), Noah Schnapp (William “Will” Byers), Sadie Sink (Maxine “Max” Mayfield), Natalia Dyer (Nancy Wheeler), Charlie Heaton (Jonathan Byers), Joe Keery (Steve Harrington), Maya Hawke (Robin Buckley), Brett Gelman (Murray Bauman), Priah Ferguson (Erica Sinclair), Jamie Campbell Bower (Henry Creel/Um/Vecna), Cara Buono (Karen Wheeler), Linda Hamilton (Dra. Kay), Nell Fisher (Holly Wheeler).

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