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Ingresso 2018/1

Laura Viana Vargas

  • Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Tonus Marinho
  • Projeto de Pesquisa: Contribuições ao conhecimento biogeográfico de Mesembrinellidae e estudo faunístico de Calliphoridae e Mesembrinellidae (Diptera: Oestroidea) no sul do Brasil
  • Resumo: Calliphoridae e Mesembrinellidae (Diptera: Oestroidea) são famílias de dípteros caliptrados. Os califorídeos têm distribuição mundial e importância para a entomologia forense e medicina veterinária, pois suas larvas possuem hábito saprófago ou ectoparasítico de mamíferos. Já os mesembrinelídeos distribuem-se exclusivamente na Região Neotropical, apresentando potencial para uso como bioindicadores, ocorrendo quase exclusivamente em áreas florestais. O conhecimento da fauna destas famílias no Rio Grande do Sul é ainda incipiente, assim como são poucos os estudos sobre os padrões biogeográficos para estes grupos na região Neotropical, em especial para Mesembrinellidae. Neste contexto, a primeira parte desde trabalho teve como objetivo realizar um estudo da fauna destas famílias em duas localidades do Rio Grande do Sul, uma no Horto Botânico Irmão Teodoro Luis, localizado no município de Capão do Leão, e outra na Floresta Nacional (FLONA) de São Francisco de Paula. Foram realizadas coletas utilizando quatro armadilhas Van Someren-Rydon iscadas com fígado bovino ou de galinha. No Horto Botânico, as coletas foram realizadas mensalmente, com exposição das armadilhas por sete dias, durante um ano (08/2018 a 08/2019). Na FLONA, a coleta realizada foi de caráter pontual, no período de 13/04 a 03/05/2019 (21 dias). No Horto Botânico, foram coletados 604 indivíduos, sendo a espécie mais abundante Lucia eximia (57,3%), seguida por Chrysomya albiceps (21,0%). Na FLONA, foram coletados 243 indivíduos, sendo a espécie mais abundante L. eximia (71,2%), seguida por Hemilucilia semidiaphana (18,5%). Indivíduos de Mesembrinellidae foram coletados apenas na FLONA. No Horto Botânico, observou-se a variação temporal no perfil das espécies, sendo que a maior riqueza foi encontrada no outono e primavera. A segunda parte do trabalho objetivou realizar uma análise biogeográfica para Mesembrinellidae. Para tanto, dados de ocorrência das 53 espécies viventes conhecidas da família foram compilados a partir da literatura e de material disponível no Laboratório de Genética e Evolução de Insetos (LEGIN), do IB/UFPel. Os dados de ocorrência foram utilizados na elaboração de mapas de distribuição e incorporados às análises biogeográficas conduzidas com o software BioGeoBEARS, utilizando os modelos DEC, DIVA-like e BAYAREA. Para as análises, foi utilizada uma árvore filogenética com estimativa de tempos de divergência extraída de uma análise ainda não publicada das relações filgenéticas em Oestroidea, conduzida com o software BEAST. Os resultados das análises mostram que Mesembrinellidae originou-se há ~38 milhões de anos atrás, sendo que a linhagem ancestral da família parece ter se estabelecido e diversificado inicialmente na porção noroeste da América do Sul, associada à Floresta Amazônica e à Cordilheira dos Andes. A colonização de áreas mais periféricas da região Neotropical, como a América Central e a Mata Atlântica, ocorreu mais recentemente, coincidindo, respectivamente, com os períodos de formação do Istmo do Panamá e da existência de interconexões históricas entre a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica.
  • Palavras-chave: Levantamento de fauna; Horto Botânico Irmão Teodoro Luis; FLONA São Francisco de Paula; Biogeografia; Região Neotropical; moscas varejeiras.
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Márcio Soares Ferreira

Sérgio da Costa Dias

  • Orientador: Prof. Dr. Flávio Roberto Mello Garcia
  • Co-orientadora: Drª. Andressa Lima de Brida
  • Projeto de Pesquisa: Potencial de nematoides entomopatogênicos no controle de Drosophila suzukii e compatibilidade com inseticidas
  • Resumo: Drosophila suzukii (Diptera: Drosophilidae) foi recentemente registrada no Brasil e constitui uma ameaça à fruticultura, principalmente para as pequenas frutas. No contexto de busca de medidas para o controle de D. suzukii, o objetivo do trabalho foi avaliar a patogenicidade e virulência de nematoides entomopatogênicos a pupas de D. suzukii, a viabilidade e infectividade de nematoides entomopatogênicos combinados com inseticidas em pupas de D. suzukii e o efeito da associação de inseticida e nematoides entomopatogênicos em pupas e na longevidade dos adultos. Foi avaliada a patogenicidade e virulência de Steinernema brazilense IBCBn 24, Steinernema carpocapsae IBCBn 02, Heterorhabditis bacteriophora HB e Heterorhabditis amazonensis IBCBn 24 nas concentrações de 0 (testemunha), 200, 400, 600, 800, 1000, 1800, 3600 e 5400 juvenis infectantes a pupas de D. suzukii. Em seguida foi avaliada a viabilidade e infectividade de nematoides entomopatogênicos com inseticidas químicos. Para tal, foram utilizados 10 tipos de inseticidas (abamectina, acetamiprida, thiamethoxam, malationa, fosmete, deltametrina, espinetoram, azadiractina, novalurom e lambda-cialotrina), formulados na concentração recomendada pelo fabricante. A viabilidade dos nematoides entomopatogênicos foi avaliada 48 horas após a exposição ao produto e, para tanto, pequenas alíquotas foram retiradas da suspensão, sendo observadas 100 juvenis infectantes de cada repetição em microscópio para determinar a mortalidade. Para verificar a infectividade, os nematoides entomopatogênicos foram lavados com água destilada e uma alíquota de 0,2 mL foi pipetada em 10 pupas de D. suzukii individualizadas em copos plásticos. A fim de avaliar o efeito de associação de isolados de nematoides entomopatogênicos e inseticidas no controle de D. suzukii, foram utilizados os nematoides H. bacteriophora HB e H. amazonensis IBCBn 24 associadas aos inseticidas espinetoram, malationa, azadiractina, fosmete e novalurom na dosagem 1/4 e, após seis dias foi feita a avaliação. Os nematoides do gênero Heterorhabditis foram mais eficientes causando mortalidade máxima de 80,0% para H. bacteriophora HB na concentração de 5400 juvenis infectantes/mL e 86,25% para H. amazonesis IBCBn 24 na concentração de 1800 juvenis/mL, também houve alta virulência. As menores concentrações letais de juvenis foram obtidas em pupas, com H. bacteriophora HB (CL50) com 771,63 juvenis infectantes/mL e H. amazonesis IBCBn 24 (CL50) com 1115,49 juvenis/mL. Apenas os inseticidas espinetoram, malationa, abamectina, azadiractina e lambda-cialotrina afetaram a viabilidade do isolado S. carpocapsae IBCBn 02. A redução da infecção após contato com inseticidas foi inferior a 30% para todos nematoides, sendo que lambda-cialotrina foi o inseticida que mais reduziu a infectividade diminuindo em 20%, 24% 10% e 20% para H. bacteriophora HB, H. amazonensis IBCBn 24, S. carpocapsae IBCBn 02 e S. brazilense IBCBn 24, respectivamente. Quando associado os dois métodos de controle observou-se uma ação sinérgica, exceto para o inseticida novalurom que afetou negativamente a ação de nematoides entomopatogênicos.
  • Palavras-chave: Controle Biológico; Patogenicidade; Virulência.
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