Fim da La Niña se aproxima e acende alerta para o outono de 2026 no Sul do Brasil
Transição no Pacífico sinaliza mudanças no comportamento do clima e coloca o outono de 2026 sob atenção no Sul do país
Após um verão marcado por calor persistente e chuvas irregulares, o Sul do Brasil entra no outono de 2026 sob um cenário de transição climática. Dados recentes indicam que o fenômeno La Niña está em fase final, enquanto o El Niño ainda não se instalou, mas já apresenta sinais de possível desenvolvimento ao longo do segundo semestre do ano. Esse contexto amplia a incerteza climática para os próximos meses, especialmente no Rio Grande do Sul.
Janeiro seco e quente no Rio Grande do Sul
De acordo com análise da consultora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), a meteorologista Jossana Ceolin Cera, o mês de janeiro de 2026 foi caracterizado por déficit hídrico generalizado no estado. Os acumulados de chuva variaram entre 40 e 160 milímetros, com diversas áreas registrando volumes inferiores a 40 milímetros, sobretudo no oeste, centro e sul do território gaúcho.
As anomalias de precipitação foram predominantemente negativas, com déficits entre 40 e 120 milímetros em grande parte do estado. Apenas o Litoral Norte apresentou valores próximos da média histórica. Esse padrão configurou um quadro de estiagem, mais grave na Fronteira Oeste e na Campanha, onde municípios como Uruguaiana e Bagé registraram chuva apenas nos primeiros dias do mês.
Além da escassez de precipitação, janeiro também foi marcado por temperaturas acima da média climatológica. As anomalias térmicas ficaram entre 1 °C e 3 °C acima do normal, com máximas frequentemente superiores a 35 °C em várias regiões. As noites mais quentes reduziram o alívio térmico, intensificando o estresse hídrico e térmico, especialmente nas áreas agrícolas.
O que esperar do outono de 2026 no Sul
O outono de 2026 no Sul do Brasil deve ser marcado por um período de transição, com alternância entre dias secos, chuvas irregulares e a chegada gradual de massas de ar mais frio. Para os meses de março, abril e maio, a expectativa é de que a chuva não se distribua de forma uniforme, mantendo um cenário de atenção, principalmente no Rio Grande do Sul.
As projeções indicam que grande parte do estado pode registrar volumes de chuva abaixo da média, especialmente no Noroeste. Já regiões como a Zona Sul e o Leste tendem a apresentar precipitações mais próximas do normal. Abril aparece como o mês com maior risco de déficit hídrico, enquanto maio pode trazer uma melhor distribuição das chuvas, ainda que de forma irregular.
Mesmo com a redução gradual do calor intenso do verão, o outono pode registrar períodos de estiagem curta, intercalados com episódios de chuva associados à passagem de frentes frias. As temperaturas devem cair aos poucos, mas dias quentes fora de época ainda podem ocorrer, sobretudo no início da estação. Esse comportamento exige atenção de produtores rurais e gestores, já que o período coincide com a fase de colheita do arroz irrigado e da soja, quando o aproveitamento de janelas de tempo seco é fundamental para reduzir perdas.
La Niña ainda atua, mas perde força
Apesar dos impactos observados ao longo do verão, a La Niña está próxima do fim. O fenômeno ainda influencia o clima, mas apresenta sinais claros de enfraquecimento, conforme dados da NOAA.
As águas mais frias, típicas da La Niña, estão diminuindo, enquanto áreas com temperaturas mais elevadas começam a se expandir no Oceano Pacífico Equatorial, inclusive próximas à superfície. Esse processo indica uma transição para condições de neutralidade climática, prevista para os próximos meses.
A possibilidade de desenvolvimento de um El Niño ainda não se concretizou e, caso ocorra, deve ficar restrita ao segundo semestre de 2026. Até lá, o cenário é de instabilidade e maior incerteza, comum em períodos de transição climática, o que reforça a importância do acompanhamento frequente das previsões.
Atenção redobrada e cautela nas previsões
Especialistas alertam que previsões feitas durante o outono carregam maior grau de incerteza, justamente por se tratar de uma fase de transição no sistema climático global. Por isso, o monitoramento contínuo das condições do Pacífico e das previsões de curto e médio prazo, divulgadas por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), é fundamental, especialmente para setores sensíveis como a agricultura.



