Apresentação

No ano de 2022 a 8ª edição da Semana Integrada de Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão tem como temática Encontro de Saberes: Pluriversidade e Meio Ambiente. A temática é oriunda da conjunção de vários fatores que entendemos serem urgentes para a reflexão na universidade. Em primeiro lugar, a necessidade de, após um contexto de grave pandemia mundial, rever práticas sustentáveis que são imprescindíveis para a vida em sociedade, em busca de uma sintonia, humana, empática, solidária, entre as pessoas, que possam gerar ações propositivas em prol do planeta e, como consequência, modificar práticas insustentáveis para a vida no mesmo. Assim, o meio ambiente deve ser pauta constante, se quisermos um futuro para as próximas gerações. Ligado a isso, vemos como premente a valorização de todas as culturas, o que implica valorizar saberes populares e fazeres que, muitas vezes, se perdem no tempo, sobrepostos por práticas sociais ou econômicas, valorizar saberes e fazeres relacionados a experiências sociais advindas de práticas não-acadêmicas, crenças, linguagens, profissões próprias de comunidades locais que possam inspirar novas formas de economia criativa e solidária, por exemplo, e dar voz, valorizando e fortalecendo todas as etnias e culturas. Enfim, a pluriversidade, conceito defendido por Boaventura de Souza Santos, em que “conhecimento pluriversitário promove os saberes ecológicos, plurais e contra-hegemônicos” (2015) e As epistemologias do sul – ao privilegiar conhecimentos (sejam eles científicos ou artesanais/práticos/populares/empíricos) que surgem das lutas contra a dominação – são parte dessa transformação epistemológica. Do meu ponto de vista, uma nova, polifónica, universidade (ou melhor, pluriversidade) pode emergir à medida em que esta transformação se desenrola. (2015)

A busca por epistemologias do Sul também tem sido vivenciada no movimento decolonial promovido por pesquisadores latino-americanos, tais como Catherine Walsh, Walter Mignolo, Aníbal Quijano, e já tem experiências efetivadas como, por exemplo, a Pluriversidade Amawtay Wasi, no Equador.

Assim, este ano, o tema que une os cinco congressos em pauta (Inovação, Pesquisa, Ensino, Extensão e Pós-Graduação) se volta a dar visibilidade aos saberes e fazeres acadêmicos em prol de uma valorização da sustentabilidade em ações para o meio ambiente; a pluriversidade que valorize os diversos saberes como integradores da formação pessoal e profissional e o encontro de saberes, que aponta para a dimensão do reconhecimento dos fazeres e saberes populares como necessários ao desenvolvimento social e ao conhecimento integrador.