Keilor da Rosa Dorneles defende Tese desenvolvida no LIPP

No dia 01 de Março de 2019 ocorreu a defesa da Tese intitulada “Aumento na concentração do CO2 atmosférico afeta patossistemas do arroz, e respostas bioquímicas e fisiológicas contra Bipolaris oryzae” de autoria do Engenheiro Agrônomo e Mestre em Fitossanidade Keilor da Rosa Dorneles junto ao Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os estudos desenvolvidos pelo acadêmico avaliaram como poderá ocorrer o desenvolvimento de doenças do arroz (brusone, mancha parda, mancha ocular e cárie) frente ao aumento na concentração de CO2 na atmosfera em diferentes cultivares de arroz tratadas ou não com fungicidas. Nestes estudos também foram avaliadas as respostas bioquímicas e fisiológicas da planta de arroz quando cultivada a 700 ppm de CO2 e desafiada por um patógeno (no estudo foi utilizado como modelo o fungo Bipolaris oryzae) em relação as plantas de arroz cultivadas a 400 ppm de CO2 atmosférico (concentração próxima da atual).

A banca avaliadora da Tese foi composta por: Prof. Dr. Leandro José Dallagnol (UFPel), Prof. Dr. Jerônimo Vieira de Araujo Filho (UFPel), Profa. Dra. Danielle Ribeiro de Barros (UFPel) e Dr. Cley Donizeti Martins Nunes (Embrapa Terras Baixas) e Dra Francislene Angelotti (Embrapa Semiárido).

Anderson Eduardo Brunetto defende Dissertação desenvolvida no LIPP

No dia 28 de Fevereiro de 2019 ocorreu a defesa da Dissertação intitulada “Silício, cultivares e programas de controle químico de doenças foliares na cultura da cevada” de autoria do Engenheiro Agrônomo Anderson Eduardo Brunetto junto ao Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os estudos desenvolvidos pelo acadêmico avaliaram o efeito da combinação de diferentes variedades e programas de pulverização de fungicidas para o manejo das doenças foliares na cultura da cevada. Os estudos também avaliaram os benefícios, para a cultura da cevada e para o manejo das doenças foliares, advindos da fertilização silicatada (fonte de silício) no solo.

A banca avaliadora da Dissertação foi composta por: Prof. Dr. Leandro José Dallagnol (UFPel), Prof. Dr. Jerônimo Vieira de Araujo Filho (UFPel), Prof. Dr. José Antônio Martinelli (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS) e Prof. Dr. Daniel Debona (Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR).

BOLSISTA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO LIPP FOI DESTAQUE DE SESSÃO DE TRABALHOS NO XXVII CIC

De 22 a 26 de outubro de 2018 ocorreu na UFPel a 4ª Semana Integrada de Inovação, Ensino Pesquisa e Extensão, durante a qual ocorreu o XXVII Congresso de Iniciação Científica (CIC). A graduanda em Agronomia na UFPel, Emanueli Bizarro Furtado, que desenvolve pesquisa no LIPP como bolsista de iniciação científica, apresentou o estudo “Aumento da concentração de co2 atmosférico afeta as respostas bioquímicas do arroz contra Bipolaris oryzae” com o qual a Emanueli foi selecionada destaque da sessão de trabalhos.

O estudo do qual Emanueli participa investiga o efeito que as mudanças climáticas, especialmente o incremento na concentração atmosférica de CO2, tem na interação planta-patógeno. A mancha parda do arroz, causada por Bipolaris oryzae, foi a doença utilizada como modelo no estudo. Para compreender o impacto que incremento de CO2 atmosférico tem no desenvolvimento da doença foi necessário quantificar a sua intensidade em ambiente natural e em ambiente com concentração de CO2 aumentada e, também, investigar os mecanismos bioquímicos de defesa da planta. Os resultados encontrados na pesquisa indicam que a elevação na concentração de CO2 até 700 ppm reduz a intensidade da mancha parda devido a maior capacidade de defesa da planta de arroz.

RESISTÊNCIA AO GLYPHOSATE CAUSA CUSTO ADAPTATIVO PARA PLANTAS DANINHAS DO GÊNERO Conyza?

A planta daninha popularmente conhecida como buva, pertencente ao gênero Conyza, o qual que inclui mais 100 espécies distribuídas praticamente em todo o mundo. Este gênero contém plantas herbáceas anuais e bianuais que habitam principalmente regiões tropicais e subtropicais, desenvolvendo-se durante o inverno e verão.

As principais espécies de Conyza ocorrentes em áreas agrícolas são C. bonariensis, C. canadensis e C. sumatrensis. Nativas da América do Sul, C. bonariensis e C. sumatrensis ocorrem principalmente na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Já C. canadensis é originaria da América do Norte. No Brasil essa espécie ocorre principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. De forma geral, a buva apresenta adaptabilidade ecológica em sistemas conservacionistas, como semeadura direta e cultivo mínimo do solo.

A buva foi a primeira planta magnoliopsida relatada com resistência ao glyphosate (C. canadensis, 2000, EUA). Desde então, mais 90 casos de resistência foram relatados envolvendo os herbicidas inibidores da enzima 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS), acetolactato sintase (ALS), fotosistemas I e II (PSI e PSII), além de casos de resistência múltipla e cruzada. Atualmente, a buva é considerada uma das  mais importantes espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas no mundo.

Professores e pesquisadores da UFPel e da Embrapa-Trigo observaram no inicio de 2018 que as plantas de buva resistentes ao glyphosate apresentavam sintomas de oídio (caracterizados por manchas brancas e pulverulentas nas folhas), enquanto que, as plantas suscetíveis ao herbicida não apresentavam nenhum sinal da doença. Um estudo foi conduzido pelos pesquisadores que identificaram o agente causal do oídio na buva como Podosphaera erigerontis-canadensis.  Este estudo será publicado em uma das mais importantes revistas científicas da área, denominada “Plant Disease”. Durante o trabalho os cientistas comprovaram que a buva resistente ao glyphosate é suscetível a Podosphaera erigerontis-canadensis, e que a buva sensível ao herbicida é resistente ao referido patógeno. A suscetibilidade ao fungo na buva resistente ao herbicida deve-se ao custo adaptativo em função de inúmeros processos moleculares relacionados. Os fatores responsáveis pelo custo adaptativo de suscetibilidade ao patógeno da buva ainda são desconhecidos. No entanto, novos estudos envolvendo transcriptômica e genômica funcional estão sendo realizados pelo grupo de pesquisa.

Os oídios são doenças causadas por patógenos biotróficos, que estabelecem relação intima com a planta hospedeira, obtendo o nutriente de células vivas. Caracterizam-se pela formação de áreas de coloração branco a acinzentado na superfície na superfície vegetal. A aparência de pó branco é devido ao grande numero de microscópicos conídios produzidos pelo fungo. Estes conídios são dispersos pelo vento para folhas mais novas da mesma planta e para plantas vizinhas aumentando o numero de folhas e plantas afetadas. Em casos de elevada intensidade (severidade) da doença pode ocorrer amarelecimento da folha e até sua morte.

Cristiano Piasecki (UFPel)

Leandro J. Dallagnol (UFPel)

Paulo C. Pazdiora (UFPel)

Keilor R. Dorneles (UFPel)

Leandro Vargas (EMBRAPA-Trigo)

Dirceu Agostinetto (UFPel)

PESQUISA DEMONSTRA EFEITO DO SILÍCIO NA REDUÇÃO DA MANCHA AMARELA DO TRIGO


A mancha amarela do trigo (Pyrenophora tritici-repentis) é a principal mancha foliar da cultura. Esta doença causa redução na produtividade de até 48% e reduz a qualidade do grão. O patógeno pode ser introduzido na lavoura pelas sementes infectadas e/ou dispersão de conídios pelo vento, bem como o fungo P. tritici-repentis é um patógeno necrotrófico com capacidade de sobreviver em restos culturais. Devido a esta característica a doença tem sido mais severa em áreas com monocultura e plantio direto. Uma vez ocorrida à infecção primária, o inóculo secundário na forma de conídios é produzido nas folhas infectadas e a sua disseminação ocorre por respingos de chuva e vento dando assim continuidade ao progresso da epidemia. Nos restos culturais também ocorre à fase sexuada do patógeno aumentando a sua variabilidade genética. Mundialmente oito raças são reconhecidas, baseado no tipo de toxina que produzem e na habilidade em induzir necrose e/ou clorose em uma gama de variedades diferenciadoras. No Brasil foram identificadas quatro raças. Devido à elevada variabilidade do patógeno, o controle da doença por meio de variedades resistentes é limitado.
Estudos realizado por pesquisadores do Laboratório de Interação Planta Patógeno (LIPP) da UFPel avaliaram o potencial de uso da fertilização silicatada (como fonte de silício) no manejo da mancha amarela do trigo. O silício é um elemento mineral presente nos solos, no entanto em solos muito intemperizados a disponibilização do elemento é inferior à demanda das plantas. Plantas, especialmente da família Poaceae, são beneficiadas pelo acumulo do silício melhorando sua capacidade de suportar estresses tanto biótico como abiótico.
Os resultados destes estudos demonstraram que a fertilização silicatada pode reduzir em mais de 80% a severidade da mancha amarela, dependendo do genótipo do trigo. Esse efeito ocorre devido o silício afetar vários componentes monocíclicos da mancha amarela reduzindo assim o seu progresso. Os dados desta pesquisa foram publicados na revista científica European Journal of Plant Pathology. Na busca pela compreensão de como o silício afeta o desenvolvimento da mancha amarela, análises bioquímicas e histológicas foram realizadas nas plantas de trigo supridas com silício. Nestas plantas o fungo afetou um menor numero de células da folha de trigo, o que está relacionado com a formação de lesões menores e menor desenvolvimento da mancha amarela. As plantas de trigo que receberam aplicação de silício apresentaram maior capacidade de defesa contra o fungo envolvendo a produção de espécies reativas de oxigênio, ativação antecipada de enzimas de defesa e potencialização da rota dos fenilpropanoides, que levam a formação de compostos fenólicos os quais mostraram-se tóxicos à P. tritici-repentis. Os dados destas pesquisas estão publicados nas revistas científicas Physiological and Molecular Plant Pathology e na Plant Pathology.
Atualmente estão sendo realizadas, pelos pesquisadores do LIPP, pesquisas para validar em campo a viabilidade de aplicação do silício na cultura do trigo. As pesquisas envolvem o emprego de genótipos de trigo com diferente nível de resistência a mancha amarela, fornecimento de silício e aplicação em parte aérea de fungicidas.
Estas pesquisas foram financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com recurso disponibilizado para o processo 476852/2012-9.

Pragas quarentenárias

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Laboratório de Interação Planta-Patógeno

O Laboratório de Interação Planta-Patógeno (LIPP) atende aos cursos de graduação e pós-graduação da UFPel e outras instituições parceiras tanto publicas quanto da iniciativa privada. As principais atividades desenvolvidas no laboratório visam entender os mecanismos de defesa da planta e de ataque do patógeno. Para tal são realizados estudos bioquímicos, moleculares e ultraestruturais em tecidos de plantas. Ademais, pesquisas em área experimentais são realizadas para avaliar medidas de controle que possam ser incorporadas ao manejo integrado de doenças do arroz, soja, tomate e trigo.