Paulo Cesar Pazdiora defende Tese desenvolvida no LIPP

No dia 20 de Maio de 2019 ocorreu a defesa da Tese intitulada “Silício, resistência parcial e fungicida no manejo da giberela do trigo” de autoria do Engenheiro Agrônomo e Mestre em Fitossanidade Paulo Cesar Pazdiora junto ao Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os estudos desenvolvidos pelo acadêmico foram para buscar alternativas complementares ao manejo da giberela do trigo, causada por espécies do complexo Fusarium graminearum, que reduz o rendimento e também pode levar ao acúmulo nos grãos de micotoxinas, como deoxinivalenol (DON), que são danosas a humanos e animais. Como forma de aumentar a eficiência da resistência parcial das cultivares de trigo e do fungicida, nas pesquisas realizada no Laboratório de Interação Planta Patógeno (LIPP) da UFPel foi avaliado o potencial da utilização da fertilização silicatada, como fonte de silício, no manejo de doenças do trigo, especialmente a giberela. Os resultados demonstraram que o fornecimento de silício foi benéfico para as plantas, reduzindo a intensidade da giberela e bem como alterando a concentração de DON nos grãos. Nas plantas de trigo que receberam a fertilização com silício também foi verificado aumento da eficácia do controle genético e do controle químico. Os estudos foram realizados em ambiente controlado (casa de vegetação) e em campo, fato que indica enorme potencialidade para a inclusão da fertilização silicatada no manejo integrado de doenças do trigo. A pesquisa foi financiada pelo CNPq (Processo 403292-2016-6).

 

A banca avaliadora da Tese foi composta por: Prof. Dr. Leandro José Dallagnol (DFS-UFPel), Prof. Dr. Daniel Debona (UTFPR), Prof. Dr. Cesar Valmor Rombaldi (DCTA-UFPel), Prof. Dr. Gustavo Maia Souza (IB-UFPel) e Prof. Dr. Edemar Antonio Rossetto (DFS-UFPel).

Keilor da Rosa Dorneles defende Tese desenvolvida no LIPP

No dia 01 de Março de 2019 ocorreu a defesa da Tese intitulada “Aumento na concentração do CO2 atmosférico afeta patossistemas do arroz, e respostas bioquímicas e fisiológicas contra Bipolaris oryzae” de autoria do Engenheiro Agrônomo e Mestre em Fitossanidade Keilor da Rosa Dorneles junto ao Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os estudos desenvolvidos pelo acadêmico avaliaram como poderá ocorrer o desenvolvimento de doenças do arroz (brusone, mancha parda, mancha ocular e cárie) frente ao aumento na concentração de CO2 na atmosfera em diferentes cultivares de arroz tratadas ou não com fungicidas. Nestes estudos também foram avaliadas as respostas bioquímicas e fisiológicas da planta de arroz quando cultivada a 700 ppm de CO2 e desafiada por um patógeno (no estudo foi utilizado como modelo o fungo Bipolaris oryzae) em relação as plantas de arroz cultivadas a 400 ppm de CO2 atmosférico (concentração próxima da atual).

A banca avaliadora da Tese foi composta por: Prof. Dr. Leandro José Dallagnol (UFPel), Prof. Dr. Jerônimo Vieira de Araujo Filho (UFPel), Profa. Dra. Danielle Ribeiro de Barros (UFPel) e Dr. Cley Donizeti Martins Nunes (Embrapa Terras Baixas) e Dra Francislene Angelotti (Embrapa Semiárido).

Anderson Eduardo Brunetto defende Dissertação desenvolvida no LIPP

No dia 28 de Fevereiro de 2019 ocorreu a defesa da Dissertação intitulada “Silício, cultivares e programas de controle químico de doenças foliares na cultura da cevada” de autoria do Engenheiro Agrônomo Anderson Eduardo Brunetto junto ao Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Os estudos desenvolvidos pelo acadêmico avaliaram o efeito da combinação de diferentes variedades e programas de pulverização de fungicidas para o manejo das doenças foliares na cultura da cevada. Os estudos também avaliaram os benefícios, para a cultura da cevada e para o manejo das doenças foliares, advindos da fertilização silicatada (fonte de silício) no solo.

A banca avaliadora da Dissertação foi composta por: Prof. Dr. Leandro José Dallagnol (UFPel), Prof. Dr. Jerônimo Vieira de Araujo Filho (UFPel), Prof. Dr. José Antônio Martinelli (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS) e Prof. Dr. Daniel Debona (Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR).

BOLSISTA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO LIPP FOI DESTAQUE DE SESSÃO DE TRABALHOS NO XXVII CIC

De 22 a 26 de outubro de 2018 ocorreu na UFPel a 4ª Semana Integrada de Inovação, Ensino Pesquisa e Extensão, durante a qual ocorreu o XXVII Congresso de Iniciação Científica (CIC). A graduanda em Agronomia na UFPel, Emanueli Bizarro Furtado, que desenvolve pesquisa no LIPP como bolsista de iniciação científica, apresentou o estudo “Aumento da concentração de co2 atmosférico afeta as respostas bioquímicas do arroz contra Bipolaris oryzae” com o qual a Emanueli foi selecionada destaque da sessão de trabalhos.

O estudo do qual Emanueli participa investiga o efeito que as mudanças climáticas, especialmente o incremento na concentração atmosférica de CO2, tem na interação planta-patógeno. A mancha parda do arroz, causada por Bipolaris oryzae, foi a doença utilizada como modelo no estudo. Para compreender o impacto que incremento de CO2 atmosférico tem no desenvolvimento da doença foi necessário quantificar a sua intensidade em ambiente natural e em ambiente com concentração de CO2 aumentada e, também, investigar os mecanismos bioquímicos de defesa da planta. Os resultados encontrados na pesquisa indicam que a elevação na concentração de CO2 até 700 ppm reduz a intensidade da mancha parda devido a maior capacidade de defesa da planta de arroz.

RESISTÊNCIA AO GLYPHOSATE CAUSA CUSTO ADAPTATIVO PARA PLANTAS DANINHAS DO GÊNERO Conyza?

A planta daninha popularmente conhecida como buva, pertencente ao gênero Conyza, o qual que inclui mais 100 espécies distribuídas praticamente em todo o mundo. Este gênero contém plantas herbáceas anuais e bianuais que habitam principalmente regiões tropicais e subtropicais, desenvolvendo-se durante o inverno e verão.

As principais espécies de Conyza ocorrentes em áreas agrícolas são C. bonariensis, C. canadensis e C. sumatrensis. Nativas da América do Sul, C. bonariensis e C. sumatrensis ocorrem principalmente na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Já C. canadensis é originaria da América do Norte. No Brasil essa espécie ocorre principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. De forma geral, a buva apresenta adaptabilidade ecológica em sistemas conservacionistas, como semeadura direta e cultivo mínimo do solo.

A buva foi a primeira planta magnoliopsida relatada com resistência ao glyphosate (C. canadensis, 2000, EUA). Desde então, mais 90 casos de resistência foram relatados envolvendo os herbicidas inibidores da enzima 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS), acetolactato sintase (ALS), fotosistemas I e II (PSI e PSII), além de casos de resistência múltipla e cruzada. Atualmente, a buva é considerada uma das  mais importantes espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas no mundo.

Professores e pesquisadores da UFPel e da Embrapa-Trigo observaram no inicio de 2018 que as plantas de buva resistentes ao glyphosate apresentavam sintomas de oídio (caracterizados por manchas brancas e pulverulentas nas folhas), enquanto que, as plantas suscetíveis ao herbicida não apresentavam nenhum sinal da doença. Um estudo foi conduzido pelos pesquisadores que identificaram o agente causal do oídio na buva como Podosphaera erigerontis-canadensis.  Este estudo será publicado em uma das mais importantes revistas científicas da área, denominada “Plant Disease”. Durante o trabalho os cientistas comprovaram que a buva resistente ao glyphosate é suscetível a Podosphaera erigerontis-canadensis, e que a buva sensível ao herbicida é resistente ao referido patógeno. A suscetibilidade ao fungo na buva resistente ao herbicida deve-se ao custo adaptativo em função de inúmeros processos moleculares relacionados. Os fatores responsáveis pelo custo adaptativo de suscetibilidade ao patógeno da buva ainda são desconhecidos. No entanto, novos estudos envolvendo transcriptômica e genômica funcional estão sendo realizados pelo grupo de pesquisa.

Os oídios são doenças causadas por patógenos biotróficos, que estabelecem relação intima com a planta hospedeira, obtendo o nutriente de células vivas. Caracterizam-se pela formação de áreas de coloração branco a acinzentado na superfície na superfície vegetal. A aparência de pó branco é devido ao grande numero de microscópicos conídios produzidos pelo fungo. Estes conídios são dispersos pelo vento para folhas mais novas da mesma planta e para plantas vizinhas aumentando o numero de folhas e plantas afetadas. Em casos de elevada intensidade (severidade) da doença pode ocorrer amarelecimento da folha e até sua morte.

Cristiano Piasecki (UFPel)

Leandro J. Dallagnol (UFPel)

Paulo C. Pazdiora (UFPel)

Keilor R. Dorneles (UFPel)

Leandro Vargas (EMBRAPA-Trigo)

Dirceu Agostinetto (UFPel)

PESQUISA DEMONSTRA EFEITO DO SILÍCIO NA REDUÇÃO DA MANCHA AMARELA DO TRIGO


A mancha amarela do trigo (Pyrenophora tritici-repentis) é a principal mancha foliar da cultura. Esta doença causa redução na produtividade de até 48% e reduz a qualidade do grão. O patógeno pode ser introduzido na lavoura pelas sementes infectadas e/ou dispersão de conídios pelo vento, bem como o fungo P. tritici-repentis é um patógeno necrotrófico com capacidade de sobreviver em restos culturais. Devido a esta característica a doença tem sido mais severa em áreas com monocultura e plantio direto. Uma vez ocorrida à infecção primária, o inóculo secundário na forma de conídios é produzido nas folhas infectadas e a sua disseminação ocorre por respingos de chuva e vento dando assim continuidade ao progresso da epidemia. Nos restos culturais também ocorre à fase sexuada do patógeno aumentando a sua variabilidade genética. Mundialmente oito raças são reconhecidas, baseado no tipo de toxina que produzem e na habilidade em induzir necrose e/ou clorose em uma gama de variedades diferenciadoras. No Brasil foram identificadas quatro raças. Devido à elevada variabilidade do patógeno, o controle da doença por meio de variedades resistentes é limitado.
Estudos realizado por pesquisadores do Laboratório de Interação Planta Patógeno (LIPP) da UFPel avaliaram o potencial de uso da fertilização silicatada (como fonte de silício) no manejo da mancha amarela do trigo. O silício é um elemento mineral presente nos solos, no entanto em solos muito intemperizados a disponibilização do elemento é inferior à demanda das plantas. Plantas, especialmente da família Poaceae, são beneficiadas pelo acumulo do silício melhorando sua capacidade de suportar estresses tanto biótico como abiótico.
Os resultados destes estudos demonstraram que a fertilização silicatada pode reduzir em mais de 80% a severidade da mancha amarela, dependendo do genótipo do trigo. Esse efeito ocorre devido o silício afetar vários componentes monocíclicos da mancha amarela reduzindo assim o seu progresso. Os dados desta pesquisa foram publicados na revista científica European Journal of Plant Pathology. Na busca pela compreensão de como o silício afeta o desenvolvimento da mancha amarela, análises bioquímicas e histológicas foram realizadas nas plantas de trigo supridas com silício. Nestas plantas o fungo afetou um menor numero de células da folha de trigo, o que está relacionado com a formação de lesões menores e menor desenvolvimento da mancha amarela. As plantas de trigo que receberam aplicação de silício apresentaram maior capacidade de defesa contra o fungo envolvendo a produção de espécies reativas de oxigênio, ativação antecipada de enzimas de defesa e potencialização da rota dos fenilpropanoides, que levam a formação de compostos fenólicos os quais mostraram-se tóxicos à P. tritici-repentis. Os dados destas pesquisas estão publicados nas revistas científicas Physiological and Molecular Plant Pathology e na Plant Pathology.
Atualmente estão sendo realizadas, pelos pesquisadores do LIPP, pesquisas para validar em campo a viabilidade de aplicação do silício na cultura do trigo. As pesquisas envolvem o emprego de genótipos de trigo com diferente nível de resistência a mancha amarela, fornecimento de silício e aplicação em parte aérea de fungicidas.
Estas pesquisas foram financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com recurso disponibilizado para o processo 476852/2012-9.

Pragas quarentenárias

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Laboratório de Interação Planta-Patógeno

O Laboratório de Interação Planta-Patógeno (LIPP) atende aos cursos de graduação e pós-graduação da UFPel e outras instituições parceiras tanto publicas quanto da iniciativa privada. As principais atividades desenvolvidas no laboratório visam entender os mecanismos de defesa da planta e de ataque do patógeno. Para tal são realizados estudos bioquímicos, moleculares e ultraestruturais em tecidos de plantas. Ademais, pesquisas em área experimentais são realizadas para avaliar medidas de controle que possam ser incorporadas ao manejo integrado de doenças do arroz, soja, tomate e trigo.