Garrett (2011) propôs um framework conceitual composto por cinco planos: superfície, esqueleto, estrutura, escopo e estratégia. Essa metodologia auxilia no desenvolvimento de projetos ou serviços com foco em experiência do usuário e design centrado no usuário.

Os planos possuem um nível de abstração, sendo que os planos mais abaixo, como o plano estratégia, são mais abstratos. Já os planos mais acima são considerados mais concretos, de modo que o usuário pode ver e interagir com os elementos.
Na ausência de referência, pode-se considerar que esse texto foi baseado no livro The Elements of User Experience: User-Centered Design for the Web and Beyond de Garrett (2011).

Nesse plano, definimos qual o objetivo do produto ou serviço que estamos desenvolvendo. Por exemplo, o objetivo de um produto/serviço pode ser promover as vendas ou informar a população. Assim como identificamos quais são as necessidades dos usuários. Para tanto, podemos aplicar técnicas de pesquisa com o usuário, como questionário, entrevista, grupo focal, card sorting, entre outros, para compreender quais são as necessidades e expectativas dos usuários.
Fonte: Garrett (2011).

No plano escopo, indicamos as funcionalidades e o conteúdo do produto. Aqui, estabelecemos quais sãos as especificações funcionais de um produto ou serviço. Alguns exemplos de especificações funcionais incluem navegadores suportados, sistema operacional, câmera, GPS, giroscópio etc. Também informamos qual será o conteúdo desse artefato quanto a textos, imagens, vídeos, áudio ou documentos para download. Podemos aplicar a técnica de auditoria de conteúdo (Teixeira, 2014) para ajudar a definir o conteúdo de um artefato antes de projetá-lo.
Fonte: Garrett (2011).

Nessa fase, começamos a planejar o design de interação e a arquitetura da informação de um produto ou serviço. Para Rogers, Sharp e Preece (2013), o design de interação refere-se ao projeto de produtos interativos que visam ajudar as pessoas a se comunicarem e interagirem melhor em casa ou no trabalho. A arquitetura da informação determina a forma como a informação é estruturada para facilitar o uso e a interação de um sistema. Algumas técnicas que auxiliam no plano estrutura são o mapa do site (ou sitemap) e fluxograma.
Fonte: Garrett (2011).

O plano esqueleto refere-se ao design de interface, navegação e design da informação. Determinamos como os elementos serão organizados e posicionados em uma interface. Para isso, podemos criar um wireframe, que é uma versão mais rudimentar do protótipo final de um artefato. Também podemos especificar a navegação do produto em básica (global, local, contextual), suplementar e avançada, conforme sugere Agner (2018). O design da informação auxilia na organização da informação para que a informação seja mais fácil de ser compreendida pelo usuário.
Fonte: Garrett (2011).

Esse é o plano mais concreto do framework proposto por Garrett (2011). É aqui que o usuário vai ver e interagir com um produto ou serviço. Definimos a experiência do usuário no nível sensorial. Ou seja, o usuário pode usar os seus sentidos (paladar, olfato, tato, audição e visão) para interagir com o produto ou serviço. Podemos aplicar alguns princípios, como contraste, uniformidade, consistência, paleta de cores e tipografia, para tornar um artefato visualmente mais atraente.
Fonte: Garrett (2011).

Referências
AGNER, Luiz. Ergodesign e Arquitetura de Informação: Trabalhando com o Usuário. 4. ed. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2018.
GARRETT, Jesse James. The Elements of User Experience: User-Centered Design for the Web and Beyond. 2. ed. Berkeley: New Riders, 2011.
ROGERS, Yvonne; SHARP, Helen; PREECE, Jennifer. Design de interação: além da interação humano-computador. tradução: Isabela Gasparini. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.
TEIXEIRA, Fabricio. Introdução e boas práticas em UX Design. [S. l.]: Casa do Código, 2014.