Levantamento da Superintendência de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional da UFPel identificou 453 professores com registros formais em patentes, softwares, transferência de tecnologia, projetos com empresas, PD&I e outras atividades de inovação formalmente registradas.
O levantamento foi realizado pela Superintendência de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional da UFPel — INOVA, com o objetivo de mapear, de forma institucional, a presença da inovação na trajetória dos docentes da Universidade. A iniciativa busca tornar mais visíveis atividades que já ocorrem nas unidades acadêmicas, laboratórios, grupos de pesquisa e projetos institucionais, mas que nem sempre aparecem de forma integrada nos registros acadêmicos e administrativos.
A metodologia teve caráter exploratório e foi baseada no cruzamento de diferentes fontes de informação, incluindo dados do Portal Institucional da UFPel, da Plataforma Stela Experta, do Sistema Cobalto, dos Relatórios Anuais de Atividades Docentes — RAAD, da Plataforma Lattes, além de registros da Coordenação de Convênios e Contratos — CCONC, do Escritório de Propriedade Intelectual, Transferência de Tecnologia e Empreendedorismo — EPITTE e Incubadora Conectar.
A partir desse cruzamento, os docentes foram organizados em três grupos analíticos: Nível 1 — Evidência forte de inovação, reunindo registros formais e documentados; Nível 2 — Potencial relacionado à inovação, com atividades aplicadas ou de interação externa que podem convergir para ações inovadoras; e Nível 3 — Potencial a mapear, composto por docentes que poderão ser analisados em etapas futuras, com critérios complementares.
A iniciativa não tem caráter de ranqueamento individual. Seu objetivo é oferecer uma visão institucional da capacidade inovadora da UFPel, identificar áreas de maior densidade, reconhecer trajetórias já consolidadas e subsidiar políticas de valorização, qualificação e ampliação da inovação na Universidade.
O estudo classificou os docentes em três níveis. O primeiro, denominado Nível 1 — Evidência forte, reúne 453 docentes, correspondendo a 32,7% do corpo docente da UFPel. Nesse grupo foram consideradas atividades com formalização explícita, como depósito de patentes, registro de programas de computador, transferência de tecnologia, contratos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, projetos EMBRAPII, participação em startups, projetos com empresas e prestação de serviços tecnológicos formais.
O segundo grupo, chamado Nível 2 — Potencial relacionado à inovação, reúne 329 docentes, ou 23,8% do total. Nessa categoria foram incluídas atividades que não caracterizam, necessariamente, uma atuação consolidada em inovação, mas que indicam proximidade com práticas aplicadas, interação externa ou potencial de desenvolvimento tecnológico, social, cultural ou institucional. Entre elas estão consultorias, relatórios técnicos, protocolos, produtos ou processos técnicos, participação em editais de inovação, mentorias e projetos aplicados com parceiros externos.
O estudo também identificou um terceiro grupo, formado pelos demais docentes da Universidade, classificados como Nível 3 — Demais docentes da UFPel. Esse grupo reúne professores que, nesta etapa do levantamento, não foram enquadrados nos critérios de evidência sólida de inovação nem nos critérios de potencial relacionado. Isso não significa ausência definitiva de atuação inovadora, mas indica a necessidade de análises futuras mais detalhadas, capazes de identificar outras formas de pesquisa aplicada, extensão tecnológica, interação com a sociedade, produção de metodologias, políticas públicas, serviços, processos ou soluções de impacto.
Dessa forma, o levantamento diferencia os 453 docentes do Nível 1, que apresentam evidências sólidas e documentadas de atuação em inovação, dos docentes classificados no Nível 2 e 3, cujas trajetórias apontam possibilidades de aproximação, qualificação e desenvolvimento de ações inovadoras. O Nível 1 representa, portanto, o núcleo já comprovado da inovação docente na UFPel, enquanto o Nível 2 indica um conjunto relevante de docentes com potencial para ampliar essa base nos próximos anos.
Para o Superintendente de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional, Prof. Vinicius Farias Campos: “o resultado revela que a UFPel já possui uma base consistente de inovação comprovada, representada pelos docentes do Nível 1, distribuída em diferentes unidades acadêmicas e áreas do conhecimento. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta caminhos para ampliar essa atuação, especialmente por meio da qualificação dos docentes com potencial relacionado, da melhoria dos fluxos institucionais, do fortalecimento das parcerias e do reconhecimento da inovação como dimensão estratégica da atividade acadêmica”.
Dados subsidiam políticas institucionais
A classificação em níveis permite diferenciar a inovação já formalmente documentada daquela que se encontra em desenvolvimento ou em fase potencial. O Nível 1 concentra as evidências robustas. O Nível 2 reúne atividades técnicas e aplicadas com indícios de potencial de inovação. Já o Nível 3 funciona como uma fronteira de prospecção, apontando oportunidades para identificar iniciativas que podem se converter em tecnologias, produtos, processos, metodologias, políticas públicas, serviços ou soluções de impacto.
Para a UFPel, o levantamento oferece subsídios para o aprimoramento das políticas institucionais de inovação, avaliação docente, planejamento estratégico, captação de recursos, fortalecimento de parcerias externas e consolidação da Universidade como agente ativo no desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social.
Ações institucionais impulsionam o crescimento da inovação na UFPel
Esse avanço não ocorreu de forma isolada. Ele é resultado de uma trajetória institucional construída nos últimos anos, marcada pela criação da Política de Inovação da UFPel, em 2019, pela implantação da Superintendência de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional, da Unidade EMBRAPII InovaAgro, em 2021, pelo fortalecimento da Incubadora Conectar, criada em 2015, e pela atuação integrada da Universidade com o Pelotas Parque Tecnológico, que chega aos seus dez anos consolidado como ambiente estratégico de articulação entre universidade, empresas, governo e sociedade.
Outras ações como a Criação do Congresso de Inovação Tecnológica da UFPel, Bolsas de Iniciação Tecnológica (PBIP-IT) e de Empreendedorismo Inovador (PBEI), e o Programa de Bolsas MAI-DAI do CNPq têm permitido que a UFPel avance de forma consistente na área de inovação, ampliando sua capacidade de proteger tecnologias, registrar softwares, firmar acordos de parceria, desenvolver projetos de PD&I, transferir conhecimento, prestar serviços tecnológicos e aproximar a produção acadêmica das demandas da sociedade. Esse movimento também se expressa no desempenho da Universidade em propriedade intelectual, com destaque para sua posição entre as instituições que mais depositam patentes no Rio Grande do Sul e na Região Sul do Brasil.
Para o Vice-Reitor da UFPel, Prof. Eraldo Pinheiro: “Os dados revelam algo muito importante para a UFPel: a inovação não é uma atividade isolada ou periférica, mas uma dimensão institucional já presente de forma consistente em diferentes áreas da Universidade. Esse levantamento demonstra a capacidade que nossa comunidade acadêmica possui de transformar conhecimento em soluções, tecnologias, políticas públicas e ações com impacto social. Ao reconhecer e tornar visível essa produção, a UFPel fortalece seu papel estratégico no desenvolvimento regional e reafirma seu compromisso com uma universidade pública conectada aos desafios contemporâneos da sociedade. O próximo passo é consolidar ainda mais essa cultura institucional, ampliando oportunidades, fortalecendo parcerias e valorizando a inovação como parte fundamental da formação, da pesquisa e da extensão universitária.”
Os dados dialogam ainda com o estudo Data INOVA, que apontou avanços importantes, mas também a necessidade de ampliar o conhecimento da comunidade acadêmica sobre os instrumentos, fluxos e oportunidades ligados à inovação. Assim, o levantamento atual não deve ser lido apenas como um retrato quantitativo, mas como evidência de que as políticas, estruturas e ambientes criados pela Universidade vêm produzindo resultados concretos.
O desafio, agora, é ampliar e qualificar essa atuação. Para isso, será necessário valorizar mais claramente as atividades de inovação nos processos de avaliação docente, progressão, promoção, seleções internas, editais institucionais, concursos docentes e planejamento das unidades acadêmicas. Também será fundamental seguir simplificando fluxos administrativos, fortalecer o apoio técnico aos pesquisadores, qualificar os processos de parceria, dar mais fluidez à tramitação de acordos e contratos, e criar condições para que mais docentes, técnicos, estudantes e egressos participem de projetos inovadores.
Fortalecer a inovação na UFPel significa, portanto, transformar uma base já consolidada em escala, impacto e permanência institucional. A Universidade não parte do zero: parte de políticas, estruturas, ambientes, projetos e pessoas que já vêm fazendo a inovação crescer. O próximo passo é fazer essa rede avançar ainda mais, com reconhecimento, qualidade, integração e mais oportunidades para a comunidade acadêmica e para a sociedade.
UFPel como motor do desenvolvimento da região Sul do RS
O levantamento também evidencia a importância de tornar mais visíveis atividades de inovação que, muitas vezes, ocorrem de forma dispersa, sem registro integrado ou reconhecimento adequado nos instrumentos tradicionais. Ao organizar essas informações, a UFPel passa a enxergar com mais nitidez a dimensão da sua própria capacidade inovadora e o papel estratégico que já exerce no desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, social e cultural da região Sul do Rio Grande do Sul.
De acordo com Vinicius, “a UFPel tem condições de consolidar-se cada vez mais como um dos motores do desenvolvimento da região Sul do Estado e isso significa aproximar ainda mais essa produção dos estudantes e egressos, criando oportunidades de formação, empreendedorismo, inserção profissional e participação em projetos aplicados. Uma universidade inovadora não apenas produz conhecimento: ela forma pessoas capazes de transformar esse conhecimento em soluções, políticas públicas, tecnologias, serviços e novos caminhos para o território”
Os dados mostram que a base já existe. A Universidade reúne docentes, grupos de pesquisa, laboratórios, projetos, tecnologias, programas de inovação, ambientes empreendedores e parcerias capazes de gerar soluções para problemas concretos da sociedade. Esse conjunto coloca a UFPel em posição de destaque não apenas como instituição de ensino e pesquisa, mas como agente ativo de desenvolvimento regional.
O desafio, agora, é ampliar e qualificar essa atuação. Isso significa aumentar o número de servidores docentes e técnicos envolvidos, alunos, fortalecer a proteção intelectual, expandir a transferência de tecnologia, ampliar parcerias com empresas, governos e organizações sociais, estimular a criação de novos empreendimentos e reconhecer a inovação como dimensão legítima da atividade acadêmica.
