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História

Histórico do Curso

 O Curso de Arquitetura e Urbanismo foi criado logo após a fundação da Universidade Federal de Pelotas. Os primeiros estudos para sua implantação datam de 1970. No ano seguinte, a Portaria n° 215, de 24 de novembro de 1971, da Reitoria da UFPEL, criava e implantava o Curso de Arquitetura no Instituto de Artes. Na época havia somente dois cursos de Arquitetura e Urbanismo na Região Sul do País – em Porto Alegre e Curitiba – fato este que contribuiu para a implantação do ensino nesta área na Universidade. Ao criar o Curso de Arquitetura e Urbanismo, a UFPEL, passou a abrigar o segundo curso de Arquitetura do Rio Grande do Sul e o terceiro da Região Sul do País.

O Curso de Arquitetura iniciou suas atividades de ensino no primeiro semestre de 1972 oferecendo 35 vagas no concurso vestibular. As primeiras turmas foram matriculadas nas disciplinas do ciclo básico disponíveis na Universidade (disciplinas dos Departamentos de Artes Visuais, Estudos de Artes, Letras e Comunicação, do Instituto de Artes, e dos Departamentos de Física, Matemática e Desenho do Instituto de Física e Matemática) que correspondiam às matérias básicas do currículo mínimo de Arquitetura e Urbanismo (Resolução CFE nº 3, de 25 de junho de 1969). No segundo semestre de 1973 foi criado o Departamento de Arquitetura, vinculado ao Instituto de Artes, e no ano seguinte o Colegiado do Curso de Arquitetura (Portaria nº 161/74, da Reitoria da UFPEL), responsável pela definição e oferta das disciplinas profissionalizantes específicas da formação do Arquiteto.

O Colegiado de Curso inicia suas atividades de coordenação definindo o primeiro currículo integral a ser implantado no primeiro semestre de 1975. Este currículo reduzia o número de disciplinas básicas, que anteriormente se estendiam até o 5º semestre, totalizando cerca de 1500 horas, e direcionava o conteúdo para atender as necessidades específicas de formação do Curso. No ciclo profissionalizante propunha as disciplinas das áreas de Tecnologia da Construção e de Teoria e História da Arquitetura e de Projeto. As disciplinas da área de Tecnologia da Construção foram implantadas no Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel. As áreas de Projeto Arquitetônico e Urbanístico e de Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo no Departamento de Arquitetura. As disciplinas de Desenho, Matemática e Física situaram-se no Instituto de Física e Matemática.

Os primeiros anos de funcionamento do curso foram marcados por sucessivas mudanças na programação das disciplinas. Nos três primeiros anos o Curso funcionou sem currículo integral, e nos quatro seguintes teve um currículo diferente a cada ano. As disciplinas profissionalizantes foram sendo implantadas na medida em que a primeira turma progredia no Curso. No entanto, a oferta das disciplinas profissionalizantes nem sempre coincidia com a necessidade da primeira turma, pois a oferta efetiva dependia da contratação de novos professores, notadamente de professores Arquitetos e Urbanistas. Nestas condições, a primeira turma constituída por três alunos colou grau no segundo semestre de 1977.

Em 1978 foi implantado o quarto currículo do Curso de Arquitetura. Este currículo foi o primeiro a ter todas as disciplinas oferecidas regularmente no período especificado na grade curricular. Consolidou a estrutura curricular que vinha se constituindo desde a implantação do Curso. Ajustou disciplinas básicas, adaptando-as no que foi possível ao ensino de Arquitetura, e definiu a área profissionalizante. A relativa estabilidade atingida não decorria da implantação de um projeto de ensino previamente delineado, mas de sucessivas mudanças parciais adaptando no que foi possível o ensino de Arquitetura e Urbanismo às condições prévias da Universidade. Nem mesmo a criação do Departamento de Arquitetura e do Colegiado de Curso, assegurou a necessária autonomia pedagógica. O ensino de Arquitetura e Urbanismo continuou fortemente atrelado às determinações didáticas das unidades acadêmicas de origem.

As condições precárias de funcionamento do Curso nos primeiros anos motivaram professores e alunos a buscar melhorias. No segundo semestre de 1980, o Colegiado de Curso instaurou a Comissão de Avaliação do Ensino para diagnosticar as condições de oferta do ensino, promover debates com a comunidade acadêmica e apresentar propostas para qualificação do Curso. Nos dois anos seguintes realizaram-se seminários com a comunidade que resultaram na proposta de alteração curricular apresentada pelo Colegiado de Curso em 1983. A proposta curricular apresentada em 1983 concentrava disciplinas e carga horária na área profissionalizante em três núcleos de disciplinas, a saber: Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo; Tecnologia da Construção; Projeto Arquitetônico e Urbanístico. Esta configuração reduziu o ciclo básico e o número de departamentos necessários para o ensino de Arquitetura e Urbanismo.

No ano de 1983, o Curso adquire autonomia administrativa ao desvincular o Departamento de Arquitetura e o Colegiado de Curso do Instituto de Letras e Artes, passando a constituir uma unidade de ensino vinculada a Reitoria. Em 1985 o Departamento de Arquitetura foi desdobrado nos departamentos de Arquitetura e Urbanismo – DAURB, e de Tecnologia da Construção – DTC, vinculados ao Curso de Arquitetura e Urbanismo (Portaria nº 434, de 26 de julho de 1984, da Reitoria da UFPEL). O Departamento de Tecnologia da Construção reuniu os professores da área que antes estavam lotados no Departamento de Engenharia Rural. Ainda em 1985, o curso foi transformado em Faculdade. Assim, o Curso de Arquitetura e Urbanismo originou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, instituída em 1987.

No período de 1987-1989 a proposta curricular foi implantada por conjuntos de disciplinas. Inicialmente a área de Tecnologia da Construção, depois a área de Teoria e História, e, finalmente, a área de Projeto. A partir de 1997 foram introduzidas pequenas alterações para adequar em parte o currículo às diretrizes da Portaria n° 1770/94 do MEC. Em 2005 se inicia o processo de discussão sobre o currículo vigente no Curso de Arquitetura e Urbanismo. No mês de julho desse ano se realizou o seminário “Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo” e em fevereiro de 2006 foi elaborado o documento “Projeto para implantação de propostas que visam à obtenção de melhores condições de ensino, pesquisa e extensão na FAURB”. A referência do seminário foi o documento intitulado “Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo – Versão Preliminar”, elaborado em 2003.

No decorrer das gestões do Colegiado de Curso que se seguiram desde então, o processo de elaboração do projeto pedagógico do curso recebeu contribuições de modo que o relatório elaborado ao final daquele seminário foi aprimorado nos seminários internos de avaliação. Os documentos da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura – ABEA, os padrões de qualidade definidos pelo Ministério da Educação e o Projeto Pedagógico da UFPEL para a oferta do ensino na área se constituíram nas referências fundamentais de todas as avaliações. Deste intenso processo de discussão resultou o Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal de Pelotas. que incorporou também as diretrizes da Resolução CNE/CES nº 2, de 17 de junho de 2010 que instituiu novas diretrizes curriculares para a graduação em Arquitetura e Urbanismo.

Em 2012 entra em vigência um novo currículo do Curso de Arquitetura e Urbanismo. Os alunos matriculados no Curso passam a cursar as novas disciplinas de acordo com regras específicas de transição entre os currículos. Em 2016 ocorre um intensa mobilização e discussão do currículo, buscando alcançar o estado da arte para o caso brasileiro, com análise comparada com os melhores cursos do Brasil e proposição de um novo e atualizado projeto pedagógico, atualmente em implantação. Nessa proposta estão preservadas todas as atribuições profissionais do arquiteto e urbanista, com uma formação comprometida com a justiça social, com a qualidade ambiental, com a tecnologias apropriadas e com as competências para participar dos desafios da cidade contemporânea.