Eu cuido do outro e quem cuida de mim?

 

Quando nos deparamos com alguma situação que nos exige redirecionar os holofotes que, por momentos, tínhamos focados em nós, fica difícil compartilharmos dessa luz com o outro sem que abramos mão da iluminação própria por aquela pessoa, que parece precisar tanto. Frequentemente, acabamos esquecendo de nós mesmos em função do cuidar do outro, nos esquecemos que também precisamos de cuidado, carinho, atenção, que também somos seres passíveis de adoecimento, de tristezas, aborrecimentos, estresses, fadigas, de necessidades humanas. A partir disso, nos vemos em um ciclo, o qual parece não ter ponta ou começo, um ciclo que muitas vezes, ao nosso ver, pode não ter fim, frequentemente nem sabemos ao certo como e quando começou. Neste fluxo, nos vemos perdendo quem sempre esteve conosco, seja em momentos difíceis ou não, felizes ou tristes, acabamos perdendo a nós mesmos, nos despersonificando, nos esquecendo. Mesmo fazendo parte da relação e do convívio com o outro, o cuidado precisa ser reavaliado, equilibrado, dimensionado. Mesmo diante de tanta sobrecarga, momentos difíceis, escolhas, culpas, fragilidades e potencialidades, e dúvidas, se faz necessário que o olhar promovido ao outro equivalha àquele que dispenso e invisto em mim mesmo. É importante que haja a percepção de que eu também preciso de amor, de compreensão, de abraço, de afago, de cuidados. Eu cuido do outro e quem cuida de mim? Como poderei ser capaz de cuidar de forma efetiva do outro se eu não cuidar efetivamente de quem eu sou? Há uma relação intrínseca entre a qualidade do cuidado provido a alguém e a atenção que direciono a mim. Por um lado, parece que se está acrescentando mais atividades em cima dos ombros de quem já carrega tanto. Por outro, muito disso pode ser aliviado quando a gente cuida de si, se conhece, se ama, se protege, se cuida. Muito dessa situação pode ser aliviada, ser mais prazerosa, quando direciono o holofote a quem eu sou, a mim mesma, e faço com que a luz dele atravesse barreiras e abrace quem é tão bem quisto por mim.

Autoria: Silvia Francine Sartor; Stefanie Griebeler Oliveira.