Perspectivas sobre a soberania cubana e a assimilação com o lema de 2026

A análise das relações internacionais na América Latina exige, invariavelmente, uma incursão pela trajetória singular da República de Cuba. Como postula a historiadora Aviva Chomsky, a Revolução de 1959 não deve ser compreendida como um fenômeno insular, mas como um evento intrinsecamente ligado a uma conjuntura global de descolonização e reconfiguração de poderes. No centro desta narrativa reside o conceito de “transculturação”, cunhado por Fernando Ortiz, que descreve a génese de uma identidade nacional forjada no desajuste e na readaptação de fluxos migratórios e culturais diversos.

Contudo, em 2026, esta identidade é submetida ao seu teste de resiliência mais severo desde a Crise dos Mísseis, confrontando a comunidade internacional com dilemas éticos e diplomáticos sobre o direito à autodeterminação.

 

Outdoor perto da Praia de Girón. “Girón: Primeira Derrota do Imperialismo Ianque na América Latina”

Foto: Tracey Eaton

A conjuntura de 2026: crise energética e estrangulamento econômico


O atual cenário geopolítico é definido por uma regressão profunda nas relações bilaterais entre Havana e Washington. O retorno da administração de Donald Trump à Casa Branca resultou numa reativação agressiva de mecanismos de pressão econômica, culminando num bloqueio sistemático ao fornecimento de hidrocarbonetos.

De acordo com dados veiculados pela CNN Brasil (2026), o embargo energético precipitou uma crise sem precedentes na matriz elétrica cubana. Os apagões generalizados deixaram de ser episódicos para se tornarem sistêmicos, ameaçando o funcionamento de serviços críticos e a estabilidade da ordem pública.

A arquitetura de alianças que sustentou a economia cubana nas últimas décadas sofreu uma ruptura drástica. A captura de Nicolás Maduro pelas forças dos EUA eliminou o suporte logístico e petrolífero proveniente de Caracas, exacerbando a vulnerabilidade sistêmica da ilha, conforme analisado pela BBC (2026).

Bandeira de Cuba

Foto: Getty Imagens

Resistência ideológica e defesa do sistema político

Do ponto de vista da teoria das Relações Internacionais, a postura de Havana em 2026 reafirma a prioridade da soberania sobre a integração econômica sob coação. Apesar das ameaças explícitas de intervenção e das exigências de uma “mudança de regime”, o governo cubano mantém uma rejeição categórica a qualquer condicionalidade externa sobre o seu sistema político.

Este antagonismo, que atingiu o seu apogeu em março de 2026, coloca em evidência a fragilidade dos mecanismos de mediação regional. Enquanto canais diplomáticos residuais tentam mitigar o risco de um conflito armado, a liderança cubana articula uma retórica de defesa nacional enraizada na memória histórica da Revolução, tratando o isolamento atual como uma extensão da luta iniciada em 1959.

PelotasMUN 2026: a reivindicação da narrativa

No âmbito do PelotasMUN 2026, a análise destes eventos transcende a mera simulação de conflitos; trata-se de um exercício de compreensão das dinâmicas de poder no Sul Global. A crise cubana é o paradigma de um continente que, historicamente, luta para que o seu percurso não seja editado ou silenciado por hegemonias externas.

A necessidade de retomar o controle sobre o próprio destino nunca foi tão premente. O direito de uma nação exprimir a sua identidade e de ser a autora da sua crônica política é o que nos convoca este ano. Neste contexto de resistência e de busca pela verdade histórica, o PelotasMUN apresenta o princípio norteador dos nossos debates.

Apenas através da assunção total da nossa identidade poderemos enfrentar as tempestades da geopolítica contemporânea. É por esta convicção que, em 2026, o nosso lema oficial será: “Nuestra voz, nuestra história

Júlia de Oliveira Moreira

Secretária Administrativa de Press

 

REFERÊNCIAS:

CHOMSKY, Aviva. Relations with the United States. In: CHOMSKY, Aviva. A History of the Cuban Revolution. John Wiley & Sons, 2015. Nº 54, 54-72.

CUETO, J. C. Cuba e Estados Unidos: como nasceu a rivalidade histórica. BBC News Mundo, 21 mar. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8xy00pnkjro. Acesso em: 30, mar. 2026.

PRAZERES, L.; GRANCHI, G. Maduro capturado em ataque dos EUA à Venezuela: os cenários previstos pelo governo Lula a partir de agora. BBC News Brasil, 3 jan. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2ln0ge5d1o. Acesso em: 1 abr. 2026.

PÉCHY, A. Cuba rebate ameaça de Trump e se diz ‘pronta’ para possível ataque dos EUA. VEJA, 23 mar. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/cuba-rebate-ameaca-de-trump-e-se-diz-pronta-para-possivel-ataque-dos-eua/. Acesso em: 30, mar. 2026.

REUTERS, D. Quem são os atores globais com maior influência no futuro de Cuba?. CNN Brasil, 27 mar. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/quem-sao-os-atores-globais-com-maior-influencia-no-futuro-de-cuba/. Acesso em: 30, mar. 2026.

OPPMANN, P.; WHITEMAN, H. Cuba promete resistência firme diante de ameaças dos EUA. CNN Brasil, 18 mar. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/cuba-promete-resistencia-firme-diante-de-ameacas-dos-eua/. Acesso em: 30, mar. 2026.