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Projeto da UFPel leva educação midiática às escolas e ensina estudantes a identificar conteúdos falsos e produzidos por IA

Foto/Crédito: Kemi Matozzo | VeriFato - UFPel

Iniciativa do VeriFato busca fortalecer o pensamento crítico de crianças e adolescentes diante da desinformação que circula nas redes sociais

Por João Vitor Mendes |  Agência Marte

Em um cenário marcado pela rápida circulação de informações nas redes sociais e pelo avanço das ferramentas de inteligência artificial, o projeto VeriFato, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), tem realizado ações de educação midiática para escolas públicas de Pelotas com o objetivo de ajudar estudantes a identificar conteúdos falsos, imagens manipuladas e vídeos produzidos por inteligência artificial.

A iniciativa trabalha com oficinas práticas voltadas a alunos da educação básica, compartilhamento de conteúdo on-line e desenvolvimento do pensamento crítico através das redes sociais. Durante as atividades, os estudantes analisam exemplos reais que circulam na internet e aprendem estratégias para verificar a autenticidade de informações, imagens e vídeos.

Segundo a professora Silvia Meirelles, coordenadora do projeto, o VeriFato surgiu a partir de uma experiência iniciada durante a pandemia de Covid-19.

O Verifato começou a ser gestado em 2020, na pandemia, quando eu e um grupo de alunos fazíamos vídeos no Instagram sobre checagem de imagens. Gostamos tanto do formato que criamos o perfil oficial em 2021 e, em 2022, expandimos para o TikTok.

A proposta começou como um projeto de extensão e posteriormente tornou-se em um projeto de ensino. O objetivo principal era criar um espaço de experimentação para compreender como o jornalismo pode dialogar com o público jovem por meio de vídeos curtos em plataformas digitais.

O principal objetivo do Verifato é ter um espaço em que a gente possa testar formatos de jornalismo para TikTok, Instagram em vídeos curtos e como é que a gente pode pensar edição e conteúdos nesse formato.

 Aproximar o jornalismo dos jovens

Ao longo do desenvolvimento do projeto, a equipe percebeu que um dos grandes desafios era aproximar o jornalismo de uma audiência que vem se afastando dos meios tradicionais de informação.

Silvia destaca que os próprios estudantes passaram a contribuir para a construção de pautas e linguagens mais próximas da realidade dos jovens.

Além de testar formatos, a gente começa a pensar como é que a gente conversa com essa população que tem se distanciado do jornalismo.

A partir dessa reflexão, surgiu a proposta de levar ações de educação midiática para as escolas. Inicialmente voltadas ao Ensino Médio, as atividades foram ampliadas para os anos finais do Ensino Fundamental a pedido  das próprias instituições de ensino.

Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial, especialmente da geração de imagens e vídeos hiper-realistas, o projeto também passou a incorporar esse tema às oficinas.

A gente começa a trazer a IA para a discussão dentro das oficinas de educação midiática nas escolas.

 Formação crítica e combate à desinformação

A bolsista do projeto, Kemi Matozzo, afirma que a experiência tem permitido compreender de forma prática como os jovens consomem informação e quais desafios enfrentam para distinguir conteúdos confiáveis.

Tem sido uma experiência extremamente enriquecedora. O projeto nos possibilita compreender, na prática, como os conteúdos desinformativos impactam a vida dos estudantes e quais informações eles estão consumindo.

De acordo com a Kemi, uma das principais dificuldades observadas entre os alunos está relacionada à identificação da origem das informações.

Geralmente, os estudantes apresentam dificuldades em identificar a fonte da informação, algo fundamental para confirmar a veracidade do conteúdo.

Após participarem das oficinas, os estudantes passam a demonstrar maior senso crítico diante dos conteúdos consumidos nas redes sociais.

As oficinas ajudam a construir o letramento midiático, fazendo com que os alunos desenvolvam senso crítico e maior atenção ao consumirem conteúdos na internet.

O desafio dos algoritmos

Durante as visitas às escolas, a equipe também busca compreender quais conteúdos fazem parte do cotidiano dos estudantes. Segundo Silvia, esse diálogo tem ajudado a identificar demandas que muitas vezes não são percebidas pelo jornalismo tradicional.

Foto/Crédito: Redes Sociais | VeriFato – UFPel

Um dos exemplos citados pela professora é a popularidade da chamada “novelinha das frutas” entre adolescentes. Em vez de simplesmente condenar o consumo desse conteúdo, a equipe passou a questionar como ele chega até os jovens e quais mecanismos fazem com que permaneçam tanto tempo consumindo esse tipo de material.

A gente começa a conversar com eles: como é que esse conteúdo chega até vocês e por que vocês ficam vendo tanto a novelinha das frutas?

Para a professora, compreender o funcionamento dos algoritmos tornou-se uma parte essencial do trabalho de educação midiática.

A gente leva muitas sugestões de perfis pensando nisso, que eles precisam melhorar o que estão vendo para que a oferta de conteúdo para eles também melhore.

Silvia observa que muitos estudantes utilizam ferramentas de inteligência artificial ou plataformas de redes sociais como principal fonte de informação.

Quando vocês querem saber alguma coisa, onde é que vocês procuram? É principalmente no ChatGPT, é no Gemini, às vezes eles falam no TikTok.

Segundo ela, um dos objetivos do projeto é apresentar outras fontes de consulta e estimular o acesso a bases de informação confiáveis, reduzindo a dependência das grandes plataformas digitais.

Foto/Crédito: Kemi Matozzo | VeriFato – UFPel

Para os integrantes do VeriFato, combater a desinformação vai além de ensinar técnicas de verificação. O trabalho também envolve estimular uma leitura contextual dos conteúdos consumidos diariamente.

Silvia ressalta que muitas publicações apelam para emoções intensas, o que pode levar ao compartilhamento impulsivo sem uma análise mais cuidadosa.

O nosso grande desafio é que são conteúdos que mexem com a emoção, porque aí a pessoa não consegue pensar sobre aquilo ali que está acessando.

Entre os elementos observados nas oficinas estão a identificação do autor da publicação, a data de divulgação, o contexto da informação e possíveis sinais de conteúdo sensacionalista.

Quando tiver dúvida, aonde que eu posso buscar informações confiáveis. Eu acho que trazer esses elementos já qualifica a navegação deles.

Kemi reforça que acompanhar fontes confiáveis e verificar informações em mais de um veículo são atitudes fundamentais para evitar a disseminação de conteúdos enganosos.

Também é importante estar atento às datas e ao contexto, pois nem todo conteúdo é totalmente falso; muitas vezes, ele está apenas fora de seu contexto original.

 Próximos passos

Além da produção de conteúdo digital e das oficinas com estudantes, o VeriFato pretende ampliar suas ações para a formação de professores e futuros docentes.

“A próxima etapa é trabalhar com professores e alunos de licenciatura sobre educação midiática”, afirma Silvia.

A iniciativa integra um conjunto de ações da UFPel voltadas à educação digital e deve continuar sendo desenvolvida em escolas públicas de Pelotas, fortalecendo a capacidade de crianças e adolescentes de navegar de forma crítica e consciente em um ambiente digital cada vez mais complexo.

 

Serviço:
O quê: VeriFato: educação midiática e combate à desinformação na Educação Básica
Onde: UFPel
Mais informações: https://share.google/JAtqWpLX6GDhJmddy
Instagram do Projeto: @veri.fato

 

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