O que é ansiedade?

 

Imagem gerada por Inteligência Artificial

 

    Uma criança se aproxima da pracinha, esfrega as mãos na roupa para secar o suor, está agitada, com a testa franzida e muito alerta, parece estar procurando por alguma coisa, ou esperando que algo aconteça a qualquer momento. Por que essa criança está agindo dessa maneira? Será que ela tem… ansiedade🥺?

   Todos já passamos por isso, alguma apresentação de trabalho, conhecer alguém importante, fazer uma prova entre outros acontecimentos cotidianos são gatilhos comuns de ansiedade. “Mas, se todos sentem isso em algum momento da vida, então todos têm ansiedade😰?”

   Exatamente! Ou melhor, depende do que você quer dizer com ansiedade. Quando nos falamos apenas assim, ansiedade, estamos falando de uma emoção, um sentimento vago e desagradável de medo e apreensão derivado da antecipação de um perigo, algo estranho e/ou desconhecido (Castillo et al., 2000). Portanto, a ansiedade como uma emoção é algo inerente à experiência humana

   “Mas como você pode dizer algo assim! Tantos lugares que eu deixei de ir, tantas coisas que eu deixei de fazer pela ansiedade!🤬”. Então, a ansiedade também pode se tornar um transtorno. A função evolutiva da ansiedade seria aumentar o nosso desempenho para nos preparar para uma situação difícil (Miguel, 2020), mas quando a ansiedade se torna um transtorno de ansiedade essa função é prejudicada assim como diversas outras funcionalidades importantes no cotidiano.

   No caso da ansiedade é importante estarmos atentos para a sua proporcionalidade ao evento estressor, sua persistência e se há prejuízo ou sofrimento (Castillo et al., 2000; Lenhardt; Calvetti, 2017). Em momentos importantes da vida, provas, encontros com pessoas importantes, apresentação de trabalhos e entrevistas de emprego é normal ficar ansioso.

   Mas quando ela é excessiva, desproporcional e persistente ela causa sofrimento e prejuízo em diversas áreas da vida social, acadêmica e profissional. Perde sua função de sinal de alerta e de aumento de desempenho causando preocupação constante e difícil de controlar, que pode estar associada a sintomas físicos como tensão muscular, inquietação, fadiga e distúrbios do sono (Brentini et al., 2018; Lopes et al., 2019).

   Se há suspeita que a ansiedade está extrapolando o que seria normal, sendo prejudicial, sendo persistente, a busca pela avaliação profissional especializada é importante. O tratamento é eficaz e o padrão ouro é uma abordagem multimodal com cuidado por equipe multiprofissional, psicoterapia e, quando necessário, medicações prescritas pelo médico (Nada de tomar não sei o que porque o coleguinha usa, ou porque o desinfluenciador falou🙃).

   Saiba que, se se sente assim, não está sozinho. Se precisar, busque assistência no Sistema Único de Saúde (SUS), há uma ferramenta essencial para entender como funciona cada serviço, o que você pode ter acesso e como o seu fluxo vai se dar no sistema, que são as linhas de cuidado. No caso da ansiedade há uma linha de cuidado própria que pode ajudá-lo a escolher o serviço para onde irá. Vou deixar o link da linha de cuidado para transtorno de ansiedade no adulto após as referências. Mas, adianto, se houver necessidade aguda, tanto os Centros de Atenção Psicossocial quanto as UPA’s e Pronto Socorros estão disponíveis para você.

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Referências

BRENTINI, L. C.; BRENTINI, B. C. ARAÚJO, E. C. S.; AROS, A. C. S. P. C.; AROS, M. S. Transtorno de ansiedade generalizada no contexto clínico e social no âmbito da saúde mental. Nucleus, Ituverava, v. 15, n. 1, p. 237–242, abr. 2018.

CASTILLO, A. R. G. L. et al. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, supl. 2, p. 20–23, 2000.

LENHARDTK, Gabriela; CALVETTI, Prisla Ücker. Quando a ansiedade vira doença? Como tratar transtornos ansiosos sob a perspectiva cognitivo-comportamental. Aletheia, Canoas, v. 50, n. 1-2, p. 111–122, jan./dez. 2017.

LOPES, J. M. et al. Correlação entre ansiedade e desempenho acadêmico em estudantes universitários. Cadernos de Graduação: Ciências Biológicas e da Saúde, Maceió, v. 5, n. 2, p. 137-150, maio 2019.

MIGUEL, E. C. Clínica psiquiátrica: as grandes síndromes psiquiátricas, volume 2 – 2a ed.. 2. ed. Barueri: Manole, 2020.

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Autoria: Bruno Santos Borges, Acadêmico de Enfermagem, PET-Nexus