Automedicação

   Um aluno acorda com dor de cabeça forte, abre a gaveta e pega um blister com um comprimido azul, a tia disse que esse era “tiro e queda” pra dor de cabeça. Em outro momento, o aluno se sente sobrecarregado com as provas e decide tomar aquele remedinho para focar e terminar os estudos rápido. “É só um comprimidinho, não tem como fazer mal não?”

   Embora a automedicação seja culturalmente aceita em algumas situações, como o uso de paracetamol em uma dor de cabeça, por exemplo. É importante manter a atenção aos sintomas e dirigir-se ao serviço de saúde se houver persistência desses.

   Mas é só um remédio para dor, todo mundo toma 😡! Pois é, a maioria das pessoas se automedicam, mas é fato que o uso indiscriminado, sem o conhecimento adequado e um processo de cuidado estruturado é um risco. O Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (SINTOX) traz que os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação, e se sabe que casos de intoxicação por automedicação só costuma ser notificados quando ocorrem sintomas graves (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2008).

   É importante que você sempre busque passar por um processo diagnóstico com um profissional para que se entendam as causas primeiras de sintomas. Por exemplo, uma dor de cabeça recorrente pode ser sintoma de infecção ou de pressão alta, dependendo das características dessa dor, quanto tempo você vai ficar sem tratar esses problemas se realizar apenas a automedicação dos sintomas?

   Além disso, existe toda uma outra problemática relacionada ao risco. As pessoas são diferentes e existem vários motivos que levam-nas a precisarem de diferentes doses de medicação. “Mas quem tem esse conhecimento? O profissional de saúde que atende a pessoa”. Portanto, utilizar medicamentos de outras pessoas passa por um risco real de superdosagem.

   Isso considerando que, querido leitor, você aceitou essa medicação de uma pessoa de confiança absoluta. Os riscos de aceitar medicações de estranhos são ainda mais agudos e preocupantes. “Não aceitem medicações de estranhos!”

   Aliás, esses perigos são ainda maiores quando pensamos nos medicamentos tarja preta. Esses medicamentos oferecem um risco maior que a maioria em seu uso e precisam de um controle e tratamento mais rigorosos para serem utilizados de maneira segura. E a maioria das medicações de tarja preta são psicotrópicas, e portanto importantes no contexto da saúde mental dos estudantes.

   Há estudos que encontraram que até 79,2% dos estudantes utilizaram medicamentos psicoativos sem prescrição médica. Bem mais estudantes do que fizeram uso de álcool nos últimos 30 dias, por exemplo (56,6%). É essencial que haja uma reflexão sobre a real necessidade de uso desses medicamentos que podem causar dependência, são fatores de risco para diversas doenças e podem apresentar efeitos nocivos à saúde em curto, médio e longo prazo (Reis, 2024).

   Além da automedicação em casos de ansiedade ou depressão presumidas, há também para elevar a vigilância e a motivação. Os efeitos colaterais nesses casos são tanto físicos quanto psicológicos e incluem, mas não se limitam, a dependência, depressão, ansiedade, psicose, alucinações e distúrbios hormonais e sexuais. Além dos efeitos adversos, o uso incorreto ainda pode trazer sintomas de abstinência como fadiga, depressão e insônia.

   “Mas… Eu realmente acredito que preciso desses medicamentos, eu acho que tenho algum problema de saúde mental mesmo 😕”. Nesses casos é importante lembrar que o SUS tem uma rede específica para o cuidado em Saúde Mental, a Rede de Atenção Psicossocial. Se você faz automedicação com psicotrópicos é essencial que busque atendimento em alguma porta de entrada dessa rede, ou seja, na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para uma consulta médica sobre o uso dessas medicações e investigações de problemas de saúde subjacentes. 

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   Nós, do PET Nexus, estamos preparando um mês especial de conteúdos voltados à ansiedade e a população universitária, com posts no Instagram, posts no Blog e um curso de ansiedade aos universitários que será aberto no fim do mês de Abril (conta horas 😉). Vamos tratar sobre assuntos essenciais como o que é ansiedade, sintomas, tratamento, como ela impacta os universitários, estratégias de relaxamento e uma introdução a rede de atenção psicossocial. Esperamos vocês na live de abertura!!

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Referências

Os Perigos da Automedicação. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2026. Disponível em: https://www.endocrino.org.br/2008/09/11/os-perigos-da-automedicacao/ Acesso em: 21 de abril de 2026.

Reis, F. et al.Uso de psicotrópicos em universitários da área da saúde. Revista Contemporânea, v. 4, n. 12, 2024

 

Autoria: Bruno Santos Borges, Acadêmico de Enfermagem, PET-Nexus