A Ansiedade e o Universitário

   “O aluno está caminhando pelo corredor para a sala de aula, o pensamento acelerado, como vai dar conta de três fichamentos, quatro trabalhos escritos, duas provas e uma apresentação de seminário, tudo na mesma semana ?! Ele está com aparência cansada e com olheiras, tinha feito um trabalho durante a madrugada que precisava ser entregue hoje. Hoje é o quinto dia do mês e sua fatura está atrasada, ele precisava encontrar algum pequeno bico ou serviço para conseguir o dinheiro e… a porta da sala está trancada, ele checa o relógio, não está atrasado, então ele olha em volta, a universidade está vazia, estava tão preocupado com todo o resto que não percebeu o quanto tudo estava vazio, era feriado, hoje é a Páscoa.”

   Diferente do texto anterior, nem todos passaram por um momento como esse. Quando falamos de saúde mental e ansiedade em universitários, e no geral, sempre é essencial atentar ao contexto de cada indivíduo. Mas, quando falamos de ansiedade no Brasil, em especial no contexto universitário, estamos falando de um problema estrutural. Em 2015, a prevalência global de ansiedade era de 3,6%, nesse mesmo ano no Brasil era 10,9%, mas se observarmos a população universitária estamos falando de uma prevalência entre 35% e 45% (Martins et al., 2025; WHO, 2017).

   E o texto inicial ilustra isso, os vários trabalhos e as dificuldades financeiras são um problema que abrange a vasta maioria dos universitários, que também podem ser acompanhados por outros fatores de risco como: sobrecarga de responsabilidades, jornadas duplas, expectativas sociais desiguais, ser de minorias raciais, étnicas ou sexuais, medo do fracasso, insatisfação com o curso entre outras diversos fatores (Crispin; Carneiro, 2025).

   “Mas meu deus do céu, eu tenho vários desses fatores e agora eu tenho ansiedade ?!” É importante reforçar que ter fatores de risco não significa que a pessoa tenha ansiedade, ter ansiedade envolve sintomas, prejuízos e sofrimento psíquico. O local adequado para cuidar da sua saúde mental de maneira adequada com apoio profissional são as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (os CAPS).

   Mas nem tudo são estatísticas ruins, opostos a esses fatores de risco que parecem quase intrínsecos a vivência universitária do jovem adulto brasileiro existem os fatores de proteção 😇.  Alguns desses fatores de proteção são: socialização e amizades, suporte social mútuo, acolhimento e reconhecimento no espaço universitário, prática da higiene do sono e atividade física regular (Crispin; Carneiro, 2025; Jardim; Castro; Ferreira-Rodrigues, 2020). Nem todos esses são fáceis para todo mundo, mas é sempre bom manter na rotina semanal um pouco de cada um desses para promover uma resiliência e uma saúde mental mais forte.

Imagem gerada por inteligência artificial

   “Ok, então o universitário tem mais fatores de risco para ansiedade e isso reflete em uma estatística maior, ok. Mas como a ansiedade pode impactar a nossa vida acadêmica?”

   É importante lembrar que nem sempre a ansiedade vai ter um impacto apenas negativo na nossa vida. Quando ela for uma emoção saudável ela servirá como um sinal de alerta e nos ajudará a nos mantermos preparados para provas, trabalho e eventos acadêmicos.

   Entretanto, quando ela se torna um transtorno, podem ocorrer diversos prejuízos para o indivíduo como diminuição da atenção, memória e raciocínio (Peres, 2018; Nick; Nazanin, 2013). Pode ocorrer, como houve com nosso personagem do início, um foco tão grande em preocupações futuras e pensamentos antecipatórios que ele esqueceu que era feriado e foi a faculdade. Ademais, também podem haver consequências na saúde física do universitário através de sintomas da ansiedade como tensão muscular, fadiga, alterações do sono, dores de cabeça e desconforto intestinal.

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Referências

MARTINS, A. J. O; BARBOSA A. S; DA SILVA, V. C. F; HAMIDEN, J. B. Impactos da ansiedade e depressão em estudantes universitários. Revista Observatorio de La Economia Latino Americana, Curitiba, v.23, n.12, 2025.

WHO. World Health Organization. Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Geneva: WHO, 2017.

CRISPIM, I. DE M.; CARNEIRO, L. N. Ansiedade no ensino superior: revisão sobre a prevalência e seus multifatores. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia). Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiás, 2025.

JARDIM, M. G. L.; CASTRO, T. S.; FERREIRA-RODRIGUES, C. F.. Sintomatologia Depressiva, Estresse e Ansiedade em Universitários. Psico-USF, v. 25, n. 4, p. 645–657, out. 2020.

NICK, B.; NAZANIN, D. Attentional control deficits in trait anxiety: Why you see them and why you don’t. Biological Psychology, v. 92, n. 3, p. 440-446, 2013.

PERES, K. R. L. Transtorno de ansiedade social: psiquiatria e psicanálise. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

 

Autoria: Bruno Santos Borges, Acadêmico de Enfermagem, PET-Nexus