Conheça a história do MALG

Fotografia da fachada do MALG em preto e branco.

O Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG) é um museu universitário ligado ao Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), aberto à comunidade e sem fins lucrativos.

Localizado no centro histórico da cidade, no prédio do antigo Liceu Riograndense, de significativa relevância histórico-cultural, tanto para a comunidade pelotense como para a universitária. Espaço conquistado após anos de luta institucional, por ter ocupado edificações alugadas pela cidade.

Possui um acervo de cerca de quatro mil (4000) itens, divididos em oito coleções, parte delas originárias da extinta Escola de Belas Artes de Pelotas como as coleções Leopoldo Gotuzzo, Escola de Belas Artes, Faustino Trápaga e João Gomes de Mello Filho. Após a fundação do MALG foram formadas as coleções Século XX, Século XXI, L.C. Vinholes e Antônio Caringi.

Guarda ainda dois fundos arquivísticas relativos à Escola de Belas Artes e Marina de Moraes Pires. Possui documentos relativos a artistas, especialmente os locais, catálogos e bibliografia da área para consulta local.

Como Museu Universitário, o MALG atua no ensino, pesquisa e extensão, em ações próprias ou em parceria com os institutos e centros da UFPel.
Desenvolve principalmente exposições temporárias de seu acervo e de artistas, instituições e projetos externos através de parcerias. Possuí três galerias, sendo uma delas dedicada exclusivamente para mostras temporárias relativas ao patrono do museu, Leopoldo Gotuzzo.

Também a Galeria Marina Moraes Pires, com exposições temporárias das outras coleções, além de artistas e intuições externos. Por fim, a Galeria Luciana Renck Reis, destinada a exposições de curta duração. Possui ainda espaço destinado a intervenções artísticas diversas e exposição de trabalhos das atividades educativas.

Realiza projetos de caráter educativo, visando qualificar o acesso da população aos bens artísticos e culturais. 

Se dedica a atividades acadêmicas, servindo a disciplinas voltadas para curadoria e visitas técnicas de cursos do Centro de Artes, da Museologia e Conservação e Restauro, entre outros interessados. Também participa e promove eventos acadêmicos, como palestras, conferências, cursos, oficinas entre outros.

Disponibiliza suas coleções e arquivos à pesquisa acadêmica, incentivando a produção de trabalhos científicos e a atuação de projetos de pesquisa relacionados às artes visuais, museologia, história, conservação e restauro, entre outros.

Escola de Agronomia e Veterinária. Obtida em Almanach de Pelotas, 1915.
Fonte: Almanach de Pelotas, 1915.
Salão de Honra do Lyceu Riograndense. Obtida em Almanach Pelotense, 1927
Fonte: Almanach Pelotense, 1927.

O MALG abre ao público em 07 de novembro de 1986, mas tem suas origens ligadas à Escola de Belas Artes de Pelotas (EBA), da qual herdou as coleções, bem como o envolvimento e a dedicação de alguns dos seus funcionários, professores e ex-alunos.

Os antecedentes do museu remontam a 1949, quando a EBA é criada e Leopoldo Gotuzzo, patrono da escola, começa a doar suas obras, visando a formação de um museu com seu nome e oportunizar o contato dos alunos com obras de arte. Com a sua consolidação, a escola passa a desempenhar um importante papel na vida cultural da comunidade, formando artistas e professores de arte e promovendo o interesse pelas artes visuais. Com a criação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 1969, e a posterior criação do Instituto de Artes (IA), a escola passa pelo processo de federalização. Em 1973 é concluída a fusão da EBA com o IA sendo incorporada totalmente à universidade, com todo seu patrimônio no ano seguinte.

O acervo de obras de arte teve destino ainda não mapeado dentro da universidade, até que em 1982, quando estava distribuído por diversos lugares, sofrendo o desgaste por falta de ambientação e cuidados, as professoras Luciana Reis e Yedda Luz encabeçam um projeto, culminando com o Ateliê de Conservação e Restauro, com orientação da especialmente contratada museóloga Elza Maria Loureiro Souza. O projeto tomou forma nos anos seguintes como “Projeto Pinacoteca da UFPel”. Foram realizadas mostras em julho de 1983 e em dezembro de 1984, no vestíbulo da Prefeitura de Pelotas, com o objetivo de expor o restauro das 120 obras trabalhadas.

Durante essas atividades, a professora Luciana Reis procurou Leopoldo Gotuzzo, então residente no Rio de Janeiro, com a intenção de convidá-lo a ser patrono do novo Museu de Arte, convite que foi aceito.  Contudo, o pintor veio a falecer em 1983, sem ver o museu concretizado. Mesmo assim, deixou claro o desejo de que mais obras suas fossem legadas ao museu. A segunda doação de Gotuzzo e o trabalho realizado junto ao Projeto Pinacoteca, levaram a transformação do projeto em Museu, em 1985, sendo inaugurado oficialmente, a 07 de novembro de 1986.  

Desde então, o MALG teve quatro diferentes sedes, sendo três delas em prédios alugados. Desde 2018 ocupa o prédio do antigo Liceu Riograndense, em local privilegiado do Centro Histórico da cidade de Pelotas.

Lyceu Rio-grandense – atual casa do MALG

Fotografia colorida da fachada do MALG.

Construída entre 1881 e 1883, a partir da doação da construção pela família de Eliseu Antunes Maciel, em terreno cedido pela Câmara Municipal e o projeto dos engenheiros franceses Dominique Pineau e Dominique Villar. 

Abrigou a Imperial Escola de Medicina Veterinária e Agricultura Aplicada, a primeira do Brasil. O nome Lyceu Rio-Grandense é dado ao local somente entre 1889 e 1909, mas acabou sendo um dos mais relacionados ao prédio até hoje.

Com a criação da UFPEL (1969), o prédio passa a ser da universidade, tendo sido a primeira sede da reitoria. Foi também sede do Instituto de Ciências Humanas entre os anos 1970 e 1990.

Após um período de desocupação, em 2006 foram iniciadas as obras do restauro completo da edificação. No ano seguinte, reinaugurado como Lyceu Rio-grandense de Agronomia e Veterinária. Finalmente, em 2018 o MALG foi transferido para sua casa própria no respectivo prédio.

Referência

As imagens antigas do prédio Lyceu Riograndense foram obtidas em:

LIZOTT, Joana Soster; ALVES, Fábio Galli. Desvendando o Lyceu Riograndense: apontamentos sobre a nova sede do MALG. Seminário de História da Arte – UFPel, [s. l.], v. 2, n. 8, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/Arte/article/view/17956. Acesso em: 3 set. 2026.