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  • Com a guerra no Irã, o petróleo ficou em alta e a ação PETR3 (Petrobras ON) subiu. Mas será que ela pode subir ainda mais?

     

    Histórico da empresa, situação financeira e de mercado

     

    A Petrobras é a maior petroleira do Brasil e uma das principais empresas de energia da América Latina. A estatal foi fundada em 1953. Desde o início desempenhou um importante papel na política energética nacional. Consolidou sua atuação na exploração e produção de petróleo e gás, com destaque para o seu  foco no pré-sal — uma dos mais relevantes bacias petrolíferas do mundo.

    Em relação ao seu posicionamento estratégico no Brasil, podemos destacar:

    • Que a Petrobras domina a exploração e produção de petróleo e gás no Brasil e tem participação relevante no refino e transporte. O pré-sal já responde por grande parte de sua produção, com baixos custos de extração e bom potencial de crescimento.

    • A empresa é um ator importante no mercado de combustíveis, influenciando preços internos e políticas de oferta. Isso a torna estratégica para a segurança energética do Brasil.

    Já em relação à sua atuação internacional:

    • A Petrobras compete com grandes petroleiras internacionais, especialmente no segmento de produção offshore de águas profundas.

    • Apesar de menos diversificada globalmente que gigantes como ExxonMobil ou Shell, a empresa tem grande relevância em mercados emergentes e mantém produtos negociados internacionalmente.

    Em termos das métricas de rentabilidade, liquidez e endividamento, nos últimos anos a Petrobras apresentou consistência nos seus resultados operacionais e financeiros:

    • Em 2024, a empresa registrou um lucro líquido de R$ 36,6 bilhões, com Operating Cash Flow (Fluxo de Caixa Operacional) de R$ 204 bilhões, gerando caixa robusto apesar de um cenário de preços de petróleo volátil.

    • Em 2023, alcançou seu segundo maior lucro histórico (R$ 124,6 bilhões), acompanhado de elevado EBITDA e fluxo de caixa operacional.

    • Trimestralmente, no 3T de 2025, reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões e forte Operating Cash Flow.

    • Até fim de 2024, a empresa tinha caixa ajustado de US$ 8,1 bilhões e free cash flow de US$ 23,3 bilhões, demonstrando capacidade de operar e financiar suas atividades.

    • A dívida líquida caiu ao longo de 2024-25 e ficou estável em torno de cerca de US$ 59-60 bilhões no 3T 2025, com métricas como Dívida L´íquida/EBITDA de cerca de 2x, indicativo de alavancagem controlada.

    • Margens líquidas e operacionais variaram com os ciclos de preços do petróleo, mas produziram resultados sólidos, em linha com grandes petroleiras.

    • A eficiência do pré-sal e a alavancagem operacional da produção offshore sustentam margens competitivas globalmente.

     

    Estimativas de Valuation pelos nossos modelos de machine learning

     

    Com as altas recentes da B3, PETR3 registrou valorizações expressivas. Subiu 3,86% neste mês de março; 12,10% em apenas 30 dias;  21,14% em 30 dias e 24,60% em 12 meses, considerando a data de 03/03/2026, quando atingiu R$ 44,38.

    Ainda assim, esta ação continua apresentando considerável upside (potencial de lucro) e – levando em conta a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning – todos eles mostraram que PETR3 ainda está barata. Com o cenário internacional de guerra no Oriente Médio, não será surpresa se este ativo atingir rapidamente o seu valor intrínseco, calculado com base nos relatórios contábeis de 30/09/2025, os mais recentes divulgados pela petroleira.

    Como mostra a figura 1, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento abaixo dos seus valores intrínsecos estimados. A maioria dos modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de valuation de ações apontaram valores intrínsecos acima de R$ 56,00. O nosso LAFI Model também aponta uma estimativa de preço-alvo de R$ 56,41. Apenas o influente modelo de Damodaran (1994), conhecido por ser prudente e conservador nas previsões, registrou um valor intrínseco menor de R$ 53,21 (que mesmo assim se encontra R$ 8,83 acima da cotação de fechamento de R$ 44,38, registrada em 03/03/2026).

     

     

    Ao observarmos a figura 2, notamos que o citado modelo de Damodaran (1994) registrou o menor upside para PETR3, que foi estimado em 19,89%. O nosso LAFI Model estimou um upside de 27,10% e a projeção mais otimista foi a do modelo de Fernández (2004 e 2008), que registrou 44,42%. De qualquer modo, ressaltamos que todos os modelos geraram upsides positivos e que, em nossa perspectiva, o cenário de turbulência no mercado mundial de petróleo pode acelerar a valorização da ação e fazer com que ela chegue rapidamente ao seu valor intrínseco mais conservador. Isto é, o papel pode chegar a exibir uma alta de 19,89%, conforme prevê o modelo de Damodaran.

     

     

     Capacidade de Pagamento de Dividendos e de geração de fluxos de caixa

     

    A Petrobras tem uma política de remuneração acionária transparente, vinculada à geração de caixa e ao controle de dívida:

    • Em 2024, a empresa pagou R$ 102,6 bilhões em dividendos, sendo cerca de R$ 37,9 bilhões para o governo brasileiro.

    • Em 2025, aprovou pagamento de R$ 12,16 bilhões em dividendos alinhados à política de distribuição de 45% do free cash flow (fluxo de caixa livre).

    • No 1º trimestre de 2025, declarou cerca de US$ 2,1 bilhões em dividendos, apesar de lucros impactados por efeitos não operacionais em alguns períodos.

    Portanto, a empresa tem histórico de pagamento consistente de dividendos, com rendimentos atrativos para acionistas, embora a sustentabilidade dependa da dívida e das prioridades de investimento.

    A companhia tem  gerado fluxos de caixa operacional robustos, o que é fruto do elevado nível de produção própria e da obtenção de expressivas receitas de exportação:

    • A forte geração de caixa operacional em 2023-2025 (centenas de bilhões de reais anuais) demonstra a base de geração sustentável de recursos para reinvestimento, amortização de dívida e pagamento de dividendos.

    O foco em exploração de pré-sal, com baixo custo de produção e maior rendimento quando os preços internacionais sobem, reforça essa capacidade de geração de caixa ao longo do tempo.

    Potencial de Valorização das Ações com a alta recente do Petróleo

     

    O preço do petróleo é um fator-chave de valorização das ações da Petrobras (PETR3/PETR4):

    • Se o barril do tipo Brent subir, a rentabilidade da produção e os fluxos de caixa melhoram, favorecendo múltiplos de avaliação e potencial valorização das ações.

    • Conflitos geopolíticos ou tensões em regiões produtoras do Oriente Médio (por exemplo, Irã ou conflitos regionais) tendem a elevar os preços de petróleo, o que pode impulsionar o valor de ativos ligados a exploração e produção. No contexto do mercado global, eventos geopolíticos tipicamente elevam preços do Brent e WTI, beneficiando petrolíferas integradas.

    Risco de interferência política

     

    Todavia, a empresa historicamente tem sido sujeita a pressões políticas vindas sobretudo do governo:

    • A operação Lava Jato revelou um grande esquema de corrupção envolvendo políticos e executivos da Petrobras, com impactos profundos na governança e confiança de investidores.

    • Mudanças estratégicas e políticas de preço muitas vezes estiveram associadas a decisões políticas (ex.: pressões para segurar preços de combustíveis em anos eleitorais).

    • Analistas e agências de risco apontam que interferência política continua sendo um dos maiores riscos para a Petrobras, afetando decisões de gestão, estratégia, política de dividendos e percepção de risco dos investidores.

    • Autoridades da empresa negam intervenção direta, mas o tema é constantemente debatido no mercado.

    • A intervenção governamental pode afetar a tomada de decisão técnica, prejudicar a confiança dos investidores e introduzir volatilidade nas ações — especialmente em períodos eleitorais ou de política de preços de combustíveis.

    Histórico Recente e Perspectivas

    Desempenho Recente

    • Produção e resultados operacionais recordes em 2023-24, com foco em pré-sal.

    • Dívida reduzida em relação aos níveis históricos e geração de caixa sólida.

    Estratégia Futura

    • Petrobras aprovou planos de negócios 2026-2030, com foco em disciplina de capital, eficiência e equilíbrio entre investimentos, dívida e retorno ao acionista.

    • A empresa também busca diversificação no segmento de energia, investindo em projeto de energias renováveis e transição energética, inclusive acordos para entrar no mercado solar.

    Desafios

    • Manter equilíbrio entre pagamento de dividendos e reinvestimento em exploração e energia de baixo carbono.

    • Mitigar riscos políticos sem comprometer eficiência e governança.

    Finalmente, cabe ressaltar que o LAFI não faz recomendações de investimentos. Nesse sentido, nossos rela´tórios e análises destinam-se apenas à divulgação de nossos resultados de pesquisa sobre mercado de ações e valuation.

     

    Quem somos nós?

     

    Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

    • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
    • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
    • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
    • Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
    • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
    • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa
  • Relatório de valuation da ITUB3 – Itaú Unibanco ON N1

    As ações ITUB3 e ITUB4 sempre figuram entre as mais negociadas e líquidas da B3, junto com outras como PETR4 e demais ações de grandes bancos como Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.

    O Itaú Unibanco é, há vários anos, um dos maiores bancos do Brasil em termos de ativos, lucros e valor de mercado. Considerando seus ativos totais, ele é com frequência colocado no topo entre bancos privados, competindo pela posição de maior banco privado com Bradesco. O Itaú também se posiciona entre os três maiores bancos do Brasil quando se considera indicadores como rentabilidade (ROE e margem de contribuição), carteira de crédito, distribuição geográfica (capilaridade das agências) e presença internacional.

    Seu posicionamento estratégico no mercado brasileiro é privilegiado, tendo vantagens competitivas como:

    – Rede de varejo abrangente e eficiente: forte base de clientes, extensa rede de agências e forte presença digital (bancos digitais, pagamentos, carteira de crédito).

    – Diversificação de receitas: varejo, crédito imobiliário, crédito corporativo, gestão de ativos, banco de investimento, cartões.

    – Serviço de varejo altamente escalável com operações de crédito e seguros integradas.

    – Forte qualidade de crédito e sólida governança, com perfil conservador na gestão de risco.

    – Capacidade de capital robusta e acesso a funding diversificado.

    Analisando seus riscos e desafios, encontramos:

    – Competição intensa no varejo e serviços financeiros, com entrada de fintechs e bancos digitais que pressionam margens.

    – Sensibilidade a ciclos de crédito no Brasil (inflação, juros, inadimplência).

    – Necessidade de contínuas evoluções tecnológicas e de experiência do cliente para manter eficiência e satisfação.

    – Ambiente regulatório e macroeconômico brasileiro desafiador e que pode afetar spreads, volumes de crédito e demanda por produtos.

    O Itaú tende a manter uma posição dominante entre os bancos privados, com destaque para sua rede de atendimento, escala de operações e capacidade de cross-sell entre varejo e clientes corporativos. A estratégia da instituição tem sido fortalecer plataformas digitais, ampliar serviços de pagamento, aprofundar a atuação em investimentos e asset management e também manter solidez na concessão de crédito e aumentar a eficiência na gestão de custos

    O banco divulgou no dia 4 de fevereiro seus dados referentes aos quatro trimestres de 2025 e os dados anuais. Exibiu um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25). Uma alta de 13,2% em relação aos R$ 10,884 bilhões obtidos em igual período de 2024.

    Os resultados atenderam às projeções do mercado, que esperava, segundo mediana de compilação feita por analistas consultados pela Reuters, um lucro de R$ 12,3 bilhões.

    Com as altas recentes da B3, ITUB3 registrou altas expressivas. Subiu 88,08% em 12 meses, 21,14% em 30 dias e 7,11% no mês, considerando a data de 12/02/2026, quando atingiu R$ 44,92.

    Assim sendo, esta ação deixou de ter upside (potencial de lucro) e – considerando a margem de erro dos nossos modelos de valuation por machine learning – ela passou a registrar downside (potencial de queda). Transformou-se, portanto, em uma ação relativamente cara, tendo em vista que nossa análise foi feita com os demonstrativos contábeis mais recentes, fechados em 31/12/2025 e divulgados, como dissemos, no último dia 04/02.

    Como mostra o primeiro gráfico, todos os modelos de valuation que computamos evidenciam que a ação está com cotação de fechamento acima do seu valor intrínseco. Todos os modelos mais tradicionais e utilizados pela literatura de valuation de ações apontaram valores intrínsecos em torno de R$ 38,00. Somente o nosso modelo exclusivo, o LAFI Model, mostrou um valor mais otimista de R$ 43,31, ficando um pouco abaixo da cotação de fechamento de R$ 45,60.

     

     

    Considerando estes valores, o gráfico seguinte mostra os potenciais de baixa (downsides). Como mencionamos, o menor deles corresponde ao nosso modelo, que apontou uma queda potencial de -5,03%.

     

    Trata-se, portanto, de um resultado natural, diante da expressiva valorização de ITUB3.

    Não é nada fácil estimar com rigor analítico valores intrínsecos de bancos, dado que estas instituições não possuem fluxos de caixa e os modelos de valuation baseiam-se em técnicas de fluxo de caixas descontados. Nesse sentido, acreditamos que estas estimativas possam ser úteis para a tomada de decisões de gestores, investidores pessoas físicas e investidores institucionais.

    Finalmente, salientamos que o LAFI não faz recomendações de investimentos e que não temos vinculação com nenhuma empresa ou instituição financeira. Somos um grupo de pesquisa em valuation e finanças e nosso único propósito é produzir e divulgar estimativas elaboradas com alto nível de rigor analítico e contribuir para a tomada de decisões dos participantes do mercado de ações.

    Nosso grupo é formado pelos seguintes pesquisadores:

    • Clarissa de Souza – departamento financeiro da Safras & Cifras e acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
    • Profª Daniela Miguel Coelho – Professora e pesquisadora do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas (DECON/PPGOM/UFPEL). Doutora em Ciências Contábeis pela Unisinos.
    • Flávio de Vasconcellos Corrêa – economista e engenheiro da UFPEL. Mestrando em Economia Aplicada no PPGOM/UFPEL.
    • Guilherme Gotuzzo – acadêmico do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
    • Isabelle Braum de Mello – acadêmica do Curso de Ciências Econômicas da UFPEL.
    • Prof. Marcelo de Oliveira Passos – Coordenador do LAFI. Professor e pesquisador do DECON/PPGOM/UFPEL. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Estágio pós-doutoral em Economia Computacional no Research Unit on Complexity and Economics do ISEG/Universidade de Lisboa.