L. C. VINHOLES

Luiz Carlos Lessa Vinholes (1933), é natural de Pelotas (estado do Rio Grande do Sul), filho de Joaquina de Oliveira Lessa Vinholes e Lourenço Idiart Vinholes. Sua trajetória é reconhecida tanto no Brasil quanto no exterior, notadamente como músico, compositor e poeta, bem como por sua atuação em prol da cultura brasileira, particularmente como Oficial de Chancelaria do Itamaraty entre 1961 e 2000. Se notabilizou por defender e divulgar a cultura brasileira em outros países, sobretudo no Japão, onde residiu por vários anos. Além disso, é reconhecido internacionalmente como o compositor brasileiro pioneiro da indeterminação na música, ou, como ele mesmo definiu, da música aleatória. Nos parágrafos que seguem, se apresentam alguns dos lances de maior relevo na trajetória de Vinholes.

19640000 – Detalhe de passaporte diplomático de L. C. Vinholes, 1964.

Luiz Carlos foi aluno da Escola São Francisco de Paula durante o primário (1942-43) e a seguir cursou o Ginasial e o Científico no Colégio Gonzaga (1944-47 e 1948-50). Estudou composição e instrumentação com José Duprat Pinto Bandeira a partir dos 16 anos, entre 1949-50. No Conservatório de Música de Pelotas, entre 1950-51, estudou matérias teóricas com Antônio Margherita, canto com Lourdes Nascimento e violino com Olga Fossati. Integrou o Coral da Catedral de Pelotas, regido por seu primeiro professor de música, o maestro José Duprat Pinto Bandeira, e trabalhou como copista para a Orquestra Sinfônica de Pelotas, acompanhando seus ensaios. Conforme a professora Mari Lucie Loreto, Vinholes teve seus primeiros poemas apresentados a partir de 1952. Foram 21 poesias publicadas no período que foi colaborador e crítico musical nos jornais Diário Popular e Opinião Pública, até sua ida para São Paulo em 1953. Considerado por Haroldo de Campos como “o Marco Polo da poesia brasileira”, sua obra é relativamente pouco conhecida.

Entre 1952 e 1957, convidado por Hans-Joachim Koellreutter, trabalhou como secretário da Escola Livre de Música da Pró-Arte em São Paulo. Tanto na ELM quanto nos Cursos Internacionais de Férias da Pró-Arte em Teresópolis (RJ) e no Seminário Internacional da Música da UFBA, frequentou as disciplinas de canto, flauta e composição, ministradas por Koellreutter e outros professores como Gabrielle Dumaine e Celina Sampaio. Além de aluno, também desempenhou a função de secretário pessoal de H. J. Koellreutter e colaborou ativamente na organização do I Seminário Internacional da Universidade Federal da Bahia (UFBA). No período 1952-57, Vinholes intensificou a atividade de compositor, quando escreveu peças na técnica dodecafônica e desenvolveu sua própria técnica de composição “tempo-espaço”, a partir dos estudos de filosofia da música realizados com Yulo Brandão e Miguel Reale no Instituto Brasileiro de Filosofia em São Paulo (1956), quando desenvolveu melhor elaboração de princípios técnicos, teóricos e estéticos de composição em suas obras.

19540600 – H. J. Koellreutter (acima, à esq.), L. C. Vinholes (ao centro). Seminário internacional de Música da Bahia. UFBA, Salvador, BA, 1954. 19580222 – L. C. Vinholes e Kanishi Kasagi tocando durante prece da maiko no templo xintoísta Kasuga Taishi de Nara, Japão, 1958.

Escreveu como crítico musical no Diário de São Paulo – órgão de imprensa dos Diários Associados de Assis Chateaubriand –, na coluna “Música” entre 1956 e 1957, espaço em que articulou os mais variados assuntos musicais nacionais e internacionais e em que criticou o “estado letárgico do ensino e da cultura no país”, ao comentar sobre o ensino oficial de música e a educação de forma geral no Brasil em uma de suas colunas. Criou suplemento musical na “Revista Intercâmbio”, e também escreveu como crítico musical nos jornais “A Opinião Pública” e “Diário Popular”. Ministrou diversos cursos e conferências sobre temas da música, dirigiu corais em Pelotas e em São Paulo, onde também foi membro do “Conjunto Coral de Câmara”e do “Madrigal”, dos Seminários de Música da Pró-Arte.

Em 1957, Vinholes foi selecionado pelo Ministério da Educação do Japão como bolsista para a realização de uma viagem de estudos de dois anos naquele país. No período entre 1957 e 59, frequentou a Geidai e o Departamento de Música da Casa Imperial em Tóquio, quando estudou História e Prática da Música do Oriente e do Gagaku com Hisao Tanabe. em 1958 e 59, pratica os instrumentos do Gagaku com nomes como Hiroharu Sono e Sueyoshi Abe (considerado um “tesouro vivo”), além de praticar leitura da notação tradicional de instrumentos japoneses e do Gagaku em particular, orientado pelos mesmos mestres japoneses. Ainda durante a realização dos estudos, empregou-se como intérprete da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. (Usiminas) na Purchasing Mission (Comissão de Compras) da empresa no Japão entre 1958 e 1961, quando foi firmado o Consórcio Nippon-Usiminas, marco da criação da companhia estatal que representou o primeiro grande investimento do Japão no exterior após a Segunda Guerra. A viagem de estudos transformou definitivamente a trajetória de Vinholes quando, convidado pelo então Embaixador Décio de Moura, assumiu o posto de Encarregado da Seção Cultural e de Imprensa da Embaixada do Brasil em Tóquio. Foi inicialmente contratado como quadro temporário na Embaixada em junho de 1961. Em 15 de junho de 1962, passa a integrar o quadro permanente de funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na Missão Diplomática da Embaixada do Brasil em Tóquio. Exerce funções de escrevente e intérprete, até ser admitido como Oficial de Chancelaria.

Vinholes sempre trabalhou pela difusão da cultura brasileira no Japão, onde entre outras atividades apresentou um programa de rádio sobre a recém surgida Bossa Nova. No período, além de desenvolver sua pesquisa sobre música chinesa, coreana e japonesa, proferiu palestras e conferências em simpósios e eventos internacionais. Promoveu a música e a poesia concreta brasileira e organizou exposições de artes visuais em Tóquio, Osaka, Sakata, Suza, Kanazawa, e Kikko, que contaram com obras de onze gravuristas como Vera Chaves Barcellos, Danúbio Gonçalves, Zorávia Bettiol, Isabel Pops e Maria Bonomi, além de esculturas de Vasco Prado e pinturas de Samson Flexor, Raul Porto, Willys de Castro, Barsotti, entre outros artistas brasileiros. Também idealizou e articulou a criação da Galeria de Arte na Embaixada do Brasil em Tóquio, um espaço destinado às exposições de obras de artistas brasileiros no país. Em artigo no jornal “A Tribuna” de 30/06/1976, Gilberto Mendes destaca que Vinholes atuou em diversos campos da vanguarda artística brasileira além da música. Poeta concreto, escreveu com os paulistas do grupo noigandres e “colaborou ativamente com Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos, na tradução dos principais nomes da nova e da tradicional poesia japonesa, bem como é o tradutor por excelência da poesia contemporânea brasileira para o japonês.” Mendes destaca ainda que Vinholes

“escreve para as mais importantes revistas japonesas, tem frequentado todos os congressos e simpósios de arte oriental, bem como os ambientes onde se articulam as mais avançadas correntes modernistas do jovem Japão. Participou, inclusive, de um trabalho coordenado pela famosa Yoko Ono, ex-mulher de John Lennon. Muito antes de se ligar aos Beatles, Yoko já era célebre nos meios da vanguarda japonesa” (MENDES, 1976).

O professor Mario de Souza Maia registra a participação ativa de Vinholes no movimento da poesia concreta brasileira, “não só como poeta mas como promotor e divulgador do concretismo, especialmente no Japão” (MAIA, 1999). Maia também sublinha que Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos citam Vinholes inúmeras vezes na obra “Teoria da poesia concreta – textos críticos e manifestos 1950-1960”, de 1987, ao relatar sua atividade como poeta, tradutor, editor, conferencista e promotor da poesia concreta em exposições no Japão. A respeito de sua faceta de músico, na dissertação de mestrado pelo Programa de Pós-graduação em História da PUCRS, intitulada “Serialismo, Tempo-Espaço e Aleatoriedade: A Obra do Compositor Luiz Carlos Lessa Vinholes”, Maia afirma que a produção de Vinholes se caracteriza por ser

“[…] uma obra musical bastante original e alicerçada em princípios teóricos próprios, inserida nos movimentos de renovação e vanguarda, habitualmente deixadas de lado pela historiografia tradicional e dominante na bibliografia brasileira. Sem cunho nacionalista, é autônoma e racional. Seu pensamento, posições estéticas e ideológicas podem ser identificados em diversos depoimentos pessoais, bem como em um conjunto de críticas musicais, publicadas em 1957 no jornal Diário de São Paulo […] (MAIA, 1999).

Em 1975, o compositor Gilberto Mendes, ao escrever sobre o programa do XI Festival Música Nova de Santos, diz: “A terceira música do programa tem importância histórica dentro da música brasileira. É Instrução 61, do brasileiro Luiz Carlos Vinholes, introdutor da música aleatória em nosso país” (Tribuna da Imprensa, 14/09/1975). O compositor João Marcos Coelho, em artigo intitulado “Uma história da música com vários pecados”, comentando a História da Música do diplomata Vasco Mariz, obra editada pela Civilização Brasileira em convênio com o Instituto Nacional do Livro – MEC, escreve: “E Gilberto Mendes não é o pioneiro da música aleatória como quer Vasco Mariz, mas sim Luís (sic) Carlos Vinholes, autor, em 1961, de “Instrução 61” a primeira peça aleatória brasileira. Vinholes, aliás, sequer é citado nesta “história” assim como Armando de Albuquerque e Jocy de Oliveira” (Folha de São Paulo, 21/04/1981). Mario Maia registra que a omissão de Vinholes na obra de Vasco Mariz levou treze anos para ser desfeita, o que ocorreu com uma nova edição do livro revista e ampliada, lançada em 1994. Segundo Maia, ao final de sua abordagem sobre Vinholes, Vasco Mariz afirma que “o Brasil precisa conhecer melhor a sua obra”.

  1. C. Vinholes também empreendeu obras em favor do melhor entendimento entre os povos. Sócio fundador da Aliança Cultural Brasil–Japão, idealizou e promoveu os processos de reconhecimento das primeiras cidades-irmãs entre o Brasil e o Japão: Suzu (província de Ishikawa) e Pelotas (estado do Rio Grande do Sul), co-irmandade firmada em setembro de 1963; e Kanazawa (província de Ishikawa) e Porto Alegre (estado do Rio Grande do Sul), co-irmandade firmada em março de 1967, ambas durante o período em que desempenhou funções na Embaixada do Brasil em Tóquio.

Na reportagem “Pelotas, Princesa do Sul, apresenta sua irmã Suzu, residente no Japão”, publicada em 29/12/1963 no jornal Correio do Povo, o jornalista Carlos Rafael Guimarães destaca que os laços entre Pelotas e Suzu se tornaram afetuosos a partir da amizade entre L. C. Vinholes e o pintor japonês Gagyu Ueda, que havia escolhido a cidade japonesa para viver. Ueda soube que o diretor da Escola Municipal de Suzu procurava solucionar a inexistência de um hino oficial da Escola, considerado um elemento importante na identidade das escolas japonesas. Gagyu Ueda contatou então dois amigos para solicitar a criação do hino: o poeta Shuzo Wamoto, autor da letra, e L. C. Vinholes, que compôs a música. Vinholes descreveu o hino à imprensa japonesa da seguinte forma: “as duas primeiras partes foram compostas dentro dos rigorosos cânones da música clássica japonesa; a terceira e quarta partes, estão sincopadas com a presença de ritmos brasileiros, inspirados sobretudo no samba”.

O hino foi muito bem recebido pela comunidade de Suzu, e Vinholes teve a honra de se tornar o único estrangeiro a realizar o feito de ter composto o hino de uma escola japonesa. A partir desta parceria, Vinholes e o diretor da Escola Municipal de Suzu, professor Haruo Kadotani, articularam a formalização da irmandade entre as duas cidades que foi aprovada pelas duas Câmaras Municipais em 1963, durante a gestão dos prefeitos João Carlos Gastal (Pelotas) e Ryuichiro Okamura (Suzu). O acordo de irmandade resultou em visitas de comitivas de Suzu a Pelotas e da recepção a grupos de estudantes intercambistas da escola de Suzu, que foram hospedados em casas de família na cidade de Pelotas em 1992, em uma experiência muito rica para os participantes.

Em 1992, a pedido de seu amigo Vinholes, o artista e paisagista Kenzo Tanaka projetou a Praça Jardim de Suzu, para implementação em espaço público de Pelotas. Inicialmente planejada para as imediações da Estação Rodoviária, posteriormente foi implementada no canteiro central da Avenida República do Líbano, na zona norte da cidade. Entre as atividades realizadas em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil, a Prefeitura Municipal inaugurou a praça Jardim de Suzu em homenagem à cidade-irmã japonesa em 2008. O projeto paisagístico de Tanaka simboliza um arquipélago: contém terra, água, pedras e árvores típicas do Japão. Outro resultado dos laços de amizade entre Suzu e Pelotas é o clube de correspondência “Amigos” criado para promover o intercâmbio entre estudantes dos dois municípios, coordenado pelas professoras Akiko Naka (escola de Suzu) e Terezinha Louzada (Colégio Municipal Pelotense).

20080900 – Vista parcial da praça Jardim de Suzu, Pelotas, RS, 2008.

Vinholes cumpriu praticamente 40 anos de atividade no Itamaraty, entre os anos de 1961 e 2000. Após 6 anos em Tóquio, é designado para atuar no Paraguai, onde exerce o cargo de Vice-cônsul interino no Consulado-Geral do Brasil em Assunção, entre 1968 e 1974. Em 1974 retorna ao Japão, para ser novamente transferido em 1977, quando assume o cargo de adido encarregado do Setor Cultural na Embaixada do Brasil em Ottawa (Canadá), posto no exterior onde permanece até 1989, quando é lotado na Secretaria de Estado do Ministério das Relações Exteriores (MRE) em Brasília. Em agosto de 1992 assumiu a gerência da Agência Brasileira de Cooperação do MRE. Entre 1993 e 1995, Vinholes ocupa cargo de Coordenador de Projetos Especiais na Fundação Alexandre de Gusmão da Agência Brasileira de Cooperação / MRE. Designado em 1995 para missão transitória de 3 meses do Itamaraty na Embaixada do Brasil em Tóquio, no âmbito da Cooperação Cultural Brasil–Japão, Vinholes articula atividades relativas ao centenário das relações bilaterais entre os dois países. Em fevereiro de 1996, L. C. Vinholes é transferido para o Consulado-Geral do Brasil em Milão (Itália), onde permanece até agosto de 1999, quando é novamente lotado na Secretaria de Estado em Brasília.

A partir de 1999 até sua aposentadoria do Itamaraty em fevereiro de 2000, Vinholes exerce a função de Gerente da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada à Secretaria de Estado do MRE. Entre 2000 e 2004, atuou na ABC como contratado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), cuja atuação objetiva apoiar os países a erradicar a pobreza e reduzir significativamente as desigualdades e a exclusão social. Em um conjunto de 5 volumes de documentos oficiais e administrativos digitalizados, obtidos junto ao MRE por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), aparecem relatos de aspectos da conduta pessoal e profissional de Vinholes. Em memorando, o Cônsul–Geral em Assunção Paulo da Costa Franco afirma ser “graças à competência e à excepcional capacidade de trabalho do Oficial de Chancelaria Luiz Carlos Lessa Vinholes, que responde provisoriamente por aquela repartição consular, a mesma está funcionando satisfatoriamente, mas as condições de trabalho, quanto a pessoal como a instalações, são precárias”. Até mesmo referências à sua capacidade como compositor e docente podem ser verificadas em cartas do Itamaraty, como a enviada ao ministro Azeredo da Silveira por José Maria Neves, presidente da Equipe Internacional Permanente dos Cursos Latino–Americanos de Música Contemporânea, em que afirma, ao solicitar a cedência do oficial para ministrar aulas nos cursos: “a presença do Professor Vinholes, convidado para o corpo docente deste próximo curso por solicitação de inúmeros alunos, será da maior importância, em razão da sólida formação deste compositor e da solidez de sua produção musical. Dentro da programação geral do curso, estamos certos de que o trabalho docente e a mostra da música do Prof. Vinholes colocará em relevo a ação e criação da nova música de nosso país”.

Por sua capacidade como intérprete e profundo conhecedor das culturas brasileira e japonesa, Vinholes foi escalado como intérprete oficial na visita do príncipe Akihito e princesa Michiko a São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro em 1967. Seu reconhecimento internacional vem de longa data. Em 1977, foi agraciado no Japão com a Ordem do Tesouro Sagrado em Quinto Grau, uma condecoração de mérito do país criada em 1888 pelo Imperador Meiji, para distinguir personalidades em reconhecimento pela realização de grandes feitos.

19771111 – Patente de Condecoração nº 9318 do Japão para Luiz Carlos Lessa Vinholes.

Como artista, Vinholes também é citado no Dictionary of International Biography (Londres, 1978), na 8a. Edição do International Who’s Who in Music (Londres, 1977), Men of Achievement, publicado pelo International Biographical Center (Londres, 1978), em Catálogo de Obras editado pelo MRE (1976), entre outras publicações brasileiras e estrangeiras. Entre diversas outras atividades, L. C. Vinholes ainda representou a seção brasileira da Sociedade Internacional de Música Contemporânea na Assembleia Geral da entidade e nas Jornadas Mundiais de Música realizadas em Toronto entre 23 e 27/09 e em Montreal entre 28/09 e 03/10/1984.

Vinholes foi o primeiro brasileiro a utilizar o procedimento de indeterminação ou aleatoriedade. Em 30/06/1976, o compositor Gilberto Mendes escreve artigo no jornal “A Tribuna” de Santos (SP) a respeito das obras de Vinholes. Para o compositor, a crítica de Gilberto Mendes coincide com o que o autor busca e pensa sobre sua própria obra musical. Com relação à Instrução 61, Mendes afirma: “Esta última obra é histórica, pois se trata da primeira obra aleatória por um compositor brasileiro”. E logo em seguida, desenvolve:

“Vinholes sempre foi um solitário indiferente às modas, às ondas nacionalistas – atualmente parece que estamos entrando numa razão por que sempre se manteve na sua, cuidando do desenvolvimento de sua linguagem, sua pesquisa. É um herdeiro espiritual do pensamento musical de Anton Webern, o grande mestre a Escola de Viena. Trabalha sua música com uma bem pensada economia de meios. E trabalha pouco, só quando reconhece que vale a pena comunica o que concebeu. Tal como Webern. Por isso já o chamei de compositor bissexto”.

O professor Mario de Souza Maia, ao escrever sobre a “Instrução 61” em sua tese de mestrado “Serialismo, Tempo-Espaço e Aleatoriedade – A obra do compositor L. C. Vinholes” (1999), afirma: ”[…] é nesse momento que surgiu uma composição que será, no mínimo pelo valor histórico, a mais importante da obra do Vinholes: Instrução 61 (1961). Com ela inaugurou – para si – uma nova maneira de trabalhar o material sonoro: a música aleatória, ainda inédita entre compositores brasileiros”.

A relação de Vinholes com a UFPEL se estreitou de forma mais intensa nos últimos 10 anos, quando foram realizadas exposições sobre suas coleções e sua obra no MALG e também após ter seu nome atribuído como patrono da Discoteca dos cursos de Música do Centro de Artes (CA/UFPEL). O professor Mario de Souza Maia, em entrevista ao jornalista Sérgio Yunes (Coordenação de Comunicação Social – CCS/UFPEL), em 2014, registra que sua relação com Vinholes se estreitou na década de 1990, quando definiu a obra do compositor como tema para dissertação de mestrado em História pela PUC-RS. Maia inicia sua abordagem sobre a música aleatória em 1951, quando o compositor John Cage, influenciado pelo movimento dadá e por uma filosofia zen, compôs “Music Changes” e “Imaginary Landscape nº4″, usando pela primeira vez o acaso e a indeterminação na música. “Instrução 61″ (1961), de autoria de Vinholes, reconhecida como a primeira música aleatória composta por um brasileiro, se tornou o mote da pesquisa do fundador da Discoteca, que percebeu a profundidade e as múltiplas facetas do trabalho de Vinholes, registradas em sua dissertação defendida em 1999.

Criada em maio de 1992 pelo professor Mario Maia, e na ocasião vinculada ao Departamento de Artes e Comunicação do então Instituto de Letras e Artes (DAC/ILA/UFPEL), a Discoteca teve como objetivo inicial constituir um acervo fonográfico dirigido ao suporte acadêmico dos cursos de música. Atualmente, é responsável pela salvaguarda de cerca de 20 mil fonogramas, em diversos suportes de registro, que compõem seu principal acervo. No ano de 2014, Vinholes é homenageado com a atribuição de seu nome como patrono da Discoteca, que passa a se denominar Discoteca L. C. Vinholes – CA/UFPEL. A escolha do nome de Luís Carlos Lessa Vinholes como tem a intenção de contribuir de forma perene para o reconhecimento público da relevância da obra do compositor nos campos da música, poesia, arte e cultura, tanto no Brasil quanto no exterior.

20110600 – Mario de Souza Maia, L. C. Vinholes e Ursula Rosa da Silva no projeto Arte na Escola – CA/UFPEL, 2011. 20141029 – Descerramento da placa de inauguração da Discoteca L. C. Vinholes, 2014.

Desde meados de 2010, Vinholes vem realizando uma série de doações de itens de seu acervo pessoal para o acervo público da Discoteca. Os itens das coleções doadas por Vinholes conferem ao acervo um caráter único e especial. As  coleções do patrono compreendem instrumentos musicais asiáticos, documentos de identificação, passaportes diplomáticos, atestados, cartas, diplomas, credenciais, fichários de clipping de imprensa, objetos tridimensionais de vários tipos (como bottons ou amostras de material geológico), partituras, coleções de álbuns e gravações em suportes como fitas cassete, CD’s, EP’s, LP’s, além de películas cinematográficas, microfilmes, livros, sistemas de som, acessórios de gravação e reprodução de áudio. As coleções do patrono sob a guarda da Discoteca representam uma importante fonte para pesquisadores de várias áreas do conhecimento, acessada por acadêmicos do país e do exterior que investigam aspectos da vida e obra de L. C. Vinholes.

Vinholes foi patrono da XLII Feira do Livro de Pelotas em 2014, em dupla com o professor Mario Maia, orador oficial na mesma edição do evento literário. O nome de Vinholes foi sugerido pela Secretaria Municipal de Cultura e acatado pela Câmara Pelotense do Livro, entidade responsável pela organização da Feira. O então secretário de cultura Giorgio Ronna afirmou à época que Vinholes não se destaca somente na música, mas também na cultura em geral e na literatura em especial, como criador de poesia concreta, como tradutor e como organizador de antologias literárias. Na ocasião, Vinholes contribuiu para a programação cultural da Feira com duas palestras abertas ao público: “Retrospectiva do fazer e divulgar poesia: a ponte Brasil-Japão”, proferida em 1/11/2014 na Bibliotheca Pública Pelotense; e “Retrospectiva do compor e criar em música: a música como liberdade”, realizada em 05/11/2014 no auditório 2 do Centro de Artes da UFPEL.

201410. O patrono da XLII Feira do Livro de Pelotas anunciou a abertura oficial da Feira com a tradicional ronda da sineta em torno do anel central da Praça Coronel Pedro Osório. Ao fundo, à esquerda, a vice-prefeita Paula Mascarenhas, o secretário municipal de cultura Giorgio Ronna e o prefeito Eduardo Leite. 201811. Equipe de curadoria da exposição “Constelações e fronteiras dissipadas”, realizada no MALG entre 2018 e 2019. Da esquerda para a direita: professor José Luiz de Pellegrin, Joana Lizott (Museóloga), Fábio Galli (Técnico em Restauração), estudantes Juliana Chacon, Gabriela Costa Gomes e Stela Kubiaki, L. C. Vinholes, professoresa Mari Lucie Loreto e professor Lauer Santos.

Além das coleções sob a guarda da Discoteca, Vinholes também realizou doações de obras de arte ao Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo – MALG, órgão suplementar do CA/UFPEL, que hoje compõem a maior coleção de obras do acervo do Museu. O MALG realizou diversas exposições e atividades sobre a vida, a obra e as coleções recebidas por doação de Vinholes, como as mostras “As 7 coleções do MALG” (2016); L. C. VINHOLES – Conversa com o artista e Performance da Instrução 61; “UKIYO-E: Gravura Japonesa na Coleção L. C. Vinholes” (2019); e “L. C. VINHOLES: constelações e fronteiras dissipadas” (2018-19). Sobre a composição da exposição “Constelações e Fronteiras Dissipadas”, Vinholes definiu a experiência afirmando que “ir embora de Pelotas foi como andar em túneis, sempre com a luz ao final como a esperança de voltar para casa”, conforme o blog do Programa de Educação Tutorial das Artes Visuais, em registro das estudantes Gabriela Gomes, Stela Kubiaki e Juliana Chacon, assistentes de curadoria da mostra.

Conforme a descrição contida no Catálogo do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (2017) sobre a Coleção L. C. Vinholes, “se trata da mais recente coleção incorporada ao acervo do MALG, iniciada a partir de 2011, e que já se constitui como a maior coleção do acervo do Museu, e compreende aproximadamente dois mil itens como pinturas, gravuras, mapas, desenhos, cerâmicas e esculturas […]”. Para o professor Jose Luiz de Pellegrin, curador da exposição “As 7 Coleções do MALG”: “trata-se de uma coleção singular no conjunto pela abrangência de obras, objetos, técnicas, materiais, temas e origens culturais, bem como pela representatividade dos artistas que a integram e os locais ou regiões de origem.” De acordo com registro sobre as obras contido no Catálogo MALG 2017, uma das qualidades mais notáveis da coleção de Vinholes “é a sua capacidade de traduzir a riqueza cultural e o repertório global e multiétnico de seu colecionador, na medida em que permite que se entreveja a trajetória do artista, suas influências e importância na disseminação da cultura brasileira no exterior e da importância dessas culturas em seu percurso.”

Considerando o disposto no Regimento Geral da Universidade, que em seu Capítulo II – Do Conselho Universitário, Art. 18, define serem ”[…] atribuições do Conselho Universitário, além de outras previstas no Estatuto e neste Regimento: I – ORIGINARIAMENTE: item v) deliberar sobre a concessão de títulos de professor Emérito, professor Honoris Causa e Doutor Honoris Causa, bem como o Grande Colar da Universidade”, e com base nos motivos expostos, – e por muitos outros que poderiam ser elencados mas que, por conta da necessidade de apresentação concisa e sintética, foram descartados -, apresentou-se ao Conselho Universitário a proposição do nome de Luiz Carlos Lessa Vinholes como elegível ao título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Pelotas no marco de seu 90º aniversário, celebrado em 10/04/2023. Vinholes indiscutivelmente apresenta, em sua profícua trajetória, as qualidades requeridas para a concessão da honraria pela UFPEL. A distinção pelo saber e a atuação em prol das artes, das letras e do melhor entendimento entre os povos são reconhecidas muito além de sua terra natal. Acredita-se ainda que estão observados os aspectos de reputação moral e humanística da personalidade proposta neste memorial, conforme estabelece a Resolução nº 3/2019, bem como estar a mesma atendida também nos critérios técnicos formais.

Comissão proponente do título de Dr. Honoris Causa a Luiz Carlos Lessa Vinholes

Setembro de 2022

Eduardo Montagna da Silveira
Diretor de produção
Discoteca L. C. Vinholes – CA/UFPEL

Mario de Souza Maia
Professor aposentado do magistério superior – Associado

Mari Lúcie da Silva Loreto
Professora aposentada do magistério superior – Associada

Referências disponíveis na internet

Discoteca L. C. Vinholes
Centro de Artes / UFPEL

Acervos Virtuais
Rede de Museus / UFPEL

Catálogo MALG/UFPEL 2017

Cidades irmãs

Pelotas (Brasil) e Suzu (Japão) – Cidades-Irmãs

OUTRAS INSTITUIÇÕES / ENTIDADES

Acervo Haroldo de Campos – Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Cidades Co-irmãs
Embaixada do Japão no Brasil

Concerto 80 ANOS EM 80 MINUTOS – Homenagem a L. C. Vinholes
Fundação Koellreutter | Contato
Casa das Rosas

Vinholes, L. C. [WorldCat Identities]

Poesia Concreta – o projeto verbivocovisual

IMPRENSA

Casa das Rosas inicia neste mês obras de reforma que irá durar dois anos
Veja são Paulo, 11/10/2021

Diálogos sobre a Cultura Japonesa no Malg
CCS/UFPEL, 17/11/2013

Diálogos sobre a cultura Japonesa no MALG
Diário da Manhã, 24/11/2013

Discoteca da UFPel ganha novo espaço e recebe nome de L. C. Vinholes
CCS/UFPEL, 31/10/2014

Kenzo Tanaka, artista benfeitor de Pelotas
Blog “Pelotas, capital cultural”, 29/10/2012

L. C. Vinholes expõe no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo
Prefeitura Municipal de Pelotas / Adriana Rabassa, 08/11/2018

Luiz Carlos Vinholes é o patrono da Feira do Livro
Diário Popular, 29/09/2014

Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo recebe doação de obras
CCS/UFPEL, 01/11/2013

Museu dedicado à leitura localizado em São Paulo, Casa das Rosas inicia obras de restauro
Tribuna de Petrópolis, 12/10/2021

Nascimento de um Crítico?
Blog José Eduardo Martins, 17/06/2011

Novo espaço Discoteca UFPel será inaugurado nesta quarta(29)
CCS/UFPEL, 29/10/2014

Patrono da Feira do Livro palestra no Cearte
CCS/UFPEL, 05/11/2014

Projeto de Extensão sobre Cidades-Irmãs cadastra Colaboradores Voluntários
CCS/UFPEL, 02/09/2021

Raridades no Museu Leopoldo Gotuzzo
Diário da Manhã, 30/10/2013

Pelotas e Suzu: prefeitura envia placa comemorativa |
Diário da Manhã, 16/09/2013

Suzu e Pelotas: Será criada associação de amigos
Diário da Manhã, 11/08/2014

SUZU E PELOTAS: Associação de amigos para fortalecer vínculo
Diário da Manhã, 20/08/2014

Suzu: professoras recebem placa de agradecimento
Diário da Manhã, 21/08/2014

Tradutor fala sobre conexão poética entre Brasil e Japão
Correio Braziliense, 15/06/2013

Vinholes e a música inclusiva
Diário Popular, 28/10/2010

Vinholes, patrono da Feira
Blog “Pelotas, capital cultural”, 30 de outubro de 2014

RÁDIO

Lloyd Stanford in conversation with musician, poet and man of letters, L. C. Vinholes
Of Music Poetry and Diplomacy, part 1 https://cod.ckcufm.com/programs/108/24820.html
Of Music Poetry and Diplomacy, part 2 https://cod.ckcufm.com/programs/108/24821.html
Of Music Poetry and Diplomacy, part 3 https://cod.ckcufm.com/programs/108/25319.html
Carleton University CKCU 93.1 Radio – Ottawa, Canadá
Third World Players with Lloyd Stanford – December 17th, 24th, 31st 2015

VÍDEO

Entrevista com Luiz Carlos Vinholes – DVD Música Nova OSN-UFF; Entrevistadora: Ligia Amadio

Entrevista da Semana – Luiz Carlos Vinholes
YouTube Diário Popular – 31/10/2014

Espeto Entrevista 13/04/2021 – Luiz Carlos Lessa Vinholes
YouTube Diário Popular – 13/04/2021

Exposição de Música Contemporânea Brasileira (1977 )
YouTube – Entrevista Lilia da Rosa – 03/04/2011

LCVinholes – YouTube

Meu Timor Leste (2004) – Entrevista Lilia da Rosa

Suzu e Pelotas: negociações para o acordo de cidades-irmãs
YouTube Relações Internacionais UFPEL: Cidades-Irmãs – 15/09/2021

ARTIGOS CIENTÍFICOS E PUBLICAÇÕES ACADÊMICAS

Listagem de artigos de L.C. Vinholes no site Usina de Letras

Acervos, música e musicologia: abordagens, interesses e tendências musicológicas
Renato Pereira Torres Borges. XXXI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa, 2021

A linha do horizonte não divide o mundo que tem à frente: Entrevista com o artista L. C. Vinholes
Mari Lúcie da Silva Loreto; L. C. Vinholes. Paralelo 31 – edição 11 – dezembro de 2018.

A Teoria Tempo-Espaço como ferramenta analítica para obras de caráter aberto de L. C. Vinholes: o caso da Instrução 61
Valério Fiel da Costa, Danielly Mayara Dantas. XXIV Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – São Paulo, 2014.

Cooperação internacional descentralizada: o papel do bacharelado em relações internacionais no contexto das cidades-irmãs de Pelotas-RS
Silvana Schimanski. Nº 1 EXPRESSA EXTENSÃO | JAN-ABR, 2022

Experiências em curadoria na exposição “L. C. Vinholes: constelações e fronteiras dissipadas”
Gabriela da Costa Gomes, Lauer A. N. Santos, José Luiz de Pellegrin. Anais da Semana dos Museus da UFPEL 2019.

Fuga, ou a Estratégia dos Espíritos Inquietos: A gravura Ukiyo-e na Coleção L. C. Vinholes
Rosana Pereira de Freitas. Anais do XXXIX Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte. Pelotas, RS, UFPEL/CBHA, 2020 [2019]

Instrumentos do trabalho em música brasileira
Paulo Castagna, 2003. Instituto de Artes da UNESP – Pós-Graduação em Música: Mestrado. Apostila da Disciplina: Perspectivas metodológicas na musicologia histórica brasileira.

L. C. Vinholes: constelações e fronteiras dissipadas | Loreto | Paralelo 31
Mari Lúcie da Silva Loreto; L. C. Vinholes. Revista Paralelo 31, edição 11 –  dezembro de 2018

Música eletrônica no Brasil nos anos 1950
L. C. Vinholes. Música em Contexto, [S. l.], v. 5, n. 1, p. 27–59, 2013.

O Lugar da performance na música indeterminada cageana
Valério Fiel da Costa. Revista Música Hodie, Goiânia, v. 17, n. 1, p. 7–18, 2018. DOI: 10.5216/mh.v17i1.46422

Música do século XX: as ideias de Cage, Boulez e Vinholes
Lilia de Oliveira Rosa

Música inclusiva: estratégias composicionais conectadas ao uso do público, em obras musicais de Ernst Widmer, Luiz Carlos Lessa Vinholes e Gilberto Mendes
Andersen Viana

A poética japonesa na canção brasileira / Japanese poetics in Brazilian art song
Maria Yuka de Almeida Prado

Música aleatória
Hisour

MÚSICA concreta. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo14330/musica-concreta. Acesso em: 26 de novembro de 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

Três peças aleatórias de L. C. Vinholes numa abordagem pedagógica para criança : análise, criação de atividades musicais e site
Lilia de Oliveira Rosa

TESES E DISSERTAÇÕES

Serialismo, Tempo-Espaço e Aleatoriedade: A Obra do Compositor Luiz Carlos Lessa Vinholes.

Serialismo, Tempo-Espaço e Aleatoriedade: A Obra do Compositor Luiz Carlos Lessa Vinholes. Senha arquivo: LCLV

Defesa de doutorado de Ana Leticia Crozetta Zomer – PPGMUS

Meyer, Aci Taveira;Carrasco, Claudiney; Nogueira, Lenita W. Mendes; VIANA, A.; YANSEN, C. A. S.. Três peças de L. C. Vinholes numa abordagem pedagógica para crianças. 2011. Tese (Doutorado em Doutorado em Música) – Instituto de Artes da UNICAMP.

MEYER, A. T.;NOGUEIRA, Lenita W. M.; GODOY, E. A.. Exame de Qualificação de Doutorado – O jogo de Vinholes: propostas pedagógico-musicais contemporâneas em sala de aula a partir da aleatoriedade e criação de software educativo. 2009. Exame de qualificação (Doutorando em Doutorado em Música) – Universidade Estadual de Campinas.