Com festas, presentes e promoções, o fim do ano impulsiona os gastos. Especialistas e consumidores compartilham experiências e dicas para evitar excessos e começar o ano no azul
Por Priscila Fagundes/Superávit Caseiro
Com o fim do ano, o clima de celebração e a troca de presentes se tornam o centro das atenções, mas, junto com eles, vem o aumento significativo nos gastos. As promoções, confraternizações e a busca por roupas e produtos novos incentivam o consumismo, fazendo com que muitos extrapolem o orçamento.
A jovem Vitória Lazari, de 24 anos, admite ser consumista e sente que o final do ano amplifica esse comportamento. “Com certeza, devido às festas de fim de ano, tem que comprar presente para a família, roupas novas…”, comenta. Suas despesas principais nesta época incluem roupas e produtos para cabelo, mas ela tenta se organizar com uma lista de desejos, aproveitando promoções de acordo com o que considera necessário.
Já Victória Bohrer de Moura, de 19 anos, revela que, apesar de ter reduzido os impulsos consumistas, ainda enfrenta desafios nessa época do ano. “Com muitos eventos, amigo secreto, Natal e Ano Novo, sempre surgem muitos ‘motivos’ para gastar”, relata. Embora ela tenha começado a se organizar financeiramente, ainda sente dificuldade em resistir ao apelo das compras, especialmente em vestuário. “Nunca ultrapasso meu limite máximo, mas é difícil não gastar um pouquinho a mais.”
Para o economista Eduardo Tillmann, professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o consumo elevado no final do ano é natural, mas requer atenção. Ele aponta que, além das celebrações, o décimo terceiro salário pode levar ao descontrole. “A gente acaba gastando mais nas confraternizações e presentes, e muitas vezes perde o controle financeiro. É importante planejar para evitar extrapolar o orçamento”, alerta.
Tillmann sugere estratégias simples, como listar os gastos previstos, priorizar dívidas e compromissos financeiros e aproveitar promoções de forma consciente, verificando históricos de preço para evitar falsas ofertas. Ele também enfatiza a importância de focar nos itens mais necessários e evitar compras impulsivas que possam comprometer o início do próximo ano.
Dica: anotar todos os gastos previstos, como presentes, confraternizações e despesas com festas, além de considerar os custos fixos.
A psicóloga Mariana Aires explica que há diversas razões psicológicas e sociais que aumentam o consumo no fim do ano. “A necessidade de pertencimento pode ser um fator emocional que contribui para o consumo. O desejo de sentir-se conectado a amigos e familiares pode levar ao consumo como forma de demonstrar afeto e de sentir-se confortável em participar das festividades, mesmo que isso possa levar a compras que extrapolem o orçamento”, afirma.

Além disso, Mariana destaca que o clima festivo e as campanhas publicitárias reforçam comportamentos consumistas. “Durante as festas de fim de ano, há uma expectativa cultural e social para que as pessoas se envolvam em presentes, confraternizações familiares, com amigos e de trabalho. A publicidade também tem um grande papel, reforçando a ideia de que o consumo é necessário para ‘entrar no espírito’ das festas. Essa pressão pode levar os indivíduos a se sentirem obrigados a comprar mais para atender a essas demandas”, aponta.
A psicóloga também alerta para os impactos do consumo no bem-estar psicológico: “O consumo pode levar ao individualismo, o que gera estresse, ansiedade e até depressão. Comparações constantes, como nas redes sociais, podem causar sentimentos de inadequação e baixa autoestima”.
Entre promoções e desejos, o desafio está em encontrar um equilíbrio que permita aproveitar o período sem comprometer a saúde financeira. Com organização e disciplina, é possível entrar no próximo ano sem dívidas – e com a tranquilidade de ter feito escolhas conscientes.