Por Lino Golfetto/Superávit Caseiro
Hoje, mais do que nunca, vemos no mercado de trabalho uma demanda crescente por qualificações cada vez mais especializadas, o que dificulta a entrada de jovens. Portanto, motoristas de aplicativo, entregadores, vendedores autônomos e freelancers passaram a ocupar um espaço cada vez maior no Brasil. Essa expansão do trabalho informal faz com que diversas dinâmicas do mercado passem por mudanças constantes para se manterem competitivas.
A dificuldade de jovens candidatos ingressarem no mercado de trabalho tem popularizado a busca por formas alternativas de renda, aumentando a procura por plataformas digitais como meio de garantir um salário. Aplicativos como Uber e TikTok ganharam grande visibilidade nos últimos anos como formas autônomas e rápidas de obtenção de renda. Isso ocorre porque a exigência de qualificação nesses aplicativos é mínima, tornando essa opção mais atraente para grande parte da população.
Desde 2020, o conceito de trabalho informal vai além dos serviços tradicionais. O crescimento da chamada “economia dos criadores” transformou a relação entre trabalho e redes sociais. Criadores de conteúdo, vendedores em plataformas digitais e profissionais da publicidade online passaram a integrar uma nova economia movida pela internet. No TikTok, por exemplo, usuários conseguem lucrar com visualizações, parcerias com marcas, transmissões ao vivo e divulgação de produtos, obtendo não apenas retorno financeiro, mas também visibilidade e reconhecimento.
Atualmente, isso abre diversas portas para diferentes perfis de pessoas, não apenas jovens. Trabalhadores com empregos formais em período integral podem optar por parcerias com aplicativos como Uber ou 99 para obter renda extra ao final do mês. Além disso, estudantes podem trabalhar de forma autônoma, seja produzindo conteúdo no TikTok ou atuando como motoristas, caso possuam veículo.
Outro aspecto importante é a influência do TikTok no consumo. Produtos que viralizam na plataforma costumam registrar aumento nas vendas, e pequenos negócios passaram a utilizar vídeos curtos como estratégia de marketing. Restaurantes, lojas de roupas, cafeterias e marcas independentes usam tendências digitais para alcançar novos públicos. Hoje, os aplicativos fazem parte da rotina de milhões de brasileiros, enquanto as redes sociais influenciam decisões de compra, tendências culturais e até escolhas profissionais.
A plataforma também implementou recentemente uma nova aba denominada “Shop”, permitindo que usuários realizem compras diretamente pelo aplicativo. Além disso, há parcerias com influenciadores para a venda de produtos, muitas vezes com a divulgação de preços promocionais ou condições diferenciadas. Contudo, ao mesmo tempo em que essas plataformas oferecem inúmeras possibilidades de trabalho, também apresentam instabilidade financeira. Diferentemente dos empregos formais, a renda obtida por meio de aplicativos e redes sociais pode variar constantemente. Mudanças nos algoritmos, queda de visualizações e ausência de garantias trabalhistas fazem parte da realidade de muitos trabalhadores digitais.

Imagem: site Lojas Renner
Outro fator relevante é a ausência das leis trabalhistas previstas na CLT, que garantem direitos aos trabalhadores brasileiros. Essas normas ainda não se aplicam plenamente às plataformas digitais nem ao trabalho informal. O desafio dos próximos anos será encontrar formas de equilibrar inovação tecnológica, crescimento econômico e proteção aos trabalhadores em um mercado cada vez mais digital, flexível e dependente de plataformas online.